domingo, 29 de maio de 2011

O AUTORES, UMA FAMÍLIA

O site Autores.com.br é uma família. No Espiritismo, se aprende que a nossa família é a humanidade com todos os sabores e dissabores que isso implica. Calma, não se trata de discurso proselitista em favor de uma Doutrina. É apenas uma constatação.
Falo por mim. Eu comecei a escrever no citado site em 2008, quando publiquei “O Último Distante da Décima Hora”, que eu recomendo, sem nenhuma pretensão de parecer convencido, e já parecendo.
O que mais me agrada é o caráter democrático do espaço. Já flertei com outros sites do gênero. Mas não é a mesma coisa. Falta àqueles o tempero que a este sobra. Tem-se mesmo a impressão que se está em uma biblioteca pública, porque se encontra de tudo: de textos a leitores dos mais variados perfis e conteúdos. E isso é fascinante. É algo só mesmo possível no mundo virtual que a internet proporciona, onde todos existem, se esbarram e interagem, ainda que não se conheçam propriamente dito.
Nunca pretendi ser compreendido no Autores. Mas o modo carinhoso como os colegas escritores e leitores recebem a maioria dos meus escritos me dão a certeza de que uma vez publicado o autor já não é mais dono de si mesmo. Um texto publicado faz de um escritor, vidraça. E há aqueles que não compreendem e não aceitam essa situação. Paciência. É um direito deles. Entretanto, se discordar, replicar, treplicar, argumentar, contradizer são condições que garantem o pleno exercício da democracia, nunca é demais lembrar a necessidade de se tentar fazer isso com inteligência e educação. Caso o contrário, deixa de existir o debate salutar e oportuno e passa a imperar a disputa, eivada de ignorância e maldade, desnecessárias.
Acredito que os idealizadores e os mantenedores do mencionado site, não têm ideia do serviço de valor imensurável que fazem a cultura brasileira, em especial à Literatura. Se dali sairão best-sellers é coisa que pouco importa. Porque ali, sim, a Literatura existe, de fato e de direito. E com todos os seus predicados e defeitos.
Talvez um dia os governantes e as autoridades brasileiras dêem-se conta da importância cultural e social da Literatura e de espaços democráticos como o Autores. E se tivermos que esperar por esse dia que o façamos sentados. Mas eu sugiro que não esperemos. Lutemos. E mostremos a eles que estão errados.
Nós, brasileiros, temos por tendência natural acreditarmos em milagres. Somos um povo bom, ingênuo, tanto, que chega ser irritante. E somos um povo que ao contrário do que tentam nos fazer crer as sumidades intelectuais da política, das artes, da cultura e do mercado editorial, somos sim um povo que gosta de ler e escrever. Apenas nos falta oportunidade para ter mais acesso aos livros e mais espaços como o site Autores.com.br, para compartilharmos nossa criação literária, enfim, os mundos que criamos dentro de nós para os outros.
Participar desse convívio é realmente levar uma vida de escritor naquilo que ela tem de melhor. Por exemplo: conheci um pouco de Salvador na Bahia, levado pelo depoimento emocionado do educador, poeta e escritor Raymundo Luis Lopes, mestre dos haicais e do Tai-Chi-Chuan, quando me concedeu uma entrevista para a Revista Virtual Letras com Arte, que apesar de ter durado apenas duas edições, foi uma iniciativa ímpar e ousada do Autores.com.br, muito bem conduzida pelos profissionais que levaram o projeto adiante.
Posteriormente, entendi realmente o que era contar historias para crianças, por intermédio da colega Patricia Ferraz da Silva, cuja pauta conduzida por este reles repórter, e que sairia na terceira edição da revista virtual mencionada, caiu, caiu simplesmente, como se diz no jornalismo. Perder gols e jogos inacreditáveis faz parte do juego de la prensa. E jornalista sabe disso perfeitamente.
A minha primeira experiência desse gênero no Autores, foi uma matéria para a edição número zero da saudosa revista, através da qual pude render homenagem a um dos  meus “professores”, o chegado tio Ernie. Isso mesmo, assim, na intimidade. Somos velhos conhecidos. Por falar nisso, o autor de O Velho e o Mar, ainda não me disse por quem os sinos dobram, embora, feito eu, já tenha dado adeus às armas. Deve estar agora se divertindo porque decididamente Paris é uma festa e as ilhas das correntes são difíceis de ser alcançada. É melhor buscar a outra margem do rio, entre as árvores. E passear com a ragazza A. de gôndola em Veneza, ao invés de encontrar a morte na tarde ou sucumbir sob as neves do Kilimanjaro.
Creiam-me, já dei uma de psicólogo e também já me deitei no divã, naquele site. Isto mesmo, seus sabichões, abelhudos que atendem pelo nome de leitores. Explico. De novo? Então vamos lá. Sempre tive da parte dos colegas escritores e leitores do Autores, uma palavra amiga, um gesto de compreensão e comprometimento que tanto ajuda a enfrentar os inúmeros e intermináveis desafios da vida humana. Principalmente agora. No momento em que escrevo estas linhas, faz exatamente uma semana que eu me despedia de meu pai, vencido ele que foi por um persistente sujeito de nome horrível e diminuto que o acompanhou durante longos 12 anos.
A poeta Tânia Martins, a artista Catucha, de alma perfumada; as adoráveis irmãs Patricia e Anna Letierre, a refinada Srta. Niki, a meiga Jussara; a perspicaz Laís, a determinada Eloísa, o sonhador Sr. Anarquista, a amável Sra. Guenia, o misterioso Ajo, e a misteriosa Ellin, a excitante Manilkara, o venerável doutor Pamaro, a risonha Aranoi, a transcendente Katia, o talentoso Hiago,  a doce Cely, o sempre cordial Paulo Valotto; os generosos Cilas, PJLima1, o iluminado Alexandre Schorn, o crítico Santosh, a professora Rackel; a encantadora Nadi, a realmente linda Lindinha, Solange Sorrisos Lima, a fofinha da Anne, o pontual Abreu, o Professor Carlão, a fiel Eliza, a bondosa e apaixonante  Bruxa dos Contos, ufa! E, enfim, todos os quais eu não me recordo o nome no momento, saibam que moram no meu coração sem pagar aluguel ou ameaça de despejo.
Meu pai sempre foi a minha referência, maior inspiração, causa primária de toda a minha produção literária e eu sequer cheguei aos pés dele, nem de longe. Ele me disse que era possível, e é por ele que escrevo. Sempre foi. E muito mais agora.
Todavia, há uma pessoa que embora não participe mais daquele convívio virtual, porém aconchegante que o Autores.com.br nos proporciona, é a responsável por vocês, caros colegas e leitores terem de me aturar a mim e aos meus textos publicados lá e cá. Ela me ensinou o caminho das pedras, o modo como as coisas acontecem, enfim, ela me levantou tantas vezes do chão, e tantas vezes curou as minhas feridas. Aquelas que mais doem. As da alma. Ela impediu que o escritor que trago dentro mim, maltrapilho, malcheiroso e, na maioria das vezes, cego, surdo e mudo às coisas do mundo à sua volta, deixasse de existir. Ela, Adriana L.
Se fez bem ou se fez mal, o tempo, a posteridade irá dizer. Porque, diferentemente do que acreditava o meu companheiro do bom e indispensável scotch. Mr. Francis. S. Fitzgerald, eu tenho certeza que não escrevo para os da minha geração. Talvez, quem sabe, para os da próxima. Ou para geração nenhuma.
Mas, por incrível que pareça não me sinto derrotado. Pois se ontem eu passei pela ponte, hoje, eu passo sob ela. Faz diferença? Faz. Toda diferença. Principalmente quando se sabe quem é e o que se pode realizar, fica mesmo difícil contentar-se com a sombra do vão da ponte, onde se escondem os rejeitados, os ignorados, e os incompreendidos e toda a sua dor, e toda a sua vergonha. Mas, como diz o amável e atencioso Emmanuel, não importa como seja a noite, a alvorada virá. Creio nisto. É o que me faz viver.
Um beijo no coração de todos vocês.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ao mestre, com carinho

No último dia 20, faleceu em Rio Claro, aos 78 anos, Geraldo José Costa, ex-treinador de futebol das categorias de base de clubes amadores de nossa cidade.
Natural de Santa Cruz das Palmeiras, o Seu Geraldo, como era conhecido, era também contabilista, formado em 1956, pela tradicional e extinta Escola Bilac.
Costa trabalhou durante 24 anos na Casa Farani, que foi um dos estabelecimentos comerciais mais conceituados de Rio Claro e região. Depois, abriu seu próprio escritório no bairro de São Judas Tadeu, onde residiu com a família durante 10 anos. Viúvo de Alzira Pignatti, Costa tinha três filhos: Maria Eleonora, Carlos Alberto e Júnior; 5 netos (Patricia, César, Marcos, Pedro e Viviane) e dois bisnetos (Gabriela e Luiz Felipe).
No futebol amador de Rio Claro, ao lado de Alcides Faria, Benedito Augusto, Osvaldo Augusto, Jovelino Costa, José Stecca, Constantino Zanetti, Augusto Francisco Novo, Durval Broetto, entre outros, foi um dos fundadores, em 1963, do C.A Nacional da Vila Americanópolis, que veio a ser o segundo clube de futebol amador a obter a concessão de um estádio distrital em Rio Claro, antes mesmo do Cidade Nova F.C, que à época era um clube bem mais antigo. “O Nacional era um dos times mais queridos de Rio Claro. O campo estava sempre cheio de gente nas manhãs de domingo. A garotada enfrentava os jogadores mais experientes dos outros times de igual para igual”, lembrava com orgulho Costa que, no Nacional, atuou como dirigente até 1973, quando se mudou do bairro.
Em 1978, o Seu Geraldo, como o chamavam os seus ex-pupilos, foi convidado pelo educador Benedito José Zaine, para treinar a equipe de futebol (até 12 anos) da Escola Estadual de Primeiro Grau Monsenhor Martins com vistas às disputas dos Jogos Infantis daquele ano. Exerceu o cargo até 1983, quando, convidado por Antonio Sotero, o popular e inesquecível Totinha, passou treinar a equipe infantil da A.A Santana, onde permaneceu até 1986, ano em que se transferiu para o Rio Claro F.C, a convite do dirigente Klebs de Moura e Silva. No Azulão, chegou a dirigir interinamente a equipe profissional, em 1987, por duas oportunidades, após a saída do treinador Jorge Cruz. Ao deixar o Rio Claro F.C, em 1989, Costa aceitou o convite de Pedro Caraça e José Guarino Jr. e transferiu-se para o Juventude F.C para ocupar o cargo deixado pelo saudoso Prof. Casemiro.  Em 1992, retornou para a A.A Santana, então presidida por Osvaldo Muller, o Turcão, onde orientou a equipe amadora e no ano seguinte a equipe Sub-17. O último clube em que Costa trabalhou foi o Paranavaí A.C, do Paraná, do qual foi treinador da equipe Sub-20, em 1999.
Distante dos campos, acompanhava o futebol pela televisão. Foi sócio patrimonial e titular da cadeira vitalícia No. 24 Fila “E” do estádio Benito Agnello Castellano, e ainda guardava a carteirinha como lembrança. Mas, embora tenha sido cogitado em meados dos anos 80, jamais treinou uma equipe das categorias de base do rubro-verde, seu time do coração. E, aos mais próximos, não escondia a mágoa.
Ao longo de sua vivência no futebol, Costa fez grandes amigos, dos quais jamais se esquecia como Guarino Jr., Osvaldo Gomes de Araújo, Geraldo Arasso, Totinha, Turcão, Alcides Faria, entre outros
Palmeirense de nascimento e paixão tinha por Ademir da Guia seu maior ídolo. E Telê Santana como referência. Amante do futebol ofensivo, Costa sempre orientou suas equipes para a busca incessante do gol. Dos adversários que enfrentou, destacava com admiração os professores Gibi, Cassinho, Valdir de Oliveira, Deva e Walter Ramos, todos, no seu entendimento, leais e esportistas.
Costa calculava que cerca de 500 crianças e adolescentes  estiveram sob seu comando durante mais de 30 anos, atuando como dirigente e treinador de futebol das categorias de base nos diversos clubes em que trabalhou.
A homenagem que recebeu do Juventude F.C, na qual o Quadrangular de Futebol Infantil disputado em dezembro/2009 levou o seu nome, por iniciativa do dirigente e amigo José Guarino Jr. foi a única forma de reconhecimento que teve em vida por seu trabalho, e o deixou bastante emocionado e satisfeito.

ATLETAS e AMIGOS
Costa não ganhou dinheiro com o futebol. No Rio Claro F.C, recebia ajuda de custo, nos demais clubes, trabalhou como voluntário. Mas se dizia plenamente satisfeito e realizado, porque praticando futebol, os meninos ficavam longe dos terríveis vícios que destroem e ceifam vidas. Tinha satisfação por saber que a maioria daqueles meninos de ontem se tornaram homens de bem e excelentes profissionais, atuando de maneira correta e positiva nos diversos segmentos da sociedade.  Ele lembrava com carinho dos vários garotos que estiveram sob sua orientação técnica.

C.A NACIONAL FOI CELEIRO DE CRAQUES
Vários jogadores que começaram ou passaram pelo C.A Nacional da Vila Americanópolis, do qual Costa foi um dos fundadores, chegaram ao futebol profissional, entre eles: Jovair Augusto (Rio Claro F.C), Edson Augusto (A.E Velo Clube), Jairo (S.E Palmeiras), Chicão Sciamana (São Paulo F.C), Araújo (A.A Ponte Preta).
O final melancólico de um dos mais tradicionais e queridos clubes de futebol amador de Rio Claro, ao final dos anos 90, foi recebido com tristeza por Costa e por toda a coletividade esportiva de Rio Claro.
O estádio 2º. Distrital, localizado à Avenida 26-A com Rua 12-A, cuja concessão foi obtida graças ao esforço dos esportistas moradores do bairro e à boa vontade do então prefeito Álvaro Perin foi desativado com a extinção do clube. O local foi posteriormente loteado, e hoje, é ocupado por residências.

Legendas das fotos:
1) Geraldo José Costa, aos 75 anos.    
2)    Ao lado dos filhos: Carlos Alberto, Eleonora e Junior.
3) A neta Viviane e o filho Junior em apresentação no Sarau Cultural promovido pelo Grupo Auê de Cultura e Artes em abril/2009, em Rio Claro.
4) C.A Nacional (1965); Geraldo José Costa é o primeiro à direita, agachado.

terça-feira, 10 de maio de 2011

UNS e OUTROS

Há quem diga que o triângulo é a síntese da Geometria perfeita, o que não ouso questionar, por motivos óbvios. Deus me livre. Mas, deduzo daí que um dia todos seremos quadrados. Explico.
É comum para nós que já atravessamos o portão dos 40 tecermos críticas, algumas vezes descabida, ao comportamento e às preferências dos atuais jovens e adolescentes, com as quais, evidentemente, não compartilhamos.
Mas, outrora, também não fôramos vítimas de tão injusta atrocidade – não é mesmo? – por parte de nossos pais, e professores, tios, tias e avós?
Adolescentes e jovens sempre deverão explicações à sociedade, porque estão à frente do seu tempo. A eles pertence o novo. E bom seria se continuássemos todos sempre jovens ou adolescentes. Seria? Evidente que não, pois estaria comprometido o equilíbrio e a harmonia necessários à perpetuação da espécie humana.
Filhos questionam pais, e, por sua vez, serão questionados por seus filhos. Daí estabelecer que um fato, um comportamento, um costume, uma tendência social ou cultural do passado seja melhor e mais interessante que qualquer outra do presente, é no mínimo pretensão.
A ideia que prevalece, entretanto, é que as coisas, o mundo e a humanidade, que conhecemos quando ainda crianças eram infinitamente melhor do que a de hoje. E isto talvez se explique porque para o bem ou para mal, aquelas coisas, aquele mundo e aquela humanidade foi o que nos acolheu, o que imprimiu sob rótulo de verdade e via de mão única, as nossas primeiras e mais marcantes impressões, estabeleceu os nossos conceitos, e formou o nosso caráter, determinando nossas preferências e costumes, porque, afinal, somos produto do meio em que vivemos, embora tragamos na mochila de nossa bagagem espiritual ideias e tendências inatas.
Vou ilustrar a dissertação. Nos meus 14, 15 anos, eu achava – desculpe o termo chulo, mas outro melhor não encontro –, o conjunto musical porto-riquenho Menudo, um pé no saco, daqueles bem dados, sabe. Mas as garotas da escola, da igreja, do clube, enfim... (é bom parar por aqui) adoravam. Exatamente como as garotas de hoje em relação ao (Deus me perdoe!) Restart. Bah! Eu disse. Não acredito. Ok. Respire fundo escritor. Isso. Três vezes. Porque ainda resta dizer: Dentre elas, as garotas, a minha filha. Depois conversamos Viviane.
Quando digo para Vivian que ela ainda terá 40 anos, ela ri. Ótimo. Vingança é prato que se come frio. Eu espero.
Porque hoje sou um pai quadrado, é bom que todos saibam. Tudo o que eu tento ensinar de bom e de correto para a minha filha dentro de casa, o mundo lá fora e a escola, desmente sem nenhum pudor.
Penso que isso ocorra porque para os governos, nós seres humanos somos estatísticas (e sabe aquela história bonita do papel aceita tudo né) e para o mercado somos consumidores, é o que somos.
As coisas não são feitas para durar. Precisam ser substituídas pelas novidades, porque as novidades são atrativas e estimulam as vendas. E atualmente na prateleira da sociedade humana se encontra tudo: ética, moral, dignidade, dentre outros.
Comércio. É o que também se dá com os valores subjetivos. Se a sociedade tolerasse um criminoso exercendo um cargo de prefeito ou presidente da república, ele logo se tornaria uma tendência, prática comum, natural. Não que eles não existam, os prefeitos e presidentes criminosos, mas pode crer que este sujeito ou aberração, como queiram, seria idolatrado e vendido com o rótulo de herói, tanto quanto Barrabás o fora pelos judeus sequiosos por condenarem o inocente Jesus, apenas porque Este incomodava e os trazia à realidade ao dizer a Verdade.
Pais e filhos, jovens e idosos, o que precisam é buscar o diálogo e aprenderem mutuamente.
As recentes pesquisas revelam que em breve espaço de tempo, nós brasileiros, seremos um país com elevada faixa etária em significativa parcela da população.
É preciso desde já buscar a harmonia do triângulo e rejeitar a exatidão presunçosa do quadrado. O triângulo tem a base estável e aponta para o alto. O quadrado aponta para todos os lados, sem rumo.
Precisamos buscar uma convivência salutar e amiga entre os novos e os antigos, conscientes de que ninguém é dono da verdade e que todos podem crescer e ser feliz juntos porque há espaço para todos.
Vivemos o frescor de um início de século, onde as ideias que suscitam o aperfeiçoamento moral do ser humano encontram respaldo. Aproveitemos o momento que conspira a favor. Façamos o bem prevalecer. Não dividamos mais nossas forças, jovens e velhos, unamo-nas. A disposição espiritual e o vigor físico de uns, a sapiência, a prudência e a experiência de outros. E o mundo será melhor. Porque, é bom lembrar: onde o bem se omite, o mal se instala.
Aos jovens, a certeza de que caminhar é preciso, sonhar é importante e estimula a vida, sem jamais esquecer que o tempo que se vive depois de jovem é infinitamente maior do que aquele que se vive enquanto jovem.
Então que seja um bem viver. Construído, porque assim é preciso, desde já. E nesse contexto, é indispensável o respeito e a valorização daqueles que aqui chegaram antes. E se existe alguma diferença entre uns e outros, esta é a única.

terça-feira, 3 de maio de 2011

COMPOR E DECOMPOR. RECOMPOR.


Você acredita que alguém, imbuído de um espírito tirano e conquistador, é capaz de derrotar o maior inimigo que possui e deixar de exibi-lo como um troféu? Se sua resposta é sim, então, provavelmente, você acredita que Osama Bin Laden está morto. Eis a boa notícia. A má: você também acredita que Papai Noel desce pela chaminé a cada 25 de dezembro.   
Por que isso acontece? Uma das razões é porque o papel da mídia é servir ao Poder. Mas, quem é o Poder? São os políticos? Os artistas? Os esportistas? As celebridades? As pessoas que, de alguma forma, através da mídia, influenciam decisões, estimulam comportamentos,  interferem, enfim, nos destinos da sociedade?
Não. Em verdade você não os conhece, porque não os vê na mídia. Mas se já ouviu falar em nomes que fazem parte desse seleto grupo, dos Senhores Poderosos do Mundo, nomes como Rothschild, Morgan, e Rockefeller, por exemplo, você certamente sabe quem é que manda no mundo.
Saiba portanto, que a mente deles e, de mais alguns outros, os quais não encheriam os dedos das mãos, funciona assim: ganhar dinheiro, sempre e cada vez mais, e, conquistar tudo o que houver pela frente, às costas e aos lados, através do dinheiro. Lembre-se que o Poder é insaciável. Mas o que eles talvez não saibam ou não admitam é que uma vez tendo conquistado tudo à sua volta, o conquistador se volta para si mesmo. Ou melhor, eles sabem disso. Afinal, sabem tudo. Apenas não admitem, porque uma das mais contundentes características de quem é Poder é o orgulho.
Procure saber os reais motivos da Independência das 13 colônias, da escravidão no Brasil, do Crash da Bolsa em 29, da Primeira e da Segunda Guerra Mundial e da Guerra do Vietnã. Da invasão dos EUA ao Iraque e ao Afeganistão. E de o September Eleven. Bem, este você sabe. Afinal, tanto quanto a recente morte de Bin Laden, a mídia propagou aos 4 cantos do mundo o motivo para aquela tragédia. Leia-se: Terrorismo. Sim, terrorismo. É a primeira palavra que lhe vem à mente. Terrorismo. Propagado por quem? Ah, sim! Bem, eu acredito que você comece a perceber que uma das estratégias mais eficazes de quem é Poder é justamente fazê-lo acreditar piamente em algo que não existe, para que você não tenha os seus olhos e a sua mente voltada à realidade. Para que você não desperte do sono profundo desde que lhe convenceram, às vezes, à custa de martelo e prego, fogo e chibatadas que, existe um Deus que provê o homem, um Deus à imagem e semelhança do homem, e não o contrário.
No Passado, o medo, imposto pelas religiões. Hoje, os mecanismos de alienação, proporcionados pela, cada vez mais, excludente e penetrante indústria do entretenimento. Fábrica de sonhos.
Já lhe convenceram que falar ao telefone a cada minuto é primordial. Que estar conectado significa fazer parte do meio. E não estar significa exatamente o contrário. Fizeram mais. Mostraram para você que a vida só é bonita quando dentro de um automóvel você vê o mundo e as pessoas passarem ao seu lado. Ou quando se entorna garrafas e mais garrafas de cerveja, entre amigos, numa tarde ou manhã ensolarada. No século XX era assim com os cigarros, mas a conta começou a ficar muito cara para a $aúde pública de certos países poderosos. Então, eles compreenderam que estimular o consumo de cigarro era queimar dinheiro. E quando um filho, concebido e criado pelo Poder, começa a dar problemas, é hora de eliminá-lo. Porque assim funciona a mente dessas pessoas. Problemas não são resolvidos são eliminados. Exemplo recente: Osama Bin Laden.
Que gente cruel, mais desumana é essa você deve estar pensando. Que determina e manipula o que você vai comer e vestir, beber, e, enfim consumir. O que você vai assistir na tevê, no cinema, o que você vai ler nos livros, jornais e revistas – se é que se interessa por isso – que música irá ouvir. Pois saiba que eles não possuem nenhum bom sentimento senão para com os seus, nenhum objetivo senão manter ad eternum o que lhes favorece e o que lhes pertence.
Como é que eles, os homens que são o Poder construíram tal império? Bem, remonte à história. Ao Egito Antigo, ao Império Romano, às Dinastias Européias, ao Imperialismo Americano. Em todos esses períodos da humanidade eles já lá estavam a mandar. Eles já o eram.
Fazem o que é necessário para atingir aos seus objetivos. Escolhem entre os mais talentosos os seus representantes junto à humanidade como lhes convém. Através destes falam e escrevem, enfim comunicam de alguma forma o que deve ser comunicado, vendido sob rótulo inquestionável de verdadeiro e bom para convencer às massas, para lhes apontar uma direção, um destino, geralmente seguido pelas pessoas de boa-fé, a maioria, enquanto eles caminham a passos largos em direção ao que pretendem conquistar. Quando eles dizem: Siga por esse caminho significa que estão mentindo pra você. Que já estão anos luz de distância de uma corrida que você, leitor e todos nós, somos meros participantes e jamais vencedores. Lembre-se que você não faz parte do jogo. Não é o astro, o ídolo, o fora de série, o gênio escolhido por eles. Mas pode reverenciar esses astros, ídolos e gênios, e acompanhar a sua trajetória, geralmente efêmera embora apaixonante e delirante. Pode projetar neles as suas aspirações, a sua vida, tal como desejaria que ela fosse. Não porque de fato isso tenha realmente importância para você, espírito que é, mas porque eles o ensinaram desde o princípio que assim é que deve ser. Tal como fizeram com seus pais, avós e antepassados. E você paga pelo direito de viver essa ilusão. Paga o preço que eles quiserem. Porque eles sabem como convencê-lo. Afinal, está escrito na cartilha deles que são os sonhos a razão de viver, e que a fé transporta montanhas. Porque se estivesse escrito que tudo se conquista pelo merecimento, e o merecimento demanda oportunidade, esforço e trabalho, você, caro leitor e todos nós, estaríamos cientes de nossa realidade e seríamos de fato um grande problema para esses sujeitos, os Senhores Poderosos do Mundo. Seríamos realmente capazes de por abaixo toda a estrutura de poder por eles montada que para perpetuar depende de nossa boa fé e ignorância.
Por sinal, este cenário da relação entre idolatrado e idólatra, entre os que são e os que desejam ser, mas não podem, coincide com o conceito do esporte mais popular do planeta e com as luzes da ribalta, não?
Pois é. Lembre-se também, que, segundo a história bonita que fizeram chegar até nós apenas 12 apóstolos foram escolhidos. E que o número 10 é o número de Deus, porque Deus é o Alfa e o Ômega. O 1 e o 0. Ou seja, no mundo dos números, o começo e o fim. E esses, os de 1 a 10, são os que se sentam à mesa. O que vem depois é a criação do Criador. É o que está escrito. Ou melhor, é o que escreveram, para que você acredite nisto. Perceba que eu disse números. E números é o mundo dos que são o Poder. Eles, melhor que ninguém entendem de números e sabem para que servem os números e como usá-los ao seu favor.
Contudo, o que é o dinheiro senão números impressos com valor? O que é o crédito senão um número fictício, que só existe no computador que permite ao ser humano satisfazer a sua aspiração de Ter. Como você se sentiria se soubesse que de todo o propagado dinheiro do mundo, só 3% de fato existe em espécie. Os outros 97% só existe no computador das instituições financeiras. Causaria perplexidade, tanto quanto se você de repente soubesse que uma instituição financeira, a Union Bank Corporation, teria financiado o Partido Nazista. Sim, o próprio. Como? Ora, em uma operação, conhecida pelos criminosos como “lavagem de dinheiro”. É algo tão desolador como saber, por exemplo, que uma das avós de Adolf Hitler, teria trabalhado como governanta na mansão do Barão de Rothschild. De quem? Pois é. O que pensaria um inglês se alguém lhe dissesse que teria sido uma companhia ligada à família Morgan (qual?) quem vendeu o combustível para a Força Aérea Alemã arrasar a cidade de Londres, em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial? Por que, aliás, aquela guerra existiu? Para atender aos interesses de quem? E quem lucrou com isso? Detalhe? A família Rockefeller, com suas empresas, teria lucrado com aquela maldita guerra algo em torno de 200 milhões de dólares à época. Pode até parecer pouco. Mas, atualize os números e verá quanto o titio Rock botou no bolsinho.
Percebe a relação?
Bem, há de se convir. Este é um cenário deprimente, um modo realista, porém detestável, repugnante de se enxergar e compreender a vida. Ou seja, somos todos idiotas, marionetes em um teatrinho, manipulados por meia dúzia de pessoas que brincam de viver.
Certo. E tudo isso é verdade. Mas não apenas isso. Há muito mais além. Há o aspecto religioso: Jesus é a salvação do mundo, o caminho, a verdade e a vida. Que lindo! Que Jesus? A que Jesus nos referimos? Ao Jesus inventado por eles, os homens do Poder? Porque este Jesus é apenas um híbrido de fatos relacionados a muitos outros personagens das mitologias, dentre elas, a egípcia, onde se encontra, por exemplo, Mitra, que, assim como Jesus, teria nascido em 25 de dezembro, de uma virgem, teria morrido num gesto de auto-sacrifício em benefício da humanidade e ressuscitado num dia de domingo.
Busque a verdade, conhece a verdade, e a verdade vos libertará. Não por acaso, alguém bastante conhecido e desprezado por nós, seres humanos, nos disse isso.
Exceto sua mensagem evangélica de Amor e Perdão (e não é necessário mais do que isso), nada mais se sabe realmente sobre Jesus, o Cristo. Os aspectos de natureza humana de sua existência são adaptações livres feitas pelos Senhores Poderosos do Mundo, através dos tempos, para, inclusive, justificar muitas das suas questionáveis e deploráveis atitudes, como por exemplo, As Cruzadas e a Inquisição, que de santa nada tinha.
Lembre-se que a Bíblia que chegou até nós, os seres humanos do Ocidente, é resultado das decisões tomadas no Concílio de Nicéia, em 325, que riscou do mapa, dentre outras coisas, a possibilidade do espírito reencarnar em outro corpo humano, após sua morte física, crença comum até então. E defendida através dos tempos por pessoas como John Huss e Giordano Bruno, que, evidentemente, acabaram cozinhados na fogueira. O Concílio de Nicéia, de caráter religioso, foi presidido por Constantino, imperador romano. Quem era Constantino? Como chegou a ser imperador romano? E com que objetivo? Os Senhores Poderosos do Mundo, melhor do que nenhum outro historiador sabe explicar. O Concílio de Nicéia, grosso modo acomodou os interesses do seleto e reduzido grupo de homens que se constituem o Poder. E satisfez as paixões meramente humanas dos parasitas da fé que dependiam da proteção dos Senhores Poderosos para continuarem gozando das bênçãos terrenas, das quais se acreditavam legítimos herdeiros, enquanto vendiam terras no Céu para os crentes, as pessoas de boa fé. E continuam a fazê-lo até hoje. Pasmem! E ainda que o cenário e a vestimenta e a história da igreja Romana tornou-se, por assim dizer, obsoleta, senão inverossímil.
Bom, mas como é que se vai de repente desmentir tudo aquilo que durante séculos foi propagado como a única verdade. Ora, adapta-se a história, aos tempos modernos. E eis que surgem os homens da fé inabalável, engalanados em ternos vistosos, postura altiva, voz poderosa, empunhando o livro sagrado, e entoando trechos criteriosamente escolhidos para satisfazer os anseios de satisfação humana, meramente humana das pessoas sem opinião própria. Sabem de quem estou falando, não?
Estes homens e estas mulheres, a serviço dos Senhores Poderosos, já atingiram a primeira etapa do Plano que era penetrar a mente falida dos seres humanos que se acreditam desprovidos de inteligência e de oportunidade. Que se acreditam, portanto, derrotados para a vida pelo fato de que foram ensinados a acreditar nisso desde que se conhecem por gente. A segunda etapa é substituir os políticos, esses vermes horrorosos, não é mesmo, que corroem a riqueza e a moral da sociedade.
Será o fim da democracia. O fim da liberdade. O fim de uma era. Já programada desde muito tempo. Surgirá então algo novo para a maioria das pessoas, uma espécie de fundamentalismo flexível da fé não mais em um Deus único, um Messias único, mas em um Governo único, uma Nova Ordem Mundial, como eles apreciam dizer através dos seus representantes, para o qual todos deverão obediência e gratidão, mais ou menos como já perceberam George Orwell e filósofos como Nieztsche.
Estamos irremediavelmente perdidos? Sim. E não. Sim, porque ao longo do tempo aceitamos essa situação, e pregamos numa cruz por assim dizer os homens de bem que tentaram nos despertar desse inconsciente, desse sono coletivo.
Mas, se considerarmos que eles, os homens que são o Poder são apenas meia dúzia, e nós, bilhões de seres humanos, então, veremos que é possível dar às nossas vidas e ao Planeta Terra, dar, enfim à humanidade aquele que é o seu verdadeiro destino. A liberdade, a igualdade e a fraternidade entre os povos. A paz e a felicidade que todos merecemos. Porque somos todos filhos de Deus. Porque há aqueles que olham por nós. Do Alto. São eles que nos ensinam a importância do amor e do bem. O valor imensurável contido em um sorriso, um instante de atenção para aquele que deseja compartilhar a sua dor, um abraço de uma amizade sincera e desprovida de interesse. Deles emanam todas as manifestações belíssimas da natureza humana e do planeta. Eles exalam o perfume da vida, irradiam a luz do Amor que transforma em perfeição tudo o que atinge. É uma luz que não cega, mas esclarece, e esclarecendo liberta. E libertando, coloca o ser humano no seu rumo, de encontro ao seu destino, que é a paz e a felicidade. São os homens de Bem do lado de lá. O outro lado da vida. Que se confunde com o nosso. O Exército da Luz de Miguel. O lar aconchegante de João. É um reino cujo castelo é feito de flores e não espinhos. Que do Alto se transpõe para a Terra, apesar dos Homens que se acreditam Poderosos. Porque a Terra é resultado desse Reino de Luz e Amor, cujo governador, rei, guardião, ou seja lá a denominação que se pretenda dar, é Jesus, o Cristo. O único.

Nota do autor: Este é o primeiro de uma série de artigos que pretendemos publicar sobre o assunto. Ao menos que alguém nos cale antes. O que, evidentemente, não será nenhuma surpresa se vier a acontecer.