quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O NOME DO AMOR

E já se vão duas semanas de janeiro do novo ano. Baixada a poeira da empolgação, revela-se o retrato em preto e branco da realidade. Hora de parar pra fazer as contas e se dar conta de quantas ficaram para trás, e quantas outras virão mais adiante. Contas. Vivemos em função delas nesse mundo modernoso, eletrônico, midiático, onde imagem é tudo. E conteúdo é zero. Ou quase.
Já reparou que todo começo de ano ocorre uma tragédia? É pra batizar com fogo o futuro que chegou? Ou será recadinho da natureza pro bicho homem: “Não me sujeito aos seus caprichos, Senhor Homem”.
Se é verdade que o calo do Armstrong pisou na lua e deixou impregnado o seu horrível chulé, as montanhas, algumas também conhecidas como serras, não se demonstram tão receptivas quanto a lua. Mas entre a fantasia da primeira e a realidade da segunda, há uma terrível distância e ela é feita de desabrigados, destroços, soterrados, órfãos, e uma multidão silenciosa que misturou suas lágrimas às chuvas que não desaparecem, preferem permanecer, à espreita, em densas e intermináveis e fantasmagóricas nuvens e pelos cantos do céu infinito, de onde vem a morte precedida por seu anjo, cuja foice, ceifou a alegria daquele povo bom de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis.
Se voltarão a sorrir aqueles homens e mulheres? Claro que sim. O sol também se levanta para todos, apesar da chuva. E depois dele, vem o arco-íris. Tudo passa. E talvez esse seja o grande barato da vida.
Pode se perder tudo, menos esperança. Quem a perde está morto. Ainda que veja, que ande e que respire.
De todas as derrotas que a vida nos impõe, sempre tiramos uma lição. A que fica desta terrível tragédia com o povo fluminense é de que o país precisa e muito, e para ontem, incrementar o programa habitacional implantado no governo Lula. Porque, exceto os bacanas que construíram nas serras ou ao pé delas suas luxuosas moradias de verão, a maioria das pessoas, lá construíram seus barracos, abrigos e moradias por absoluta falta de opção.
Também se desfez de vez aquele presunçoso mito de que o Brasil é um país onde não ocorrem tragédias coletivas em decorrência dos fenômenos da natureza. Ocorre, sim. E se bem observarmos, todos os anos. Vejamos se agora, as autoridades admitem o fato e tratem de elaborar e praticar ações preventivas que envolva toda a sociedade no intuito de que se não for possível evitar ao menos se amenize os efeitos de tragédias como esta.
É inadmissível que vultosos recursos da União empenhados para a prevenção de catástrofes não foram utilizados por absoluta falta de competência de municípios e estados, alguns dos quais, sequer foram capazes de elaborar projetos. Nada a estranhar, no caso específico dos municípios, quando se sabe que cargos técnicos são ocupados, em muitas ocasiões, por leigos despreparados, incapazes, portanto, de elaborarem trais projetos. Esse é o preço que se impõe ao cidadão pagar: o político mal-intencionado, metido a espertalhão, que vende a alma ao diabo pra ganhar eleição. Porque o sujeito, reza na velha e ultrapassada cartilha de que é preciso acomodar todo mundo na casa da mamãe, mais conhecida como governo.
Entretanto, em meio ao cenário de desolação, que em muito lembra as cidades arrasadas do pós-guerra na Europa, observa-se o espírito de solidariedade, que, por Deus do céu, não é privilégio do brasileiro, mas força motriz do sentimento humano, que desconhece nacionalidade.
A dor do vizinho é a dor de cada um. Porque se vive em sociedade, e se no dia a dia das atividades profissionais parecemos ilhas umas querendo engolir às outras, há, entretanto, algo que nos difere dos outros animais: a centelha de Deus que existe em nós, e que nos faz compreender e vivenciar o sofrimento alheio, e desejar que ele cesse.
O que faz um ser humano suportar horas, dias soterrado por escombros e a cara enfiada na lama, sem poder respirar, sem poder se mexer? O que faz outro ser humano ser arrastado por cerca de 4 quilômetros pela correnteza de um rio enfurecido, batendo durante o trajeto com a cabeça em pedras, até enroscar-se em algum detrito, no caso, uma pilha de telhas e tijolos de uma casa destruída? E, ainda assim, sobreviver. O quê, senão Deus?
Que cada um Lhe dê o nome que convenha. Inteligência suprema, força máxima, causa primária de todas as coisas. Eu, modestamente, o chamo de Amor.

Publicado na edição 91 do Jornal Cidade Livre e no Jornal Diário do Rio Claro de 29jan2011.
Fotos: Web

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um Novo Fim”. Chico Xavier

3 comentários:

  1. Amor é Deus !!! Porque Deus está perto demais do Homem para dizer que Deus é amor.
    Parabéns !

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  2. Texto sábio!!! Parabéns! Quando abrimos aporta para este Amor ele nos abre todas as portas!
    Grande abraço

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  3. Eu sou testemunha em minha vida que Deus é amor e quando deixamos ele entrar em nossas vidas, nos tornamos melhores a cada dia!
    Abraços querido amigo.

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