domingo, 22 de janeiro de 2012

FIM DO SONHO

Ao menos para mim é. Soube na tarde de ontem, através de fonte fidedigna que o tradicional Casarão da família Machado, localizado à rua 11 com avenida 1, teria sido negociado com um empresário das Minas Gerais, pelo valor aproximado de 1 milhão de reais.
Uma entidade local, a qual não estou autorizado a revelar o nome, mas que tem o respeito e o devido reconhecimento por sua importância por parte da comunidade rio-clarense, mantinha tratativas com objetivo de zelar pelo espaço, mas o poder econômico evidentemente falou mais alto.
Portanto, ao que tudo indica Rio Claro perderá em breve mais uma referência significativa da sua cultura que desaparecerá dando lugar a algum empreendimento comercial, provavelmente.
Algo lamentável, não o empreendimento comercial, mas o desaparecimento de tão importante espaço urbanístico que se trata de importante referência cultural para o município.
Nada a estranhar, entretanto, em uma cidade que não consegue, decorrido mais de 1 ano, reconstruir um Museu que pegou fogo, graças a estupidez de seres humanos infelizes e ao descaso das autoridades. Uma cidade que tem uma fundação que leva o nome de ilustre político nacional, que não era não senhor esse santinho que historiadores apressados se arvoram em descrever, e que apesar de mencionado como rio-clarense, nasceu, conforme, se sabe alguns quilômetros daqui. E que me perdoem antropólogos, sociólogos, notários e especialistas no assunto, para mim, rio-clarense é quem nasce aqui.  
E isso tudo é ainda mais previsível, porque, até onde se sabe mesmo tendo conhecimento da importância artística e cultural do casarão da família Machado, nada foi feito, sequer uma bandeira levantada, por aqueles que assumem a responsabilidade de zelar pela cultura rio-clarense, e nem por aqueles que reivindicam esse direito, e me refiro a grupos, entidades, movimentos, os quais Rio Claro é eficiente em produzir e só.
Reconhecimento seja feito, o único, como sempre, a destacar a importância daquele espaço e a necessidade de sua preservação foi o perito judicial em Arqueologia e Documentação Histórica, Anselmo Ap. Selingardi Jr, voz que ecoa no deserto de insensibilidade cultural em nossa cidade, com suas sempre oportunas colaborações ao jornal Diário do Rio Claro.
E assim caminha a nossa mediocridade. 

2 comentários:

  1. Entristeceu meu domingo...lamentável mesmo ! E assim Rio Claro vai perdendo suas memórias.
    Abraço

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  2. Excluindo o fato de ser um banco de memórias da cidade, pela foto se têm a impressão que está firme e forte, bastando a manutenção e quiça restauração. Diferente de muitos prédios, antigos, considerados de memória, agora, em casca somente. Isso seria desperdício de dinheiro público. Concordo com a tese. E mais memória para o buraco... ou melhor, para o esquecimento, já que sobre ele, foi construido um moderno. Um dia virá e se tornará antigo também. É a roda da vida, em constante movimento. Parabéns pelo texto. Como sempre, elegante, sóbrio e correto. Abraços!

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