domingo, 7 de novembro de 2010

A TORCIDA QUE TEM UM TIME

Alguém conhece uma torcida que vê seu time perder uma final de campeonato por 4x0 e mesmo assim o consagra?

Alguém conhece uma torcida que, ainda na derrota, reconhece e aplaude o trabalho honesto, honrado, decente de jogadores, comissão técnica, diretoria?

Alguém já ouviu falar em uma torcida que, se desloca em grande número para outra cidade para apoiar o seu time, mesmo sabendo que o jogo já tem as cartas marcadas e é bem recebida pelo povo hospitaleiro daquela cidade, pelo clube amigo, irmão daquela cidade e por seus torcedores simpáticos e acolhedores.

Alguém já viu uma torcida que, fazendo uso dos seus direitos garantidos pela abençoada democracia não tem medo e nem vergonha de expor os seus mais legítimos e verdadeiros sentimentos, suas sinceras convicções seja ao poder público que a decepciona, seja às autoridades que a prejudicam, seja à temida entidade máxima do futebol de São Paulo?

O dia 07 de novembro entrará para a história do futebol como o dia em que a torcida sofrida e injustiçada do interior paulista se vestiu de vermelho e verde, se fez representar por cerca de 2000 pessoas presentes ao aconchegante estádio Barão de Serra Negra em Piracicaba; ganhou vida, forma, cheiro e cor e palavra na voz e no coração de 2000 velistas.

É chegado o momento das autoridades, da classe política de Rio Claro tomarem vergonha na cara e passarem a vestir a camisa, tomar as dores e cerrar fileiras com as coisas e a gente de Rio Claro, a cidade que os elege, que os acolhe e que lhes atribui cargos e funções para os quais deveriam se sentir honrados e agradecidos.

É chegado o momento da Federação que se diz paulista e não apenas paulistana de Futebol realmente voltar a olhar com bons olhos, com carinho pelos clubes do interior deste estado pujante, celeiro de craques, rico em história e tradição futebolística, e torcida, porque atrás de um são-paulino, um palmeirense, um santista, um corinthiano, há um velista, um quinzista, um são-joanino, um americanense, um galista de limeira, um ponte-pretano...

07 de novembro de 2010. Ano da libertação, ano dos 100 anos, ano do título outorgado por uma coletividade destemida, gigante, no tamanho e no coração e que realmente veste a camisa do clube que ama. Ano do Velo Clube. O time glorioso e centenário que merece mais respeito e consideração. Todo time pode dizer que tem uma torcida. Mas nem toda torcida pode dizer que tem um time. A do Velo Clube pode.

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