quarta-feira, 13 de julho de 2011

ROCK. I LOVE ROCK

Para Jimi e todos aqueles que ousaram atravessar a linha amarela antes de nós.

Nasci em 1969. Ano de muitas mentiras, dentre elas, a maior de todas, a de que o homem pisou na Lua. Outras houve, por exemplo, a de que os Estados Unidos venceriam facilmente a guerra do Vietnã. Por aqui, o ano do famigerado, que hoje sabemos nem tão assim famigerado AI-5. Pelé marcou o milésimo naquele ano. Kerouac, aos 47, realmente botou o pé na estrada. Isso de fato aconteceu. Não importa. O estrago já estava feito.
Bom, não se pode mesmo ter tudo na vida. E, portanto, esta nos deu Woodstock naquele ano. Talvez, a única verdade de todos os episódios marcantes de 1969, embora nenhum se compare ao que aconteceu em 10 de fevereiro. Mas, sobre isso, falarei mais adiante.
Impulsionada por aqueles ventos vindos de uma fazenda do estado de Nova York, repleta de estrume de vaca, muita chuva e lama e ares etílicos-intelectus/spiritus-doidivanas, a sociedade iria encarar de um modo diferente e ousado para os padrões da época conceitos tão subjetivos como a liberdade.
Enquanto nos colocavam algemas nos punhos e esparadrapos nas bocas, aqui no Brasil, na América, difundia-se o conceito de que tudo é possível e sonhar é o bastante. Amar também. Literalmente. Viver, pouco, como deve ser, mas, intensamente. E pensar que o festival tinha o sugestivo nome de Woodstock Music e Art Fair.
O que se viu de arte naqueles dias de agosto? Tudo. E nada. A celebração do corpo como forma de expressão máxima do sentimento. Ou ausência dele. Era como desligar a mente, soltá-la no escuro imenso e se deixar levar. Pelo vento, pela música, pela dor que vem com o depois, que desconhece o que seja o amor, a verdade, a razão, porque flerta com o nada. E, naqueles dias, mais do que hoje, o nada era ao menos arte. Uma forma de expressá-la.
O sonho existe para a juventude. Os adultos não têm direito ao sonho. Precisam ser práticos e objetivos. Certeiros. Não podem errar duas vezes. Isso ficaria bem claro a partir daqueles dias.
De certa forma, 1969, marcou o início da era da imagem. E do som. De repente, ter o cabelo comprido, a barba crescida, vestir a camiseta rasgada e o jeans surrado deixou de ser sinônimo de vadiagem. Passou a ser cultura. Inventar novas formas de expressão através da palavra oral e escrita, idem. A era das gírias, falô mêu?
Uma pílula abria as portas do prazer sem culpa, para homens e mulheres. Um cigarro, feito com substâncias especiais, abria todas as portas para além da consciência, não menos que uma picada no local certo, na dose certa, o que nem sempre acontecia. O bilhete para a viagem sem volta custa mais caro.
Nunca foi tão verossímil a ideia de que para conceber arte de qualidade era preciso conhecer o Inferno. Que o diga Hendrix e Joplin.
Engraçado que os melhores e os mais bonitinhos não estavam em Woodstock: Beatles, Led Zeppelin e The Doors. Mas, incrivelmente, não fizeram falta. Porque Woodstock não era pra ser uma festa dos lordes intra-muros, mas da ralé, da plebe, fora-muros. O que, de certo modo, justifica a tese de que mais do que um festival de rock aquilo foi uma manifestação cultural, um meio de extravasar a revolta, exorcizar o medo e revelar o futuro, algo que só a juventude é capaz de realizar.
Se depois de Woodstock o rock não seria mais o mesmo, o mundo também não, e isso não tem nada haver com o que aconteceu em 10 de fevereiro. Naquele dia, entretanto, alguém subiu do Inferno para render guarda ao velho Jack. E não fora Dean Moriarty, Sal Paradise ou Neal Cassady. Advinhe quem. 

2 comentários:

  1. Eu sei o que houve em 10 de fevereiro daquele ano, rs.
    Exatos três meses antes, eu também chegava a este mundo.
    Lindo texto mais uma vez !
    Grande abraço

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  2. Vagando nessas tantas ruas virtuais, encontrei tua porta de amante das Letras aberta - e entrei. Devo anunciar-me como um desses que diz "Oi, de casa! Trago aqui em minhas mãos a chave para dias melhores: escrevo e vendo livros!". Assim, venho te convidar para visitar o meu blog e conhecer as sinopses de meus romances, a forma de adquiri-los e, posteriormente, discuti-los. Três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
    Um grande abraço literário,

    João Bosco Maia

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