segunda-feira, 6 de junho de 2011

59 SEGUIDORES

Nós trabalhamos muito, acreditando construir uma vida melhor, um mundo melhor. Nós temos cada vez menos tempo para nós. E a cada instante, somos levados a acreditar que o inferno de nossas vidas são os outros. Cada vez mais somos mais individualistas e, portanto, mais orgulhosos. O mundo se expande e nós nos encolhemos. Vemos tudo adiante e em torno de nós, entretanto, somos incapazes de olharmos dentro de nós.

Há quem veja nisto o progresso. Eu vejo a perdição. E não me chamo Camilo, desta vez. Embora, algumas vezes, bem poucas, eu ame a vida. Por um instante. Mas não o suficiente, talvez, para continuar...

O mundo está saturado. Há gente demais (embora, alguns, não mereçam essa denominação), há veículos demais, sonhos demais, ambições demais, expectativas demais. O tempo urge, a vida reclama um instante de atenção, e o espírito, em vão, espera pelo carinho, que dedicamos ao cachorrinho da madame, ao cantor no palco, ao artista da novela, ao texto, que, por absoluta falta de sintonia, de nossa parte, custa a sair.

A roda da vida humana gira célere e seremos em algum momento cuspidos para fora. Voltaremos a ser em realidade o que sempre fomos e jamais deixamos de ser: espíritos.

Então voltaremos a pensar e agir, e não o contrário. Porque o pensamento, depois da ação, geralmente é remorso.

E quem sabe, voltaremos a ser parte da natureza, por nós, vilipendiada, ultrajada, esquecida. Voltaremos, talvez, a amar.

Afinal, Deus existe. Até a página 2.

2 comentários:

  1. Afinal Deus existe, e nisto creio fielmente.
    Vou esperar a continuação do seu texto.
    Abraços.

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  2. Sim, isso tudo é perdição, gerada pela busca desenfreada do homem enquanto ser, da felicidade que está dentro dele mesmo, mas ele não vê.
    No aguardo da segunda parte.
    Abraço

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