quarta-feira, 30 de novembro de 2011

The kiling moon...

"Todo o meu trabalho literário é resultado de uma aspiração, maior do que eu mesmo. E, um dia, mas não por meu intermédio, porque já fiz minha parte, tudo virá à tona e talvez seja compreendido". - g.j.c.jr.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ALL THOSE YEARS AGO

"As pessoas e o tempo destroem toda crença no amor que possamos ter, e, acredito, chegamos mesmo a ter, em determinado momento da vida, que coincide justamente com aquele em que para nós o sol se levanta e faz brilhar o horizonte e o caminho que temos adiante, longo e difícil, para chegar até ele" - g.j.c.jr. 

PAIS E FILHOS

Projeto quer proibir menores nas ruas da cidade à noite. Pais que descumprirem a medida, caso seja convertida em lei podem até ser presos.

Botar tudo nas costas dos pais... Aqueles que trabalham duro dia e noite pra que os filhos possam estudar, mesmo que eles matem aula e apenas cumpram com suas obrigações, sem de fato se preocuparem em aprender, obter realmente formação e não apenas adquirir diplomas. Pais que se desdobram para dar boa alimentação, bom vestuário, boas acomodações aos filhos, mesmo quando estes reclamam de tudo e apenas usufruem e nada acrescentam àquilo que os pais, com dedicação e trabalhando conquistam para a família. Sim, porque esse tipo de filho existe e, infelizmente, é cada vez mais comum. Não dá pra vigiar filhos que se acham no direito de tudo reivindicar, mas que se arrepiam da cabeça aos pés quando são chamados a cumprir com suas obrigações. Já não acredito mais que leis resolvam problemas da humanidade. Fosse assim e a humanidade já teria se resolvido ao tempo de Moisés. A solução passa necessariamente pelo aperfeiçoamento moral do ser humano, cujo impedimento, reside essencialmente no orgulho e no egoísmo. 

DECOMPONDO

Eu havia prometido que jamais tocaria novamente nesse assunto, porque, admito, é algo que me faz recorrer ao maldito Dramin pra suportar as náuseas. Mas, em respeito e consideração àqueles que acompanham e apreciam as minhas crônicas, matérias e artigos publicados no Jornal Aquarius e me perguntam por que meus textos não são também publicados em outros veículos de comunicação de Rio Claro, eu o farei uma derradeira vez.
Há duas respostas:
A primeira, é que ainda sinto prazer e alegria em escrever para uma publicação que é o resultado do talento e do esforço de um sujeito que, mais que amigo e ex-companheiro de redação, é um idealista, um abnegado, que, sem puxar o saco de ninguém, oferece gratuitamente e, todos os meses, ao público leitor de Rio Claro uma publicação diversificada, de aspecto agradável, e de boa qualidade onde é possível entreter-se, obter informações relevantes e divertir-se. Seu nome: Maurício Beraldo. Que merecia ser mais bem reconhecido por aqueles que se auto-proclamam produtores e fomentadores de cultura em nossa cidade.
A segunda resposta é simples: não sou publicado nos jornalões de Rio Claro, porque eles não querem. Talvez não me julguem bom o bastante. Afinal, eles são o máximo.
Mas há exceções. O jornal Diário do Rio Claro, vez em quando, publica algo do que escrevo. O jornal Cidade, já publicou, não publica mais, por motivos que desconheço e não faço questão de conhecer. Aliás, seria um desprestígio à minha inteligência participar de um hebdomadário que tem a capacidade, talvez única na história do jornalismo nacional, de circular aos domingos com dois cadernos, cadernões pra ser exato, de álbuns de fotografia (para ele, colunismo social), e nada, nadica de nada de Cultura, a menos que considerem como tal aquelas famigeradas matérias produzidas por assessorias de imprensa e aqueles artigos de opinião bem pessoal. Perdoem-me o trocadilho.
Eu daria um bom ombudsman. Não é mesmo Sra. Aline, Sr. Gonzales? Onde entrego o meu currículo? No balcão?
Durante um período recente de minha vida escrevi para um site de notícias local e para um jornal veiculado na web. Além das inserções quase diárias neste Blog e nas publicações no site Autores. Sem contar, o trabalho estafante, ingrato e cruel feito geralmente em local, horário e condições inapropriadas que demandavam e ainda demandam meus projetos literários.
Cheguei a escrever uma coluna semanal de esportes para o jornal com abrangência Regional. E a gravar dois “pilotos” para um programa de entrevista de uma emissora local, proprietária, digamos assim, daquele jornal veiculado exclusivamente na web.  Eram compromissos que, a convite, assumi com satisfação e aos quais eu procurava dedicar o melhor do meu conhecimento e capacidade. Buscando sempre superar as minhas limitações, porque as tenho, e quem não as tem?
A proximidade de período semelhante me faz recordar agora que, ao final do ano passado, indaguei-me exausto e doente: O que eu ganho com isso? Ou seja, o que $Ganho$ com i$$o? Quando sabia que outros, sim, ganhavam e eu, ingenuamente, samaritanamente contribuía para isso.
Decidi inclusive afastar-me literalmente do grupo cultural e artístico que ajudei a criar, não ocupando mais sequer cargo diretivo. E o fiz sem nenhum remorso ou arrependimento. E essa é uma decisão irrevogável, que, não me impede, todavia, de continuar respeitando os que ficaram e continuam a conduzir trajetória do dinâmico grupo Auê. E para eles eu desejo, de coração, toda a sorte do mundo. Porque em que pese nossa discordância de opiniões e crenças, são pessoas pelas quais tenho carinho e afeto, porque sei o quanto sonharam e lutaram por isso. E agora vêem a primeira florada de sua lida. Mais que merecido.
Finalmente, a outra razão importante para o meu isolamento é o fato de acreditar que a Cultura financiada pelo Estado jamais será independente, jamais será expressão livre e espontânea de segmentos da sociedade que desejam criar e expandir Cultura e se expressar por intermédio da arte.
  Receber dinheiro do Estado, Município ou União, dinheiro que é público, portanto de todos, para produzir arte e, por conseguinte cultura, não me parece correto, em um país de analfabetos funcionais e onde há pessoas morrendo nos corredores dos hospitais públicos, por falta de atendimento adequado e onde o ensino público, apesar de todo esforço sobre-humano de educadores abnegados constituir-se verdadeiro caos, chegando ao absurdo de se verificar a oferta de drogas ilícitas nas portas de tais estabelecimentos, expondo indivíduos ainda em fase de formação de caráter, portanto suscetíveis a todo tipo de convencimento  e experiência, ao monstro devastador do vício.
Contudo, hipocrisia não cabe em minhas convicções. E por esse motivo, penso que o artista “prostituir-se” por dinheiro, é até compreensível, porque o dinheiro propicia comida, bebida, moradia, vestuário, calçado, remédio, e, finalmente, não cobra favores, quando a relação é meramente comercial entre aquele que compra e aquele que vende.
Agora, prostituir-se por ideologia é a meu ver burrice, e mais, é insuportável, porque a ideologia, o compromisso político-partidário, não demanda esforço e mérito, mas conveniência e encontro de interesses, e só dá camisa àqueles que estão no Poder e aos seus aboletados. Até porque a consistência ideológica dos partidos políticos no Brasil é feita tal isopor.
É por esse motivo que permaneço longe e indiferente a todas as atuais iniciativas de caráter cultural e artístico de Rio Claro, eivada dos vícios anteriormente apontados.
Acredito que em arte não existe o coletivo, como alguns querem crer. Existe o individual, quando muito o tapete, e este são todos os outros, por onde passará o exército de um homem só, o dono da ideia, portanto, dos acontecimentos, das coisas, que, ao desbravar o seu caminho, deixa sua marca, em busca do seu objetivo. Do seu. Enquanto os outros, aqueles que orbitam no entorno dele, poderão apenas saciar a  fome de reconhecimento acreditando que também fizeram parte da história. Sim. Fizeram e fazem, como coadjuvantes.
E eu não pretendo, jamais pretendi ao que se refere ao meu trabalho de criação literária ser coadjuvante de quem quer que seja.
Eu tenho a minha própria história, o meu próprio caminho. Eu e todos aqueles que se acreditam e se declaram livres. Livres porque são independentes. Vencedores ou vencidos, mas senhores de si.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

VERSO E PROSA

"No livro da eternidade, passado é a página escrita, futuro é aquela que será, presente é a que nos solicita  atenção, carinho e amor, virtudes que são as fontes de inspirações para as mais interessantes prosas e os mais lindos versos". - g.j.c.jr.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ALÉM DAQUELAS ÁRVORES - Novela de Geraldo J. Costa Jr. - Capítulo de Abertura

Capítulo de abertura de "Além Daquelas Árvores", de minha autoria, inédito. Todos os direitos reservados.

1.
Aos poucos, as pessoas se retiravam. Algumas em silêncio, cabisbaixas; outras, conversando amenidades e reminiscências. O sol despontava naquele final de tarde, depois que chovera forte e ininterruptamente desde a noite anterior. Habituados à situação os coveiros trabalhavam.
Quando a lápide foi assentada, Lúcia percebeu que havia se rompido o derradeiro laço de afetividade que ainda mantinha com a família. Acompanhada do marido, retirou-se, tomando o rumo da avenida central do cemitério onde havia acabado de sepultar a mãe.
Junto ao marido buscava apoio para enfrentar com dignidade o terrível momento. Não sentiria a mesma dor se ao invés de enterrar a mãe, houvesse enterrado o pai. Tinha dele muitas mágoas com as quais fora obrigada a conviver aqueles anos todos. Agora estava livre.
Lúcia acompanhava, ao acaso, o vôo desorientado de um bem-te-vi procurando abrigo no galho de uma árvore, quando, súbito, olhou para trás, e viu o irmão mais novo, junto ao túmulo da mãe ainda observando o trabalho dos coveiros.

Quando Édi nasceu, Lúcia já tinha onze anos. Ela procurava nisto encontrar razões para a distância que sempre houvera entre eles. De repente, enquanto desviava os olhos de Édi para procurar o bem-te-vi, percebeu que, durante aqueles anos todos, nunca se preocupara com o irmão caçula como deveria. Na verdade, tinha um conceito exageradamente crítico em relação a ele, porque lhe causava decepção o modo inconseqüente como Édi se comportava. Naqueles últimos meses, quando se agravara o estado de saúde da mãe, e sua presença se fizera mais constante na casa dos pais, com os quais, Édi vivia, Lúcia percebera que o irmão tornara-se de fato, como ela temia, um jovem revoltado. Édi demonstrava preocupante indiferença para com a vida. Durante muito tempo Lúcia achava que isto era conseqüência da incapacidade que ele demonstrara desde pequeno em enfrentar os problemas, preferindo transferir aos outros a solução dos mesmos. Mas, ao menos naquele momento, admitia a possibilidade de rever esse conceito.
Parou de caminhar, de repente, e, pedindo licença ao marido, foi ao encontro do irmão, e, já bem próxima, deparou-se com o olhar compenetrado e ao mesmo tempo perdido que ele, ao acaso, lhe dirigira repentinamente.
Édi, entretanto, parecia divagar em pensamentos longínquos. Aos olhos de Lúcia, tornara-se um espectro. Édi continuou olhando-a, mas agora, com indiferença. E ela deteve-se em observá-lo atentamente. Ele parecia não haver tomado banho naqueles últimos dias, sequer fizera a barba, e, naquela manhã, nem penteara o cabelo. A sua aparência desleixada sempre a incomodara.
Porém, naquele momento, ela queria apenas lembrá-lo de que poderia lhe substituir a mãe. E tentara fazê-lo com um olhar, porque não teria coragem de tentar com palavras. Embora este fosse o repentino e inexplicável desejo que lhe acometia.
“Édi...? Você não vem?”. – disse ela.
Como se voltasse à realidade, Édi pousou o olhar sobre a irmã.
Marcos, o marido de Lúcia, aproximava-se.
Édi respondeu indiferente:
“Por que deveria?”.
Respostas assim deixavam-na desconcertada. Nunca soubera como agir em tais circunstâncias.
Cônscio da situação desagradável, porém, comum naquela família, Marcos tratou de tirar a esposa dali de perto. E, embora contrariada, Lúcia acompanhou o marido.
Deixavam o cemitério, caminhando em direção ao carro, quando Lúcia olhou para trás e encontrou novamente o irmão, ainda no mesmo lugar e do mesmo modo. E algo que não era comum experimentou um sentimento de afeição por ele. Algo que, durante o trajeto para casa, quis acreditar fosse apenas piedade. (...)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O NOVO VEXAME DO LEGISLATIVO DE RIO CLARO

Depois de mais um show de horrores, protagonizado, dessa feita, pelos vereadores Mônica Messetti (DEM, ao menos é o que informa o site da Câmara) e Valdir Andreeta (PR) na sessão camarária de última quarta-feira (22), fica mais uma vez demonstrado ao eleitor rio-clarense a necessidade de promover, democraticamente, através do sagrado direito do voto, uma profunda renovação no Poder Legislativo de Rio Claro. É o cúmulo se utilizar da tribuna pública para discutir assuntos de interesse pessoal. A velha história do acusa, mas não prova tão habitual na vereança de Blue City. Na referida sessão, os vereadores votaram 8 projetos. Ótimo. Mas qual deles tem significativa importância para a comunidade rio-clarense, de modo a interferir de maneira positiva em sua vida?
Tanto o Executivo, como o Legislativo Municipal de Rio Claro, para o desgosto de sua população, tem dado provas cabais de sua incompetência, na atual administração que se iniciou em 2009 e se estenderá até 2012, portanto, terá o rio-clarense mais um ano de sofrimento e decepção. O primeiro incapaz de levar a bom termo uma licitação, o segundo, de promover um concurso público sob o qual não pairem desconfiança. Sem contar as interferências infelizes, de quase todos os vereadores, quando de suas manifestações em plenário, onde pairam deboche, ironias, falácias e tentativas de justificar o injustificável. Pergunta-se: O que Rio Claro ganha com tal situação?
E tudo isso a nosso ver decorre do desinteresse das pessoas de bem, aquelas realmente idôneas, preparadas moralmente e intelectualmente pela política. Porque nunca é demais repetir, onde o bem se ausenta o mal se instala.
A parcela jovem da população rio-clarense, que, dividindo o escasso tempo entre trabalho e estudo, que se dedica de corpo e alma às iniciativas de cunho cultural e social, reclamam amiúde, nas redes sociais, nos encontros dos quais participam, a falta de oportunidade em participar de maneira mais efetiva da vida política local. Alegam que são cerceados no seu direito de expressar e interferir nos partidos políticos com os quais se identificam (até por falta de opção de outros melhores) e tentam participar.
E isso realmente ocorre se levarmos em conta que, na relação de candidatos a vereadores e mesmo nas chapas que disputam o poder executivo, a cada eleição, as caras são sempre as mesmas, os discursos sempre os mesmos, as promessas idem, independente dos resultados, ou seja, dos votos obtidos nas urnas.
Por que será que isso acontece? Aqui é oportuna uma especulação. Acaso teriam “donos” os diretórios locais dos partidos políticos? Quais compromissos inconfessáveis ou inquebrantáveis teriam esses “donos” com os caciques estaduais e nacionais dos partidos políticos estabelecidos em nossa cidade? Ou nada disso aconteceria, e sim, apenas a confirmação daquilo que sugerimos anteriormente, ou seja, o triste e desolador cenário político local dominado por pessoas que representariam os interesses de segmentos específicos da sociedade rio-clarense e não o interesse coletivo. Pessoas despreparadas moralmente e intelectualmente, porém, dotadas de uma esperteza ímpar para ludibriar o eleitorado, através de falsas promessas que se renovam na sua forma, mas permanecem inalteráveis no conteúdo a cada quatro anos.
Estas continuarão sendo protagonistas da cena política de Rio Claro enquanto prevalecer a omissão das pessoas de bem e devidamente preparadas.
A esperança reside na atual juventude e nas novas gerações de rio-clarenses, de onde poderia e deveria surgir um movimento que tivesse por objetivo mudar essa situação e trazer novos ares, novas ideias, novas práticas mais salutares à vida política da cidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ALEIJADINHO, 197 ANOS DEPOIS

Hoje, 18/11, completam-se 197 anos do desencarne (morte do espírito não existe, e nós, somos espíritos e não o temos) de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Na versão oficial dos fatos há muita controvérsia sobre a vida do mestre da arte barroca. Mas, quem deseja se aprofundar na história do Aleijadinho poderá encontrar com riqueza de detalhes, aspectos até então desconhecidos dessa sua trajetória humana e de outra igualmente importante, no livro “Confidências de um Inconfidente”, psicografia de Marilusa Moreira Vasconcellos ditado pelo espírito Tomás Antonio Gonzaga. A dica que sugerimos é que o mencionado livro está disponível na 45ª. Feira do Livro Espírita de Rio Claro promovida pela USEIRC – União das Sociedades Espíritas Inter-Municipal de Rio Claro e região, que acontece até 30 de novembro no Jardim Público.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ABRIGO

Mas é minha casa
Moro em uma casa devastada
Sem telhado, portas e janelas
Onde o sol se rompe
E a sombra se abriga
O vento traz e leva
De minha casa restam as paredes
Chão esburacado
Escadas que sobem
E não descem
Poeira por toda parte
Ninhos de pássaros
Que defecam sobre minha cabeça
Gatos que dividem comigo o travesseiro
Cães que ladram e vem me visitar
E olham em redor
E me olham
Como se perguntassem:
Como é possível?
Minha casa é feita de sonhos
Feita de esperança desfeita
Instantâneos de uma vida
Almejada, jamais vivida
Copos quebrados
Talhares sem par
Toalhas e fronhas
Lençóis pendurados
Cortinas pelo chão
E a tarde demora a passar
E vem a noite
E insisti ficar
Não fala, não ladra feito o cão
Escuta e vê:
O nada
Que está por toda a parte
Casa abandonada é a minha
Destruída
Chão que a chuva esqueceu
Sem vida
Minha casa onde vivo
Tem um nome
Que desprezo, insisto esquecer
Nada pode me oferecer:
Literatura

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sonho possível

"O amor é um jardim imenso e florido, onde há flores lindas e perfumadas, de todo tipo e por toda parte".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

LIVRO ESPÍRITA TRAZ LUZ À HUMANIDADE EM TEMPOS DE TRANSIÇÃO

Acontece em Rio Claro, até 30 de novembro, a 45ª. Feira do Livro Espírita, promovida pela U.S.E.I.R.C (União das Sociedades Espíritas Inter-Municipal de Rio Claro). Estarão disponíveis ao público leitor, simpatizantes e adeptos do Espiritismo, as obras básicas de Allan Kardec, os livros de Chico Xavier, com destaque para as coleções André Luiz e Emmanuel, além de romances espíritas de diversos autores. Durante a feira, instalada no Jardim Público, também será possível fazer inscrição para o Clube do Livro Espírita Sementes de Luz, que, atualmente conta com mais de 400 associados que recebem mensalmente os lançamentos literários do gênero espírita, criteriosamente selecionados por uma comissão, ao preço de apenas R$15,00. Valter Martinez, coordenador da feira, destaca que também estarão à disposição dos interessados livros com descontos de até 80% do preço de capa.
Em um momento da história da humanidade onde tanto se fala e se discute sobre período de transição planetária e previsões à cerca do fim do mundo, gerando especulação de toda sorte, causando muitas vezes insegurança e medo desnecessários, o Espiritismo, doutrina dos espíritos, codificada por Allan Kardec, traz uma mensagem de fé e esperança, de amor e paz, de estímulo à renovação moral, através das páginas do seu principal meio de divulgação, os livros.
Às cinco obras fundamentais do Espiritismo que são O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, e O Céu e o Inferno somam-se outras que tratam sobre temas específicos estudados pela doutrina.
Livros como No Invisível, O Problema do Ser do Destino e da Dor, e, Depois da Morte, de Leon Dennis, além de A Evolução Anímica, A Alma é Imortal e o Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Dellane aprofundam os assuntos de que tratam os aspectos científico e filosófico da doutrina que além destes se baseia em um terceiro e fundamental aspecto, o religioso.
Leon Dennis (1846-1927) a exemplo de Kardec era francês, autodidata e membro atuante da Maçonaria. Conferencista difundiu por toda a Europa a ideia da sobrevivência da alma.
Por sua vez, Gabriel Dellane (1857-1926), destacou-se ao aprofundar-se no aspecto científico da doutrina espírita e teve como sua maior contribuição diferenciar a mediunidade que é o fenômeno produzido pelo espírito comunicante através do médium, do animismo, que, em linhas gerais, pode ser entendido como o fenômeno de comunicação produzido pelo próprio médium.
Um terceiro autor bastante importante na literatura espírita é Nicolas Camile Flammarion (1842-1925). Amigo de Allan Kardec, Flammarion dedicou-se ao aprofundamento do estudo da pluralidade dos mundos em livros como Mundos Imaginários e Mundos Reais, Mundos Celestes, e, A Pluralidade dos Mundos Habitados.
No Brasil, o imenso trabalho do médium Francisco Candido Xavier (1910-2002), com mais de 450 obras psicografadas, ajudou a disseminar o conhecimento do Espiritismo reunindo inúmeros adeptos em torno da mensagem consoladora e de esclarecimento aos inúmeros questionamentos da vida que a doutrina oferece.
Conforme dados do IBGE, 2,4 milhões de brasileiros se declaram espíritas. Para a Federação Espírita Brasileira, entretanto, o número de simpatizantes da doutrina gira em torno de 30 milhões.
Desde o lançamento de Parnaso do Além Túmulo, obra realizada pela psicografia do médium Chico Xavier, e ditada por espíritos de vários poetas e escritores brasileiros, publicado em 1931 e que inaugurou o gênero literário no Brasil, a literatura espírita tornou-se um fenômeno editorial e, recentemente, chegou às telas do cinema, com a produção de Nosso Lar (2010) que em apenas 10 dias de exibição atingiu 1,6 milhão de espectadores. Durante o mês de outubro deste ano, foi lançada a mais nova produção cinematográfica do gênero, O Filme dos Espíritos, que conta a história de um homem que decidido a se suicidar se depara com O Livro dos Espíritos de Allan Kardec e, através da leitura da obra, inicia uma jornada de reforma íntima e aperfeiçoamento moral.
Nosso Lar, por sua vez, é uma adaptação do livro homônimo do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier em 1943 e que narra a trajetória do próprio André Luiz, após seu desencarne, o início de sua readaptação à vida espiritual e o entendimento que vai adquirindo sobre a importância dos valores morais da vida, como a caridade, a humildade e o perdão, a ponto de estimulá-lo a escrever um livro, através do fenômeno mediúnico da psicografia (de Chico Xavier) relatando a sua experiência.
Depois de Nosso Lar, André Luiz ditou mais 15 livros, por intermédio de Chico Xavier aprofundando-se nos temas como obsessão e mediunidade, de maneira clara e objetiva que lhe valeu a alcunha de “O repórter do mundo espiritual”.
Atualmente, muitas obras literárias realizadas através da mediunidade de psicografia de diversos médiuns chegam ao mercado editorial, com destaque para os romances e os títulos que tratam do tema obsessão.
Valter Martinez, diretor da Livraria Espírita Páginas de Luz e do Clube do Livro Espírita Sementes de Luz, além de coordenador da 45ª. Feira do Livro Espírita de Rio Claro atribui o fenômeno à grande identificação do público leitor para com os temas tratados nas narrativas, desenvolvidas geralmente num estilo simples, direto e de fácil assimilação.
Temas como perda de entes queridos, aborto, suicídio, injustiças, desilusões amorosas e financeiras, tão comuns nos dias de hoje, encontram respostas nos livros espíritas através do estudo e entendimento da lei de causa e efeito, que permite a conscientização da importância fundamental do amor, do perdão e da caridade, sem a qual, segundo a Doutrina Espírita não há salvação, revivendo dessa forma os ensinamentos de Jesus Cristo contidos no Evangelho.
Apesar de ter chegado às telas do cinema em longas metragens como Nosso Lar e Bezerra de Menezes – o filme, além de documentários como o que retrata a vida de Eurípides Barsanulfo, um dos expoentes do Espiritismo no Brasil, e cuja produção será apresentada no próximo dia 19, no auditório da Casa dos Espíritas de Rio Claro, com entrada franca, a Doutrina dos Espíritos também está presente na internet onde é possível ter acesso à vários sites de revistas especializadas e palestras de renomados oradores como Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira e Richard Simonetti, entre outros. Na tevê, aos domingos, é exibido o programa Transição, no canal 53, com boa audiência.
Contudo, é no livro que o Espiritismo ainda encontra o seu maior meio de divulgação. Todo centro espírita possui uma biblioteca onde seus frequentadores podem ter acesso aos livros. E mesmo nas bibliotecas públicas é possível encontrar várias publicações do gênero.
Rio Claro, há mais de 20 anos conta com uma livraria dedicada exclusivamente às publicações espíritas. Atualmente, a Livraria Espírita Páginas de Luz (http://livrariaespiritapaginasdeluz.blogspot.com/), sonho que se tornou realidade pelas mãos de abnegados da doutrina que se uniram em torno desse objetivo, está localizada à rua 5 No. 1.314, entre as avenidas 4 e 6, na região central da cidade.
Curioso observar que justamente no Brasil, cuja população é pouco afeita à leitura, a literatura espírita encontrou tão boa aceitação, principalmente junto ao público feminino. Para Valter Martinez a resposta está justamente na mensagem de otimismo e esperança e no estímulo da reaproximação do ser humano com Deus através de Jesus que este gênero literário oferece.

Psicografia é um tipo de mediunidade
A mediunidade é o fenômeno que torna possível a comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material. Ela ocorre com o concurso do médium ou intermediário que recebe a comunicação e o espírito desencarnado que transmite a comunicação. Os mais recorrentes tipos de mediunidade são: a psicografia, a vidência e a audiência. Na primeira, o médium escreve a comunicação do espírito desencarnado; na segunda, ele vê o desencarnado e na terceira, ele ouve.
A psicografia é a modalidade mediúnica que torna possível a escrita de mensagens e livros. Ela pode ser consciente, semi-consciente e inconsciente.
Outro tipo bastante comum de mediunidade é a falante onde os médiuns possibilitam aos espíritos a comunicação oral com os encarnados. Através desse tipo de mediunidade é possível o trabalho de conscientização e esclarecimento de um espírito desencarnado sofredor durante os trabalhos mediúnicos aos quais é levado por um mentor espiritual. O doutrinador, pessoa responsável por conversar com o espírito que dá a comunicação através do médium falante, jamais estará mediunizado nessas circunstâncias e deverá, necessariamente, ter amplo e profundo conhecimento do Espiritismo e em condições morais ascendentes perante o comunicante, pois ninguém dá o que não possui.
Conforme o Espiritismo, todos os seres humanos são mais ou menos médiuns. Isso explicaria o fato das sensações diferentes das habituais experimentadas na presença de lugares ou pessoas que, de alguma forma e em algum momento da vida todos sentimos.
A mediunidade ostensiva é aquela que se produz com mais evidência e freqüência. E uma vez identificada requer um desenvolvimento seguro e disciplinado, o que pode ser feito através da orientação e da educação mediúnica oferecidas nas casas espíritas que tem como base e princípio a codificação kardequiana.
O objetivo principal da mediunidade, conforme o Espiritismo é dar aos homens o conhecimento da verdade e promover a melhora espiritual do médium. Ela não se constitui privilégio, mas demanda responsabilidade, porque independe inclusive das qualidades morais de quem a possui. Seu funcionamento se dá por fatores orgânicos do médium e envolve diretamente o perispírito que se trata do corpo fluídico do espírito. O perispírito é o duplo etéreo do espírito, esteja ele encarnado, ou seja, na condição humana, ou desencarnado. Tanto em uma condição como em outra o espírito o possui. E deixará de tê-lo, a partir do momento em que atingir um grau de sublimação moral em sua evolução espiritual.
Para maior segurança da prática mediúnica, a fim de se evitar possíveis mistificações ou mesmo obsessões não se recomenda, a menos que haja uma razão que a justifique, a evocação dos espíritos, mas aguardar sua manifestação espontânea, que devem ocorrer nas casas espíritas que possuem local, médiuns e ambiente preparado para tanto. Os espíritos sérios e bons jamais darão uma comunicação de natureza frívola e desprovida de bom senso. Eles são organizados e se ocupam das tarefas cujo objetivo é a prática do bem a todos indistintamente.
Conhecido ditado no meio espírita diz que “o telefone só toca de lá (mundo espiritual) para cá (mundo material).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

NEYMAR, A JÓIA RARA, EM TERRA ARRASADA

Neymar renova com o Santos até 2014, ou até a próxima oferta tentadora. Bom para o futebol brasileiro? Sim. Ótimo. Contudo, o tema permite uma reflexão mais profunda às quantas andam o nosso principal cartão de visitas para o mundo.
A mídia exibiu esta semana com certa dose de espanto a decisão do técnico Emerson Leão, do São Paulo F.C em colocar os seus jogadores para treinar fundamentos do futebol.
Entre beicinhos e alguma contida irritação lá foram eles cumprir as ordens do chefe, afinal, são profissionais.
Mas é de se perguntar o porquê do espanto. Porque o próprio São Paulo teve boa parte de suas maiores glórias saídas das mãos e da persistência de um técnico obstinado em aprimorar os fundamentos técnicos de seus atletas. Seu nome Telê Santana. Não por acaso, o time de Telê era bem resolvido em campo, rápido, finalizador, porque tinha na troca de passes em direção ao gol uma de suas maiores virtudes. A outra era o deslocamento ou rodízio que os jogadores, principalmente de meio-campo e ataque desempenhavam durante a partida, o que dificultava e muito a marcação do adversário. Telê era um gênio, visionário? Sim. Porque era altamente competente e perfeccionista naquilo que fazia. E não, porque essa maneira de trabalhar não era naquele tempo uma novidade, mas, prática comum nos times de futebol brasileiros.
Mas aí o futebol, na segunda metade da última década, e mais incisivamente nesta foi descoberto pelos gênios do marketing, e, hoje, como sugere treinadores de respeito feito Muricy Ramalho, faltaria tempo e vontade para os jogadores se dedicarem aos treinos como ele próprio, Muricy, discípulo de Telê, gostaria.
Para treinar, pouco tempo dispõe o atleta que é craque, diferenciado. Para tirar fotos, gravar participações em programas de cultura inútil, dar entrevistas coletivas onde as perguntas e respostas, em geral, são sempre as mesmas, dispõe de todo tempo do mundo.
Retomando ao tema treinadores. Ou técnicos.
Atualmente, dá-se importância em demasia àquilo que eles menos tem de importante que é justamente o aspecto tático do futebol.
Percebe-se, sem dificuldade, porque o futebol acha-se 24 horas por dia nas tevês com sinal fechado e outras tantas com sinal aberto, jogadores, em sua maioria, que não dominam os fundamentos do jogo. Ou seja: passe, chute, domínio e condução de bola e cabeceio.
Portanto, conclui-se que há atletas, porque, afinal, eles cumprem à risca (quando pagos religiosamente e devidamente incentivado$) múltiplas funções táticas e correm mais que notícia ruim. Porém, vê-se com igual facilidade que faltam jogadores. Ou seja, aqueles que encantam ou ao menos entretém o torcedor.
Isso decorre do fato que o trabalho nas categorias de base, no Brasil, é  feito de maneira equivocada, tolhendo o talento de futuros craques. Privilegia-se tamanho, força física e “indicação de quem”, em detrimento da habilidade nata. Exceto, até onde se sabe, no Santos F.C,  da jóia rara Neymar, onde esse trabalho, primordial para o sucesso de qualquer clube é feito por “gente do ramo” que dispensa comentários, profundos conhecedores do futebol, porque, inclusive jogaram e encantaram o torcedor.
Treinadores da base e dirigentes de certos clubes, senão quase todos, no Brasil, ganhariam compensações financeiras, jamais admitidas e difíceis quase impossíveis de serem provadas, por parte de empresários e ou pais de atletas aspirantes a profissionais para que seus pupilos tenham lugar garantido no time.
O resultado é o sofrível nível técnico das competições atualmente disputadas, nos campeonatos estaduais e no brasileiro.
Seria a decadência técnica do futebol cinco vezes campeão do mundo, e que já foi sim uma maravilha, hoje, nem é arremedo de tal.
Não fossemos país sede, e se dependesse exclusivamente de futebol (sabemos que não depende, porque o interesse econômico fala mais alto) e dificilmente nos classificaríamos para a próxima Copa do Mundo em face a ridícula e deprimente seleção brasileira atual.
A mídia esportiva omite tais informações, porque ela tem juízo e jamais depreciaria o produto mais rentável que vende. E nós, tolos, continuamos acreditando em coisas como: o técnico ganha jogo, esquema tático determina a supremacia de uma equipe sobre outra, treinador estrategista conquista títulos (os generais militares riem de orelha a orelha quando ouvem isso).
Enfim, continuamos acreditando que temos o melhor futebol do mundo. Acreditando que Neymar pode ser Pelé, acreditando em Papai Noel. A época é mesmo propícia.
Geraldo J. Costa Jr é escritor ficcionista, ex-colunista de esportes do Jornal Regional, ex-treinador de categorias de base, campeão sub-17 da Liga Municipal de Rio Claro, com o Juventude F.C, em 2001, entre outros, e metido a poeta  nas horas vagas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

FOSSEM ASSIM OS DIAS...

A camisa não seria xadrez
E o jeans rasgado estaria
Pendurado no cabide
Uma nota de mil
Daquelas que se esquece
No fundo da gaveta
No tênis fedorento
Que insiste em não sair dos pés
Enquanto se caminha
Pela rua escura, esburacada, sem destino
E o sinal amarelo
Indica por outro lado, outro caminho
Alguma coisa que se esquece
Vez por outra, nem sempre
Pense
Ao acordar pela manhã
Com histórias na cabeça, lembranças
Pra contar às paredes, ao vento, às formigas
E aos pássaros, ignorantes,  inocentes
Enquanto
A água ferve
E o café
Demora a passar
Vê-se sem demora, com algum desalento
A apresentadora, as notícias
A mesma cara de sempre
Então, olha-se para o pedaço do céu a descoberto
E com algum pesar
Imagina-se que se fossem outros os dias
Ou fossem assim os dias
Suave e lindo, imaculado e sóbrio, como aquela manhã
Mas...
Virão os minutos
Feito a composição que, ansiosa, em nenhuma estação pára
Segue,
Sem destino