sábado, 9 de julho de 2011

ANJOS NO CAIS

Inverno,
Que as árvores desfolhem
Que os galhos se quebrem
E os laços se rompam
Que seja o caos
E que a dor impulsione
Que traga a luz...
Que clamem os espíritos
E os pássaros voem
Que a carne apodreça
E a pústula espirre
Em nosso rosto
Que a verdade se destrua
Por nossas mãos
Como um feixe de mil luzes
E revele a noite...
E, no instante seguinte ao pesadelo,
Entregues somos
Olhares se perdem
Sonhos se desfazem
Reputados para a morte
Para o vale de sombras,
Como anjos decaídos
Anjos do cais
Onde não se vê horizonte
E o caminho do meio
Bifurca-se em dois
Três, e mil nadas
Onde, como loucas possuídas
Clamamos por amor
E ouvimos vozes ao longe a nos dizer adeus
Onde plantamos flores, e cheios de esperanças
Colhemos...

Um comentário:

  1. Sou apaixonada por seus escritos e este também me encantou.
    Dizem que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória, e eu creio nisto, então porque não semear flores e colher flores.
    Parabéns, você escreve divinamente.

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