segunda-feira, 30 de abril de 2012

PASSE LONGE!

O assunto sempre vem à tona, ainda mais quando se verifica o número alarmante de suicídios ocorridos recentemente. Certo jornal aqui de Blue City Darkness abordou o assunto em uma de suas últimas edições. Eu mesmo, devo admitir, luto diariamente contra essa maldita dama que não larga do meu pé e nem se importa com o desprezo que lhe ofereço com a determinação de um cão faminto diante do filé esquecido sobre a mesa do almoço. Não sei se resistirei porque essa é uma luta inglória, daquelas que a gente perde quando pensa que ganhou. Vejamos então. Por ora, aproveito do ranço de lucidez espiritual que ainda me resta e traço algumas linhas a respeito do assunto.

                                                                   

No campo das artes a lista vai desde o bailarino Nijinsky, passando pelo inspirado Lorde Byron, o esquizofrênico Van Gogh, e a bonitona Marilyn Monroe. Pouco? A lista continua, é extensa, dela também fazem parte o pintor espanhol Goya; o homem do charuto, mais conhecido como Sir Winston Churchill, o poeta Charles Baudelaire, e muitos outros. Como, por exemplo, Ian Curtis, líder da banda inglesa de punk/rock, Joy Division, morto aos 23 anos, no auge da fama; e Kurt Cobain, da não menos sugestiva Nirvana que dispensa as apresentações. E, não bastasse, o sensível Renato Russo, da lendária Legião Urbana, que, embora não tenha pendurado uma corda no pescoço como Curtis, quis o perigo e preferiu sangrar sozinho até o fim.
Na Literatura de ficção, seria preciso escrever um tratado à parte. Mas, ei-los, com todo o seu brilhantismo e estupidez. Rigaut, Vaché, Crevel, Zweig, Nava, Yesenin, Maiakovski, József, Kleist, Mishima, Celan, Trakl, Sá-Carneiro, as senhoritas Wolff, Plath e Cristina; Quental, Camilo, e titio Ernie, sobre o qual, tenho lá minhas dúvidas por motivos bastante plausíveis, mas, enfim, essa é a sina que ficou para a História.
 Uma das características do que se convencionou denominar “Mal do Século”, a depressão serviu de mote para romances como Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) de Goethe que, à parte o extraordinário valor literário, produziu um sem número de suicídios entre seus leitores.
Mas a depressão não é privilégio dos mais cultos. Ela ataca a todos indistintamente. Basta que encontre portas abertas na mente e no coração de pessoas insatisfeitas com a vida, ou que se acreditam incapazes de conviver com problemas aparentemente insolúveis.
O ritmo de vida o qual todos estamos submetidos gera frustrações de toda sorte que se torna campo fértil para germinar e propagar a depressão.
Do desinteresse contínuo e progressivo pelas coisas em seu redor e por si próprio, passando pelo isolamento, podendo chegar ao ato extremo de abdicar da própria vida, a depressão induz quem dela padece a percorrer um longo e destrutivo caminho.
Inconscientemente ou não o homem contemporâneo busca resultado imediato para projetos pessoais, esquecendo-se, muitas vezes, que, da concepção de uma idéia ao seu pleno êxito, é preciso tempo e muito trabalho, além de capacidade técnica, espírito de superação, persistência e esforço constante.
A vida humana é altamente competitiva nos dias atuais estabelecendo ganhadores e perdedores, sujeitos a verdades efêmeras e mentiras intoleráveis Os primeiros, tendem a nunca se acharem satisfeitos, contrariando o que sugeria Demócrito, filósofo grego. E os últimos, que jamais serão capazes de alcançar o topo da montanha. São, portanto, depressivos em potencial.
Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que a depressão é mais comum no sexo feminino, atingindo, segundo estimativas, 3,92% das mulheres e 1,9% dos homens. Sendo que a depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens.
Constitui-se problema fundamental a ser enfrentado, o fato que 2/3 das pessoas depressivas não recorrem a tratamento médico.
Segundo especialistas, a maioria dos pacientes acometidos de depressão e não tratados tentará o suicídio pelo menos uma vez, sendo que destes, cerca de 17% chegarão a óbito.
Se tratado corretamente, por profissionais qualificados, a depressão pode ser curada em 70% a 90% dos casos.
Oficialmente a depressão é classificada como distúrbio bipolar, cujas características variam desde fases de euforia até extrema irritabilidade. Sua causa não é totalmente conhecida. Especula-se que aconteça devido desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. A possibilidade de causa genética para a ocorrência da depressão não está descartada.
 Mas nem tudo são espinhos. Em Rio Claro, por exemplo, importante trabalho social realiza o Posto Samaritano, através do Centro de Valorização da Vida (CVV) onde, voluntários preparados ouvem atentamente, por telefone (3534-4111), os problemas das pessoas acometidas pela depressão. Às vezes, um desabafo é o suficiente para que pessoas depressivas se sintam melhor.
Para evitar a depressão ou mesmo superá-la, alguns terapeutas indicam a meditação que, se bem orientada e feita corretamente pode proporcionar resultados satisfatórios.
O contato com a natureza e, a ocupação com atividades lúdicas como o artesanato, o desenho e a pintura podem produzir efeito preventivo e amenizador.
Já a doutrina espírita, na sua vasta literatura disponível, sugere que a prática da caridade pode ser bastante útil, por se tratar de um caminho de mão dupla: faz bem àquele que a recebe e, sobretudo, àquele que a pratica.  Não custa experimentar.

domingo, 29 de abril de 2012

NOVA PRODUÇÃO DO GRUPO KINO-OLHO É BASEADA EM CONTO DE ESCRITOR RIOCLARENSE


Por Édi Miller
Não há um só diálogo nos cinco minutos de duração do filme. O ambiente em que a cena ocorre mais sugere do que afirma. As palavras possíveis estão contidas em sinais, olhares e gestos.
As Algemas de Thomaz, curta-metragem produzido pelo Grupo Kino-Olho, e dirigido pelo cineasta João Paulo Miranda Maria é baseado na obra literária do escritor rio-clarense Geraldo J. Costa Jr.
O filme está disponível na internet e é possível assisti-lo acessando o link:   http://vimeo.com/40814105. O roteiro é da poeta, atriz e roteirista Fernanda Tosini, que, incansável, já trabalha em outro projeto, a respeito do qual mantém por enquanto sigilo absoluto.
No elenco, nomes de peso da arte dramática local, como o do ator Claudio Lopes (ex-Cia. Quanta de Teatro), que interpreta o personagem principal. Além de revelações como Thays Von Atzingen, Demetrius Camolesi, Lázaro Maciel e Benedito Gesse, e a própria Fernanda Tosini que assina a adaptação.
O que estava explícito no conto, afirma Costa, o João Paulo e a Fernanda transformaram em instigantes indagações, lançando sobre a obra um olhar que eu mesmo não tive ao escrevê-la. É a linguagem do cinema, feita de imagem e som, aprofundando, devastando, ampliando horizontes que a literatura restrita a palavra não alcança.
As Algemas de Thomaz integra a coletânea de contos e crônicas do escritor rio-clarense intitulada “A Tarde Demora a Passar” cujo lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano pela editora Lexia.
Anos atrás, esclarece o escritor, deparei-me com uma confissão de William Faulkner em que ele diz textualmente: “A única responsabilidade do artista é para com sua arte. Ele tem um sonho que o angustia tanto que precisa se livrar dele. Ele não tem paz até que isso aconteça. Vai tudo por água baixo: honra, orgulho, decência, segurança, felicidade, tudo para se ter o livro escrito. Se um artista tiver que roubar a sua mãe, não hesitará”. Ora, era exatamente isso o que eu acreditava quando escrevi o texto há alguns anos. Hoje penso diferente.
No conto, o personagem principal Thomaz está convencido de que precisa de liberdade e solidão para escrever e para isso vai às ultimas consequências. No filme, essa convicção não existe, o suposto motivo para o desfecho da trama deixa de ser um e passa a ser muitos. A edição, feita por João Paulo Miranda Maria favorece esse labirinto de dúvidas e incertezas. O que fazem na cena do crime os outros personagens? Estão ali para acusar e condenar o criminoso ou para absolvê-lo e libertá-lo? Ou apenas como testemunhas oculares de um fato inevitável? E para Thomaz, o personagem principal da história, o que é liberdade? São perguntas e respostas para as quais, cada espectador encontrará a sua. Ou nenhuma, acredita Costa.
A roteirista Fernanda Tosini, admite que tentou ser fiel ao texto literário ao adaptá-lo, mas o cinema é algo demais surpreendente e sua linguagem dinâmica. À medida que se escreve o roteiro, e depois, com a sequência das filmagens as coisas vão acontecendo e se transformando. É preciso haver sintonia e comprometimento entre elenco, direção e produção para que a ideia inicial não se perca, mas, ao contrário, se desenvolva e ganhe novos contornos.
Costa não vê nenhum inconveniente nisso, ao contrário, estimula a criatividade que o cinema possibilita. Para o escritor, esse fenômeno é feito uma alma (o texto) habitando outro corpo (a imagem e o som).

Cinema Caipira
O portofelicense, João Paulo Miranda Maria, 30, começou aos 14 anos, desenhando quadrinhos, em Piracicaba. Ele conta que teve o seu interesse despertado para a sétima arte quando teve aulas na USP sobre roteiro de cinema para quadrinhos com um professor da área de áudio visual. Depois, foi estudar no Rio de Janeiro, aonde chegou a fazer estágio na Rede Globo. A ideia de formar o Grupo Kino-Olho surgiu da necessidade de se formar em Rio Claro um núcleo cinematográfico independente.
Em 2009, Miranda conquistou o prêmio Mobile Phone Movie Competition, concurso de filmes feito pelo telefone celular promovido pelo programa “The Screening Room” da CNN International.
Em entrevista para o mensário rio-clarense O BETA, em 2008, o cineasta declarou que pretendia fazer de Rio Claro, o seu ateliê cinematográfico. Não por acaso, idealizou o projeto Cinema Caipira, levado adiante pelo Grupo Kino-Olho, encabeçado pelo próprio Miranda. Além dos inúmeros filmes produzidos e disponíveis no internet nos sites de vídeos Youtube e Vimeo, o Kino-Olho edita periodicamente a Revista do Cinema Caipira que já atingiu a marca de 38 edições. Além de realizar oficinas de cinema com apoio da Prefeitura de Rio Claro, através da Secretaria da Cultura.
No período de 28 de novembro a 1 de dezembro deste ano, o Grupo Kino-Olho estará promovendo a 2ª. edição do Festival Internacional de Cinema Independente que tem como objetivo unir e divulgar realizadores independentes que realizem produções engajadas a partir de novas estéticas. O festival contemplará as melhores produções em cinco categorias: ficção, documentário, experimental, película 35mm, e curta Kino-Olho. Os vencedores estarão recebendo o troféu Chapéu de Palha. As inscrições que tiveram início em 02 de abril terminam em 31de julho. No site http://kinoolhofestival.blogspot.com.br/ os interessados podem obter mais informações.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

AS ALGEMAS DE THOMAZ - Um filme de João Paulo Miranda Maria, baseada na obra literária de Geraldo J. Costa Jr.

AS ALGEMAS DE THOMAZ - Alucinações de um escritor.
Produção Grupo Kino-Olho e Tempero d'alma, da obra de Geraldo J. Costa Jr., roteiro de Fernanda Tosini, direção/fotografia/edição de João Paulo Miranda Maria, som de Bruno Barrenha e Thierry Vasques, making of Claudia Seneme do Canto e Isadora Maria Torres, elenco Claudio Lopes / Fernanda Tosini / Thays Von Atzingen / Demetrius Camolesi / Lazaro Maciel / Benedito Gesse. Apoio Prefeitura e Secretaria da Cultura de Rio Claro.
As Algemas de Thomaz from JP Miranda Maria on Vimeo.

DEI OMNIPOTENTIS


Um único cigarro ao lado de uma caixa de fósforos havia sobre a mesa. Papéis de bala, deixados sobre o saquinho branco, rasgado ao meio, também. Roupas colocadas no cabide de parede e livros amontoados entre jornais e revistas e papéis avulsos sem nenhuma importância e algumas agendas velhas, esquecidas, na velha estante de madeira tomada por cupins.
Na parede mofada, um calendário do distante ano de 2001 ilustrado por um pássaro de espécie desconhecida.
Fora tudo o que o homem observara antes de voltar suas atenções para a cena, que, com um lenço de encontro ao nariz, agora se deparava mais amiúde, com ares de descrença.
Pensou deixar o quarto, porque já havia tirado suas conclusões. O corpo estava sobre a cama, caído meio de lado, como se esquecido pela vida, mas não pelos vermes que, trabalhando em silêncio, em suas entranhas, já lhe causava os primeiros sinais de putrefação e mau-cheiro.

CONTINUA...


sábado, 21 de abril de 2012

CONFIDÊNCIAS


Fica à minha espreita, com olhos sedutores
E argumentos convincentes
Que satisfazem a razão
Fala-me ao coração
Coisas mundanas que muitas vezes
No escuro da mente
No silêncio da verdade
Eu falo também a mim 
Quando percorro as noites
Em busca do nada
Que acredito nessas horas
Possa
Preencher o vazio
No qual me precipito
A cada instante de vacilo
Um abismo vai
Crescendo em torno 
Crescendo aos poucos
Fazendo desaparecer
Tão grande se torna
Tão longe dos meus pés gelados
Molhados pela chuva que se acumula
Na calçada em que percorro
Em busca do nada
Que acredito nessas horas, possa
Dar um sentido àquilo que não
Acredito porque não vejo
Quando todas as pessoas
Pensam diferente
A meu respeito
Desconhecem, não sabem
Do meu jeito calado
Quando ponho as mãos no bolso
E caminho, às escuras, só e solto
Em silêncio
Em busca do nada
Enquanto finjo acreditar
Que sou forte o bastante
Pra esperar até o dia de amanhã
Pra começar tudo de novo
E resistir um pouco mais
Em busca do nada
Esse maldito lugar
Para onde ela me leva
Sem pedir permissão
Sem pedir desculpas
Sem cerimônia

TIRADENTES, 220 ANOS DEPOIS


Joaquim José da Silva Xavier fora o único dos integrantes do movimento revolucionário conhecido como Inconfidência Mineira que, durante o inquérito judicial não negou sua participação, diferentemente dos outros integrantes que se acovardaram. Mais, ele assumiu a responsabilidade de chefia do movimento. Acabou enforcado e esquartejado. E entrou para a história como Tiradentes, o Mártir da Independência.
Entrou para a história: Talvez aí esteja a resposta para a pergunta que sempre inquietou historiadores, pesquisadores e pessoas de bom senso. O que fazia um simples alferes em meio a coronéis, padres, oficiais, mineradores, advogados e poetas? Qual era sua intenção? Estava a serviço de quem? Ou melhor, qual a sua ambição? Os biógrafos revelam um Tiradentes como brilhante orador, líder nato, e excelente organizador. Será? Essas virtudes já bastariam para justificar sua participação entre àqueles, e considerá-lo de maneira precipitada um tolo útil disposto a abdicar da vida em favor de um ideal? Curioso é que no dia seguinte à sentença condenatória todos tiveram suas penas comutadas, exceto o próprio Tiradentes, dentre todos, o que não possuía, até onde se saiba influência política e financeira.
Os movimentos políticos, sociais ou religiosos, precisam de um líder, onde se centralizam as idéias, projetos e ambições propostas a fim de torná-las visíveis e compreensíveis, portanto, plausíveis e capazes de convencer. Mas o líder é apenas a ponta do iceberg. Ele é o que aparece, mas não é o que decide. Geralmente, o líder é alguém de poucos recursos financeiros, pouca instrução, e nenhuma influência, mas que possui carisma. É aquele que possui a rara capacidade de convencer quando se pronuncia e quando age. Sabe-se que por trás dos Cesares romanos havia os senadores que os municiavam com conhecimentos e sabedoria. O jornalista e escritor britânico David Icke sugere em seu artigo Era Hitler um Rotschild? (www.umanovaera.com) que o Füher seria apenas um fantoche nas mãos da poderosa linhagem oculta alemã à qual pertenceria face um suposto envolvimento de sua avó materna com o Barão de Rotschild.  Durante a Idade Média, sustenta o jornalista, essa linhagem chamava-se Bauer. E Hitler – como conta a história oficial – um artista plástico medíocre, reles soldadinho de infantaria durante a primeira grande guerra e, agraciado com honraria mais por seu espírito lunático que por sua bravura e coragem, anos depois, sairia da cadeia para liderar o poderoso e dominador nacional socialismo alemão. Como conseguiu? E por quê? E para quem? – a história oficial foi desmascarada com o tempo, em face às evidências e conclusões, embora jamais admitida por aqueles que têm interesse em que as coisas permaneçam como estão.
A Inconfidência Mineira, por sua vez, também precisava de um líder. Ou não? Haja vista, esse líder, personificado na figura do Tiradentes, ter surgido apenas após o trágico, porém, previsível destino do movimento. O objetivo era livrar-se da dominação portuguesa em Minas Gerais, e não em todo o Brasil, uma vez que naquele tempo, a idéia de país que hoje predomina não existia. Pretendia-se também acabar com a Derrama que era uma taxa compulsória que a Coroa portuguesa cobrava da população mineira a cada vez que a cota de 100 arrobas anuais de extração de ouro, determinada por lei, não fosse atingida, o que obrigava a população, a completar essa cota.
O esgotamento das jazidas nas Minas Gerais era fato não aceito pela Coroa que sequer se dignava a comprovar isto. Convenceram-se depois. Mas para tanto foram precisos acontecimentos traumáticos, banhados de sangue e vergonhosos (para a própria Coroa) como a Inconfidência e o resultado desta.
Uma conspiração política tem como objetivo principal tomar o poder. E depois, é necessário organizar outro. Que papel caberia ao Tiradentes nessa nova estrutura de poder que se pretendia criar em Minas Gerais? Se, de fato, caberia algum papel, a se considerá-lo apenas um alferes em meio a tantas pessoas influentes e insatisfeitas e mais bem preparadas. O que lhe prometeram? De que argumentos se utilizaram para convencê-lo a ter a participação que teve? E, finalmente, fosse ele um astuto, o que suas relatadas virtudes sugerem, mas não comprovam qual a sua estratégia para se aproximar daquelas pessoas, para conquistar a confiança delas e para convencê-las de suas idéias – se ele as possuía?
Que o movimento revolucionário mineiro abrigasse humanistas e poetas era compreensível, graças à influência que as idéias européias exerciam sobre estes. Mas daí, acreditar que o povo descontente e a tropa sublevada apoiariam a revolução beira à ingenuidade, quando se trata de brasileiros, com todo o respeito que a nossa nacionalidade mereça.
Num período mais recente da história brasileira, os comunistas, liderados por Luiz Carlos Prestes, com a participação de Olga Benário, também acreditaram nisso. E cada um pagou o seu preço. Prestes, com a humilhação de percorrer durante anos e às escondidas um país que também era seu, levando uma mensagem de esperança, de igualdade e de liberdade jamais compreendida e aceita. Olga, com a vida.
Destino idêntico teve Tiradentes. Mas, voltemos às perguntas inquietantes que jamais se calam: Por que ele quis esse destino? Convencido por quem? Motivado pelo quê?
Até que surjam novos documentos ou evidências o que é pouco provável, essas perguntas ficarão sem respostas.
Duzentos e vinte anos depois, Tiradentes continua sendo um herói cercado de mistérios. 
*Artigo publicado no site Guia Rio Claro http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151004503

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PRAZO FINAL

Segundo algumas teorias, 2019 seria o prazo final dado pela alta hierarquia da Espiritualidade para que a humanidade, a custo do seu próprio esforço, evoluísse o suficiente a ponto de ao menos tornar pacífica as diferenças de credo, cultura, posição social e econômica entre os povos, de modo que a fraternidade prevalecesse sobre o egoísmo, a humildade sobre o orgulho, e o Bem sobre o mal.
Porém, as ameaças constantes de um conflito nuclear gera medo e insegurança. É triste ver um planeta tão lindo ser constantemente ultrajado em sua pureza por meia dúzia de ignorantes, que acabam interferindo no destino da maioria e geralmente, de modo negativo.
Coincidentemente ou não, Ridley Scott ambientou em 2019, o filme Blade Runner, baseado na obra literária “Do Androids Dream of Electric Sheep” do escritor norte-americano Philip Dick (1928-1982).
Fica a pergunta. O que seremos e como estará o planeta Terra daqui a apenas 7 anos?

sábado, 14 de abril de 2012

DESFOLHANDO O PASSADO

Um dos últimos trabalhos literários a que meu pai se dedicou a produzir, segundo me disse certa ocasião, tinha como tema a convivência entre um grupo de amigos. Tratava-se de um conto, cujo destino eu jamais soube, por força das circunstâncias. Não fora outro motivo senão esse o que me levou a escrever as linhas que seguem:



Naquele final de tarde, horário de inverno do mês que, no momento, eu não saberia precisar, ele colocou uma fita k7 pra tocar, no aparelho de som que ficava na cozinha da casa onde morava.
Como sempre, eu me furtei ao desejo de perguntar que fita era aquela, porque já tinha ouvido a mesma música no radinho de pilha AM/FM, que minha mãe me dera de presente no meu aniversário. Objeto precioso para um adolescente de 15 anos, solitário, feio, magricela, tímido que não chamava por nenhum motivo, nenhum mesmo, a atenção das meninas da escola e do clube que frequentava. Eu passava então as minhas noites, depois que chegava da escola ouvindo aquele radinho de pilha.
Eu tinha dois irmãos... Mas eu não quero falar sobre isso. Acho que nunca vou falar sobre isso. Simplesmente porque não consigo. Não eram eles que faziam parte de minha vida naquele tempo, o melhor e mais decisivo na vida de qualquer ser humano. Eram os meus amigos. Não eram muitos, mas eram. Amigos. E é sempre bom não tê-los muitos. Porque um amigo a gente não faz, a gente reconhece. E aquele era o caso. Não sei se devo dizer o seu nome. Nunca estou certo do que devo fazer, sabe. Tomar decisões é algo que sempre demanda uma batalha sem precedentes entre a minha vontade e a minha razão. Mas ele tinha um nome. É claro. Vamos chamá-lo de M.
Nada mal. M.
 O fato é que naquele final de tarde, como eu já dissera antes, estávamos na cozinha da casa onde M. morava com seus pais e suas irmãs. A mãe de M. havia preparado um vitaminado para nós, naquele seu esforço diário e descomunal pra tentar convencer M. a tomar ao menos um copo de leite, ainda que misturado e batido com frutas. M. detestava o vitaminado, mas satisfazer a mãe era algo que lhe agradava bastante.  Peguei o meu copo, tomei com gosto a vitamina e antes de recolocar o copo na pia, pensei lhe perguntar que música era aquela que estava tocando no seu aparelho de som, mas não tive tempo, porque ele logo tratou de me lembrar que na primeira aula teríamos prova de física, matéria que ele dominava, e eu, devo confessar, o invejava por isso.
Preferi falar sobre o futebol do domingo que se aproximava porque aquela era uma sexta-feira, dia em que só mesmo aquele nosso bitolado professor de física seria capaz de marcar prova, ainda que na sala de aula só restasse meia dúzia de alunos, dentre os quais nós.
M., porque lhe dava imenso prazer fechar as notas da maldita Física já no terceiro bimestre, e eu, por absoluta necessidade de tirar ao menos 5 e me convencer, ainda que seria quase impossível, de que milagres acontecem.
Milagres não acontecem.
Bom, vamos à parte mais interessante da história.
Mas antes, peço licença ao leitor para falar de outro amigo daquela época, um amigo de grande importância e afeto para mim.
Se M. tinha a sua motocicleta, algo que eu não tinha, S., vamos chamá-lo assim, tinha o seu automóvel, e não preciso dizer que era algo que eu também não tinha. O que eu tinha, era uma velha bicicleta preta, BMX, que me levava à escola com menor esforço, quando estava com os pneus cheios, e me servia para realizar as tarefas de um Office boy que, naquele tempo, o meu pai, dono de um escritório de contabilidade preste a fechar a porta, depois de um período de relativo sucesso, não tinha condições de pagar.
Assim eu ganhava uns trocados, mais por insistência de minha mãe, e piedade de meu pai, pra comprar vez em quando, um par de tênis da liquidação, tomar uma coca-cola, fazer um lanche sábado à noite, com outros dois amigos e, a cada dois ou três meses cortar o cabelo e ganhar uma aparência, digamos, mais humana. Vez em quando, a custo de moedas juntadas do troco da padaria, durante um mês, pagar um cinema no bom e velho Cine Excelsior.
S. também fora um irmão que eu não tive naquele tempo. Não tive por força das circunstâncias, bem entendido.
Fora S. que me convencera a pisar em uma danceteria, a pular na piscina do Grêmio Recreativo, a puxar conversa com uma garota, por mais feia e desajeitada que ela fosse desde que ao final da conversa, eu merecesse um beijinho, só um, o que me impediria de dormir e escovar os dentes, naquela noite e nos dias seguintes, achando-me um Don Juan, e convencendo-me finalmente de que: Sim, milagres acontecem.
Não acontecem.
E digo isto porque foi no carro de S., mais exatamente no banco de passageiro que vivi o pior momento de minha vida, até o dia 20 de maio de 2011. Mas essa é outra história. Com a permissão do leitor, antes vou contar, sobre aquela noite em que vivi o primeiro pior momento de minha vida.
Eu tinha 23 anos. E ela, 31. E foi a minha derradeira e talvez única oportunidade de ser feliz ao lado de uma mulher. Só me lembro que ela disse: Que bonito hein!
Sim, que bonito! Não eu, exatamente, mas a situação.
Incapaz de articular uma palavra, de lhe pedir desculpas, ainda que, naquele momento, eu não me julgasse obrigado a fazê-lo.
E ela se foi, convencida mesmo de que ao invés dela, eu preferia encontrar satisfação no conteúdo excitante de uma garrafa de vinho, ou de várias.
Foi a primeira derrota que o vício me impusera. A mais dolorosa.
Mas aos 23 anos as derrotas são suportáveis ao menos até a página 2.
Vieram os dias e noites seguintes, e embora a vida jamais fosse a mesma, revelou-se interessante, para quem feito eu, jamais esperara mesmo muita coisa da vida.
Um outro amigo daquele tempo teve para mim relativa importância. A exemplo de S. ele tinha um carro, o que... Bom, desculpe leitor, mas não vou ficar açoitando meu orgulho já tão ferido com essa história do carro que os amigos tinham e eu não. O fato é que nunca me faltara carona, na ida e na volta. E se carro eu não tinha, ao menos tinha chofer. Um não. Dois. Nada mal. Melhor que dirigir, é que os outros o façam por nós. E sem custo. A única desvantagem é que não era exatamente eu que levava as garotas de volta para casa. Por isso é que falo para os meus filhos: estudem seus idiotas; trabalhem; e parem de importunar a Deus.
E sei do que estou falando. Pior que sei.  Bem, deixemos Deus de lado, porque afinal ele não precisa de nós.
Mas eu preciso terminar essa narrativa e acho que é o que vou tentar fazê-lo agora, depois de ter passado os últimos 20 minutos, saiba você leitor, sentado no trono onde todos podem ser reis, ao menos uma vez ao dia. Momento único de satisfação que nos exige tanto esforço esse bendito e disputado trono, mas que traz alívio ao final.
Ora, já na minha maturidade, reconheci um outro amigo. Militar aposentado, idealista e de bom coração. Com ele aprendi a ser tolerante e a me convencer da necessidade de pisar na cabeça da cobra peçonhenta chamada orgulho e que tanto estrago fizera em minha vida, impedindo-me de realizar a tarefa mais simples e mais importante da trajetória humana: perdoar.
 Milagres não acontecem. Não mesmo.
Mas é que nessa altura da vida pessoas feito eu, já não tem amigos, porque se reconhecem completamente dependentes de uma fina e distinta senhora de nome: Solidão. Que, nada satisfeita, traz consigo não menos fidalgo senhor que atende pela graça de Sr. Medo.
Foi o que restou.
Sr. Medo deparou-se comigo, daquele seu jeito professoral e impositivo, pela primeira vez, quando, por absoluta falta de opção, eu fora convidado a segurar a alça do caixão do meu amigo M. Tínhamos 19 anos. M e eu.
Desde então o Sr. Medo se tornara visita constante em minha vida e sempre muito atencioso, me trazia lembrancinhas. Adorável o Sr. Medo.
Ele surgiu para ficar definitivamente ao meu lado, naquela noite de 20 de maio de 2011, quando o meu melhor amigo, o amigo de longa data, o mais querido, escolheu-me para acompanhá-lo em sua derradeira jornada. E o fez olhando-me com ternura e segurando em minhas mãos. Tinha 78 anos o meu melhor amigo, e eu o vi desaparecer dentro de um saco preto, enorme, quente, e fechado a zíper. Perdeu-se num corredor que parecia interminável. Sem ter a chance de escrever sobre os seus amigos, feito eu agora faço sobre os meus.
Outros companheiros, amigos de verdade fizeram e fazem parte de minha vida, sem, contudo aparecerem nessa despretensiosa narrativa, e, em se tratando do que ela trata, nem haveria motivo para ser diferente. Porque eles são felizes. Ainda bem. Não é o caso, eu presumo de S. Aos 44 anos, ele cuida atualmente de sua mãe, portadora de Alzheimer.
Outrora, uma presença diária no meu cotidiano, e hoje nos vemos raramente, ocasião em que preferimos não lembrar o passado, uma vez que ainda tentamos com grande esforço e sem melhores resultados aceitar as escolhas que fizemos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

AINDA SOMOS OS MESMOS

Tudo passou
Nada se fez
A história é a mesma
Repete-se como sempre
Desde o fim
Que a tudo deu origem
Deitam-se as colunas
Levantam-se as barracas
O céu está cinza
E nesses anos todos
Nunca esteve diferente
E tão belo
É possível lembrar
Em cada detalhe
Forma e expressão
Cada aspiração
Cada caminho
Que se perdeu
E que não se fez
Dias de esperança
Tão longe agora estão
Que custa acreditar
Que um dia existiram
O vazio, aos poucos
Vai sendo preenchido
E nisto se revela
O perigo iminente
Sobe-se ao muro
Da consciência soberana
E observa-se inseguro
O lado de lá
À espera se encontra
E como será
No momento decisivo
Onde um esforço maior
Liberta
Feito um laço que se desfaz
Um pássaro que voa
Um passo adiante
E surge majestosa,
Toda a diferença
Impondo-se sem
Pedir licença
Tudo passou
Tudo retorna
Descobre-se então
Que apenas os dias
É que são outros

domingo, 8 de abril de 2012

MISSÃO CUMPRIDA, TIO ERNIE!

Com a publicação de "60 PRIMAVERAS" que, durante dez anos chamou-se "Sessão da Tarde" dou por encerrada essa fase de criação literária. Não sei o que virá pela frente. Se é que virá. Todos os 8 romances, ou novelas, como queiram, que escrevi até esta data estão publicados na Web (vide coluna ao lado). Evidentemente que tratei de reservar os direitos autorais dos trabalhos literários de minha autoria, em questão. Optei por essa alternativa porque já não tenho mais nenhuma expectativa em publicar referidos trabalhos no formato livro impresso. Pagar por isso? Valha-me Deus! É demais para o meu orgulho e inteligência.
Então se divirtam. Enquanto é de graça.
60 PRIMAVERAS. Acesse: http://sessentaprimaveras.blogspot.com.br/