quinta-feira, 21 de julho de 2011

GABINETE DE LEITURA DE RIO CLARO MERECE RESPEITO

O centenário Gabinete de Leitura Lenyra Fracarolli é um patrimônio da cultura de Rio Claro e nunca mereceu a devida atenção do Poder Público, por intermédio de suas várias secretarias municipais ao longo do tempo. E muito menos dos grupos organizados que se dizem preocupados com a preservação, o estímulo e a divulgação cultural, principalmente ao que se refere à Literatura, sempre tão mal compreendida e tratada, não somente em nossa cidade, mas, no Brasil.
As mesmas pessoas que agora se dizem escandalizadas, já foram ou são frequentadores do Gabinete e nunca tomaram iniciativa alguma para colaborar com aquele importante espaço cultural.
Sou cadastrado, como milhares de outros rio-clarenses para ter o direito ao acesso e retirada dos livros do Gabinete, aqueles que são circuláveis, e sempre fui muito bem tratado por sua diretora e seus funcionários, pessoas que se percebe de boa índole, ótimos profissionais e interessados em realizar um bom trabalho. Não é culpa deles se não lhes é dado as devidas condições para bem desempenhar o que é necessário e algo mais que pode ser feito visando sempre a melhoria do serviço prestado.
Rio Claro tem a cultura na ponta da língua. É público e notório os discursos, os famigerados coletivos, as iniciativas de cunho artístico e cultural que morre no calor do entusiasmo e na falta de objetividade, porque conduzidas sempre por aqueles que demonstram querer se beneficiar da cultura para os seus interesses próprios e não da coletividade.
Em termos de cultura, o que esperar para Rio Claro, depois do triste episódio envolvendo o Museu Amador Bueno da Veiga, reduzido a escombros e cinzas, depois de um incêndio, não devidamente apurado e até hoje sem solução?
Nenhuma administração nem atual e nenhuma outra antes desta preocupou-se em viabilizar a reforma e a adequação que o prédio do Gabinete de Leitura solicita já há tanto tempo. Talvez estejam esperando pela segunda visita do Imperador Pedro II, porque talvez, interessados que são por cultura e literatura, não saibam que o imperador já morreu faz alguns aninhos.
Se não é a imprensa, como sempre, repercutir o descaso e a má conservação de certos livros do acervo do Gabinete, fato denunciado na Internet, e que merece inclusive melhor explicação das partes envolvidas, e certamente os responsáveis pela cultura local não estariam agora se mexendo para dar uma resposta à altura que o assunto exige.
Contudo, é muito mais fácil ter esperança nas iniciativas vindas de pessoas voluntárias, que inclusive já começam a se movimentar, segundo se tem notícias (1).
Também neste aspecto é factível a triste pergunta: Pra quê governo?
Curioso senão ironia do destino é que à entrada do Gabinete de Leitura se vê retratado em uma pintura de gosto duvidoso, Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro da triste figura e seu fiel escudeiro, Sancho Pança.
A esperança é a última que morre. E ainda bem que, ao contrário da Literatura ela desconhece a palavra fim

(1) http://www.facebook.com/event.php?eid=192447187480812
*Publicado no site Jornal Rio Claro: http://www.jornalrioclaro.com.br/categoria/j-costa-jr/
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 23/7/11, à pág.2.

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