sábado, 11 de fevereiro de 2012

O DÉRBI DA PAZ. E DAS ANTIGAS. TOMARA.

Faz 24 anos que Velo Clube e Rio Claro não medem forças em uma disputa valendo pela divisão de acesso à elite do futebol paulista. A última vez que isso aconteceu foi em 1988, no estádio Benitão, e o Rio Claro venceu por 1x0, gol de Paulo Isidoro, recém promovido da equipe sub-20 (então categoria Junior) e foi a gota d’água para que a fanática torcida velista perdesse de vez a paciência com o roliço técnico Hamilton Cunha.
Para o Velo Clube, viriam na sequência dois anos de ausência dos campeonatos oficiais promovidos pela Federação Paulista de Futebol até o retorno triunfal em 1991, mas já na segunda divisão, ocasião em que o clube da Rua 3 iria novamente se defrontar com o arqui-rival em outros dois jogos, vencendo o primeiro, disputado no Benitão, por 2x0, e empatando o segundo, na casa do adversário, sem abertura de placar.
Naquela oportunidade, a ascensão velista não teve seqüência, o Rio Claro continuou seu martírio que durou até o início dos anos 2000, e os dérbis tornaram-se escassos e desinteressantes, realizados normalmente para comemorar a data do aniversário da cidade.
Os times locais perderam prestígio e a preferência junto ao torcedor rio-clarense que, incentivado pela era da imagem e da comunicação passou a deitar os olhos para os grandes clubes da capital, preferindo acompanhá-los no conforto e segurança de sua sala de estar à frente da tevê e acompanhado de uma “loira gelada”, por sinal, proibida nos estádios.
Nesse período, muito se falou na possibilidade, jamais admitida, da fusão entre os dois clubes da cidade. Para tanto, não faltaram incentivo de determinados grupos políticos e de parte da imprensa. Mas a ideia, como era de se esperar, não prosperou. Não se joga na lata do lixo, sem mais nem menos, cem anos de história de cada lado. E muito menos a paixão que ainda move os torcedores mais fanáticos de ambas as agremiações, que, se embora diminutos, continuam existindo.
Diminutos? Pois é. À parte a leitura pejorativa que os mais apressados podem fazer do termo utilizado, ele, infelizmente, corresponde à realidade.
O Rio Claro, mesmo no seu melhor momento, vivido até recentemente com dois acessos e a permanência por três anos na elite do futebol paulista, jamais conseguiu lotar o estádio Schimidtão, onde manda seus jogos, nesse período. Exceto quando lá recebeu a visita de São Paulo, Palmeiras (por duas ocasiões) e Santos.
O Velo Clube, hoje se dá por satisfeito em colocar 1500 pagantes nas arquibancadas do Benitão em seus jogos. Número, entretanto, inexpressivo se considerarmos que as diretorias que comandaram o clube nos anos 1970 e até meados de 1980 conseguiam fazer a folha de pagamento do time com a bilheteria dos jogos. Algo impensável nos dias de hoje.
Importante e necessário, porém, enaltecer o trabalho das duas atuais diretorias que não medem esforços para viabilizar a participação das equipes nas competições oficiais da Federação Paulista de Futebol e assim continuar acalentando o sonho imorredouro de seus torcedores.
Hoje, 11 de fevereiro de 2012, a partir das 17 horas, no estádio municipal Dr. Augusto Schimidt Filho, será escrita mais uma página dessa história que já conta 127 jogos sendo 51 vitórias dos velistas, 41 dos rio-claristas e 35 empates.
O que se espera é um jogo bem disputado, com lealdade entre os profissionais envolvidos. E que a torcida faça um espetáculo nas arquibancadas e não uma guerra. E que os árbitros trabalhem com correção e honestidade e que a polícia tenha nenhum trabalho.
Utopia? Para alguns exagerados sim. Mas em realidade não. Basta que cada um faça a sua parte de maneira consciente e responsável.
Ao torcedor de ambos os times, fica a mensagem que se não convence os mais fanáticos, ou seja, a minoria, ainda bem, pode, todavia, dizer muita coisa aos mais lúcidos, que, graças a Deus, são a maioria.
A mensagem é simples: Profissionais são os que estarão no campo de jogo, disputando as jogadas, a vitória, os 3 pontos. Eles, sim, ganham dinheiro com o futebol porque dele vivem. O torcedor, ao contrário, gasta dinheiro com o futebol. E gasta muito, a julgar o valor dos ingressos, suvenires, bebidas e comestíveis que habilidosos e persistentes vendedores tentam a todo custo convencê-los a adquirir.
 Portanto, torcer sim, os 90 minutos, ou mais. Perder o juízo, jamais, em momento algum e em circunstância nenhuma. Porque tudo na vida passa. Os jogos e os dérbis também. Só ficam mesmo as lembranças. Quanto a este de logo mais a sorte está lançada. De minha parte, admito, sem nenhum constrangimento porque sou esportista tão somente: que vença o Velão.
Mas qualquer resultado que ocorra deve ser encarado com naturalidade, porque para nós, torcedores, futebol não passa de esporte e entretenimento. E assim deve ser. Para o bem de todos.


*Artigo publicado no Jornal Regional (Rio Claro/SP), edição de 11/02, à pág. 32, sob o título "O DÉRBI DA PAZ" com chamada de 1a. página.

Nenhum comentário:

Postar um comentário