segunda-feira, 18 de julho de 2011

GRACIAS, BRASIL!

Hoje vou deliciar os meus fiéis (assim espero) 65 seguidores declarados e dezenas de milhares de leitores anônimos com o assunto do momento.
Pois bem. Conseguimos. Ou melhor, eles conseguiram. Perder para o Paraguai não é nenhuma novidade. Sou do tempo, nem tão distante, bem entendido, que empatar com o Paraguai já era motivo para demitir o treinador, como ocorrera em 1979, com Cláudio Coutinho, responsável por formar aquela máquina de jogar futebol do Flamengo no final dos 70 e início dos anos 80. Mas que na seleção negou fogo.
Os tempos são outros e o presidente da CBF, aquele ser estranho, com ares de poderoso chefão (na transcrição literal do termo), já tratou de garantir o emprego do atual treinador, aquele mano!
O pior de tudo foi ter desperdiçado 4 penalidades máximas. Pô mêu, aí é dose pra mamute, como diria meu pai. O tema demandaria um simpósio sobre os reais motivos para se desperdiçar uma penalidade máxima em jogo eliminatório como aquele, imagine então 4. Aí é demais. Achar desculpa no estado do gramado, é no mínimo bancar o cara de pau. Pra usar um termo educado.
O fato é que os adversários evoluíram nos últimos anos em todos os aspectos: físico, técnico e tático, e nós estacionamos. Deitamos nos louros de cinco campeonatos mundiais conquistados, os dois mais recentes ganhos com as calças nas mãos. E nos demos por satisfeito. Conquistas de campeonatos inexpressivos como a própria Copa América e a Copa das Confederações apenas serviram para manter no cargo treinadores incompetentes, feito Dunga, que conquistou o torcedor e iludiu a imprensa oba-oba, com série de vitórias sobre adversários de pouca ou nenhuma qualidade técnica.
Agora, na era Mano Menezes que, para o nosso desespero apenas se inicia, a história parece se repetir. Logo a CBF arranjará alguns amistosos caça-níqueis e então o Brasil voltará a “bater em bêbado” e tudo voltará ao normal, o que significa que a ilusão estará restabelecida. Os patrocinadores precisam dela pra vender os seus penduricalhos, digo, produtos.
Não teremos de passar pelo martírio das eliminatórias e chegaremos à Copa do Mundo, como potenciais candidatos ao título. Com esse time, sei não. E aí é que parece estar o maior problema da seleção. Paramos de fabricar ótimos jogadores que realmente mereçam a distinção de craques. E já faz tempo. O único que poderia justificar tal distinção, atualmente brinca de jogar futebol no Flamengo, comandado justamente pelo treinador tido e havido como o mais exigente e disciplinador, que, a pretexto de não ver sua carreira declinar, sujeitou-se a pagar esse mico.
Atribuir a bons jogadores e não craques, como querem muitos, feito Neymar, Ganso e Pato a responsabilidade por carregar nas costas o peso de uma camisa cinco vezes campeã do mundo é exagero senão idiotice.
Atualmente, a seleção tem bons jogadores, mas nenhum fora de série e o mesmo ocorre no futebol brasileiro, algo talvez inédito, e por isso requer atenção e estudo por parte dos profissionais realmente comprometidos com o espetáculo que o futebol está deixando de ser.
Um dos motivos para esse vertiginoso declínio, que, em princípio parece ser inevitável, é a necessidade de se produzir ídolos a qualquer custo. E deles, todos precisam: o futebol, a imprensa e os clubes. Cada um com suas razões, legítimas por sinal.
É de se perguntar, entretanto, se está compensando pagar o preço por esse imediatismo de tentar vender gato por lebre.
O resultado disso está aos olhos de todos: campeonatos desinteressantes, clubes falidos que vivem à custa do dinheiro da tevê e da publicidade, pseudo-craques que acreditam ser o fenômeno que não são, e estádios vazios, porque os torcedores se acostumaram a acompanhar o futebol pela tevê, afinal, mais cômodo e mais seguro.
Sem contar, é claro com uma seleção nacional de futebol que consegue ser eliminada pelo bom amigo Paraguai, porque desaprendeu a fazer gols, até mesmo de pênalti. Los hermanitos agradecem.


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