terça-feira, 29 de novembro de 2011

DECOMPONDO

Eu havia prometido que jamais tocaria novamente nesse assunto, porque, admito, é algo que me faz recorrer ao maldito Dramin pra suportar as náuseas. Mas, em respeito e consideração àqueles que acompanham e apreciam as minhas crônicas, matérias e artigos publicados no Jornal Aquarius e me perguntam por que meus textos não são também publicados em outros veículos de comunicação de Rio Claro, eu o farei uma derradeira vez.
Há duas respostas:
A primeira, é que ainda sinto prazer e alegria em escrever para uma publicação que é o resultado do talento e do esforço de um sujeito que, mais que amigo e ex-companheiro de redação, é um idealista, um abnegado, que, sem puxar o saco de ninguém, oferece gratuitamente e, todos os meses, ao público leitor de Rio Claro uma publicação diversificada, de aspecto agradável, e de boa qualidade onde é possível entreter-se, obter informações relevantes e divertir-se. Seu nome: Maurício Beraldo. Que merecia ser mais bem reconhecido por aqueles que se auto-proclamam produtores e fomentadores de cultura em nossa cidade.
A segunda resposta é simples: não sou publicado nos jornalões de Rio Claro, porque eles não querem. Talvez não me julguem bom o bastante. Afinal, eles são o máximo.
Mas há exceções. O jornal Diário do Rio Claro, vez em quando, publica algo do que escrevo. O jornal Cidade, já publicou, não publica mais, por motivos que desconheço e não faço questão de conhecer. Aliás, seria um desprestígio à minha inteligência participar de um hebdomadário que tem a capacidade, talvez única na história do jornalismo nacional, de circular aos domingos com dois cadernos, cadernões pra ser exato, de álbuns de fotografia (para ele, colunismo social), e nada, nadica de nada de Cultura, a menos que considerem como tal aquelas famigeradas matérias produzidas por assessorias de imprensa e aqueles artigos de opinião bem pessoal. Perdoem-me o trocadilho.
Eu daria um bom ombudsman. Não é mesmo Sra. Aline, Sr. Gonzales? Onde entrego o meu currículo? No balcão?
Durante um período recente de minha vida escrevi para um site de notícias local e para um jornal veiculado na web. Além das inserções quase diárias neste Blog e nas publicações no site Autores. Sem contar, o trabalho estafante, ingrato e cruel feito geralmente em local, horário e condições inapropriadas que demandavam e ainda demandam meus projetos literários.
Cheguei a escrever uma coluna semanal de esportes para o jornal com abrangência Regional. E a gravar dois “pilotos” para um programa de entrevista de uma emissora local, proprietária, digamos assim, daquele jornal veiculado exclusivamente na web.  Eram compromissos que, a convite, assumi com satisfação e aos quais eu procurava dedicar o melhor do meu conhecimento e capacidade. Buscando sempre superar as minhas limitações, porque as tenho, e quem não as tem?
A proximidade de período semelhante me faz recordar agora que, ao final do ano passado, indaguei-me exausto e doente: O que eu ganho com isso? Ou seja, o que $Ganho$ com i$$o? Quando sabia que outros, sim, ganhavam e eu, ingenuamente, samaritanamente contribuía para isso.
Decidi inclusive afastar-me literalmente do grupo cultural e artístico que ajudei a criar, não ocupando mais sequer cargo diretivo. E o fiz sem nenhum remorso ou arrependimento. E essa é uma decisão irrevogável, que, não me impede, todavia, de continuar respeitando os que ficaram e continuam a conduzir trajetória do dinâmico grupo Auê. E para eles eu desejo, de coração, toda a sorte do mundo. Porque em que pese nossa discordância de opiniões e crenças, são pessoas pelas quais tenho carinho e afeto, porque sei o quanto sonharam e lutaram por isso. E agora vêem a primeira florada de sua lida. Mais que merecido.
Finalmente, a outra razão importante para o meu isolamento é o fato de acreditar que a Cultura financiada pelo Estado jamais será independente, jamais será expressão livre e espontânea de segmentos da sociedade que desejam criar e expandir Cultura e se expressar por intermédio da arte.
  Receber dinheiro do Estado, Município ou União, dinheiro que é público, portanto de todos, para produzir arte e, por conseguinte cultura, não me parece correto, em um país de analfabetos funcionais e onde há pessoas morrendo nos corredores dos hospitais públicos, por falta de atendimento adequado e onde o ensino público, apesar de todo esforço sobre-humano de educadores abnegados constituir-se verdadeiro caos, chegando ao absurdo de se verificar a oferta de drogas ilícitas nas portas de tais estabelecimentos, expondo indivíduos ainda em fase de formação de caráter, portanto suscetíveis a todo tipo de convencimento  e experiência, ao monstro devastador do vício.
Contudo, hipocrisia não cabe em minhas convicções. E por esse motivo, penso que o artista “prostituir-se” por dinheiro, é até compreensível, porque o dinheiro propicia comida, bebida, moradia, vestuário, calçado, remédio, e, finalmente, não cobra favores, quando a relação é meramente comercial entre aquele que compra e aquele que vende.
Agora, prostituir-se por ideologia é a meu ver burrice, e mais, é insuportável, porque a ideologia, o compromisso político-partidário, não demanda esforço e mérito, mas conveniência e encontro de interesses, e só dá camisa àqueles que estão no Poder e aos seus aboletados. Até porque a consistência ideológica dos partidos políticos no Brasil é feita tal isopor.
É por esse motivo que permaneço longe e indiferente a todas as atuais iniciativas de caráter cultural e artístico de Rio Claro, eivada dos vícios anteriormente apontados.
Acredito que em arte não existe o coletivo, como alguns querem crer. Existe o individual, quando muito o tapete, e este são todos os outros, por onde passará o exército de um homem só, o dono da ideia, portanto, dos acontecimentos, das coisas, que, ao desbravar o seu caminho, deixa sua marca, em busca do seu objetivo. Do seu. Enquanto os outros, aqueles que orbitam no entorno dele, poderão apenas saciar a  fome de reconhecimento acreditando que também fizeram parte da história. Sim. Fizeram e fazem, como coadjuvantes.
E eu não pretendo, jamais pretendi ao que se refere ao meu trabalho de criação literária ser coadjuvante de quem quer que seja.
Eu tenho a minha própria história, o meu próprio caminho. Eu e todos aqueles que se acreditam e se declaram livres. Livres porque são independentes. Vencedores ou vencidos, mas senhores de si.

Um comentário:

  1. Você é "comedido" e "certeiro" em seus comentários de uma maneira original e precisa. E é com isso que eles gostariam de contar e você faz muito bem, parecendo até soberba da sua parte, mas é o total conhecimento que o torna assim, superior. Portanto, está mais do que correta a sua atitude. E, como diz e confirma nessas palavras, não precisa da adesão ou o bater nas costas de compreensão de quem quer que seja. Eles perdem por não respeitar. E você ganha por não compartilhar a inteligência e a capacidade de escrever. Ainda mais se fosse vendida por cooptar com a corrupção e ideologias. Cabresto nunca. Boa luta poeta! Abraços!

    ResponderExcluir