quarta-feira, 25 de abril de 2012

DEI OMNIPOTENTIS


Um único cigarro ao lado de uma caixa de fósforos havia sobre a mesa. Papéis de bala, deixados sobre o saquinho branco, rasgado ao meio, também. Roupas colocadas no cabide de parede e livros amontoados entre jornais e revistas e papéis avulsos sem nenhuma importância e algumas agendas velhas, esquecidas, na velha estante de madeira tomada por cupins.
Na parede mofada, um calendário do distante ano de 2001 ilustrado por um pássaro de espécie desconhecida.
Fora tudo o que o homem observara antes de voltar suas atenções para a cena, que, com um lenço de encontro ao nariz, agora se deparava mais amiúde, com ares de descrença.
Pensou deixar o quarto, porque já havia tirado suas conclusões. O corpo estava sobre a cama, caído meio de lado, como se esquecido pela vida, mas não pelos vermes que, trabalhando em silêncio, em suas entranhas, já lhe causava os primeiros sinais de putrefação e mau-cheiro.

CONTINUA...


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