quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ao mestre, com carinho

No último dia 20, faleceu em Rio Claro, aos 78 anos, Geraldo José Costa, ex-treinador de futebol das categorias de base de clubes amadores de nossa cidade.
Natural de Santa Cruz das Palmeiras, o Seu Geraldo, como era conhecido, era também contabilista, formado em 1956, pela tradicional e extinta Escola Bilac.
Costa trabalhou durante 24 anos na Casa Farani, que foi um dos estabelecimentos comerciais mais conceituados de Rio Claro e região. Depois, abriu seu próprio escritório no bairro de São Judas Tadeu, onde residiu com a família durante 10 anos. Viúvo de Alzira Pignatti, Costa tinha três filhos: Maria Eleonora, Carlos Alberto e Júnior; 5 netos (Patricia, César, Marcos, Pedro e Viviane) e dois bisnetos (Gabriela e Luiz Felipe).
No futebol amador de Rio Claro, ao lado de Alcides Faria, Benedito Augusto, Osvaldo Augusto, Jovelino Costa, José Stecca, Constantino Zanetti, Augusto Francisco Novo, Durval Broetto, entre outros, foi um dos fundadores, em 1963, do C.A Nacional da Vila Americanópolis, que veio a ser o segundo clube de futebol amador a obter a concessão de um estádio distrital em Rio Claro, antes mesmo do Cidade Nova F.C, que à época era um clube bem mais antigo. “O Nacional era um dos times mais queridos de Rio Claro. O campo estava sempre cheio de gente nas manhãs de domingo. A garotada enfrentava os jogadores mais experientes dos outros times de igual para igual”, lembrava com orgulho Costa que, no Nacional, atuou como dirigente até 1973, quando se mudou do bairro.
Em 1978, o Seu Geraldo, como o chamavam os seus ex-pupilos, foi convidado pelo educador Benedito José Zaine, para treinar a equipe de futebol (até 12 anos) da Escola Estadual de Primeiro Grau Monsenhor Martins com vistas às disputas dos Jogos Infantis daquele ano. Exerceu o cargo até 1983, quando, convidado por Antonio Sotero, o popular e inesquecível Totinha, passou treinar a equipe infantil da A.A Santana, onde permaneceu até 1986, ano em que se transferiu para o Rio Claro F.C, a convite do dirigente Klebs de Moura e Silva. No Azulão, chegou a dirigir interinamente a equipe profissional, em 1987, por duas oportunidades, após a saída do treinador Jorge Cruz. Ao deixar o Rio Claro F.C, em 1989, Costa aceitou o convite de Pedro Caraça e José Guarino Jr. e transferiu-se para o Juventude F.C para ocupar o cargo deixado pelo saudoso Prof. Casemiro.  Em 1992, retornou para a A.A Santana, então presidida por Osvaldo Muller, o Turcão, onde orientou a equipe amadora e no ano seguinte a equipe Sub-17. O último clube em que Costa trabalhou foi o Paranavaí A.C, do Paraná, do qual foi treinador da equipe Sub-20, em 1999.
Distante dos campos, acompanhava o futebol pela televisão. Foi sócio patrimonial e titular da cadeira vitalícia No. 24 Fila “E” do estádio Benito Agnello Castellano, e ainda guardava a carteirinha como lembrança. Mas, embora tenha sido cogitado em meados dos anos 80, jamais treinou uma equipe das categorias de base do rubro-verde, seu time do coração. E, aos mais próximos, não escondia a mágoa.
Ao longo de sua vivência no futebol, Costa fez grandes amigos, dos quais jamais se esquecia como Guarino Jr., Osvaldo Gomes de Araújo, Geraldo Arasso, Totinha, Turcão, Alcides Faria, entre outros
Palmeirense de nascimento e paixão tinha por Ademir da Guia seu maior ídolo. E Telê Santana como referência. Amante do futebol ofensivo, Costa sempre orientou suas equipes para a busca incessante do gol. Dos adversários que enfrentou, destacava com admiração os professores Gibi, Cassinho, Valdir de Oliveira, Deva e Walter Ramos, todos, no seu entendimento, leais e esportistas.
Costa calculava que cerca de 500 crianças e adolescentes  estiveram sob seu comando durante mais de 30 anos, atuando como dirigente e treinador de futebol das categorias de base nos diversos clubes em que trabalhou.
A homenagem que recebeu do Juventude F.C, na qual o Quadrangular de Futebol Infantil disputado em dezembro/2009 levou o seu nome, por iniciativa do dirigente e amigo José Guarino Jr. foi a única forma de reconhecimento que teve em vida por seu trabalho, e o deixou bastante emocionado e satisfeito.

ATLETAS e AMIGOS
Costa não ganhou dinheiro com o futebol. No Rio Claro F.C, recebia ajuda de custo, nos demais clubes, trabalhou como voluntário. Mas se dizia plenamente satisfeito e realizado, porque praticando futebol, os meninos ficavam longe dos terríveis vícios que destroem e ceifam vidas. Tinha satisfação por saber que a maioria daqueles meninos de ontem se tornaram homens de bem e excelentes profissionais, atuando de maneira correta e positiva nos diversos segmentos da sociedade.  Ele lembrava com carinho dos vários garotos que estiveram sob sua orientação técnica.

C.A NACIONAL FOI CELEIRO DE CRAQUES
Vários jogadores que começaram ou passaram pelo C.A Nacional da Vila Americanópolis, do qual Costa foi um dos fundadores, chegaram ao futebol profissional, entre eles: Jovair Augusto (Rio Claro F.C), Edson Augusto (A.E Velo Clube), Jairo (S.E Palmeiras), Chicão Sciamana (São Paulo F.C), Araújo (A.A Ponte Preta).
O final melancólico de um dos mais tradicionais e queridos clubes de futebol amador de Rio Claro, ao final dos anos 90, foi recebido com tristeza por Costa e por toda a coletividade esportiva de Rio Claro.
O estádio 2º. Distrital, localizado à Avenida 26-A com Rua 12-A, cuja concessão foi obtida graças ao esforço dos esportistas moradores do bairro e à boa vontade do então prefeito Álvaro Perin foi desativado com a extinção do clube. O local foi posteriormente loteado, e hoje, é ocupado por residências.

Legendas das fotos:
1) Geraldo José Costa, aos 75 anos.    
2)    Ao lado dos filhos: Carlos Alberto, Eleonora e Junior.
3) A neta Viviane e o filho Junior em apresentação no Sarau Cultural promovido pelo Grupo Auê de Cultura e Artes em abril/2009, em Rio Claro.
4) C.A Nacional (1965); Geraldo José Costa é o primeiro à direita, agachado.

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