sexta-feira, 18 de maio de 2012

A CONDIÇÃO HUMANA


O último restinho da garrafa, esquecido
O final do cigarro, na mesa, deixado
Letrinhas miúdas na tela
Do computador, já não consigo ler
Não sei se fujo de algo
Ou se caminho para
Onde me encontro desde sempre
Uma vez estive entre os sábios
Eles desconhecem a dor
E se a experimentaram, faz tempo
Tanto tempo, que dela já não se lembram
Alguma coisa pode haver de errado
Se a derrota já não incomoda
Se entre dois caminhos diante dos olhos
A escolha é sentar-se na calçada
No banco do jardim, entre árvores
E esperar que passe o tempo
Mesmo sabendo o quanto seria fácil
Interromper o olhar, a trajetória
Abreviar o caminho
Mas a realidade despreza
Aqueles que no chão se acham
Mortos de vergonha
Varridos pelo medo
Incapazes de uma atitude
A mais digna de todas
A libertadora
Atitude que insulta a razão
E uma sensação de paz e alívio traz
E a alma abraça em desespero
E a luz repudia
E os olhos só encontram
E reconhecem
Quando estão fechados
E perdidos na escuridão
Entregue-se, boy
Esqueça o que não se fez
O que ficou
E o que se perdeu
Esqueça
Não lute contra si mesmo
Basta

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