segunda-feira, 4 de julho de 2011

"MANHÃ DE MAIO" - de Geraldo José Costa (meu Pai)

Manhã de Maio, céu azul, sol forte
Nossas sombras se unindo na calçada
Maio de Outono
Das árvores despidas
Dos vasos vazios ornamentais
Do vento que embala as folhas secas

Maio da saudade dissidente
Da muda da pena dos pássaros
Dos mesmos cantos, e todo desencanto

Maio dos sanhaços beliscando
As últimas pitangas da pitangueira alta
Do fundo do meu quintal

Maio dos pardais irrequietos
Da natureza empalidecida
Do verde judiado das campinas
Do céu azul saudoso para olhar
Onde as tardes povoadas de tristezas
Traz-me à lembrança um amor distante

* Meu pai escreveu esta poesia naquela que, talvez tenha sido a melhor fase de sua vida. Quando ele, tarde da noite, e, antes de se deitar, colocava os seus discos para ouvir e preparava uma dose caprichada do seu bom whisky. E ficava, talvez, pensando na vida. De como ela era. E como poderia ter sido. Sem jamais imaginar, eu creio, a maneira injusta e cruel como ela terminaria.

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