sábado, 24 de março de 2012

SALADINO

Há um muro à minha frente.
Alto, intransponível.
E não tenho asas para suplantá-lo.
Não tenho força para derrubá-lo aos murros
Como fazem os corajosos.
Não tenho explosivos para destruí-lo
E abrir passagem.
Esse muro é cruel demais,
Desumano demais,
Porque não me oferece oportunidade.
Eu poderia espreitá-lo, à direita ou à esquerda,
Mas qualquer direção que eu tomasse
O destino jamais chegaria, embora,
Em certos momentos, parecesse muito próximo.
Então eu fico do mesmo modo
De como estou há muito tempo.
Agachado, encolhido,
Por vezes, de joelhos.
Escondendo-me do mundo no muro, atrás do muro.
Naquilo que ele tem de conforto e solidão,
E sombra.

Um comentário:

  1. O medo nos faz construir muros. Se o vencermos, os muros deixam de existir.
    Abraço

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