domingo, 12 de junho de 2011

NOITE CELESTE

Apontar o lápis, amassar a folha. Recomeçar. Faz tempo. Agora não é mais assim. Basta deletar. A palavra, a frase, o arquivo, pessoas. Não, pessoas não se deletam. Ainda não. Mas quem sabe um dia.
Solidão. Anote aí copidesque: Dois pontos. Solidão dois pontos. Assim, por extenso. Fica mais bonitinho. SOLIDÃO. Caixa alta para o horror do revisor. Adoro ele. O revisor, não a Solidão. Esta é minha namorada, eterna companheira, único amor.
Maceió me espera. Ao menos nos meus sonhos. Inútil. Terminarei meus dias numa casa de campo, à beira de um lago. Tuviras, tilápias... Piranha. Barba crescida, Marlboro amassado no canto da boca, camisa xadrez, desabotoada, amassada, remendada; camisa xadrez e camiseta branca, por baixo. Johnnie Walker, Gordon, White Horse, Ballantine’s 12, Old Eight 65, a patota toda. E, claro, servido, pelo Jaime – De manhã, de tarde, e de noite. On the rock’s. Ok? All right.
 Na praça, final de tarde, folhas mortas eu pisotearei imaginando vingar-me... De quem?
Passos. Duros e incertos... Levam-me ao destino. Desde os nove anos ele me espera. O momento sublime: recolher-me em seus braços, querida. Como então me verá? Garoto? Homem? Velho?
Não sei. É o que digo quando me olho no espelho. Nada.
Eu me apresentarei perante o tribunal de Madame Consciência como folha em branco. Sem pauta. Não houve quem a preenchesse. E me recusei a fazê-lo.
Promessas? Pra quê?
Sorrir? Como?
Ser feliz? Onde?
Eu!
Quem? De quem está falando, rapaz?
Espere, espere! Quando a noite chegar, ouça:
Dormirei aqui. Bunda no chão, encostado no poste.
Entrada de parágrafo, dois pontos:
Chuva que não cessa. Asfalto molhado, andorinha defecando sobre minha cabeça. Seis horas e os trovões abafam os sinos da Matriz do João. Bicicletas no quintal de casa. Ruas vazias. Céu escuro carregado de nuvens. Onde as estrelas? Dalva está muda no centro da praça. E o Museu virou carvão. Nem parece Rio Claro. Sem os trilhos.

I... I wish you could swim, David, I-I will be king. Pode acreditar.

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