sábado, 21 de abril de 2012

CONFIDÊNCIAS


Fica à minha espreita, com olhos sedutores
E argumentos convincentes
Que satisfazem a razão
Fala-me ao coração
Coisas mundanas que muitas vezes
No escuro da mente
No silêncio da verdade
Eu falo também a mim 
Quando percorro as noites
Em busca do nada
Que acredito nessas horas
Possa
Preencher o vazio
No qual me precipito
A cada instante de vacilo
Um abismo vai
Crescendo em torno 
Crescendo aos poucos
Fazendo desaparecer
Tão grande se torna
Tão longe dos meus pés gelados
Molhados pela chuva que se acumula
Na calçada em que percorro
Em busca do nada
Que acredito nessas horas, possa
Dar um sentido àquilo que não
Acredito porque não vejo
Quando todas as pessoas
Pensam diferente
A meu respeito
Desconhecem, não sabem
Do meu jeito calado
Quando ponho as mãos no bolso
E caminho, às escuras, só e solto
Em silêncio
Em busca do nada
Enquanto finjo acreditar
Que sou forte o bastante
Pra esperar até o dia de amanhã
Pra começar tudo de novo
E resistir um pouco mais
Em busca do nada
Esse maldito lugar
Para onde ela me leva
Sem pedir permissão
Sem pedir desculpas
Sem cerimônia

Um comentário:

  1. Falou sua "alma de poeta", Lindo, Forte, Intenso, é isso ai...Amei...PARABÉNS

    ResponderExcluir