quarta-feira, 14 de março de 2012

SIGAM MÁRIO...

O fato me faz lembrar o papa João Paulo II em seu primeiro pronunciamento ao mundo, após ser eleito, em outubro de 1978 em um desgastante conclave. Disse ele à multidão de fiéis católicos: “Não tenhais medo”. Certamente se referia ao destino trágico que tivera o seu antecessor, conhecido como o Papa Sorriso. Mas, a mensagem fora interpretada de outra forma, ou seja a mais conveniente para todos. Porque há feridas que não devem ser mexidas senão pioram; feridas que só o tempo cicatriza.
Digo isto porque me causa divertimento, embora já tenha causado contrariedade, o medo que os meus olhos verdes (ou seriam azuis?) e os meus avantajados – vejam só! – 1 e 68 de altura, poderiam despertar em algumas pessoas, principalmente aquelas envolvidas de algum modo com a palavra escrita, no jornalismo ou na literatura, da cidade onde nasci e moro há 41 anos.
Algumas destas pessoas cruzam comigo e fingem que não me vêem. Outras ignoram meus trabalhos publicados em publicações independentes, blogs e sites, mas, sobre os mesmos, comentam à boca pequena e às escondidas e geralmente para denegri-los.
O que terei feito eu para merecer tamanha consideração e cordial tratamento? Será por que prefiro ser o exército de um homem só, mas coerente com minhas convicções, em paz com minha consciência? Estes, os únicos compromissos que tenho quando escrevo. Será por que me recuso, embora súdito, beijar a mão da rainha? Será por que acredito piamente não na permanência do poder, mas na sua alternância? Será por que, por natureza, eu desconfie de todas as pessoas, todas, e as considero minhas inimigas, antes de encontrar motivos que me façam considerá-las minhas amigas?
Alguns de meus desafetos, declarados e não, dizem que sofro da síndrome da teoria da conspiração. Por quê? Porque tenho consciência de que todo fato histórico de significativa importância, antes de oferecer migalhas e restos à maioria, tem por único objetivo atender os interesses da minoria que deseja tomar o poder ou nele manter-se?
Será que, por natureza, me satisfaz muito mais a ideia de destronar o rei do que conduzi-lo ao trono? Será que exatamente por isso não me considerem digno de confiança?
Em sua vontade de me desmentir, em sua persistência em me desprezar, porque reconheço, esse é o melhor antídoto para qualquer veneno, ignoram a minha lealdade àquilo que acredito, à causa que defendo e àqueles que são meus amigos.
É fato. Não sou mesmo um especialista no trato com a palavra escrita. Mas lá sei por que diabos essa coisa de escrever, feito um vírus letal se apoderou de mim, desde minha adolescência e revelou-se ao longo do tempo incurável, em que pese todos os meus esforços em contrário.
Minhas tentativas, poucas por sinal, para publicar um livro impresso foram todas frustradas. E publicar um livro impresso, isso parece ser como uma certidão de nascimento, um certificado de originalidade, um credenciamento obrigatório, para ser considerado um escritor. Não sei em outras plagas como a coisa funciona, mas ao menos em Rio Claro é assim. Para os entendidos, para os formados em Letras, e professores de redação que se imaginam escritores e poetas é assim. Quem mandou trocar de poltrona com o Jean-Louis Lebris de Kerouac no noturno para o inferno? Tivesse eu vindo antes e não passaria, eu acho, por esse tipo de humilhação, porque não seria taxado de politicamente incorreto, radical, inconveniente... Mau exemplo. Vejam ao que reduziram a literatura de ficção!
Pensando melhor... Acho que esse fenômeno o qual repudio é comum neste país de iletrados e pobres incultos. Não os culpo. A mesma opinião e atitude a respeito têm a minha família, toda ela, e o único que ousava contrariar essa regra, já se foi há quase 1 ano. 
Não por outro motivo continuo a escrever. Sim. Para vingá-lo. Vingar a nós dois, devo admitir sem nenhum constrangimento. Mesmo doente, desmotivado, sem dinheiro e reconhecimento eu o tenho feito. E o farei até o último instante, até a última gota de sangue a circular nas entranhas deste corpo que já apodrece. Pois se a vida tem sido injusta comigo, com meu pai fora cruel. Mas deixemos isso pra lá.
Como vê finado leitor, enganei-te até hoje, é bom que saiba, porque de fato não sou escritor. Não me enquadro nos padrões estabelecidos pelos entendidos, doutores, jornalistas, professores, literatas. E por isso mesmo as pessoas de Rio Claro, envolvidas com a palavra escrita, a literatura, o jornalismo, as artes e a cultura, os grupinhos, ah, os malditos grupinhos, podem continuar me ignorando, vendo-me na rua e fingindo que não me vêem, lendo os meus textos, porque afinal, os meus escritos geralmente pegam mesmo na veia do leitor, e recusando a aceitar que leram o texto escrito por um de entre os seus, um bem próximo com os quais eles cruzam nas ruas, como já disse, nos corredores dos hospitais, nos pontos de ônibus, nos bares, farmácias, nos jogos do Velo Clube, no maldito balcão dos classificados, do maldito veículo de comunicação (que termo lindo!) em que trabalham.
Saibam de uma coisa, durante muito tempo eu quis estar entre eles. Quis ganhar a vida escrevendo fingindo-me de jornalista, professor ou coisa que o valha. Agora não mais. Porque já não faz diferença. Nenhuma.
Só escrevo para dizer que não precisam fingir que não me conhecem, e nem disfarçar que me repudiam, e, muito menos, que são meus amigos. Eu sei quem são meus amigos. E eles sabem que são meus amigos. Porque já disse isso à eles, olhos nos olhos, o que não é do meu feitio.  E se disse uma vez, basta uma, porque esta é a máxima expressão da verdade que vai dentro de mim.
Pra ser sincero e sem nenhuma presunção, enfim pra terminar, conheço dois escritores ficcionistas em Rio Claro. Espero que surjam outros. E acredito mesmo que existam, embora não tenham merecido ainda a devida atenção. Mas, por ora, conheço dois. Um, eu tenho o desprazer de encontrar todos os dias quando olho no espelho. E o outro, chama-se Mario. Leiam Mario. Sigam Mario. Esqueçam-me.
Ao menos, até a página 2.

2 comentários:

  1. Eu vou me tornar seu inimigo e provocar você todo o tempo. Assim eu saberei que vou receber, todos os dias, as pérolas que se encontram encravadas em sua alma. Foi provocado?! Ótimo. Que venham os textos brilhantes, iguais a esse, com extremos. E que nos satisfazem do mesmo jeito, pela firmeza e brilhantismo. Os outros?! Quem!? Quer saber, não importa mesmo. Estão escondidos, lendo os seus textos e fingindo o contrário. Abraços. Parabéns, poeta!

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  2. Os outros não importam, não merecem que se lembre deles. Quem brilha sozinho incomoda, e muito.
    Você é brilhante e não fico sem seus textos. A arte que corre nas veias vem da alma, é bagagem antiga (e eu bem sei que você sabe disso) e contra ela, não há quem possa.
    Abraço

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