segunda-feira, 14 de novembro de 2011

LIVRO ESPÍRITA TRAZ LUZ À HUMANIDADE EM TEMPOS DE TRANSIÇÃO

Acontece em Rio Claro, até 30 de novembro, a 45ª. Feira do Livro Espírita, promovida pela U.S.E.I.R.C (União das Sociedades Espíritas Inter-Municipal de Rio Claro). Estarão disponíveis ao público leitor, simpatizantes e adeptos do Espiritismo, as obras básicas de Allan Kardec, os livros de Chico Xavier, com destaque para as coleções André Luiz e Emmanuel, além de romances espíritas de diversos autores. Durante a feira, instalada no Jardim Público, também será possível fazer inscrição para o Clube do Livro Espírita Sementes de Luz, que, atualmente conta com mais de 400 associados que recebem mensalmente os lançamentos literários do gênero espírita, criteriosamente selecionados por uma comissão, ao preço de apenas R$15,00. Valter Martinez, coordenador da feira, destaca que também estarão à disposição dos interessados livros com descontos de até 80% do preço de capa.
Em um momento da história da humanidade onde tanto se fala e se discute sobre período de transição planetária e previsões à cerca do fim do mundo, gerando especulação de toda sorte, causando muitas vezes insegurança e medo desnecessários, o Espiritismo, doutrina dos espíritos, codificada por Allan Kardec, traz uma mensagem de fé e esperança, de amor e paz, de estímulo à renovação moral, através das páginas do seu principal meio de divulgação, os livros.
Às cinco obras fundamentais do Espiritismo que são O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, e O Céu e o Inferno somam-se outras que tratam sobre temas específicos estudados pela doutrina.
Livros como No Invisível, O Problema do Ser do Destino e da Dor, e, Depois da Morte, de Leon Dennis, além de A Evolução Anímica, A Alma é Imortal e o Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Dellane aprofundam os assuntos de que tratam os aspectos científico e filosófico da doutrina que além destes se baseia em um terceiro e fundamental aspecto, o religioso.
Leon Dennis (1846-1927) a exemplo de Kardec era francês, autodidata e membro atuante da Maçonaria. Conferencista difundiu por toda a Europa a ideia da sobrevivência da alma.
Por sua vez, Gabriel Dellane (1857-1926), destacou-se ao aprofundar-se no aspecto científico da doutrina espírita e teve como sua maior contribuição diferenciar a mediunidade que é o fenômeno produzido pelo espírito comunicante através do médium, do animismo, que, em linhas gerais, pode ser entendido como o fenômeno de comunicação produzido pelo próprio médium.
Um terceiro autor bastante importante na literatura espírita é Nicolas Camile Flammarion (1842-1925). Amigo de Allan Kardec, Flammarion dedicou-se ao aprofundamento do estudo da pluralidade dos mundos em livros como Mundos Imaginários e Mundos Reais, Mundos Celestes, e, A Pluralidade dos Mundos Habitados.
No Brasil, o imenso trabalho do médium Francisco Candido Xavier (1910-2002), com mais de 450 obras psicografadas, ajudou a disseminar o conhecimento do Espiritismo reunindo inúmeros adeptos em torno da mensagem consoladora e de esclarecimento aos inúmeros questionamentos da vida que a doutrina oferece.
Conforme dados do IBGE, 2,4 milhões de brasileiros se declaram espíritas. Para a Federação Espírita Brasileira, entretanto, o número de simpatizantes da doutrina gira em torno de 30 milhões.
Desde o lançamento de Parnaso do Além Túmulo, obra realizada pela psicografia do médium Chico Xavier, e ditada por espíritos de vários poetas e escritores brasileiros, publicado em 1931 e que inaugurou o gênero literário no Brasil, a literatura espírita tornou-se um fenômeno editorial e, recentemente, chegou às telas do cinema, com a produção de Nosso Lar (2010) que em apenas 10 dias de exibição atingiu 1,6 milhão de espectadores. Durante o mês de outubro deste ano, foi lançada a mais nova produção cinematográfica do gênero, O Filme dos Espíritos, que conta a história de um homem que decidido a se suicidar se depara com O Livro dos Espíritos de Allan Kardec e, através da leitura da obra, inicia uma jornada de reforma íntima e aperfeiçoamento moral.
Nosso Lar, por sua vez, é uma adaptação do livro homônimo do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier em 1943 e que narra a trajetória do próprio André Luiz, após seu desencarne, o início de sua readaptação à vida espiritual e o entendimento que vai adquirindo sobre a importância dos valores morais da vida, como a caridade, a humildade e o perdão, a ponto de estimulá-lo a escrever um livro, através do fenômeno mediúnico da psicografia (de Chico Xavier) relatando a sua experiência.
Depois de Nosso Lar, André Luiz ditou mais 15 livros, por intermédio de Chico Xavier aprofundando-se nos temas como obsessão e mediunidade, de maneira clara e objetiva que lhe valeu a alcunha de “O repórter do mundo espiritual”.
Atualmente, muitas obras literárias realizadas através da mediunidade de psicografia de diversos médiuns chegam ao mercado editorial, com destaque para os romances e os títulos que tratam do tema obsessão.
Valter Martinez, diretor da Livraria Espírita Páginas de Luz e do Clube do Livro Espírita Sementes de Luz, além de coordenador da 45ª. Feira do Livro Espírita de Rio Claro atribui o fenômeno à grande identificação do público leitor para com os temas tratados nas narrativas, desenvolvidas geralmente num estilo simples, direto e de fácil assimilação.
Temas como perda de entes queridos, aborto, suicídio, injustiças, desilusões amorosas e financeiras, tão comuns nos dias de hoje, encontram respostas nos livros espíritas através do estudo e entendimento da lei de causa e efeito, que permite a conscientização da importância fundamental do amor, do perdão e da caridade, sem a qual, segundo a Doutrina Espírita não há salvação, revivendo dessa forma os ensinamentos de Jesus Cristo contidos no Evangelho.
Apesar de ter chegado às telas do cinema em longas metragens como Nosso Lar e Bezerra de Menezes – o filme, além de documentários como o que retrata a vida de Eurípides Barsanulfo, um dos expoentes do Espiritismo no Brasil, e cuja produção será apresentada no próximo dia 19, no auditório da Casa dos Espíritas de Rio Claro, com entrada franca, a Doutrina dos Espíritos também está presente na internet onde é possível ter acesso à vários sites de revistas especializadas e palestras de renomados oradores como Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira e Richard Simonetti, entre outros. Na tevê, aos domingos, é exibido o programa Transição, no canal 53, com boa audiência.
Contudo, é no livro que o Espiritismo ainda encontra o seu maior meio de divulgação. Todo centro espírita possui uma biblioteca onde seus frequentadores podem ter acesso aos livros. E mesmo nas bibliotecas públicas é possível encontrar várias publicações do gênero.
Rio Claro, há mais de 20 anos conta com uma livraria dedicada exclusivamente às publicações espíritas. Atualmente, a Livraria Espírita Páginas de Luz (http://livrariaespiritapaginasdeluz.blogspot.com/), sonho que se tornou realidade pelas mãos de abnegados da doutrina que se uniram em torno desse objetivo, está localizada à rua 5 No. 1.314, entre as avenidas 4 e 6, na região central da cidade.
Curioso observar que justamente no Brasil, cuja população é pouco afeita à leitura, a literatura espírita encontrou tão boa aceitação, principalmente junto ao público feminino. Para Valter Martinez a resposta está justamente na mensagem de otimismo e esperança e no estímulo da reaproximação do ser humano com Deus através de Jesus que este gênero literário oferece.

Psicografia é um tipo de mediunidade
A mediunidade é o fenômeno que torna possível a comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material. Ela ocorre com o concurso do médium ou intermediário que recebe a comunicação e o espírito desencarnado que transmite a comunicação. Os mais recorrentes tipos de mediunidade são: a psicografia, a vidência e a audiência. Na primeira, o médium escreve a comunicação do espírito desencarnado; na segunda, ele vê o desencarnado e na terceira, ele ouve.
A psicografia é a modalidade mediúnica que torna possível a escrita de mensagens e livros. Ela pode ser consciente, semi-consciente e inconsciente.
Outro tipo bastante comum de mediunidade é a falante onde os médiuns possibilitam aos espíritos a comunicação oral com os encarnados. Através desse tipo de mediunidade é possível o trabalho de conscientização e esclarecimento de um espírito desencarnado sofredor durante os trabalhos mediúnicos aos quais é levado por um mentor espiritual. O doutrinador, pessoa responsável por conversar com o espírito que dá a comunicação através do médium falante, jamais estará mediunizado nessas circunstâncias e deverá, necessariamente, ter amplo e profundo conhecimento do Espiritismo e em condições morais ascendentes perante o comunicante, pois ninguém dá o que não possui.
Conforme o Espiritismo, todos os seres humanos são mais ou menos médiuns. Isso explicaria o fato das sensações diferentes das habituais experimentadas na presença de lugares ou pessoas que, de alguma forma e em algum momento da vida todos sentimos.
A mediunidade ostensiva é aquela que se produz com mais evidência e freqüência. E uma vez identificada requer um desenvolvimento seguro e disciplinado, o que pode ser feito através da orientação e da educação mediúnica oferecidas nas casas espíritas que tem como base e princípio a codificação kardequiana.
O objetivo principal da mediunidade, conforme o Espiritismo é dar aos homens o conhecimento da verdade e promover a melhora espiritual do médium. Ela não se constitui privilégio, mas demanda responsabilidade, porque independe inclusive das qualidades morais de quem a possui. Seu funcionamento se dá por fatores orgânicos do médium e envolve diretamente o perispírito que se trata do corpo fluídico do espírito. O perispírito é o duplo etéreo do espírito, esteja ele encarnado, ou seja, na condição humana, ou desencarnado. Tanto em uma condição como em outra o espírito o possui. E deixará de tê-lo, a partir do momento em que atingir um grau de sublimação moral em sua evolução espiritual.
Para maior segurança da prática mediúnica, a fim de se evitar possíveis mistificações ou mesmo obsessões não se recomenda, a menos que haja uma razão que a justifique, a evocação dos espíritos, mas aguardar sua manifestação espontânea, que devem ocorrer nas casas espíritas que possuem local, médiuns e ambiente preparado para tanto. Os espíritos sérios e bons jamais darão uma comunicação de natureza frívola e desprovida de bom senso. Eles são organizados e se ocupam das tarefas cujo objetivo é a prática do bem a todos indistintamente.
Conhecido ditado no meio espírita diz que “o telefone só toca de lá (mundo espiritual) para cá (mundo material).

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