quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ANO NOVO. VIDA NOVA.

Nestes novos tempos. Tempos de transição e não destruição. Tempos em que no bojo das intempéries da natureza renovadoras e salutares ao ambiente físico e espiritual do planeta que, como qualquer ser humano é um ser vivo, livre e independente, a humanidade tem a grande oportunidade de se espiritualizar. Ou seja, o ser humano pode e deve buscar a essência daquilo que de fato é: espírito.
As modernas tecnologias são conquistas pelas quais a humanidade fez por merecer, por meio do seu esforço ininterrupto de aprendizado e trabalho. Elas proporcionam conforto, comodidade, segurança, uma melhor qualidade de vida. Mas são acessórios, não são a essência, como em princípio sugerem o deslumbramento que proporcionam.
O homem, evidentemente, deve se servir dessas modernas tecnologias, mas não deixar-se se escravizar por elas, dedicando atenção e tempo além do que recomenda a inteligência.
A vida humana é uma experiência, uma oportunidade com data, local e hora para começar e terminar. Antes de sermos humanos, já éramos espíritos. Vivíamos há um milhão de anos, senão como somos hoje, mas, do modo como podíamos, conforme nosso nível de evolução naquele momento, e estaremos vivendo daqui a 1 milhão de anos.
Então, por que a pressa? Por que o medo? Tais sentimentos não se justificam, não encontram respaldo na consciência quando, despidos de orgulho e vaidade, a enfrentamos cara a cara, senão por iniciativa própria, algo possível a cada instante de nossa experiência, nossa vida humana, mas, compulsoriamente, quando, ao final de cada experiência, temos necessariamente que nos submetermos ao tribunal da nossa consciência, o único que, de fato, tem o poder de nos condenar ou absolver.
Ao mesmo tempo em que os avanços da ciência nos oferecem as vantagens para gozarmos uma vida humana mais longínqua e prazerosa, algo justo porque se estuda e trabalha-se arduamente também para isso, portanto, aqueles que o fazem são merecedores disto, podemos também cuidar do espírito que somos. Porque o espírito que somos, feito o corpo físico que temos, ele também possui as suas necessidades, também precisa de cuidados, carinho, atenção.
Práticas acessíveis a todos, que, tempos atrás, poderiam levar um indivíduo às barras dos tribunais da Inquisição, hoje tem seu mérito, valor e importância reconhecidas, porque foram estudadas, analisadas, entendidas e aceitas.
Uma delas é a transmissão de fluídos benéficos. Chamada de: passe, para os espíritas kardecistas, johrei para os messiânicos, reiki para os adeptos da terapia alternativa complementar. Nada mais é do que através do pensamento positivo, da boa intenção, do desejo firme e forte de ajudar e ser útil ao próximo, canalizar as energias positivas do espaço cósmico (os bons fluídos) e transmiti-las imbuído de amor ao assistido substituindo as energias negativas pelas positivas, através do método simples e eficiente da imposição das mãos.
As terapias holísticas também oferecem oportunidade para um trato, digamos assim, no espírito que somos.
E evidentemente, a boa leitura, aquela que edifica valores que a razão recomenda e o Bem sanciona tem o poder de nos despertar a consciência para os valores morais, tão importantes para a nossa evolução, que, em face dos nossos mesquinhos e pueris interesses, nos passam despercebidos.
Inúmeras são as bibliotecas públicas municipais, e Rio Claro as possui em boa conta, devidamente organizadas e atuantes, que oferecem boa leitura, de forma gratuita e em ambientes agradáveis, podendo-se inclusive retirar o livro por período determinado, se o indivíduo fizer o seu cadastro.
As prefeituras oferecem também gratuitamente, aulas de diversas modalidades esportivas para crianças, adultos e jovens. Além de oficinas culturais.
Nesses dias tão corridos, onde parece estar faltando tempo para tantas ocupações às quais nos dedicamos, precisamos sim recarregar as nossas baterias humanas e espirituais, pois, no estágio de evolução em que nos encontramos, dependemos de ambas, e quando uma não está devidamente carregada e não funciona direito, a outra se desequilibra e o rendimento do espírito que está e vive em um corpo humano, ou seja, nós mesmos, cai em níveis por vezes, assustadores, o que acaba por impedi-lo de viver, produzir e caminhar com equilíbrio, de maneira harmônica, em paz, em sua infinita jornada de evolução, onde aprende, e, portanto, cresce, agiganta-se, aperfeiçoa-se ao infinito intelecto e moralmente.  

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

AMORES SUBJETIVOS


Esta é a triste história de Horácio. Mas bem poderia ser a minha. Ou a sua, caro leitor que, agora, cheio de curiosidade, eu espero, passa a ler as próximas linhas.
Horácio odiava telefone. Pensava-se ser este o motivo. Talvez fosse. Talvez. Mas enfim, não se sabe. O fato é que Horácio passou o Natal e ninguém, literalmente ninguém dos que lhe eram próximos se lembraram de lhe desejar Feliz Natal. Ninguém. Nem mesmo ao telefone. Ninguém disparou contra ele um torpedo. Embora, suspeita-se que motivos e pretendentes não faltassem.
Ninguém bateu no seu portão, naquela manhã com ares natalinos, calorenta e inspiradora manhã. Nem mesmo as crianças esperançosas em ganhar uma moedinha.
Não ganhariam. Mas acontece que nos causa, o finado leitor há de convir, uma deprimente perplexidade constatar o baixíssimo índice de popularidade do Horácio até mesmo entre seus familiares.
Papai e mamãe do nosso estimado coleguinha devem ter passado juntinhos, a mais significativa noite do ano, matando a saudade que já era tanta, coisa de 20 anos, em algum lugar do céu ocupado por uma estrela.
Os irmãos, os dele, bem, nada a declarar, meritíssimo.
Os sobrinhos, que um dia lhe chamaram de tio, estavam evidentemente entretidos com seus filhos, seus amores e seus spiritus sanctis, então porque demônios se lembrariam do tio?
A “ex”, como sempre, lembrou-se, alguns dias antes, por motivos outros e óbvios.
A filha, a dele, do Horácio, bem entendido, anda muito preocupada consigo mesmo, seus questionamentos e interesses dos 15 primeiros diabólicos anos recém completados. Estava bem vestida, bonita, satisfeita, esqueceu-se de passar no caixa eletrônico, digo, papai Horácio, naquele 25, próximo passado. Agora dei de ser chato.
Amigos de outras épocas, hum...!
Amigos que Horácio imaginava amigos...? Quer saber? Acho que já sabem.
A distante classe dos colegas, aqueles e aquelas, senhoras e senhores educados e gentis, porque cordialmente e permanentemente distantes, com as quais se vive uma vez por semana, uma vez por mês, ou duas, alguma situação pertinente ao trabalho, a rua onde se mora, a padaria, o cabeleireiro que se freqüenta; aquele pessoal do nosso habitual bom dia, boa tarde, boa noite, e quando morre alguém do meio a gente diz: Morreu é? Coitado! – De Horácio se lembrarão, na próxima vez que cruzarem com ele em algum desses lugares. Pra lhes dizer solenemente e com aquele jeito de: “desculpe, estou com pressa”, o seu singelo: bom dia, boa tarde, boa noite, é claro. E já é muito.
A lembrança, o carinho que o pobre Horácio recebera nesse último 25, veio do amigo da maturidade que não tem lhe faltado desde que surgiu em seu caminho. Não à toa, o nome do sujeito começa com a letra primeira da Vida. Valter.
Conclui-se, portanto, sem nenhum melindre ou remorso que o desprezado Horácio ou qualquer um de nós, quando não se interessa em saber da vida dos outros ou não sabe expressar o que sente por eles acaba esquecido naturalmente.
Porque as tecnologias modernas ao mesmo tempo em que encurta as distâncias entre as pessoas, coloca a todas elas, independente do grau de parentesco, da consangüinidade que as envolve no mesmo nível de importância umas das outras, feito o pirilampo que orbita a lâmpada do poste da rua mal iluminada.
Quem é importante na vida de quem? Como ser importante na vida de alguém antes de entender e aceitar que afeição é via de mão dupla?
Aquele que se coloca acima dos outros, que se coloca à margem dos outros, independentemente de quem seja os outros, torna-se insignificante, acaba esquecido, passa a inexistir para os outros.
Complicado? Descomplico.
Porque talvez a maneira de melhor sobreviver neste mundo, sem remorso ou arrependimento, seja dizer todos os dias e a cada instante: Oi, eu estou aqui!
Celulares, computadores, redes sociais,  estabeleceram novos padrões de comportamento e relacionamento humano, onde a afetividade precisa se materializar, ter forma, cheiro e cor. Deixou de ser restrita aos insondáveis mistérios do coração.
Como lidar com isso? Desculpe finado leitor, se eu soubesse, não estaria agora escrevendo estas linhas. E, provavelmente, Horácio também não saiba.
Porém, arrisco um palpite. Não basta mais estar presente na vida de alguém, é preciso mostrar-se presente. Não basta mais dizer eu te amo, é preciso demonstrar isso a quem nos importa, antes que outro o faça, mesmo que esse outro não tenha importância alguma para quem é importante para nós.
Talvez haja o próximo Natal no calendário de Horácio. Talvez. E se ele terá percebido estas coisas? Provavelmente, não.
Acho que o enjeitado Horácio já deve ir pensando em arrumar um canto maior para acomodar o seu esqueleto cada vez mais visível, e adquirir um cachorro, um gato, quem sabe, um passarinho. Alguém que não precisa de palavras para demonstrar que gosta dele e se considera importante em sua vida, bastando para isso estar junto. Seria bom, Horácio há de convir, mas não o ideal. Algo que, até o momento, Horácio, imagino, só tenha, encontrado nos livros, nos filmes e novelas. Aquela história de amor com olhares, café na cama... E poesia; depois do sexo. Ou pensaram o quê?! Não parece, mas Horácio também é filho de Deus.
Pois é, o amor, neste mundo, já foi menos complicado.
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, à pág. 17, edição de 01,02/01/2012.
*Publicado no site: http://www.autores.com.br/2011122851834/cronicas/cronicas/amores-subjetivos.html
*Publicado no sitehttp://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151001152

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PARABÉNS PRA VOCÊ!

A afirmação está em João 8:58: “Antes que Abraão existisse, eu sou”. Foi dita por um homem que dividiu a história da humanidade em antes e depois dele. Nenhum outro foi capaz de fazê-lo. E esse homem andava descalço, comia o que lhe davam, jamais empunhou uma espada, jamais liderou um exército, ao contrário do que muitos imaginavam e esperavam que ele fizesse. E, até onde se sabe, jamais escreveu uma só palavra. Mas as coisas que disse ficaram para a eternidade.
Este homem jamais fundou religião alguma, embora, de seus ensinamentos, muitas religiões tenham se apropriado, cada qual, para atender aos seus interesses, justificar os seus dogmas, satisfazer suas pretensões, e, em última instância estabelecer o poder espiritual sobre as pessoas e mantê-lo, mesmo que a custa do sangue alheio derramado.
Este homem ensinou o maior dos mandamentos, o do amor incondicional ao próprio indivíduo, ao semelhante deste e, acima de tudo e de todos ao Pai Criador.
Fez a humanidade conhecer a outra face desse mesmo Deus. Não mais a face da crueldade e da vingança; mas a face da ternura, da benevolência e da justiça imparcial.
Revelou a humanidade o maior e mais difícil dos ensinamentos, aquele que estabelece a paz, a concórdia, que torna o jugo leve e suave. Ensinamento tão difícil de ser aceito, entendido, mas tão indispensável para se alcançar a felicidade: o perdão.
Este homem ensinou que o único modo de somar a felicidade é dividir o amor. E que o bem que se faz ao semelhante é a si próprio que se faz.
Disse que a melhor maneira de lhe retribuir todo o carinho, a atenção, o amor que nos dedica e todo seu sacrifício culminado em uma cruz é alimentando àquele que tem fome, saciando a sede de quem a sofre, é visitando o doente, o preso, o alienado, é vestindo aquele que nada possui, é ouvindo e consolando o desesperado com uma prece ou mesmo o silêncio na qual muitas vezes se constitui esta prece.
Este homem ensinou a renovar a esperança a cada manhã e agradecer à vida por cada momento. Agradecer ao ar que se respira, ao sol que aquece, a lua que inspira e a água que limpa.
Compreendeu a natureza divina e a humana como nenhum outro. Nada impôs, sugeriu. Conquistou com sua simplicidade os puros de coração. Prometeu buscar a mais distante ovelha de seu rebanho.
Do primeiro ao último momento conhecido de sua existência humana, deixou um ensinamento que permite ao homem aperfeiçoar-se moralmente, ou seja, conquistar o maior tesouro que a traça do orgulho e do egoísmo não corrói e o tempo não desfaz.
Alguns de seus contemporâneos faziam igualmente prodígios e profetizavam. Mas quem é que fala deles atualmente? Quem é que deles se lembra?
No início de sua jornada única e laboriosa, sem paralelo na história da humanidade, este homem disse com autoridade, certa ocasião, em uma sinagoga, que as escrituras estavam cumpridas, a partir daquele instante. As escrituras falavam sobre a vinda do Messias. Ele próprio. E ele não foi aceito e menos ainda compreendido, porque também fora escrito pelos profetas que o antecederam que o Messias não seria reconhecido entre seu próprio povo.
Todos lhe deram as costas em determinado momento, o mais difícil para ele, e nem assim ele desistiu do seu objetivo. Porque tudo o que queria era ensinar o amor e revelar a verdade. E o fez. Sua mensagem permaneceu após 2011 anos, e está ao alcance de todos. Ela liberta. Esclarece. Consola. Ensina o longo e, por vezes, difícil e penoso caminho cujo destino é a felicidade. E talvez por essa mesma razão, tenha concluído sua jornada terrena, dependurado e transpassado em uma cruz justamente para demonstrar que não há vitória possível neste mundo para nenhum de nós, sem dor e sofrimento. E que a vida verdadeira é a vida espiritual. Pois o espírito feito o vento vai onde quer.
Depois de tudo isso o que nos resta senão agradecer a este homem. E desejar-lhe um FELIZ ANIVERSÁRIO, JESUS, O CRISTO!
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 25/26/dez./2011, à pág. 18.
*Dedicado ao amigo Dalvo Francomano, que, com sua justa indignação me motivou a escrever estas linhas. 

GANHAR OU PERDER

As nuances da vida, repletas de idas e vindas, e tudo porque não entendemos que as coisas passam por aqui, mas não começaram e nem terminam aqui, ou seja, nesta experiência humana do espírito que somos. – g.j.c.jr.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MÃE

A bonita e elegante senhora desta foto, estaria hoje completando 79 anos de idade, se encarnada estivesse. Atualmente, trabalhando junto às equipes do Bem, leva o seu amor, carinho e bondade, a todos aqueles irmãos necessitados de toda sorte, os quais, com a permissão do Paizão lá em cima, ela pode alcançar. Recentemente, ela acolheu com todo zelo que lhe é peculiar um querido companheiro comum que cumprira sua missão aqui na Terra. Esta senhora é minha mãe. E posso ter tido muitas outras, evidente que ainda virei a ter muitas outras mães, porém, esta, é especial, porque me aceitou e me acolheu há 42 anos, no momento de minha vida eterna, cheia de enganos e percalços, que mais precisei. Beijo mãe.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SHOW DO BARCELONA EXPÕE FRAGILIDADES E EQUÍVOCOS DO FUTEBOL BRASILEIRO

Para a imprensa esportiva espanhola não há dúvida. O futebol é feito de deuses, no caso, eles, e alguns santos, no caso, nós. Sim, nós, os brasileiros.
Pretensão? Tolice? Pode ser. Mas também pode ser verdade. E é bem provável que seja.
Nestas poucas e pretensiosas linhas, não se incorrerá no erro, ou melhor, na insanidade de dizer que Neymar é perna de pau, que o futebol brasileiro virou da aconchegante noite japonesa para a insuportavelmente ensolarada manhã brasileira, cachorro vira-lata, pulga de rato ou qualquer outra dessas sandices que os apressados, afinal eles tem esse direito, costumam cometer.
Mas, que as coisas no futebol brasileiro, a exemplo do que sugere o técnico da seleção Mano Menezes, precisam ser repensadas, sem dúvida. A começar por ele e por seus colegas de profissão, que insistem em priorizar os critérios táticos de uma equipe de futebol aos critérios técnicos. Porque, talvez, na mente evoluída deles, muito mais que as nossas, o futebol não passa de um gamezinho desses que se compra nas barraquinhas dos camelôs.
Já ultrapassou os limites da paciência do torcedor apaixonado por futebol ver muitos dos jogadores brasileiros, independentemente do clube ao qual estão vinculados ou do campeonato que disputam “matarem” a bola de canela, errar passes de cinco metros, não saberem cruzar uma bola na área, desperdiçarem gols incríveis, que até a vovó faria, quando se sabe que tais profissionais (eles adoram o termo) passam, ou ao menos deveriam passar, os dias a treinar para atingirem um nível de excelência naquilo que fazem. Afinal, são profissionais, não são? Mas, ao que parece só se lembram disso quando exigem dos clubes, luvas, salários e mordomias que humilha qualquer trabalhador que cumpre honesta e eficientemente a sua exaustiva jornada semanal de trabalho a custa de um minguado salário, e produz riqueza para os outros e não tem tempo de cuidar de coisas cada vez mais importantes como adquirir mais conhecimento e se reciclar.
Mas o que também precisa ser revisto são os rótulos que facilmente os mágicos da mídia, sem nenhum pudor, e visando apenas amealhar fortuna rapidamente, colocam em jovens jogadores que sugerem devido sua rara habilidade, um dia, bem entendido, se tornarem craques. A natureza, porém, não dá saltos. E Pelé, infelizmente, até o momento, só houve um.
Rara habilidade seja em que ofício for não garante êxito e reconhecimento a quem quer que seja. Lembro que o Canhoteiro, ponta esquerda do São Paulo F.C na década de 50, tido por muitos, melhor que Garrincha, jamais brilhou com a camisa da seleção brasileira. Idem, Ademir da Guia, do Palmeiras. Idem, Adílio, no Flamengo, eclipsado por outras feras como Zico e Junior. E vale mencionar, até o endiabrado Paulo Moisés, ponta canhota do meu querido Velão, no início dos 80, dava lá os seus driblinhos, e, jogasse hoje, bem poderia sem nenhum constrangimento vestir a camisa, por exemplo, do meu Parmêra.
É preciso admitir. O futebol brasileiro tornou-se uma mentira. E por diversos fatores. Um deles é o desmando que ocorre na Confederação Brasileira de Futebol, chefiada (aqui cabe o termo) há décadas por um sujeito sobre o qual pairam dúvidas de sua honestidade e caráter. A outra é a subserviência dos grandes clubes, historicamente, salvo exceções, mal administrados por seus dirigentes e que atualmente se acham à mercê de uma emissora de televisão que para adquirir o direito de transmissão dos jogos dos melhores campeonatos lhes paga valores que os clubes, no Brasil, devido à ineficiência de seus dirigentes, são incapazes de obter por outros meios lícitos.
E apenas para ilustrar o tema, pergunta-se, como é possível clubes como o Flamengo e o Corinthians, justamente os de maiores torcidas e apelo popular, e o Santos de Pelé, apenas o maior jogador de futebol do mundo de todos os tempos, não possuírem um quadro associativo que lhes possibilite grandes investimentos e a formação de grandes elencos, a exemplo do Barcelona, uma verdadeira seleção mundial.
Não obstante, é preciso repensar o trabalho que atualmente é feito nas categorias de base na maioria dos grandes clubes brasileiros, porque nos clubes de médio e pequeno porte, diferentemente de décadas passadas, esse trabalho quase inexiste.
A Lei Pelé retirou um direito que era dos clubes e os passou aos empresários, que detém sob contrato, talentos, quase que desde o berço, ainda que isso pareça absurdo. Seduzem facilmente os pais com recompensas materiais interessantes para eles que projetam nos filhos a realização de seus sonhos frustrados.  Mas, ao mesmo tempo, por gozarem de privilégios nos grandes clubes, os empresários barram a oportunidade para outros talentos de menos sorte, desprovidos de contatos, dinheiro e indicações. Quantos garotos bons de bola por se enquadrarem nessa triste realidade ou por não possuírem as condições físicas exigidas pelos profissionais que coordenam as categorias de base abandonam o sonho de se tornarem jogadores de futebol, no balcão do primeiro emprego tão necessário à sobrevivência deles mesmos e dos seus.
Desde a geração de Romário e Bebeto, tetra campeão do mundo em 1994, o Brasil não revela para o futebol talentos geniais e diferenciados.
Alguns mais otimistas entendem o fenômeno como um período de entressafra, ao que parece longo demais.
Tivesse que disputar as eliminatórias para o próximo Mundial, e a seleção brasileira correria o sério risco de, pela primeira vez, ficar de fora da competição, em face de escassez de valores que, reunidos, formam um time apenas mediano senão ridículo.
O que se viu domingo, no jogo entre Santos e Barcelona, pela final do Mundial de Clubes da FIFA foi algo assustador. De um lado os índios vestidos de branco, portanto, santos, ingênuos, desprovidos de meios e de armas e até de motivação, para combater o adversário à sua frente, forte, gigantesco, dinâmico, avassalador, trajando vestimenta pomposa e ostentando a coroa do vencedor.
A nova ordem mundial que se estabelece na política e na economia, chega também ao mais importante de todos os esportes, o futebol. E atende pelo nome de Barcelona, Espanha.


* Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 20/12/2011, à pág.2 
*Publicado no Jornal Regional (Rio Claro/SP), edição de 24/12/2011, à pág. 65, Caderno de Esportes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PINÓQUIO

Eu tenho medo do nada
Medo dos lugares
Medo das pessoas
Medo das ideias
E dos acontecimentos
Do correto
Do que não se vê
Do ontem que retorna
Do amanhã incerto
Medo da palavra não dita
Da fé maldita
Da flor pisada
E da paz perdida
Medo do trajeto que termina
Em uma campa rasa, estreita, gramada
Medo do sol
Medo da lua
Da mulher nua
Do homem culto
Medo de mim
Medo de tudo
Que vejo e não vejo
Medo porque sou
Frágil
Meu nome
É amor.

10/12/2011, tarde.

sábado, 10 de dezembro de 2011

AS CRIANÇAS QUE RASGAVAM LIVROS

O poeta se faz do barro da revolta. Esta é minha crença. É algo pessoal. Que não deve ser aceito ou entendido como verdade porque é apenas o meu modo de ver as coisas. Aquelas pelas quais tenho profundo respeito e gratidão porque me ajudaram a entender e suportar a vida. E elas mais do que a prosa ou a poesia são as informações, o convite à reflexão, as revelações (ao menos para mim) que encontro nos livros. E tem sido assim, desde o primeiro que me atrevi a lê-lo, aos 12 anos, aluno da 6ª. série da Escola Monsenhor Martins. O título do livro, digamos, sugestivo: O Menino de Asas, de Homero Homem. Depois, fucei alguma coisa de José Mauro de Vasconcellos, hoje, tão esquecido (por que será). E pasmem os finados leitores, jamais me deixei levar pelos encantos de Pedrinho, Narizinho ou Emília, embora reconheça a importância deles e do colega de Taubaté para a Literatura Brasileira. 
Às vezes me custa acreditar, por exemplo, que As Aventuras de Nick Adams estiveram durante toda a minha adolescência ao alcance de minhas mãos, mais exatamente na escrivaninha que havia no quarto lá de casa, onde, tarde da noite, meu irmão oito anos mais velho que eu, falava sobre espaçonaves, filmes e Jimi Hendrix, enquanto, encostado na janela, consumia o seu maço de Minister.
Não conheci Nick Adams, mas fui apresentado a Robert Jordan e ao velho Santiago. E de certa forma, paguei minha dívida de gratidão com o tio Ernie, de modo a nos tornamos, enfim, bons amigos. Assim espero.
Não desejaria afirmar tal ousadia, porque meu sobrenome bem poderia ser contradição, ainda bem, mas os livros ajudaram a transformar um garoto revoltado, ateu, irresponsável e inconsequente em uma pessoa digamos suportável, consciente de seus deveres e pacifista, que, sem se arrepender, depôs as armas com as quais pretendia agredir e destruir o semelhante e o mundo. Evidentemente que a maior parte, a mais decisiva coube aos pais de tal criatura que não por acaso, acho que já deu pra perceber, sou eu mesmo.
Exatamente por esse motivo me causa perplexidade a notícia de que em menos de uma semana por duas ocasiões, alunos da rede pública de ensino de Rio Claro trataram de rasgar livros e cadernos. O primeiro fato se deu no último dia 02, no bairro Inocoop nas imediações da Escola Estadual Professor Délcio Báccaro. E o mais recente, ontem, próximo à Escola Estadual João Batista Negrão, localizada no Jardim Guanabara II.
À parte a indignação natural que tais atitudes causem às pessoas que tem a consciência da importância dos livros na vida de um ser humano, sugere e instiga ao mesmo tempo a vários questionamentos e a uma profunda reflexão.
De minha parte, não resta dúvida. O recado está dado. E de maneira bastante clara. Ao praticar um ato de desprezo a alguma coisa, a pessoa demonstra que aquela coisa não lhe desperta nenhum interesse e não tem para ela nenhuma importância.
No caso dos alunos em questão, são dois os recados. Os livros, para eles, não tem nenhuma importância, porque, inclusive o ignoram. Porque lhe despertam mais interesse os computadores, celulares e esses aparelhozinhos de moderna tecnologia, que lhes permitem uma interação instantânea com as pessoas e os acontecimentos do tempo presente, que é o que lhes interessa, uma vez que o futuro, já diziam os seus pais e avós, à Deus pertence, e o passado sequer lhes foi apresentado. Assim como o livro não lhes foi apresentado nas escolas de um modo agradável, estimulante e valioso. E se não foram os livros, menos ainda o seu conteúdo, e em nenhum momento, os seus autores. Então como que estes alunos podem gostar e ter interesse por livros?
O segundo recado, é que a educação pública neste país vai de mal a pior, sucateada, ultrapassada, parada no tempo e no espaço, necessitada para ontem de uma revolução. Porque não desperta mais interesse no aluno que, antes de reconhecê-la como um caminho natural e necessário à sua sobrevivência em um mundo cada vez menor e mais competitivo, a encara simplesmente como obrigação, mal necessário, o que, ao invés de libertá-lo para a vida, o torna prisioneiro da ignorância e de todos os malefícios dela advindas.
Se os atos praticados pelos alunos merecem repúdio e até punição, estes mesmos alunos merecem de nossa parte o devido carinho e atenção. São seres humanos em período de formação de caráter. Merecem e precisam de todo o interesse e esforço da sociedade em ajudá-los a mudar os seus paradigmas, a ver as coisas que ora detestam de maneira positiva, com outros olhos, porque estas mesmas coisas, ao invés de serem suas inimigas ou inconvenientes, são suas aliadas. E dentre estas coisas, estão os livros, está o conhecimento que os livros podem lhes proporcionar, está a educação, a única coisa que pode prepará-los para a vida para que a vida seja para eles algo bom e prazeroso, e para que eles possam devolver o mesmo à vida e ao mundo ao qual pertencem e na mesma proporção 
Ou encaramos o desafio ou continuaremos a produzir às fornadas, cidadãos revoltados, ignorantes, descrentes dos valores humanos e morais que, num futuro próximo estarão interferindo efetivamente e, alguns até de modo decisivo, nos destinos de uma sociedade à qual todos nós pertencemos.
Um trabalho imenso, que só será levado a êxito com dedicação, persistência e, acima de tudo amor pelo ser humano, que deve envolver todos os setores da sociedade, todos, sem nenhuma exceção. E que ainda está por começar, embora sua necessidade e importância sejam reclamadas desde ontem, para não dizer, desde décadas, em um país como o nosso que precisa entender vez por todas que ascensão social, política econômica só se sustenta com educação.


* Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 16/12/2011, à pág.2., e no site do Jornal Rio Claro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

FELICIDADE

"Todo sonho é possível àquele que se dedica e se esforça para torná-lo realidade". - g.j.c.jr.

Parabéns Viviane, filha querida. Você atingiu a primeira meta. Vá em frente. E que Deus esteja sempre com você.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SÓCRATES BRASILEIRO, GÊNIO E LOUCO.

A pergunta é natural quando envolve seres humanos que se destacaram em sua área de atuação de modo a granjear o reconhecimento, o respeito e a admiração das pessoas.
A genialidade justificaria os equívocos da natureza humana? Os enganos a que se expõe o indíviduo ao sofrimento voluntário e, por vezes, ao ridículo?
A morte do ex-jogador de futebol, o doutor Sócrates sugere e estimula esta reflexão.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira é o mais novo integrante do seleto rol de indivíduos que, embora geniais naquilo que faziam, sucumbiram às consequências de uma vida desregrada, que preconiza os prazeres e desvaloriza o corpo humano, este santuário sagrado do espírito que é o que somos e não o que temos.
Da lista fazem parte escritores, pintores, filósofos, cientistas, renomados advogados, médicos, professores, esportistas, sem contar a infinidade de ilustres anônimos.
O vício seja qual for a sua natureza é a batalha mais difícil que um ser humano pode enfrentar. Há desafios que basta a experiência própria, o discernimento que a razão proporciona para serem vencidos. O vício não. Ele é uma batalha de todo dia, senão de todo instante. É feito uma porta que apenas se encosta, porque não possui tranca e fechadura ou cadeado. Para abri-la, basta um vento, que, muitas vezes surge disfarçado de bom moço e dizendo-se amigo, demonstrando-se incapaz de nos cometer qualquer maldade. Ledo engano, que até vemos e sentimos sua presença e intenção, mas nos vemos incapazes de detê-lo ou rechaçá-lo.
O egoísmo é uma tendência natural do ser humano. Porque somos individualidades e o nosso primeiro instinto é o da sobrevivência. Algo que nem a razão sobrepõe.
O que diriam dos gênios? O que sentiriam por eles? Aqueles que, em algum momento da convivência com os quais tiveram, às vezes, durante longo período, foram vítimas do seu egoísmo, que, nestes casos, costuma acompanhar-se das excentricidades. Os filhos, maridos e esposas, pais e mães, ou pessoas que tiveram sobre os gênios uma posição de superioridade, como, por exemplo, os editores, os treinadores e os diretores,
Aos fãs, ao público em geral, é fácil redimir os gênios dos seus equívocos. Porque a relação entre eles costuma ser unilateral e prazerosa. Compra-se um livro, assisti-se a um jogo, a um filme, uma apresentação musical ou cênica e se se delicia com a arte de quem se admira. Mas não se tem ideia do ambiente, das circunstâncias, da atmosfera espiritual em que foi concebida a obra de arte, e que a antecedeu e nem aquela que a sucederá.
Talvez por ultrapassarem muitas vezes os parâmetros do comum, os gênios, sensíveis e visionários em demasia, extrapolam naturalmente a linha que demarca a razão da qual depende a sobrevivência.
Talvez, por já terem vivido muito, pois que outra justificativa sensata se encontraria para o seu exacerbado e espontâneo talento nato, as pessoas geniais naquilo que fazem, são adeptas do carpe diem, desprezam o amanhã, porque sabem instintivamente que ele virá do mesmo modo, embora, não se importem com suas conseqüências. É o que talvez motive muitos deles a preferirem viver 10 anos intensamente a 100 anos submetidos a uma normalidade que os incomoda ao extremo, e que os faz, quando dela não conseguem mais escapar face ás circunstâncias da vida e aos limites impostos pelo tempo, buscarem fuga dessa realidade nos prazeres que os vícios como o álcool e as drogas e o sexo promíscuo proporcionam.
Aos admiradores, ficam as boas lembranças, e o legado de uma obra que perdurará talvez para sempre. Aos gênios das obras de arte, que enveredam por tais caminhos, resta o inferno de uma consciência pesada e que os faz perceber que embora lindo, excitante e incomparável, nada valeu a pena.


*Artigo publicado nos sites: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151000710 e http://www.jornalrioclaro.com.br/5141/artigo-socrates-brasileiro-genio-e-louco/ e no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 09/12/2011, à pág.2.

domingo, 4 de dezembro de 2011

7 PALMOS

Escravo da vida
Vencido pelo tempo
Porque tanto tempo?
Nada bem você diz
São assim os teus dias
Então saia deste lugar
Escolha outro caminho
Esta é tua vontade
Não olhe para trás
Ignore as coisas a tua volta
Esqueça os teus planos
Esqueça tudo que sonhou
Viva para quem te faz viver
Quando pra você sorri
Quando todos já se foram
E todas as vozes o abandonaram
E todos os olhares te esqueceram
Nada faz sentido
É o que você pensa
Feito uma nuvem
Carregada, que passa
Pesada, sobre sua cabeça
É humilhante apagar-se
Sem poder resistir
Deixa-se a vida
Ao nada
Quando se perde o orgulho
E o céu vai escurecendo
A tarde demora a passar
E o sopro divino
Libertador
Não vêm
  

PREGO

“Pior é que leio, ouço, escrevo, vivencio e, nem assim, nada me convence. O que faço da minha vida sem a revolta que me faz viver; e criar” – g.j.c.jr. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

OS 7 MANDAMENTOS DA FAMIGLIA

1 Nunca deixe os outros saberem o que você está pensando. Não fale demais, nunca.

2 Mantenha os amigos próximos de você, e os inimigos mais ainda. Eles não devem saber que são seus inimigos.

3 Não odeie seus inimigos. Isso afeta seu raciocínio. Evite o conflito interno. Não deixe que a emoção o domine.

4 Um homem que não se dedica à família não é um homem de verdade. Mulher e filhos são combustíveis para tornar a luta mais forte todos os dias.

5 Amigos e negócios é igual azeite e água; não se misturam

6 Qualquer coisa ou qualquer homem pode se destruído. É possível chegar ao objetivo. Impossível é manter-se nele para sempre. Tudo se acaba um dia.

7 Os homens mais ricos são também os que possuem os amigos mais poderosos. Nada vale ter dinheiro e não ter aliados.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

LA ALMA FUERTE. E ETERNA.

A última vez que a vi foi na Feira do Livro Espírita há alguns dias, no Jardim Público. Só agora entendo aquele olhar distante. Era uma despedida. Vá em paz, Sandra. A morte não existe para nós espíritos, que é o que somos, e não o que temos. Que Deus continue a iluminá-la La Alma Fuerte. Siempre.

Foi-se quem amava como poucos o que como poucos sabia fazer tão bem: dançar.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

The kiling moon...

"Todo o meu trabalho literário é resultado de uma aspiração, maior do que eu mesmo. E, um dia, mas não por meu intermédio, porque já fiz minha parte, tudo virá à tona e talvez seja compreendido". - g.j.c.jr.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ALL THOSE YEARS AGO

"As pessoas e o tempo destroem toda crença no amor que possamos ter, e, acredito, chegamos mesmo a ter, em determinado momento da vida, que coincide justamente com aquele em que para nós o sol se levanta e faz brilhar o horizonte e o caminho que temos adiante, longo e difícil, para chegar até ele" - g.j.c.jr. 

PAIS E FILHOS

Projeto quer proibir menores nas ruas da cidade à noite. Pais que descumprirem a medida, caso seja convertida em lei podem até ser presos.

Botar tudo nas costas dos pais... Aqueles que trabalham duro dia e noite pra que os filhos possam estudar, mesmo que eles matem aula e apenas cumpram com suas obrigações, sem de fato se preocuparem em aprender, obter realmente formação e não apenas adquirir diplomas. Pais que se desdobram para dar boa alimentação, bom vestuário, boas acomodações aos filhos, mesmo quando estes reclamam de tudo e apenas usufruem e nada acrescentam àquilo que os pais, com dedicação e trabalhando conquistam para a família. Sim, porque esse tipo de filho existe e, infelizmente, é cada vez mais comum. Não dá pra vigiar filhos que se acham no direito de tudo reivindicar, mas que se arrepiam da cabeça aos pés quando são chamados a cumprir com suas obrigações. Já não acredito mais que leis resolvam problemas da humanidade. Fosse assim e a humanidade já teria se resolvido ao tempo de Moisés. A solução passa necessariamente pelo aperfeiçoamento moral do ser humano, cujo impedimento, reside essencialmente no orgulho e no egoísmo. 

DECOMPONDO

Eu havia prometido que jamais tocaria novamente nesse assunto, porque, admito, é algo que me faz recorrer ao maldito Dramin pra suportar as náuseas. Mas, em respeito e consideração àqueles que acompanham e apreciam as minhas crônicas, matérias e artigos publicados no Jornal Aquarius e me perguntam por que meus textos não são também publicados em outros veículos de comunicação de Rio Claro, eu o farei uma derradeira vez.
Há duas respostas:
A primeira, é que ainda sinto prazer e alegria em escrever para uma publicação que é o resultado do talento e do esforço de um sujeito que, mais que amigo e ex-companheiro de redação, é um idealista, um abnegado, que, sem puxar o saco de ninguém, oferece gratuitamente e, todos os meses, ao público leitor de Rio Claro uma publicação diversificada, de aspecto agradável, e de boa qualidade onde é possível entreter-se, obter informações relevantes e divertir-se. Seu nome: Maurício Beraldo. Que merecia ser mais bem reconhecido por aqueles que se auto-proclamam produtores e fomentadores de cultura em nossa cidade.
A segunda resposta é simples: não sou publicado nos jornalões de Rio Claro, porque eles não querem. Talvez não me julguem bom o bastante. Afinal, eles são o máximo.
Mas há exceções. O jornal Diário do Rio Claro, vez em quando, publica algo do que escrevo. O jornal Cidade, já publicou, não publica mais, por motivos que desconheço e não faço questão de conhecer. Aliás, seria um desprestígio à minha inteligência participar de um hebdomadário que tem a capacidade, talvez única na história do jornalismo nacional, de circular aos domingos com dois cadernos, cadernões pra ser exato, de álbuns de fotografia (para ele, colunismo social), e nada, nadica de nada de Cultura, a menos que considerem como tal aquelas famigeradas matérias produzidas por assessorias de imprensa e aqueles artigos de opinião bem pessoal. Perdoem-me o trocadilho.
Eu daria um bom ombudsman. Não é mesmo Sra. Aline, Sr. Gonzales? Onde entrego o meu currículo? No balcão?
Durante um período recente de minha vida escrevi para um site de notícias local e para um jornal veiculado na web. Além das inserções quase diárias neste Blog e nas publicações no site Autores. Sem contar, o trabalho estafante, ingrato e cruel feito geralmente em local, horário e condições inapropriadas que demandavam e ainda demandam meus projetos literários.
Cheguei a escrever uma coluna semanal de esportes para o jornal com abrangência Regional. E a gravar dois “pilotos” para um programa de entrevista de uma emissora local, proprietária, digamos assim, daquele jornal veiculado exclusivamente na web.  Eram compromissos que, a convite, assumi com satisfação e aos quais eu procurava dedicar o melhor do meu conhecimento e capacidade. Buscando sempre superar as minhas limitações, porque as tenho, e quem não as tem?
A proximidade de período semelhante me faz recordar agora que, ao final do ano passado, indaguei-me exausto e doente: O que eu ganho com isso? Ou seja, o que $Ganho$ com i$$o? Quando sabia que outros, sim, ganhavam e eu, ingenuamente, samaritanamente contribuía para isso.
Decidi inclusive afastar-me literalmente do grupo cultural e artístico que ajudei a criar, não ocupando mais sequer cargo diretivo. E o fiz sem nenhum remorso ou arrependimento. E essa é uma decisão irrevogável, que, não me impede, todavia, de continuar respeitando os que ficaram e continuam a conduzir trajetória do dinâmico grupo Auê. E para eles eu desejo, de coração, toda a sorte do mundo. Porque em que pese nossa discordância de opiniões e crenças, são pessoas pelas quais tenho carinho e afeto, porque sei o quanto sonharam e lutaram por isso. E agora vêem a primeira florada de sua lida. Mais que merecido.
Finalmente, a outra razão importante para o meu isolamento é o fato de acreditar que a Cultura financiada pelo Estado jamais será independente, jamais será expressão livre e espontânea de segmentos da sociedade que desejam criar e expandir Cultura e se expressar por intermédio da arte.
  Receber dinheiro do Estado, Município ou União, dinheiro que é público, portanto de todos, para produzir arte e, por conseguinte cultura, não me parece correto, em um país de analfabetos funcionais e onde há pessoas morrendo nos corredores dos hospitais públicos, por falta de atendimento adequado e onde o ensino público, apesar de todo esforço sobre-humano de educadores abnegados constituir-se verdadeiro caos, chegando ao absurdo de se verificar a oferta de drogas ilícitas nas portas de tais estabelecimentos, expondo indivíduos ainda em fase de formação de caráter, portanto suscetíveis a todo tipo de convencimento  e experiência, ao monstro devastador do vício.
Contudo, hipocrisia não cabe em minhas convicções. E por esse motivo, penso que o artista “prostituir-se” por dinheiro, é até compreensível, porque o dinheiro propicia comida, bebida, moradia, vestuário, calçado, remédio, e, finalmente, não cobra favores, quando a relação é meramente comercial entre aquele que compra e aquele que vende.
Agora, prostituir-se por ideologia é a meu ver burrice, e mais, é insuportável, porque a ideologia, o compromisso político-partidário, não demanda esforço e mérito, mas conveniência e encontro de interesses, e só dá camisa àqueles que estão no Poder e aos seus aboletados. Até porque a consistência ideológica dos partidos políticos no Brasil é feita tal isopor.
É por esse motivo que permaneço longe e indiferente a todas as atuais iniciativas de caráter cultural e artístico de Rio Claro, eivada dos vícios anteriormente apontados.
Acredito que em arte não existe o coletivo, como alguns querem crer. Existe o individual, quando muito o tapete, e este são todos os outros, por onde passará o exército de um homem só, o dono da ideia, portanto, dos acontecimentos, das coisas, que, ao desbravar o seu caminho, deixa sua marca, em busca do seu objetivo. Do seu. Enquanto os outros, aqueles que orbitam no entorno dele, poderão apenas saciar a  fome de reconhecimento acreditando que também fizeram parte da história. Sim. Fizeram e fazem, como coadjuvantes.
E eu não pretendo, jamais pretendi ao que se refere ao meu trabalho de criação literária ser coadjuvante de quem quer que seja.
Eu tenho a minha própria história, o meu próprio caminho. Eu e todos aqueles que se acreditam e se declaram livres. Livres porque são independentes. Vencedores ou vencidos, mas senhores de si.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

VERSO E PROSA

"No livro da eternidade, passado é a página escrita, futuro é aquela que será, presente é a que nos solicita  atenção, carinho e amor, virtudes que são as fontes de inspirações para as mais interessantes prosas e os mais lindos versos". - g.j.c.jr.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ALÉM DAQUELAS ÁRVORES - Novela de Geraldo J. Costa Jr. - Capítulo de Abertura

Capítulo de abertura de "Além Daquelas Árvores", de minha autoria, inédito. Todos os direitos reservados.

1.
Aos poucos, as pessoas se retiravam. Algumas em silêncio, cabisbaixas; outras, conversando amenidades e reminiscências. O sol despontava naquele final de tarde, depois que chovera forte e ininterruptamente desde a noite anterior. Habituados à situação os coveiros trabalhavam.
Quando a lápide foi assentada, Lúcia percebeu que havia se rompido o derradeiro laço de afetividade que ainda mantinha com a família. Acompanhada do marido, retirou-se, tomando o rumo da avenida central do cemitério onde havia acabado de sepultar a mãe.
Junto ao marido buscava apoio para enfrentar com dignidade o terrível momento. Não sentiria a mesma dor se ao invés de enterrar a mãe, houvesse enterrado o pai. Tinha dele muitas mágoas com as quais fora obrigada a conviver aqueles anos todos. Agora estava livre.
Lúcia acompanhava, ao acaso, o vôo desorientado de um bem-te-vi procurando abrigo no galho de uma árvore, quando, súbito, olhou para trás, e viu o irmão mais novo, junto ao túmulo da mãe ainda observando o trabalho dos coveiros.

Quando Édi nasceu, Lúcia já tinha onze anos. Ela procurava nisto encontrar razões para a distância que sempre houvera entre eles. De repente, enquanto desviava os olhos de Édi para procurar o bem-te-vi, percebeu que, durante aqueles anos todos, nunca se preocupara com o irmão caçula como deveria. Na verdade, tinha um conceito exageradamente crítico em relação a ele, porque lhe causava decepção o modo inconseqüente como Édi se comportava. Naqueles últimos meses, quando se agravara o estado de saúde da mãe, e sua presença se fizera mais constante na casa dos pais, com os quais, Édi vivia, Lúcia percebera que o irmão tornara-se de fato, como ela temia, um jovem revoltado. Édi demonstrava preocupante indiferença para com a vida. Durante muito tempo Lúcia achava que isto era conseqüência da incapacidade que ele demonstrara desde pequeno em enfrentar os problemas, preferindo transferir aos outros a solução dos mesmos. Mas, ao menos naquele momento, admitia a possibilidade de rever esse conceito.
Parou de caminhar, de repente, e, pedindo licença ao marido, foi ao encontro do irmão, e, já bem próxima, deparou-se com o olhar compenetrado e ao mesmo tempo perdido que ele, ao acaso, lhe dirigira repentinamente.
Édi, entretanto, parecia divagar em pensamentos longínquos. Aos olhos de Lúcia, tornara-se um espectro. Édi continuou olhando-a, mas agora, com indiferença. E ela deteve-se em observá-lo atentamente. Ele parecia não haver tomado banho naqueles últimos dias, sequer fizera a barba, e, naquela manhã, nem penteara o cabelo. A sua aparência desleixada sempre a incomodara.
Porém, naquele momento, ela queria apenas lembrá-lo de que poderia lhe substituir a mãe. E tentara fazê-lo com um olhar, porque não teria coragem de tentar com palavras. Embora este fosse o repentino e inexplicável desejo que lhe acometia.
“Édi...? Você não vem?”. – disse ela.
Como se voltasse à realidade, Édi pousou o olhar sobre a irmã.
Marcos, o marido de Lúcia, aproximava-se.
Édi respondeu indiferente:
“Por que deveria?”.
Respostas assim deixavam-na desconcertada. Nunca soubera como agir em tais circunstâncias.
Cônscio da situação desagradável, porém, comum naquela família, Marcos tratou de tirar a esposa dali de perto. E, embora contrariada, Lúcia acompanhou o marido.
Deixavam o cemitério, caminhando em direção ao carro, quando Lúcia olhou para trás e encontrou novamente o irmão, ainda no mesmo lugar e do mesmo modo. E algo que não era comum experimentou um sentimento de afeição por ele. Algo que, durante o trajeto para casa, quis acreditar fosse apenas piedade. (...)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O NOVO VEXAME DO LEGISLATIVO DE RIO CLARO

Depois de mais um show de horrores, protagonizado, dessa feita, pelos vereadores Mônica Messetti (DEM, ao menos é o que informa o site da Câmara) e Valdir Andreeta (PR) na sessão camarária de última quarta-feira (22), fica mais uma vez demonstrado ao eleitor rio-clarense a necessidade de promover, democraticamente, através do sagrado direito do voto, uma profunda renovação no Poder Legislativo de Rio Claro. É o cúmulo se utilizar da tribuna pública para discutir assuntos de interesse pessoal. A velha história do acusa, mas não prova tão habitual na vereança de Blue City. Na referida sessão, os vereadores votaram 8 projetos. Ótimo. Mas qual deles tem significativa importância para a comunidade rio-clarense, de modo a interferir de maneira positiva em sua vida?
Tanto o Executivo, como o Legislativo Municipal de Rio Claro, para o desgosto de sua população, tem dado provas cabais de sua incompetência, na atual administração que se iniciou em 2009 e se estenderá até 2012, portanto, terá o rio-clarense mais um ano de sofrimento e decepção. O primeiro incapaz de levar a bom termo uma licitação, o segundo, de promover um concurso público sob o qual não pairem desconfiança. Sem contar as interferências infelizes, de quase todos os vereadores, quando de suas manifestações em plenário, onde pairam deboche, ironias, falácias e tentativas de justificar o injustificável. Pergunta-se: O que Rio Claro ganha com tal situação?
E tudo isso a nosso ver decorre do desinteresse das pessoas de bem, aquelas realmente idôneas, preparadas moralmente e intelectualmente pela política. Porque nunca é demais repetir, onde o bem se ausenta o mal se instala.
A parcela jovem da população rio-clarense, que, dividindo o escasso tempo entre trabalho e estudo, que se dedica de corpo e alma às iniciativas de cunho cultural e social, reclamam amiúde, nas redes sociais, nos encontros dos quais participam, a falta de oportunidade em participar de maneira mais efetiva da vida política local. Alegam que são cerceados no seu direito de expressar e interferir nos partidos políticos com os quais se identificam (até por falta de opção de outros melhores) e tentam participar.
E isso realmente ocorre se levarmos em conta que, na relação de candidatos a vereadores e mesmo nas chapas que disputam o poder executivo, a cada eleição, as caras são sempre as mesmas, os discursos sempre os mesmos, as promessas idem, independente dos resultados, ou seja, dos votos obtidos nas urnas.
Por que será que isso acontece? Aqui é oportuna uma especulação. Acaso teriam “donos” os diretórios locais dos partidos políticos? Quais compromissos inconfessáveis ou inquebrantáveis teriam esses “donos” com os caciques estaduais e nacionais dos partidos políticos estabelecidos em nossa cidade? Ou nada disso aconteceria, e sim, apenas a confirmação daquilo que sugerimos anteriormente, ou seja, o triste e desolador cenário político local dominado por pessoas que representariam os interesses de segmentos específicos da sociedade rio-clarense e não o interesse coletivo. Pessoas despreparadas moralmente e intelectualmente, porém, dotadas de uma esperteza ímpar para ludibriar o eleitorado, através de falsas promessas que se renovam na sua forma, mas permanecem inalteráveis no conteúdo a cada quatro anos.
Estas continuarão sendo protagonistas da cena política de Rio Claro enquanto prevalecer a omissão das pessoas de bem e devidamente preparadas.
A esperança reside na atual juventude e nas novas gerações de rio-clarenses, de onde poderia e deveria surgir um movimento que tivesse por objetivo mudar essa situação e trazer novos ares, novas ideias, novas práticas mais salutares à vida política da cidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ALEIJADINHO, 197 ANOS DEPOIS

Hoje, 18/11, completam-se 197 anos do desencarne (morte do espírito não existe, e nós, somos espíritos e não o temos) de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Na versão oficial dos fatos há muita controvérsia sobre a vida do mestre da arte barroca. Mas, quem deseja se aprofundar na história do Aleijadinho poderá encontrar com riqueza de detalhes, aspectos até então desconhecidos dessa sua trajetória humana e de outra igualmente importante, no livro “Confidências de um Inconfidente”, psicografia de Marilusa Moreira Vasconcellos ditado pelo espírito Tomás Antonio Gonzaga. A dica que sugerimos é que o mencionado livro está disponível na 45ª. Feira do Livro Espírita de Rio Claro promovida pela USEIRC – União das Sociedades Espíritas Inter-Municipal de Rio Claro e região, que acontece até 30 de novembro no Jardim Público.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ABRIGO

Mas é minha casa
Moro em uma casa devastada
Sem telhado, portas e janelas
Onde o sol se rompe
E a sombra se abriga
O vento traz e leva
De minha casa restam as paredes
Chão esburacado
Escadas que sobem
E não descem
Poeira por toda parte
Ninhos de pássaros
Que defecam sobre minha cabeça
Gatos que dividem comigo o travesseiro
Cães que ladram e vem me visitar
E olham em redor
E me olham
Como se perguntassem:
Como é possível?
Minha casa é feita de sonhos
Feita de esperança desfeita
Instantâneos de uma vida
Almejada, jamais vivida
Copos quebrados
Talhares sem par
Toalhas e fronhas
Lençóis pendurados
Cortinas pelo chão
E a tarde demora a passar
E vem a noite
E insisti ficar
Não fala, não ladra feito o cão
Escuta e vê:
O nada
Que está por toda a parte
Casa abandonada é a minha
Destruída
Chão que a chuva esqueceu
Sem vida
Minha casa onde vivo
Tem um nome
Que desprezo, insisto esquecer
Nada pode me oferecer:
Literatura