quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ABRIGO

Mas é minha casa
Moro em uma casa devastada
Sem telhado, portas e janelas
Onde o sol se rompe
E a sombra se abriga
O vento traz e leva
De minha casa restam as paredes
Chão esburacado
Escadas que sobem
E não descem
Poeira por toda parte
Ninhos de pássaros
Que defecam sobre minha cabeça
Gatos que dividem comigo o travesseiro
Cães que ladram e vem me visitar
E olham em redor
E me olham
Como se perguntassem:
Como é possível?
Minha casa é feita de sonhos
Feita de esperança desfeita
Instantâneos de uma vida
Almejada, jamais vivida
Copos quebrados
Talhares sem par
Toalhas e fronhas
Lençóis pendurados
Cortinas pelo chão
E a tarde demora a passar
E vem a noite
E insisti ficar
Não fala, não ladra feito o cão
Escuta e vê:
O nada
Que está por toda a parte
Casa abandonada é a minha
Destruída
Chão que a chuva esqueceu
Sem vida
Minha casa onde vivo
Tem um nome
Que desprezo, insisto esquecer
Nada pode me oferecer:
Literatura

Um comentário:

  1. Meu querido amigo.
    Sim...acho que posso te chamar assim. Quanto tempo percorro seu blog e suas palavras...
    Quantas vezes, os seus poemas penetraram na minha mente, como se as palavras ou sentimentos fossem meus.
    Profundo poema...como todos.
    Um grande abraço da amiga eterna.
    Alessandra

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