quarta-feira, 28 de setembro de 2011

TRIÂNGULO

Meu gozo está na parede
Escorre para o chão, manchado com a minha dor
Diluída em alguma coisa
Que escondo dos outros
Que, sábios e prudentes, fingem ignorar
Carrego-me escada acima, olhar baixo
É rotina caminhar
Imaginando que o destino vai
Ficando perto
E se tornando visível
Denso como o sonho
Palpável como o pensamento
Que adquire forma
À medida que o tempo passa
Nada acontece
E tudo se repete
Não assino, não deixo data, nome
Pista, indício
E me oculto, não deixo vulto
Não trago mensagem
Mercúrio não sou
Abandono versos no papel amassado, rabiscado, esquecido
Um ex-combatente, ajoelhado, curvo, braço e perna desnudo, às escuras

Diga-me você o que sou
Olha-me há tanto tempo
Disseca-me com suposições
Deduções
Insulta-me com piedade cristã
Considera-me vencido
Perdido, mas saiba
Que entre nós uma é a diferença
Eu estou voltando
E você, indo
Para além da noite
Deitar-se no horizonte
Deixar-se...
Um símbolo na fronte

E chegará o meu tempo de sorrir
Estou entre os últimos
Questão de sintonia, nada mais
Um poço inesgotável
De inspiração
Conhecida pela plebe
Como dor e revolta
Esta é a química
A Geometria está na conquista
De ver e entender
As coisas como são
E como devem ser
E como seriam
E como se disfarçam para não parecer
Está na astúcia de percorrer
O longo longo caminho
E na coragem de enfrentar
Ultrapassar as circunstâncias, ir além do possível
Cunhar a marca
Caminhar a par do tempo
E contornar os obstáculos
Rumar sem destino
Porque este é certo
E tão verdadeiro
Quanto ir e vir
Tantas vezes, tantas
Quanto for preciso
Até ser capaz
De ver e entender
As coisas pelas quais
Todos os dias todos passam
E não conseguem perceber
Porque ainda procuram longe
O que está dentro de cada um
Desde sempre.

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