sexta-feira, 4 de novembro de 2011

FOSSEM ASSIM OS DIAS...

A camisa não seria xadrez
E o jeans rasgado estaria
Pendurado no cabide
Uma nota de mil
Daquelas que se esquece
No fundo da gaveta
No tênis fedorento
Que insiste em não sair dos pés
Enquanto se caminha
Pela rua escura, esburacada, sem destino
E o sinal amarelo
Indica por outro lado, outro caminho
Alguma coisa que se esquece
Vez por outra, nem sempre
Pense
Ao acordar pela manhã
Com histórias na cabeça, lembranças
Pra contar às paredes, ao vento, às formigas
E aos pássaros, ignorantes,  inocentes
Enquanto
A água ferve
E o café
Demora a passar
Vê-se sem demora, com algum desalento
A apresentadora, as notícias
A mesma cara de sempre
Então, olha-se para o pedaço do céu a descoberto
E com algum pesar
Imagina-se que se fossem outros os dias
Ou fossem assim os dias
Suave e lindo, imaculado e sóbrio, como aquela manhã
Mas...
Virão os minutos
Feito a composição que, ansiosa, em nenhuma estação pára
Segue,
Sem destino

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