sábado, 25 de junho de 2011

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS - (Entrevista) -

Pedagoga, formada há 9 anos, em Artes Visuais pela Universidade Castelo, ela se define como professora de vocação e artista pelo amor às artes. Contadora de Histórias, desde 2006, escritora de poesias e contos. Além de apresentadora do Programa Contando Histórias e Fazendo Artes na TV Cinec. Patricia Ferraz da Silva, que integra o cast de escritores do site Autores.com.br com o sugestivo pseudônimo de Contadora de Histórias  nos concedeu esta entrevista em 2010 para a edição No. 02 da Revista Virtual Letras Com Arte que não foi editada. Assim, publicamos o trabalho aqui no Passa a Régua.

Como a atividade lúdica de contar histórias surgiu em sua vida? Foi por opção ou necessidade? 

Surgiu em um momento difícil de minha vida. Para não cair em depressão fui buscar ajuda nos livros. Foi por necessidade, pois as crianças não liam e nem havia interesse então sai da professora para me tornar a Contadora de Histórias.

Quais virtudes e quais técnicas deve dominar o contador de histórias?

Entusiasmo, emoção, prontidão, gostar do que faz e ler muito. Postura Vocal, troca rápida de figurino também são essenciais.

Em um mundo dominado pela tecnologia digital, a infinidade de informações e a força da imagem, ainda há espaço para o lúdico, na sua avaliação?

Há muito espaço para o lúdico, apesar da alta velocidade da informação.

Como quem ouve uma estória contada por você pode mudar a vida pra melhor?

Entrando comigo na história e deixando se envolver pela história contada, pois cada história tem sua moral e seu fundo de verdade.


Na condição de professora infantil que recursos você utiliza para convencer seus alunos a se interessar por Literatura?

Trago recursos diferentes para cada história contada para chamar atenção deles. Por exemplo: abordo diversos gêneros literários e faço leituras compartilhadas, que é quando os alunos lêem junto da professora e com os colegas também.
       
Você costuma inventar histórias pra contar ou se utiliza daquelas já existentes?

Utilizo-me das histórias já existentes e também as modifico e as reconto. Um exemplo disso é o “Conto Africano”, que é do livro: “As Narrativas Preferidas de Contar Histórias” de Ilan Brenmam. Este conto, hoje, eu reconto com minhas palavras e minha emoção.

O que não pode faltar nas estórias que você conta?

Um pouco de suspense para entreter o interlocutor.

Como você vê o interesse das crianças nas estórias que você conta?

Elas começaram se interessar muito mais a partir do momento que perceberam que saiu a professora e entrou a personagem Contadora de histórias. Pois no começo não havia interesse algum por leitura e depois de conhecerem a biblioteca da escola e ao conhecerem os livros mais próximos deles surgiu o interesse pela leitura.

No seu entendimento ouvir estórias pode ser fator determinante para que a criança venha a se interessar pelos livros? E como estimular ainda mais esse interesse?

Sim. Falo isso de camarote e como Contadora de Histórias, pois é com esse recurso que as estimulo e faço com que elas tenham interesse de ler. Certa ocasião, eu trabalhei com os alunos um livro chamado “Semente da Verdade”. E as crianças me procuraram depois para comentar que o livro falava sobre o menino que ganha a semente e tem que plantá-la, contar a verdade.


Em que aspectos podem fazer bem às crianças ouvir histórias?

Ajuda na maneira de falar e escrever corretamente.  Depois de ouvirem as histórias, eles as recontam. Os menores de 6 e7 anos por meio de desenhos e os maiores reescrevem a história e passam a ler e escrever melhor.

Durante sua atividade de contar estórias algum fato já lhe surpreendeu? Conte-nos.

Já, sim. Vários. Pois ficam maravilhados com as histórias. Li um conto chamado: “Lixo” de Luís Fernando Veríssimo que é a história de um casal de vizinhos que se encontra em uma lixeira de um condomínio e no final os comentários das crianças foram: As pessoas se viram no conto porque o lixo do outro se torna público ao ser jogado, colocado para fora.

Que importância tem para você o ato de escrever?

É extremamente importante, pois, ao escrever eu me liberto de amarras, coloco para fora meus medos, sonhos e desejos.

Como você se define enquanto escritora? Intuitiva, do tipo senta e escreve? Ou metódica, daquelas que anota, pesquisa, elabora, define e só depois se dedica ao ofício da escrita?

Intuitiva extremamente, porque quando “baixa” a escritora, tenho que escrever naquele momento. Pesquisa só para artigos.

Fale-nos sobre sua participação na Bienal do Livro de São Paulo no ano passado.

Surgiu de um convite da Poiesis e Fundação Volkswagen (leia em Saiba Mais) para atuar como Contadora de Histórias.  Eu participava na época do II Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e do II Fórum Prazeres da Leitura, realizado entre 12 a 14 de novembro do ano passado. E, no dia 12, aconteceu um coquetel de lançamento e me descobriram e foi aonde eu fiz a minha apresentação no Museu da Língua Portuguesa. E lá estava a diretora da Poiesis, que, este ano veio a me fazer o convite. Pois faço um curso chamado “Entre na Roda”, e fui a primeira a ser chamada. As apresentação aconteceram no dia 14/08/2010 no stand da Fundação Wolkswagen.

Você participou de uma publicação da USP (Universidade de São Paulo). Como foi isto?

Participei através de um convite da comissão científica para produzir um resumo e dar uma palestra de 15 minutos para falar de meu trabalho. O título da obra é a Arte de Contar Histórias - e foi publicado no caderno de resumo online da Faculdade de Educação da USP pela editora da própria universidade em Outubro de 2009. O reflexo em minha vida é que tendo resumos e artigos científicos para escrever posso concorrer a vagas de Mestrado e Doutorado em instituições de ensino superior. Além de melhorar meu currículo.

O que não pode faltar na sua ilha? Um livro? Ou alguém pra você contar uma estória?

Um Livro que tenha uma boa história.

Passa a Régua, Patrícia:

Eu me descobri como escritora e poetisa há dois anos. Estou me surpreendendo como tal e quando cheguei ao site Autores, eu passava por uma situação ruim em minha vida, mas descobri amigos que se tornaram amigos de coração. E agradeço imensamente pela força e pelo estímulo que tenho recebido. É claro que não me esqueço de minha família e amigos que me apóiam nessa carreira de escritora e poetisa. Aos amigos das escolas em que trabalho e sou grata ao meu público que lê meus artigos.


SAIBA MAIS:
A Poiesis, citada pela entrevistada é uma Organização Social de Cultura que mantém projetos em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura. Já a Fundação Volkswagen é uma entidade da empresa que mantêm vários projetos culturais com objetivo de proporcionar renda às famílias.


A Revista Virtual Letras com Arte, projeto idealizado e conduzido por Adriana Lima, ex-moderadora do site Autores.com.br, teve apenas as edições de número 0 e 1. Tratava-se de um projeto ambicioso e ousado que tinha como objetivo abordar assuntos da área cultural e artística através das novas mídias. Tivemos a satisfação de, a convite, participarmos das duas edições. 

PERFIL:
Patrícia Ferraz da Silva nasceu em São Paulo/SP, tem 30 anos, e mora atualmente em Itaquera, zona Leste da capital paulista. Não tem filhos, é solteira e trabalha na Escola Estadual João Camargo e na Escola Estadual Eng. Octávio Marcondes Ferraz como professora de Artes.


Legendas das Fotos:
1) A professora Patrícia em sala de aula;
2) Contando histórias;
3) Entre amigos;
4) Promocional 

Nenhum comentário:

Postar um comentário