terça-feira, 11 de outubro de 2011

FOI ASSIM

Eu estava casado havia quase 3 meses. Tinha ido a banca de jornais e revistas da praça perto de casa, sem a companhia do meu pai, apenas do meu cachorro Tomba, que havia sido presente do Charles e da Eliana. Então, em meio a outros jornais, li a manchete, acho que da Folha da Tarde, falando sobre a morte de Renato Russo. Eu tinha 27 anos. Já havia escrito duas ou três versões de Sob o Manto da Noite, alguns poemas, alguns contos todos inéditos porque o medo e a ânsia de escrever compulsivamente sempre foram maiores que a vontade de publicar. E de repente percebi que tudo, tudo aquilo que os jovens chamam de sonho e os adultos de esperança, havia terminado. E não tinha volta. Porque não era como naquela noite de julho há oito anos antes daquele, quando as coisas depois de algum tempo, renasceram como as flores na primavera depois do inverno. Não. Aquele era o inverno. E havia chegado pra ficar. 

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