domingo, 11 de setembro de 2011

A ÚLTIMA INSTÂNCIA

Quando se deita os olhos
Na escuridão dos dias que não vieram
E dos sonhos desfeitos
Tem-se a certeza
Única certeza:
Recomeçar
Do ponto final: o ponto de partida
Um abrir e fechar de portas
Que faz cair o pano
Ao término do ato
Outro cenário se revela
Outro ambiente
O mesmo respirar
O mesmo pulsar
Porque não se altera num piscar de olhos
O que anos e enganos construíram
Com o pó das ilusões
E o barro da vida
Nada muda
Nada acontece
Se não se desejar com algo mais
Que só existe no coração
No pensamento começa
A vida de corpo e de alma
Onde se faz e se desfaz
E se transforma
Feito luz sem destino
Em meio à escuridão
Da consciência adormecida
* Foto: O romancista Victor Hugo (1802-1885) no leito de morte, de Felix Nadar (pseudônimo de Gaspard Felix Tournachon).

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