quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ite, Missa est

CERIMÔNIA – Novela do escritor rio-clarense Geraldo J. Costa Jr.
E boa leitura.
*Foto ilustrativa (reprodução).




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

VAMOS PARA CASA

Estimados e finados leitores; companheiros de jornada de hoje, de ontem e de sempre. A partir de hoje deixo de publicar neste espaço. E é bem provável que não o farei em nenhum outro. As circunstâncias se impõem. Já vinham se impondo há algum tempo. Mas, levado pela teimosia e alguma outra coisa que um dia acreditei pudesse ser amor, e, noutros dias, dependência, simplesmente, prossegui até onde pude. Ora com dignidade. E outras nem tanto. É que realmente não faz mais sentido levar isso adiante. Agradeço a atenção e o carinho de todos vocês. Quem sabe a gente se vê por aí.


PS: Os textos aqui publicados permanecerão. Passa a Régua não será desativado. Ou até que algum dia...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O DÉRBI DA PAZ. E DAS ANTIGAS. TOMARA.

Faz 24 anos que Velo Clube e Rio Claro não medem forças em uma disputa valendo pela divisão de acesso à elite do futebol paulista. A última vez que isso aconteceu foi em 1988, no estádio Benitão, e o Rio Claro venceu por 1x0, gol de Paulo Isidoro, recém promovido da equipe sub-20 (então categoria Junior) e foi a gota d’água para que a fanática torcida velista perdesse de vez a paciência com o roliço técnico Hamilton Cunha.
Para o Velo Clube, viriam na sequência dois anos de ausência dos campeonatos oficiais promovidos pela Federação Paulista de Futebol até o retorno triunfal em 1991, mas já na segunda divisão, ocasião em que o clube da Rua 3 iria novamente se defrontar com o arqui-rival em outros dois jogos, vencendo o primeiro, disputado no Benitão, por 2x0, e empatando o segundo, na casa do adversário, sem abertura de placar.
Naquela oportunidade, a ascensão velista não teve seqüência, o Rio Claro continuou seu martírio que durou até o início dos anos 2000, e os dérbis tornaram-se escassos e desinteressantes, realizados normalmente para comemorar a data do aniversário da cidade.
Os times locais perderam prestígio e a preferência junto ao torcedor rio-clarense que, incentivado pela era da imagem e da comunicação passou a deitar os olhos para os grandes clubes da capital, preferindo acompanhá-los no conforto e segurança de sua sala de estar à frente da tevê e acompanhado de uma “loira gelada”, por sinal, proibida nos estádios.
Nesse período, muito se falou na possibilidade, jamais admitida, da fusão entre os dois clubes da cidade. Para tanto, não faltaram incentivo de determinados grupos políticos e de parte da imprensa. Mas a ideia, como era de se esperar, não prosperou. Não se joga na lata do lixo, sem mais nem menos, cem anos de história de cada lado. E muito menos a paixão que ainda move os torcedores mais fanáticos de ambas as agremiações, que, se embora diminutos, continuam existindo.
Diminutos? Pois é. À parte a leitura pejorativa que os mais apressados podem fazer do termo utilizado, ele, infelizmente, corresponde à realidade.
O Rio Claro, mesmo no seu melhor momento, vivido até recentemente com dois acessos e a permanência por três anos na elite do futebol paulista, jamais conseguiu lotar o estádio Schimidtão, onde manda seus jogos, nesse período. Exceto quando lá recebeu a visita de São Paulo, Palmeiras (por duas ocasiões) e Santos.
O Velo Clube, hoje se dá por satisfeito em colocar 1500 pagantes nas arquibancadas do Benitão em seus jogos. Número, entretanto, inexpressivo se considerarmos que as diretorias que comandaram o clube nos anos 1970 e até meados de 1980 conseguiam fazer a folha de pagamento do time com a bilheteria dos jogos. Algo impensável nos dias de hoje.
Importante e necessário, porém, enaltecer o trabalho das duas atuais diretorias que não medem esforços para viabilizar a participação das equipes nas competições oficiais da Federação Paulista de Futebol e assim continuar acalentando o sonho imorredouro de seus torcedores.
Hoje, 11 de fevereiro de 2012, a partir das 17 horas, no estádio municipal Dr. Augusto Schimidt Filho, será escrita mais uma página dessa história que já conta 127 jogos sendo 51 vitórias dos velistas, 41 dos rio-claristas e 35 empates.
O que se espera é um jogo bem disputado, com lealdade entre os profissionais envolvidos. E que a torcida faça um espetáculo nas arquibancadas e não uma guerra. E que os árbitros trabalhem com correção e honestidade e que a polícia tenha nenhum trabalho.
Utopia? Para alguns exagerados sim. Mas em realidade não. Basta que cada um faça a sua parte de maneira consciente e responsável.
Ao torcedor de ambos os times, fica a mensagem que se não convence os mais fanáticos, ou seja, a minoria, ainda bem, pode, todavia, dizer muita coisa aos mais lúcidos, que, graças a Deus, são a maioria.
A mensagem é simples: Profissionais são os que estarão no campo de jogo, disputando as jogadas, a vitória, os 3 pontos. Eles, sim, ganham dinheiro com o futebol porque dele vivem. O torcedor, ao contrário, gasta dinheiro com o futebol. E gasta muito, a julgar o valor dos ingressos, suvenires, bebidas e comestíveis que habilidosos e persistentes vendedores tentam a todo custo convencê-los a adquirir.
 Portanto, torcer sim, os 90 minutos, ou mais. Perder o juízo, jamais, em momento algum e em circunstância nenhuma. Porque tudo na vida passa. Os jogos e os dérbis também. Só ficam mesmo as lembranças. Quanto a este de logo mais a sorte está lançada. De minha parte, admito, sem nenhum constrangimento porque sou esportista tão somente: que vença o Velão.
Mas qualquer resultado que ocorra deve ser encarado com naturalidade, porque para nós, torcedores, futebol não passa de esporte e entretenimento. E assim deve ser. Para o bem de todos.


*Artigo publicado no Jornal Regional (Rio Claro/SP), edição de 11/02, à pág. 32, sob o título "O DÉRBI DA PAZ" com chamada de 1a. página.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

VOCÊ SE LEMBRA?

O jornalista rio-clarense Lourenço Favari revirou o baú da memória e fez esse post interessante em sua página no Facebook (http://www.facebook.com/profile.php?id=100002388075502).

Segundo ele:
"O texto abaixo, escrito por J. Costa Jr., demonstra o clima das reuniões de redação do extinto jornal O Beta, que foi editado na segunda metade da década passada em Rio Claro/SP. Bem sacado". 
Abraços ao competente Lourenço, estimado amigo. E muito obrigado pela lembrança. Vamos ao texto:

O FINADO BETO
Por Geraldo J. Costa Jr. Baseado em fatos reais. Ou nem tanto.

Quando saíra de casa pela manhã, Beto Bily Boy, codinome Simplório, carregava consigo terrível pressentimento. Fora chamado às pressas para aquela reunião, e achara estranho porque o grupo ao qual pertencia costumava reunir-se sempre à noite. Durante o caminho lamentava-se, como jamais fizera pelo fato de pertencer àquele grupo. Aderira ao mesmo por razões sentimentais, e estava convencido de que fora um erro fatal às suas pretensões. Tivera uma idéia brilhante, mas ultimamente carregava consigo a incomoda sensação de que havia plantado em terreno infértil, mas de todos os males este era o menor. O que mais o incomodava era a posição de mero coadjuvante à que fora relegado, não que isso lhe representasse injustiça, todavia, estupidez. Afinal de contas quem daquele seleto e impenetrável grupo tinha capacidade semelhante à sua para produzir idéias, que, transformadas em ações, sempre apresentavam resultados satisfatórios. Beto detestava a verborragia dos intelectuais; era anarquista, repudiava o Estado, a política e qualquer forma de religião. Amava a liberdade. E acreditava que a responsabilidade perante a vida se resumia a um simples código moral onde todos, indistintamente, respondem por seus atos, colhendo, portanto, o que plantarem. Simples. Assim como as redações que se via obrigado a escrever na escola, enquanto adolescente, e que, em geral, não ultrapassavam quinze linhas. Beto tinha o deplorável costume de formular conceitos sobre as pessoas na intimidade do seu pensamento. Era o que tentava fazer durante o longo trajeto que percorria montado numa bicicleta, em face de expressa recomendação médica. Começara por Ned Sossego. Ele havia se apropriado indevidamente de sua ideia e assumido a posição de líder perante o grupo, porque gostava de organizar as coisas, o que proporcionava aos demais, comodidade e despreocupação. Entretanto, Ned Sossego era um sujeito dado a arroubos filosóficos, de modo que nunca se sabia ao certo com quem se estava falando. E isso dava nos nervos de Beto, razão pela qual, embora houvesse muitas outras, ele bebia demasiadamente nas ocasiões em que o grupo se reunia para tratar dos futuros planos. Ned se orgulhava de dizer que tinha na figura de Greg Grandão, mais que um amigo, um guarda-costas, até que descobrira que a figura o traíra de modo imperdoável, e Beto receava que aquela reunião para a qual ele se dirigia, era, na verdade, um acerto de contas. Como se um tiro no meio da testa não resolvesse tudo, pensou. Outro que chamava a atenção de Beto era Nico Cabelinho, o poeta do grupo. Estava atualmente vivendo numa espelunca na área central da cidade, junto de Édi Morcegão, contrabandista de bebidas estrangeiras e Mary Gorducha, que tinha como principal atividade vender Cd’s piratas. O que dizer então de Jack Camaleão? O esplendor da sabedoria, exalando pelas ventas ideias mirabolantes e inconcebíveis, dono de um discurso verborrágico, capaz de fazer Oswald de Andrade e Glauber Rocha se virar na catacumba. E causar arrepios em Rui Barbosa e até mesmo no empolado Cícero, sim, aquele de Roma. Bem, muito bem pensava Beto, certo de que poderia ter enchido o pneu da bicicleta e chegaria mais rápido. E, por pensar nisso, perguntou a si mesmo se Tóti Vechi, o renomado arrombador de cofres, e, conforme a polícia, elemento de alta periculosidade, apesar dos seus quase quarenta quilos e um metro e meio de altura, a polícia é mesmo divertida, será que ele, o internacional Tóti Vechi, com serviços prestados a Rainha da Inglaterra e ao insuspeito Nino Scarpini já havia retornado de Punta de El Este, para onde fora se encontrar com a Ruiva do Cazaquistão? Mas quando voltasse certamente correria para os braços do cabeludo Francesco Pésti Pestana, trazendo-lhe inspiração para novos assaltos a estabelecimentos bancários e joalherias. Tudo por amor. Para que Pésti conseguisse finalmente rodar o primeiro filme e abandonar o mundo do crime desorganizado, porque nem todos podem ser Frank Sinatra, Copolla, Scorcese ou Polanski. Beto estava a uma quadra do local da reunião, quando se lembrou de Scotch Djunior. Beberrão assumido, e por quem alimentava desde muito tempo ódio de morte. Era um canastrão aquele Scotch. Havia lhe roubado a pequena e fugido com seus dólares, perdendo-se nas BR’s da vida. E tudo acontecera numa noite chuvosa, num hotel de beira de estrada, quando Beto já havia tomado todas e, deitado numa rede, curtia uma inofensiva Cannabis ao som de Heroes. Por isso, onde quer que fosse Beto Simplório levava consigo uma arma, em cujo carregador, havia apenas um projétil. Apenas um. Nunca havia matado ninguém na vida. Não pretendia fazê-lo. Desde que não cruzasse com Scotch Djunior. Finalmente chegara ao local da reunião, a casa de Ned Sossego, onde eram realizados os encontros do grupo para traçar os planos, e, quando Ned, o chefão, queria dar um esculacho com todos, para, nos estertores da tragédia soltar a célebre frase: “Quem está ao meu lado, afinal de contas?”. Beto logo percebeu que, como de costume, fora o último a chegar. Havia um clima estranho. Ninguém conversava. Mas todos se olhavam. Nem mesmo os bolinhos quebra-dentes da mãe de Ned causavam entusiasmo ao grupo. O silêncio foi interrompido com o choro do bebê de Mirtes Espanca, cantora de origem portuguesa, que Ned hospedava aquele final de semana. Ele se acreditava um mecenas. Dizia aos quatro cantos, feito o apóstolo Pedro, que o amor cobre a multidão de pecados. E que todos os pecados que cometia era para que um dia sua alma pudesse ser redimida do fogo eterno quando Deus visse a sua inestimável contribuição para o mundo das artes e da cultura. Era mesmo um idiota, pensou Beto. Então os membros foram chamados para a sala de reuniões. Como em todas as outras, muito foi falado e pouco resolvido. Alguns, insatisfeitos, saíram para fumar lá fora. E outros, para consumir o uísque 12 anos que Édi Morcegão sempre levava consigo onde quer que fosse. Todos estranharam a ausência de Rosita Palito, a atual namoradinha de Ned, mas não houve quem ousasse fazer comentário. No último empreendimento do grupo no mundo do crime, Ned, o chefão, havia contemplado Rosita com considerável soma, embora lhe coubesse apenas a difícil tarefa de servir cafezinhos durante as reuniões. E isso gerara descontentamento em alguns dos membros do grupo, como por exemplo, Jack Camaleão. Era justamente o próprio que, com sua voz de locutor de FM, dizia: “Acho que devemos...” – quando a campainha tocou. Quem poderia ser às sete da manhã? Francesco Pésti Pestana se apressou em espiar pela janela da sala. Voltou dizendo que era a polícia. Já haviam pulado o portão, tomado o telhado e os fundos da casa, enquanto alguns outros davam cobertura lá fora. “Mas que porra é isso?” – disse Greg Grandão, levado por sua inteligência incomparável. Ned percorreu os olhos por todos os membros do grupo tentando se desculpar, pois se lembrava que, naquela semana, se esquecera de mandar o presentinho para o delegado do quinto DP. Pois aqueles eram dias difíceis. Havia batido a moto e brigara uma dúzia de vezes com a namoradinha. Estava, portanto, terrivelmente deprimido, achando que iria morrer a qualquer momento e que no mundo ninguém prestava e que a vida era uma merda, que seu sonho de se tornar um mecenas, mesmo que para isso tivesse de cometer mil pecados, jamais se tornaria real. Olhou para todos e pediu desculpas. Mas já era tarde. Quando a polícia invadiu a sala onde se dava a reunião Beto Simplório adiantou-se. Todos acharam que ele começaria a fila da rendição. Entretanto, seus olhos se tornaram ensandecidos, quando viu, algemado, entre os policiais, Scotch Djunior. Então sacou da arma, mas como nunca a tinha usado... No cemitério de São João Batistinha, daquela localidade, mais precisamente na quadra 66, há uma lápide, cuja inscrição diz o seguinte: Roberto Agamedes Estevão, nosso querido Beto, que de tão Simplório, acreditou que “O amor cobre a multidão de pecados”.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

E JÁ SÃO DEZ HORAS

Vou nascer daqui a dez dias
E acho isso nada bom
Estou como que entorpecido
Incapaz de um movimento
E embora eu queira
Já não posso desistir
Serão 46 anos, terríveis anos
Eu quis fosse 19 ou 20
Mas eles não quiseram
Por mim nada disso estaria acontecendo
Eu não desejei essa jornada
Ela nada poderá acrescentar á história da minha vida
Porque não sou conduzido
Conduzo
Porque sou livre
Para escolher o meu caminho
Porque as coisas para terem vida
Elas não precisam estar no papel
Eu descobri isso, sabe, depois de tanto escrever
Eu descobri que aquilo que vai no coração
Não precisa da letra, da forma, da cor, do símbolo,
Da metáfora, não precisa
Basta que exista
Na mente e no coração
Que é onde se vive e onde tudo acontece
Quando se atinge essa consciência, que paz e liberdade proporcionam
Tudo mais perde o sentido
Adquire de fato a importância que possui:
Nenhuma