domingo, 25 de março de 2012

É DANDO AMOR QUE SE RECEBE A PAZ.

Baseada em valores pueris, hedonistas e niilistas, a sociedade humana está doente. Isto é resultado de uma cultura onde predominam duas preocupações: produzir e consumir. Preservar, jamais. Aperfeiçoar-se moralmente, nunca. Não há tempo, vontade ou estímulo.
Há um convencimento de que é preciso produzir e consumir para que a atual e as novas gerações, tenham oportunidade de estudar, trabalhar, ocupar espaço na sociedade, ser feliz
Vive-se em busca desse objetivo, passando por cima das leis naturais, das regras de conduta humana e dos valores que asseguram a paz, a harmonia, o convívio fraterno e o respeito entre as pessoas.
Junto ao progresso tecnológico e social dos últimos 30 anos, estabeleceu-se um abismo entre aqueles que têm oportunidade para se inserir nessa realidade e os que não a têm.
Da revolta nasce a não aceitação, o inconformismo que gera a violência e adquire características desmedidas de agressão ao semelhante, sem causar sentimento de culpa no agressor.
Mas nem ao próprio agressor a violência é suportável. Ele sente a necessidade de fugir dela. E então, a mesma sociedade que não soube ouvi-lo e acolhe-lo em suas necessidades, lhe providencia os lenitivos para suportar a dor que lhe causa a violência.
Num primeiro momento, ele se entrega aos vícios. Depois, elege como inimigo o seu semelhante, porque este representa a sociedade que o despreza e o repudia.
Tais lenitivos são o álcool e as drogas, a forma que a sociedade encontrou para manter tais indivíduos, inoportunos e indesejáveis, à distância. Alternativa ineficiente, baseada numa estupidez medonha.
É desagradável admitir, mas o problema da violência é um problema de todos, e não apenas de governos e autoridades, porque das mãos destes, já fugiu de controle há muito tempo. E só serve para discursos eleitoreiros daqueles que aspiram ao poder.
Não é mais possível fazer vistas grossas, fingir que não se vê e que não se ouve. Como se o problema não nos dissesse respeito.
Cada agressor, escravo do álcool e das drogas é um ser humano necessitado de ajuda e correção, mais do que punição. Puni-lo, é adiar a resolução do problema, quando não transferi-lo para outro. O que precisa é recuperar o ser humano.
Não é possível que um ser humano, resista ao amor, ao carinho, a atenção que pessoas preparadas ou imbuídas de boa vontade, podem dedicar-lhe.
O agressor tem na verdade uma visão equivocada da vida que nunca lhe sorriu e do mundo que nunca o acolheu.
Mostrem-lhes as belezas da natureza, a bondade que existe na mente e no coração dos homens de bem. Mostrem-lhes que o bem e o amor são possíveis e existem. Descortinem-lhes um horizonte lindo, de céu de brigadeiro, e não aquele cinzento ao qual estão acostumados. Mostre-lhes como os animais podem ser dóceis, feito o ser humano que traz a bondade no coração. Revelem-lhe como a natureza sustenta a vida humana, e como pode curar. Apresentem-lhe o valor imensurável do estudo e do trabalho que esclarecem, tornam proveitosa a vida e libertam o ser humano da ignorância. Isso contribuirá para a diminuição da violência, porque a lei natural, portanto, divina, nos ensina que só perpetua o que frutifica. E uma vez interrompido o ciclo de renovação da violência, ela, com o tempo, desaparecerá.
A grandiosa tarefa é de toda a sociedade, através das instituições de ensino, entidades de classe, organizações governamentais ou não, grupos culturais, famílias, segmentos religiosos, e não apenas de governos e de autoridades.
Que as pessoas de bem se unam em torno desse objetivo.  Ou fazemos por nós ou as forças da natureza que obedecem ao Grande Arquiteto do Universo haverão de fazer sem nos isentar de responsabilidade.
Somos donos de nós mesmos, mas não do mundo em que vivemos e podemos nos aperfeiçoar moralmente, através do esforço em praticar o bem a nós e ao nosso semelhante.
Perguntado por aqueles que o acompanhavam quando foi que haviam feito tudo aquilo que Ele havia acabado de lhes dizer, Ele respondeu: “Toda vez que cada um de vocês assistiu com os seus recursos a um dos nossos necessitados, foi a mim que o fizeste”. 


*Publicado no Jornal Regional - Rio Claro, edição de 31/03/2012, à pág. 04.

3 comentários:

  1. Obrigada, Costa Júnior.
    Precisamos muito rever nossa atuação no mundo...
    Um grande abraço,
    Júnia Amaral da Silveira

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  2. Certamente, o mundo está doente, os acontecimentos atuais não deixam dúvidas. Falta-nos consciência de que podemos mudar se nos unirmos seriamente. Mudar a sociedade e o governo que aí está, porque do jeito que está hoje, pouco se faz pela recuperação das pessoas e causa-me muita dor ver o sofrimento de animais, pessoas idosas, crianças e deficientes, que são os mais inocentes e por isso, os mais afetados.
    Parabéns mais uma vez ! Excelente !

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  3. Excelente crônica, duas palavras que já se tornaram redundantes com relação ao que escreve. E o mundo fica melhor, pode acreditar, quando essas palavras, cujos desejos são de paz e ternura com o semelhante, saem de você para nos alertar. Estamos cientes e vamos procurar dizer, sempre, presente. E participar com você nessa "batalha" de amor e consideração. Parabéns, poeta!

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