terça-feira, 11 de outubro de 2011

ALÉM DO DECLÍNIO


A Direita, no Brasil, é feita à imagem e semelhança da que existe nos Estados Unidos da América. Sempre mandou e continua a mandar em nosso país. Ocupe ela ou não a cadeira mais importante do Palácio do Planalto.

E em face à despolitização, deseducação e falta de entendimento do que é cultura por parte do povo brasileiro, nada afeito a pensar para agir com o mínimo de possibilidade de erro, a Direita mandará sempre no Brasil. E no mundo.
Porque vejam: só obtém resultados com a política quem tem dinheiro, e quem tem dinheiro tem poder. E governos precisam de dinheiro. Ou não governam. Mas isso veremos mais adiante.
Não consta que os grandes empresários tornaram-se menos ricos, as multinacionais e os banqueiros, esses parasitas da sociedade, faturaram menos com a ascensão ao Poder do presidente Lula e da presidente Dilma.  Sob esse aspecto, do qual dependem todos os outros, continua tudo na mesma. O acesso ao consumo por parte de significativa parcela da população brasileira se deve à possibilidade de obter crédito, em outras palavras, endividar-se. E ao longo prazo se necessário. Mas ninguém ficou abastado da noite para o dia apenas trabalhando e ganhando seu minguado salário. Exatamente por isso, vêem-se trabalhadores da maior importância como carteiros e bancários reivindicarem melhores remunerações.
Antes de disputar e vencer as eleições, em 2002, Lula foi se entender com os grandes empresários, banqueiros e representantes de multinacionais, em nome, é claro, da governabilidade. Também entendida como submissão do rei aos que o apóiam, porque um rei sem apoio não reina. Percebem?
E essa é a receita do bolo. Porque presidentes, prefeitos, governadores e demais ocupantes temporários de cargos públicos, que representam (ou ao menos deveriam) a população, antes de serem escolhidos pelo povo, são escolhidos a dedo pelos representantes do sistema dominante. E por mais que se apresentem como “salvadores da pátria”, e “a melhor opção”, eles são, em resumo apenas peças da engrenagem, algumas mais importantes e outras menos, de um sistema consolidado que, conforme a situação e a necessidade, ele se apresenta aqui e acolá de um jeito ou de outro.
O sistema também conhecido como “manda quem pode e obedece quem tem juízo” tem entre outros objetivos convencer as pessoas de que existe um sonho possível para todos. O que nos Estados Unidos eles batizaram como “the american dream”. E para tanto lançam mão de expedientes da mais alta simplicidade e eficiência como o pão e o circo que se oferece ao povo, atualmente, de maneira sofisticada como, por exemplo, as modernas tecnologias de comunicação que, a fim de instaurar uma atmosfera de alienação na maior parte da sociedade se tornam mais e mais acessíveis a todas as camadas sociais.
O objetivo dessa alienação é o mesmo de sempre: tapar os olhos e os ouvidos da sociedade, enquanto os figurões de terno e gravata que manipulam, por exemplo, as bolsas de valores de todo mundo cometem seus crimes contra a sociedade mundial através do sistema financeiro dominante elaborado por eles para atender único e exclusivamente os seus interesses.
Vamos parar de ser ingênuos. Conceitos como país e nação nada mais representam, se um dia representou para essa gente que se considera porque de fato é dona do mundo.
Desde o advento da globalização que foi o passo anterior e decisivo para a implantação da nova ordem mundial, um único governo mundial, senão com caráter político, mas certamente financeiro, já se observava o declínio da Europa, hoje a olhos vistos, e cujos países, perderam completamente sua individualidade cultural, tornando-se por assim dizer, réplicas mal acabadas da cultura elaborada e levada adiante nos Estados Unidos, que é o quartel general dessa gente que se constitui 1% da população mundial, mas que decide os destinos de 99% dessa mesma população, como perceberam e divulgaram os manifestantes da recente “Ocupação de Wall Street” que boa parte da mídia preferiu ignorar; por que será?
Portanto, a nosso ver, o declínio do império americano, consiste em rever posições e estratégias por parte daqueles que realmente tem o poder nas mãos. E estes, não hesitarão em pular do barco à deriva, caso o recurso se faça necessário. Atualmente, eles procuram se estabelecer em outro lugar e de outro modo, com outra feição e discurso como o que convenceu 200 milhões de brasileiros que, de fato,  o país mudou. Como mudou se não houve as tão necessárias reformas trabalhistas e tributárias, que impede as empresas genuinamente brasileiras, portanto efetivamente comprometidas como o país e sua nação de prosperarem; e a reforma judiciária, única capaz de impedir que pessoas de bem continuem vivendo trancadas pelo medo em sua própria liberdade, enquanto bandidos de toda espécie andam às soltas para elaborar e praticar novos crimes. E mais, a reforma eleitoral, que facilita a eleição de aberrações como o deputado Tiririca. 
O Brasil é um desses lugares que estão sendo sondados atualmente por aqueles que realmente mandam e governam os governantes. Quietos, quase que imperceptíveis, eles vão fazendo provisões. São como formigas que de tempos em tempos mudam de endereço, mas onde quer que estejam estabelecem o seu reino.

Um comentário:

  1. Excelente texto.
    Tudo que li, e fui compreendendo depois de muita leitura, estudo, e boa percepção, foi resumido por voçê de uma maneira tão simples, que francamente poderá alcançar muitas pessoas.
    Isso também mostra o bom entendimento que você tem do assunto.
    Incrivel que como o conhecimento ainda anda sozinho. Diferente do oligopólio que você indica, pessoas com potencial de fazer diferença ainda caminham sozinhas.
    Fico à espera do efeito caótico que vai unir as peças e mudar nossas vidas.
    Pareçe que a conciência das pessoas desse século convergem para uma só compreensão.
    Ou estamos aprendendo, ou estamos sendo incrivelmente, alienados.

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