terça-feira, 27 de março de 2012

A CULTURA DO NADA E O PREÇO DA INDIFERENÇA


Pessoas de bem são indiferentes à política, por convicção ou pudor. Pessoas inteligentes e cultas, cada vez mais se sentem independentes, despojadas, livres da necessidade de algo que as faça acreditar que tudo tem um porque e que o amanhã virá do mesmo modo. São pessoas que se bastam a si mesmo. Repudiam a Deus porque não o encontram em nenhuma religião.
Neste país que sorri para o mundo, mas não consegue esconder as chagas de sua sociedade doente e entregue ao vírus letal do orgulho e do egoísmo, chega-se a vender a alma ao diabo por causa do voto que outorga o poder político.
Essa indiferença para com aquilo que realmente tem importância é um dos fatores que propicia disseminar a violência aos olhos coniventes das autoridades, atreladas até o pescoço com os compromissos assumidos junto às várias esferas de poder constituído ou paralelo.
Quando intervém, a polícia, na maioria das vezes age com eficiência. Cumprida sua missão, entrega o Mal a Justiça e essa, devolve o Mal a sociedade, talvez como forma de puni-la por tê-lo criado.
Necessário seria mudar as leis. Mas quem deveria e poderia mudá-las são os maiores beneficiários das distorções e falhas das leis, que ao invés de ser aplicada é discutida.
Então, a título de dar uma satisfação à sociedade, que paga a conta e legitima o poder político obtido por alguns, através do voto, vez em quando, ocupa-se um morro, aparece-se com um gato (não, não farei tal ofensa aos gatos), um cachorro; sim, um cachorro bravo e dos bem grandes, devidamente preso por coleira, tosquiado ou abatido, pra que possam dizer eufóricos: Olhem cidadãos, trabalhamos sim por vocês. Honramos sua confiança. Fazemos jus aos seus impostos e ao seu sagrado voto.
Mas, ocupemo-nos agora do senhor diabo, esse ser adorável e mal compreendido. Não se assustem. Logo, e ele será visto desse modo.
Quem acaso o teme, mas reconhece a sua importância na justificativa dos fracassos humanos, e, por convicção ou natureza, não consegue deixar de ser ambicioso, usa o pobre coitado do diabo, para vender milagres e lugares no céu em troca de...? É claro, dinheiro.
E se apresente com elegantes túnicas, uniformes ou ternos impecáveis, é exatamente nisso que se baseia o poder religioso: Dinheiro, com o qual se obtém o poder político.
Dinheiro que influencia, conquista e domina. Estabelece os rumos da sociedade, sua cultura, através de uma bem elaborada engenharia social que aos poucos vai sendo colocada em prática sem que a maioria perceba, pior a dimensione, a legitime, e a torne hábito universal. Vai além. Usurpa a boa fé das pessoas, brinca com a sua esperança. E, minuto a minuto, consome com a vida destas, até que estas, em seu último instante de vida, percebam o quanto foram idiotas.
Não obstante, há aqueles que pouco se importam com o voto, os milagres e um lugar no céu, porque indiferente a tudo isso, mas são igualmente ambiciosos, vivem apenas para o hoje, para o seu prazer e satisfação pessoal, vendem sonhos, ilusões, toda forma de diversão,  por meio das bebidas, drogas, jogos, futebol, música, cinema, show bussines e prostituição. Porque acredite você leitor, cada vez que você compra a camisa do seu time preferido, paga o ingresso de um jogo, um filme, um espetáculo, compra um cd, consome a maldita droga ou toma porres, esteja certo, de alguma forma, você está ajudando a financiar a desgraça da humanidade.
E se você, feito quase todos, já perdeu a esperança e acha tudo isso normal, continue acabando com sua vida, mas pense ao menos um pouco nos seus filhos e nos seus netos. Eles têm ao menos o direito de escolher. O mesmo direito que você um dia teve.
Diz o poeta, assim caminha a humanidade. E dizemos nós: Cada vez mais. Para o abismo. Para o nada.
* Este artigo foi publicado no site Guia Rio Claro http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151004008. Posteriormente, eu o "enxuguei" para que pudesse ser publicado também em outro veículo de comunicação, sendo esta versão editada e mais recente a que se encontra aqui.
Em tempo: "Enxugar" é um termo jornalístico que significa diminuir o número de caracteres de um texto. Este, por exemplo, como via de regra, deveria se limitar a 3000 caracteres. 

domingo, 25 de março de 2012

É DANDO AMOR QUE SE RECEBE A PAZ.

Baseada em valores pueris, hedonistas e niilistas, a sociedade humana está doente. Isto é resultado de uma cultura onde predominam duas preocupações: produzir e consumir. Preservar, jamais. Aperfeiçoar-se moralmente, nunca. Não há tempo, vontade ou estímulo.
Há um convencimento de que é preciso produzir e consumir para que a atual e as novas gerações, tenham oportunidade de estudar, trabalhar, ocupar espaço na sociedade, ser feliz
Vive-se em busca desse objetivo, passando por cima das leis naturais, das regras de conduta humana e dos valores que asseguram a paz, a harmonia, o convívio fraterno e o respeito entre as pessoas.
Junto ao progresso tecnológico e social dos últimos 30 anos, estabeleceu-se um abismo entre aqueles que têm oportunidade para se inserir nessa realidade e os que não a têm.
Da revolta nasce a não aceitação, o inconformismo que gera a violência e adquire características desmedidas de agressão ao semelhante, sem causar sentimento de culpa no agressor.
Mas nem ao próprio agressor a violência é suportável. Ele sente a necessidade de fugir dela. E então, a mesma sociedade que não soube ouvi-lo e acolhe-lo em suas necessidades, lhe providencia os lenitivos para suportar a dor que lhe causa a violência.
Num primeiro momento, ele se entrega aos vícios. Depois, elege como inimigo o seu semelhante, porque este representa a sociedade que o despreza e o repudia.
Tais lenitivos são o álcool e as drogas, a forma que a sociedade encontrou para manter tais indivíduos, inoportunos e indesejáveis, à distância. Alternativa ineficiente, baseada numa estupidez medonha.
É desagradável admitir, mas o problema da violência é um problema de todos, e não apenas de governos e autoridades, porque das mãos destes, já fugiu de controle há muito tempo. E só serve para discursos eleitoreiros daqueles que aspiram ao poder.
Não é mais possível fazer vistas grossas, fingir que não se vê e que não se ouve. Como se o problema não nos dissesse respeito.
Cada agressor, escravo do álcool e das drogas é um ser humano necessitado de ajuda e correção, mais do que punição. Puni-lo, é adiar a resolução do problema, quando não transferi-lo para outro. O que precisa é recuperar o ser humano.
Não é possível que um ser humano, resista ao amor, ao carinho, a atenção que pessoas preparadas ou imbuídas de boa vontade, podem dedicar-lhe.
O agressor tem na verdade uma visão equivocada da vida que nunca lhe sorriu e do mundo que nunca o acolheu.
Mostrem-lhes as belezas da natureza, a bondade que existe na mente e no coração dos homens de bem. Mostrem-lhes que o bem e o amor são possíveis e existem. Descortinem-lhes um horizonte lindo, de céu de brigadeiro, e não aquele cinzento ao qual estão acostumados. Mostre-lhes como os animais podem ser dóceis, feito o ser humano que traz a bondade no coração. Revelem-lhe como a natureza sustenta a vida humana, e como pode curar. Apresentem-lhe o valor imensurável do estudo e do trabalho que esclarecem, tornam proveitosa a vida e libertam o ser humano da ignorância. Isso contribuirá para a diminuição da violência, porque a lei natural, portanto, divina, nos ensina que só perpetua o que frutifica. E uma vez interrompido o ciclo de renovação da violência, ela, com o tempo, desaparecerá.
A grandiosa tarefa é de toda a sociedade, através das instituições de ensino, entidades de classe, organizações governamentais ou não, grupos culturais, famílias, segmentos religiosos, e não apenas de governos e de autoridades.
Que as pessoas de bem se unam em torno desse objetivo.  Ou fazemos por nós ou as forças da natureza que obedecem ao Grande Arquiteto do Universo haverão de fazer sem nos isentar de responsabilidade.
Somos donos de nós mesmos, mas não do mundo em que vivemos e podemos nos aperfeiçoar moralmente, através do esforço em praticar o bem a nós e ao nosso semelhante.
Perguntado por aqueles que o acompanhavam quando foi que haviam feito tudo aquilo que Ele havia acabado de lhes dizer, Ele respondeu: “Toda vez que cada um de vocês assistiu com os seus recursos a um dos nossos necessitados, foi a mim que o fizeste”. 


*Publicado no Jornal Regional - Rio Claro, edição de 31/03/2012, à pág. 04.

sábado, 24 de março de 2012

SALADINO

Há um muro à minha frente.
Alto, intransponível.
E não tenho asas para suplantá-lo.
Não tenho força para derrubá-lo aos murros
Como fazem os corajosos.
Não tenho explosivos para destruí-lo
E abrir passagem.
Esse muro é cruel demais,
Desumano demais,
Porque não me oferece oportunidade.
Eu poderia espreitá-lo, à direita ou à esquerda,
Mas qualquer direção que eu tomasse
O destino jamais chegaria, embora,
Em certos momentos, parecesse muito próximo.
Então eu fico do mesmo modo
De como estou há muito tempo.
Agachado, encolhido,
Por vezes, de joelhos.
Escondendo-me do mundo no muro, atrás do muro.
Naquilo que ele tem de conforto e solidão,
E sombra.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A MAIS NOVA DO DIA DE ONTEM

Eles conseguem a cada dia se superar.
Agora, querem tirar de circulaçãoDicionário Houaiss, por registrar o significado pejorativo da palavra "cigano". 
São os mesmos sedentos e famintos por promover a assepsia mental do brasileiro através daquilo conhecido como "politicamente correto". Excesso de preciosismo, bem poderia ser se houvesse nisso boa fé. Mas não há. O que de fato há é um interesse para emburricar o cidadão, ministrando-lhe doses acachapantes de tudo o que pode ser entendido como subcultura. Exemplo: Ai se eu te pego. Outro: Big Brother Brasil. Mais: as músicas vendidas com o selo e a credibilidade de forró e sertaneja, mas que não passa de monstrengo concebido nos laboratórios digitais das gravadoras sequiosas por grana, grana e grana. Nem falemos de tele-novelas. E filmes de ação ou seriados de vampiro. Fiquemos por aqui, de modo a não desestimular o leitor.
O escape, para os interessados em passar ao largo dessa nefanda atmosfera e se safar desse terrível destino, seria o conhecimento, adquirido através da educação, seja ela pública ou privada que, de fato, esmerasse pela qualidade. Algo que, sabemos, não é o caso.
Acabam sem piedade com a esperança daqueles que acreditam no valor imensurável do conhecimento. E, para tanto, se utilizam de estatísticas, números, planilhas e pesquisas que mostram tendências e indicativos, jamais a realidade.
Tudo então se torna projeto, aspiração, tudo fica para amanhã, como recomenda um dos principais fundamentos de qualquer revolução. Quando? Amanhã. De modo que este amanhã alimenta a esperança daqueles que acreditam que mais do que o poder pelo poder os revolucionários, sejam quais forem, pretendem dividir os benefícios de sua conquista com aqueles que os apóiam e neles depositam a sua fé. Tola ilusão.
Assim, vão criando a vala comum do triste destino, onde serão depositados, os restos do gado, que é como eles se referem ao que nós conhecemos como pessoas comuns, desprovidas de poder político, econômico e religioso.
Preparam tenazmente e com o devido cuidado, nova investida para legalizar a prática do aborto. Já tornaram possível a visita íntima para os adolescentes infratores, já desarmaram a população, embora o bandido continue armado até os dentes; vêem passivos o avanço do radicalismo em todas as suas nuances, através do fanatismo religioso próprio do islamismo que se prepara para dominar a América, como já dominou a Europa, e finalmente dominará o mundo, sob a cumplicidade e olhar indiferente dos que são capachos, daqueles que não conduzem, apenas se deixam conduzir, porque isso os isenta da luta e os redime da culpa.
Indiferentes, assistem milhares de crianças, adolescentes, jovens e adultos serem dizimados pela besta do apocalipse também conhecida como Droga, e por seu filho mais cruel e desumano, chamado Crack, cujo comércio alimenta o show bussines, o futebol profissional, partidos políticos e até religiões.
Pão e circo basta ao povo. Era assim, desde o império romano, desde a Babilônia, desde antes tudo isso, ou melhor, sempre fora assim, desde que a primeira raça humana pisou neste mundo.
E continua sendo, porque, em verdade, o homem, em que pese todas as oportunidades que tem tido para se modificar para melhor, continua o mesmo: orgulhoso, egoísta, superficial, imediatista, hedonista, narcisista, preocupado com a sua barriga, sua aparência, seus interesses... Sua dor. Sua. Simplesmente porque os homens de ontem são os mesmo de hoje. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

CASTELOS DE AREIA

Saudade daquele lugar estava certo de que não sentiria. Nunca havia reparado que aqueles móveis, embora velhos e deteriorados, tinham certa elegância, nada comparável à de Amanda. Contudo, aquele apartamento, no qual entrara para passar uma noite – e onde vivia há quase dois anos – sempre repleto de flores, bebidas e de gente interessante, nada ficava devendo para os outros que freqüentara durante muito tempo, aos finais de semana, após as 23 horas.
Naquele sábado, ele amanhecera sentado na poltrona, olhando para a janela. Observou discretamente e sem muito interesse, quando Amanda acordou e foi até a cozinha tomar um copo d’água. Nos seus melhores dias, Amanda teria parado à porta do quarto e olhado para ele, demoradamente, e o convidado a entrar. E ele teria entrado. Porém, naquela manhã, ele sequer teve vontade de sair para comprar jornais e tomar café na padaria, como de hábito. Não que lhe faltasse dinheiro. Ainda lhe restava uns trocados na carteira. É que não tivera mesmo vontade. De repente, havia percebido que ler os jornais, aos sábados, não era tão importante assim. Na verdade, era uma insignificante preocupação se comparada às demais, que, haveria de enfrentar dali por diante.
Ainda na poltrona, estava o romance que passara a noite tentando ler. Muitas vezes, lendo, sentira-se humilhado, considerara insanidade suas pretensões.
Em outras ocasiões, porém, sentia-se revoltado, quando lia uma publicação que julgasse um lixo se comparado aos seus originais, que ele, indefinidamente corrigia.
Amanda havia terminado o banho. E como sempre, saíra enrolada numa toalha branca, pés descalços, molhando o chão, deixando no ar um perfume agradável.
Sentada na banqueta da cômoda, ela se admirava, diante do espelho, sem saber, se deveria sentir orgulho ou raiva de si mesma. Sempre desejara contemplar aquela imagem, a sua própria imagem, a imagem que sempre fora a de sua alma: a de uma mulher bela e sedutora. Tão diferente daquela criança magérrima, tímida e doente, que lhe acompanhara as lembranças até conhecer aquele rapaz, agora sentado na poltrona da sala, fumando cigarro, enquanto novamente tentava ler um romance que ela lhe dera de presente.
Com uma ponta de remorso e algum sentimento de culpa que hesitava em admitir, Amanda se lembrava que fora ele que a fizera acreditar o quanto bonita poderia ser.
Hábil, ele espantara de vez por todas, para bem longe dela, o espectro da criança tímida, feia, magérrima e doente que tanto a atormentava.
Ele. Nenhum outro. Agora um homem adulto e, portanto, sem esperança. E que sentado na poltrona da sala, mantinha ao acaso a mesma pose de sempre, pernas cruzadas, olhar de encontro ao nada, se perdendo em possíveis lembranças que, certas ocasiões, lhe provocavam lágrimas que ele, sem falsa modéstia e rara habilidade sabia esconder do olhar de todos, dela principalmente.
Mas, afinal, quem era aquele homem? Quantas vezes ela não se perguntara! Era anjo? Demônio? Quem? Surgira de repente como o vento de outono, mostrara-lhe o caminho, ensinara-lhe a ser feliz. Fizera tudo isto por ela. Sem pedir e sem esperar nada em troca.
Finalmente, naquela manhã, ele saiu para caminhar. Embora caísse uma garoa gelada. Quando voltou, tinha o rosto e os cabelos molhados, também os sapatos e as roupas. Mas nada disso parecia incomodá-lo, tão grande era a tranqüilidade que aquelas caminhadas matinais lhe proporcionavam.
Amanda estava na sacada do apartamento, e percebeu quando ele chegou, mas não fez menção de ir recebê-lo, sequer cumprimentá-lo.
Ele apanhou o romance que continuava na poltrona onde o deixara. Fora presente dela. A roupa que vestia e os calçados; a máquina de escrever, sobre a mesa de trabalho, no seu quarto, também.
Percebeu então onde estava a diferença entre eles. Decisiva, fundamental diferença. Amanda era a mulher destemida, disposta a lutar até o fim por objetivos e aspirações que acalentasse. Era, enfim, a mulher que ele havia construído. Quanto a si mesmo, ora, nada mais era do que um sonhador. Anjo para os outros, demônio para si mesmo. Nada mais.
Compreendeu, portanto, enquanto caminhava pelas ruas do bairro, que estava perdendo Amanda. Não porque não conseguia expressar com palavras e atitudes convincentes os seus melhores sentimentos por ela. Mas porque não poderia amar outra pessoa, enquanto não conseguisse amar a si próprio. Por essa razão e nenhuma outra, estava condenado a perder sempre. E aceitara essa realidade, com a mesma resignação do cervo desgarrado diante da mira do caçador.
Envolvido por essas divagações, não percebeu quando Amanda deixou a sacada do apartamento e se dirigiu para a sala, onde ele continuava, mexendo agora no vaso de flores, que ela havia arranjado no dia anterior.
“Estão murchas” – disse ela, referindo-se às flores. 
Ele se voltou, e disse:
“Então, hoje, sou uma flor”.
“Não, querido – ela respondeu – Você não sabe o que é ser uma flor”.
Ele fechou os olhos, e franziu a testa, como se hesitasse aceitar o que ela dissera.
“O que está acontecendo entre nós, afinal?”.
“O que deixou de acontecer, querido? Está é a pergunta”.
Amanda passeou com os olhos o ambiente da sala, até se fixar na janela de dois corpos que permanecia aberta.
“As flores estão murchas – disse – Eis que chega o vento, para desfazê-las em pétalas que haverá de levar consigo”.
“E o sol está morrendo no horizonte” – disse ele.
“Sim. Mas eu lhe peço querido, não me faça chorar pelas flores”.
Ele percorreu os olhos em torno de si.
“E tudo isso? Este lugar? O ambiente em que vivemos? O nosso mundo?”.
De repente, a atmosfera daquele apartamento passara a lhe representar alguma coisa.
Amanda respondeu:
“Deixo este lugar, tal como o encontrei. O que significa que alguém esteve aqui antes de mim. Portanto, não se preocupe, outro virá. Afinal, tronos existem para serem ocupados”.
“E reinos existem para ser destruídos”.
Ela fixou o olhar nele, demoradamente.
“Ou seja, esta é uma maneira delicada de se dizer adeus”.
Só então ele percebeu as malas que estavam próximas à porta, provavelmente deixadas por ela, enquanto ele estivera fora para caminhar.
Ouviu-se a campainha. Amanda hesitou por um momento. Mas logo se lembrou de que o vento já havia levado as pétalas consigo.
“Senhora... Podemos ir?” – disse o motorista.
Não houve um olhar de despedida. Ela não quis. E ele não pôde. Não olhara para ela um instante sequer enquanto conversaram. Percebera apenas que ela vestia um tailleur cinza e que havia prendido os cabelos, o que não era costume.
Meia hora depois, ele também deixou aquele apartamento, levando consigo apenas as roupas do corpo, a máquina de escrever, e os originais do livro que estava tentando escrever. Tinha 29 anos. Téo era o seu nome.
Passara aqueles primeiros dias numa pensão, até mudar-se em definitivo para uma cidadezinha do litoral norte do estado, muito visitada pelos turistas.
Tornara-se comum às primeiras luzes do dia surpreendê-lo caminhando pela praia. Com o passar do tempo, habituara-se a reservar as tardes para dormir. Trabalhava de manhã, das oito até as dez, para satisfazer o próprio ego, escrevendo e reescrevendo dezenas de contos e alguns romancezinhos jamais publicados. E das dez ao meio-dia, dedicava-se em ganhar a vida, ora como correspondente de um jornal da capital, ora como colaborador do periódico da cidade.
Todo final de tarde, acompanhava o pôr do sol. Hábito que adquirira na adolescência, influenciado pela irmã, da qual, há muitos anos não tinha notícia.
Ao cair da noite, ele se refugiava no quarto, à luz de um abajur, e, sentado numa confortável cadeira giratória, atrás da mesa de trabalho, apanhava de dentro de uma das gavetas, o livro que estava tentando escrever. Mais do que enfrentar uma batalha perdida era o momento de se entregar às lembranças de Amanda, que aquela fotografia guardada há quase três décadas, dentro daquele livro, lhe proporcionava.
Tinha por hábito colocar os pés sobre a mesa, afundando-se na confortável cadeira giratória. E enquanto corrigia os escritos, entre um gole e outro de rum e uma tragada de charuto, ele ouvia o marulho das ondas, ao longe.
Se enquanto criança, sempre temera a noite, esta, agora, havia se lhe tornado a melhor amiga. A única companhia.
Numa certa manhã ensolarada, Téo pescava na praia. Já havia perdido dois molinetes, várias iscas, e como de costume, a pescaria se revelara até então num redundante fracasso. Porém, estava disposto a continuar enquanto tivesse iscas e conseguisse consertar os molinetes. Pescar nunca fora o seu forte.
Mas, com o passar dos anos, de tanto ver aqueles barcos pesqueiros em alto-mar, próximos à linha do horizonte, alguns rumando para o porto de Santos, acabara por ceder à vontade que já o acompanhava havia muito tempo.
Ao longe, uma família de turistas brincava de bola. Não demorou muito para que alguém chutasse a bola para perto dele. O mais novo dos meninos veio correndo buscá-la. Apanhou a bola, colocou-a debaixo do braço, mas quando viu Téo entretido com a pescaria, ficou a observá-lo atentamente.
“Gosta de jogar futebol?” – indagou Téo, tentando se mostrar agradável.
“Sim – disse o menino – Muito. E você? Gosta de pescar?”.
“Até duas horas atrás eu imaginava que sim... – olhou para o menino, deixando-se dominar pelo sentimento de frustração por jamais haver tido um filho – Mas você parece que ainda não aprendeu a jogar bem futebol”.
“E você, tão pouco, pescar”.
“Que tal fizéssemos uma troca? – sugeriu Téo, recolhendo a linha da carretilha – Você viria pescar, e eu, iria jogar futebol com seus familiares. O que me diz? Talvez nos saíssemos melhor”.
“Minha mãe não deixaria – respondeu o menino – Ela costuma ter maiores cuidados comigo porque sou o filho caçula. E adotivo”.
Téo olhou na direção da praia, onde a família do garoto esperava que ele retornasse com a bola que viera apanhar.
“Por falar nisso, ela vem vindo aí” – observou Téo.
“Mamãe”! – disse o menino, feliz e surpreso com a presença da mãe.
Ao tomar a mão do menino, a mulher olhou na direção de Téo, como que fazendo menção de cumprimentá-lo. Mas enquanto o menino puxava a mãe pelo braço, os olhos de Téo permaneceram fixos na mulher, que, ao acaso, lhe correspondera ao olhar compenetrado.
Enquanto mãe e filho se distanciavam, Téo não percebeu que havia fisgado um peixe, e acabou por perdê-lo.
Permaneceu todo o resto do dia na praia, e, enquanto pôde, observou à distância aquela família. Viu o carinho que havia entre o casal, já de meia idade e os filhos, os dois maiores, e o menor, com o qual havia conversado.
Viu o modo apaixonado como o marido beijara a mulher. E o momento em que, dentro do mar reluzente, ela pendeu a cabeça para trás, e estirou os braços, deixando que os mesmos caíssem débeis ao lado do corpo, permanecendo assim algum tempo, até abraçá-lo novamente, com força, ímpeto, paixão, e beijá-lo.
Enquanto isso, os filhos mais velhos, tratavam de entreter o mais novo, fazendo castelos na areia, que as ondas, ao cair da noite viriam destruir.
Téo esperou até que isso acontecesse, então voltou para casa.
Deitou-se na cama, com a roupa do corpo. E, à luz de um abajur, adormeceu cerca de meia hora, com a foto de Amanda de encontro ao peito. Ao despertar, para ir ao banheiro, lembrou-se com certa impaciência que ainda era noite. Lembrou-se também do modo como aquela mulher abraçara o marido, dentro do mar. E finalmente, lembrou-se que houve um tempo em sua vida que alguém costumava fazer o mesmo consigo nas manhãs de janeiro, numa praia como aquela.

quinta-feira, 15 de março de 2012

DIA DE VERSOS

De fato, devo admitir que sou mesmo péssimo para memorizar datas, lugares e feições. Passou batido, mas tá valendo. Ontem foi comemorado o Dia da Poesia. Escrevi anos atrás essa crônica que ora publico aqui na Passa a Régua. Foi publicado no Jornal Cidade de Rio Claro, no tempo em que aquele matutino ainda tinha olhos para o meu trabalho literário e publicava algo do que eu escrevia. Sem mágoas ou ressentimentos. Pensemos no que dissera Gandhi. Segue a crônica DIA DE VERSOS:


A poesia cabe em qualquer época e em qualquer lugar. Ela é necessário muito mais do que imaginamos. Os anjos são poetas que bafejam aos ouvidos dos homens de gênio as revelações que tornam a vida melhor.
O primeiro poeta foi sem dúvida o Criador. Vê-se a natureza e logo se entenderá por que.
A poesia é fruto da quintessência do sentimento. Para fazê-la é necessário silêncio e solidão. Mas Rimbaud, certamente não concordava com isso. Preferia a balbúrdia das tavernas e a companhia de Verlaine.
Inspiração, a pedra de toque da poesia. Esta era a verdade insofismável até que os concretistas trataram de desmenti-la.
Poesia requer estilo refinado, gramática apurada, roupagem bonita, ora bolas, um sujeito chamado Mano Brown mostra que pra falar ao coração e sacudir a mente bastam palavras, palavras que dizem; palavras que não se perdem, palavras verdadeiras, que fazem doer na consciência, mas que acalentam espíritos revoltados.
Coisa de gente culta, gente fresca, que não tem o que fazer e não aceita a realidade. Para muitos jovens brasileiros, isto era poesia, até que em meados dos anos 80, surgiu um discípulo de Rousseau de nome Renato, cantando versos que diziam: "Quem me dera ao menos uma vez/ que o mais simples fosse visto/ como o mais importante/ mas nos deram espelhos/ e vimos um mundo doente".
Românticos e sonhadores, realistas ao extremo. Sintonizados com o céu ou o inferno: Poetas.
Difícil para um prosador escrever sobre versos e sobre quem os faz. Romancistas, novelistas e contistas são como as tias velhas do velório, dispostas a desenterrar lembranças, fomentar sentimentos e desentendimentos, fazer suposições e deduzir sem ter provas. Poetas são os pássaros que cantam ao por do sol, enquanto o cortejo atravessa o cemitério. Prosadores, os engenheiros. Poetas, os arquitetos.
Síntese: "Última lição do mármore: não restará nem memória daquilo que o tempo grava". Nauro Machado, poeta maranhense.
Parnasianos, arcadistas, barrocos, românticos, realistas, concretistas, inspirados ou pensadores, eles atravessam os tempos. Vêm ao mundo na pele de Camões, Castro Alves, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Antero de Quental, Augusto dos Anjos, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Florbela Espanca, Ezra Pound, Pablo Neruda, Garcia Lorca, Lorde Byron, Ledo Ivo, Carlos Drumonnd de Andrade, Haroldo de Campos, Ferreira Gullar e muitos e muitos outros. Por suas mãos, são concebidas as asas que permitem ao ser humano alçar vôo e alcançar o campo metafísico da existência. É onde o homem se depara com a verdade de si mesmo, é onde ele aprende a amar ou odiar a si mesmo. Faça-se a luz, disse o Criador, e os deuses inventaram a poesia, e a deram de presente aos homens, quando estiveram entre eles.
Versos em rimas, versos livres, alexandrinos; quartetos, sextetos, sonetos, idéias concebidas, sentimentos revelados.
Façamos um verso, cada um de nós, todos os dias. Sejamos poetas. E o mundo será melhor, talvez. Mais bonito? Certamente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

SIGAM MÁRIO...

O fato me faz lembrar o papa João Paulo II em seu primeiro pronunciamento ao mundo, após ser eleito, em outubro de 1978 em um desgastante conclave. Disse ele à multidão de fiéis católicos: “Não tenhais medo”. Certamente se referia ao destino trágico que tivera o seu antecessor, conhecido como o Papa Sorriso. Mas, a mensagem fora interpretada de outra forma, ou seja a mais conveniente para todos. Porque há feridas que não devem ser mexidas senão pioram; feridas que só o tempo cicatriza.
Digo isto porque me causa divertimento, embora já tenha causado contrariedade, o medo que os meus olhos verdes (ou seriam azuis?) e os meus avantajados – vejam só! – 1 e 68 de altura, poderiam despertar em algumas pessoas, principalmente aquelas envolvidas de algum modo com a palavra escrita, no jornalismo ou na literatura, da cidade onde nasci e moro há 41 anos.
Algumas destas pessoas cruzam comigo e fingem que não me vêem. Outras ignoram meus trabalhos publicados em publicações independentes, blogs e sites, mas, sobre os mesmos, comentam à boca pequena e às escondidas e geralmente para denegri-los.
O que terei feito eu para merecer tamanha consideração e cordial tratamento? Será por que prefiro ser o exército de um homem só, mas coerente com minhas convicções, em paz com minha consciência? Estes, os únicos compromissos que tenho quando escrevo. Será por que me recuso, embora súdito, beijar a mão da rainha? Será por que acredito piamente não na permanência do poder, mas na sua alternância? Será por que, por natureza, eu desconfie de todas as pessoas, todas, e as considero minhas inimigas, antes de encontrar motivos que me façam considerá-las minhas amigas?
Alguns de meus desafetos, declarados e não, dizem que sofro da síndrome da teoria da conspiração. Por quê? Porque tenho consciência de que todo fato histórico de significativa importância, antes de oferecer migalhas e restos à maioria, tem por único objetivo atender os interesses da minoria que deseja tomar o poder ou nele manter-se?
Será que, por natureza, me satisfaz muito mais a ideia de destronar o rei do que conduzi-lo ao trono? Será que exatamente por isso não me considerem digno de confiança?
Em sua vontade de me desmentir, em sua persistência em me desprezar, porque reconheço, esse é o melhor antídoto para qualquer veneno, ignoram a minha lealdade àquilo que acredito, à causa que defendo e àqueles que são meus amigos.
É fato. Não sou mesmo um especialista no trato com a palavra escrita. Mas lá sei por que diabos essa coisa de escrever, feito um vírus letal se apoderou de mim, desde minha adolescência e revelou-se ao longo do tempo incurável, em que pese todos os meus esforços em contrário.
Minhas tentativas, poucas por sinal, para publicar um livro impresso foram todas frustradas. E publicar um livro impresso, isso parece ser como uma certidão de nascimento, um certificado de originalidade, um credenciamento obrigatório, para ser considerado um escritor. Não sei em outras plagas como a coisa funciona, mas ao menos em Rio Claro é assim. Para os entendidos, para os formados em Letras, e professores de redação que se imaginam escritores e poetas é assim. Quem mandou trocar de poltrona com o Jean-Louis Lebris de Kerouac no noturno para o inferno? Tivesse eu vindo antes e não passaria, eu acho, por esse tipo de humilhação, porque não seria taxado de politicamente incorreto, radical, inconveniente... Mau exemplo. Vejam ao que reduziram a literatura de ficção!
Pensando melhor... Acho que esse fenômeno o qual repudio é comum neste país de iletrados e pobres incultos. Não os culpo. A mesma opinião e atitude a respeito têm a minha família, toda ela, e o único que ousava contrariar essa regra, já se foi há quase 1 ano. 
Não por outro motivo continuo a escrever. Sim. Para vingá-lo. Vingar a nós dois, devo admitir sem nenhum constrangimento. Mesmo doente, desmotivado, sem dinheiro e reconhecimento eu o tenho feito. E o farei até o último instante, até a última gota de sangue a circular nas entranhas deste corpo que já apodrece. Pois se a vida tem sido injusta comigo, com meu pai fora cruel. Mas deixemos isso pra lá.
Como vê finado leitor, enganei-te até hoje, é bom que saiba, porque de fato não sou escritor. Não me enquadro nos padrões estabelecidos pelos entendidos, doutores, jornalistas, professores, literatas. E por isso mesmo as pessoas de Rio Claro, envolvidas com a palavra escrita, a literatura, o jornalismo, as artes e a cultura, os grupinhos, ah, os malditos grupinhos, podem continuar me ignorando, vendo-me na rua e fingindo que não me vêem, lendo os meus textos, porque afinal, os meus escritos geralmente pegam mesmo na veia do leitor, e recusando a aceitar que leram o texto escrito por um de entre os seus, um bem próximo com os quais eles cruzam nas ruas, como já disse, nos corredores dos hospitais, nos pontos de ônibus, nos bares, farmácias, nos jogos do Velo Clube, no maldito balcão dos classificados, do maldito veículo de comunicação (que termo lindo!) em que trabalham.
Saibam de uma coisa, durante muito tempo eu quis estar entre eles. Quis ganhar a vida escrevendo fingindo-me de jornalista, professor ou coisa que o valha. Agora não mais. Porque já não faz diferença. Nenhuma.
Só escrevo para dizer que não precisam fingir que não me conhecem, e nem disfarçar que me repudiam, e, muito menos, que são meus amigos. Eu sei quem são meus amigos. E eles sabem que são meus amigos. Porque já disse isso à eles, olhos nos olhos, o que não é do meu feitio.  E se disse uma vez, basta uma, porque esta é a máxima expressão da verdade que vai dentro de mim.
Pra ser sincero e sem nenhuma presunção, enfim pra terminar, conheço dois escritores ficcionistas em Rio Claro. Espero que surjam outros. E acredito mesmo que existam, embora não tenham merecido ainda a devida atenção. Mas, por ora, conheço dois. Um, eu tenho o desprazer de encontrar todos os dias quando olho no espelho. E o outro, chama-se Mario. Leiam Mario. Sigam Mario. Esqueçam-me.
Ao menos, até a página 2.

terça-feira, 13 de março de 2012

AURORA AUSTRAL

Imagem da aurora austral, que ilumina o céu no sul do planeta, tirada pelo astronauta da estação espacial 
Não evidentemente para os simples que pouco ou nada sabem. Mas para os colegas intelectuais, que imaginam saber muito ou tudo. Mais uma demonstração da existência de Deus. Se isso é obra do acaso, então o Acaso seria o outro nome de Deus. Não há nada que justifique a resistência à ideia da existência de Deus, senão o orgulho.
Acesse o link e saiba mais informações a respeito: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1061066-veja-foto-de-aurora-austral-entre-a-antartida-e-a-australia.shtml

segunda-feira, 12 de março de 2012

12 de março de 1922

Quando você acha que tudo é possível, nada acontece. Quando pensa que tudo acabou, está na iminência do primeiro passo. Você acha que isso é viver, porque alguma coisa no seu íntimo tenta lhe convencer disso: da necessidade de começar tudo de novo. Mas à luz da razão isso lhe parece insanidade, estupidez, perda de tempo. Mas então você se lembra que o dia seguinte virá do mesmo jeito. E quando isso acontecer, o que terá feito diferença na sua vida? O quê? Certamente não será a sua esperança. Mas o seu esforço, que, no momento concebido se parece com absolutamente nada. Porque a vida é feito disso: de milhões de nadas, e de um ou outro instante de alguma coisa. E são essas coisas, geralmente insignificantes aos nossos olhos que permanecem na nossa memória. Porque representam aquilo que fizemos. E não importa o que tenha nos causado se satisfação ou arrependimento, terá sido apenas a nossa história. E bendito é o homem que passa pelo mundo, e consegue escrever a sua. – Geraldo J. Costa Jr. – 12/03/2012

domingo, 11 de março de 2012

O DUELO

“Os homens liberais apreciam o duelo, ou seja, o inimigo, e dele sabem que precisam para provar, inclusive a si mesmos, sua força, habilidade e sabedoria. Os homens não liberais abominam o duelo, ou seja, o inimigo, porque o temem, porque nele reconhecem o seu possível algoz, e, portanto, preferem caminhar e liderar sozinhos, esquecendo-se que, impossibilitado do duelo, na falta do inimigo, o homem que se imagina vitorioso, derrota a si mesmo” – g.j.c.jr.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EU SOU LÁPIS

"Escrever ficção é assim: você consome dezenas de páginas de besteiras que acabarão no cesto do lixo, pra conseguir escrever uma única página, senão uma única frase que realmente vale a pena e justifica todo o seu amor, todo o seu sofrimento, o seu tempo perdido, por aquilo que nove entre dez pessoas irá simplesmente ignorar" – g.j.c.jr.

CERIMÔNIA NO SITE AUTORES.COM.BR

O capítulo 1 de "CERIMÔNIA" já está disponível no site Autores.com.br (http://www.autores.com.br/2012030453058/livros/trechos-de-livros/cerimonia-ficcao-literaria.html). Espero subir um capítulo por semana. Mas vai depender da moderação do site, onde chegam centenas de textos por dia, devido a grande aceitação daquele espaço de divulgação literária inteiramente grátis.

Caso você seja daqueles feito eu, sem nenhuma paciência, acesse: http://cerimonianovela.blogspot.com/ onde se encontra o romance na íntegra com seus 38 capítulos.

Estou estudando com interesse a possibilidade de publicar CERIMÔNIA através do Clube de Autores que também é uma possibilidade bastante acessível àqueles que feito eu, dão rasteira em cobra pra sobreviver.

Por ora, até amanhã. Quem sabe...

BREVIÁRIO

"Quem vive, escreve; quem não vive, lê, e se imagina vivendo" - g.j.c.jr. 

A CENA UNDERGROUND

‎"A arte incomoda os puros de coração. Mas assim ela faz sentido" - g.j.c.jr. 
Enquanto nós acompanhamos as manifestações culturais e artísticas na mídia tradicional, as coisas interessantes acontecem longe das luzes da ribalta e da atenção de especialistas e da maioria do público acomodado e condicionado a receber e degustar o bolo que lhe chega pronto às mãos. Aqui, um filme de Leon Dharma, ator e diretor, que vem à público pelas mãos do igualmente talentoso Eber Novo. Ambos atuando em Rio Claro, ainda longe dos holofotes da fama, e exatamente por isso, independentes e verdadeiros.
Confira:

quinta-feira, 8 de março de 2012

FINISH MIND

A mente é como um pássaro. Se mantido preso à gaiola, ele não voa e não conhece o mundo; se liberto, ele voa e conhece o mundo, e descobre a vida, mas estará sujeito à tudo e poderá se machucar. - g.j.c.jr.

terça-feira, 6 de março de 2012

O INFERNO É AQUI

“O que certas pessoas ainda não entenderam é que seja neste mundo imbecíl, seja no inferno ou na puta que o pariu eu vou continuar escrevendo. Ninguém tira isso de mim” – Geraldo J. Costa Jr. – 06/03/2012.
Por essa razão e nenhuma outra volto a escrever aqui, com todo o desprezo do mundo que tenho por aqueles que me ameaçam e me desprezam. Com todo o carinho e o melhor dos meus esforços que dedico a todos que me acompanham. Aos primeiros, um olhar de indiferença. Aos derradeiros, um beijo no coração.