domingo, 29 de julho de 2012

I’M SO SORRY


E são 10 para as 4 da manhã. E estou diante do computador fazendo aquele rastreamento necessário pra entender o que anda pensando e fazendo as pessoas. O que acontece no mundo. Se o massacre na Síria continua. E faço tudo isso ouvindo as minhas favoritas no Kboing até porque é mais prático, sabe. Dois ou três cliques e já está rolando There is a light that never goes out, Black, Bitter sweet symphony, Overkill.
É uma tentativa de reprimir de modo lúdico as segundas intenções que, nesta noite maldita de sábado de julho que já se vai, do ano perverso do mundo que ainda se acaba indo, ficaram de novo pelo meio do caminho. Ou melhor, ficaram pelo lado, ou seria de lado, sei lá... Ficaram. Onde sempre ficam: na guia da calçada, na privada do banheiro, na mesa da cozinha, de onde se vê o céu ficando vermelho aos poucos, pra depois se tornar azul, ficando na lembrança. Adoro gerúndios!
Talvez seja por isso que caras feito eu acabam ficando acordado às 4 da manhã. Sim, já se passaram 10 minutos, pra escrever, nada de importante não. Nada de poema, poesia, romance, novela, conto,versinho boboca. Frasesinha esperta, sim, talvez. Com um pouco de sorte. E à custa de pão com mortadela,Coca-Cola geladinha, ainda bem, nada mal, e sempre se consegue.
Walk in. Silence.
E me deixo levar de novo por essa atmosfera que as pessoas não compreendem, algumas não aceitam. Mas é onde vive a maior parte do tempo, sujeitos feito eu.
Não. Não faça isso com você. Mais uma tentativa frustrada da Sra. Consciência, mas eu me vou. Eu sempre vou. É onde encontro paz. É onde é possível esquecer a estupidez da vida humana e suportar o peso do mundo nas costas.
Fecho os olhos e penso. E já é outro o ambiente. Dedo polegar unido ao indicador da mão direita, cotovelo apoiado na mesa. A cabeça se abaixa lentamente, como se o espírito, este que vos fala, finado leitor, se entregasse ao seu habitual sacrifício, sem o qual não pode, não consegue viver. A testa, então se aproxima e se encosta-se à posição em que se encontram os dedos da mão, e num gesto que se parece eterno e que nem mesmo Rodin conceberia tão original. Acabou a Coca-Cola e devo recorrer-me à água. Da pia. Do banheiro. Da privada ainda não. Mas só o farei depois.
As garrafas de água, bem entendido vão se acumulando pelos cantos. Por que pelos cantos? E enquanto isso, carrega o vídeo do professor Olavo. Adoro esse cara, ele me faz rir e me consola. Afinal, sei que já tenho companhia no inferno daqui algum tempo.
Eu passei a tarde cometendo idiotices. Gastei R$20,00 pra sentar em um cimento esburacado e ver um bando de pernas-de-pau tentarem (não conseguiram) jogar futebol. Pior, perdemos. Sim, nós, os torcedores do Velo. Porque, os jogadores... Ora, e essas horas, provavelmente estejam com suas namoradas e amigos tomando umas brejas, curtindo um som. Aquele som caipira, que eles acham que é som. Tudo bem, nada mal. Conforme-se, nobre infante, o mundo é dos bons; eles herdarão o mundo, não se esqueça.
Outra coisa idiota que fiz à tarde. Comecei a ler o calhamaço do Sr. Rubem, que peguei no Gabinete de Leitura pela manhã, com a sempre atenciosa Jô. São precisamente quase 800 páginas (gostaram da brincadeira?) ou 64 contos como queiram. E o primeiro deles, que encontrei e enfrentei, ao abrir, assim, aleatoriamente o livro, adivinhe qual? As agruras de um jovem escritor, que começa na página 225, e é ilustrado pelo carimbão do centenário e não menos nobre Gabinete de Leitura, mais conhecido como Biblioteca Municipal (ou seria o contrário) ou menos conhecido (isto certamente sim) por Lenyra Fracarolli, da cadernetinha verde, e rabiscada. Esqueçam tudo isso. O livro do Sr. Rubem é ótimo, apesar da capa e do Eloy Martinez. Eu é que morro de inveja.
Bom, a inveja é um daqueles sentimentos que nos faz lembrar que ainda estamos vivos. Que precisamos tirar a bunda da cadeira. Ainda bem que é da cadeira, pois não. E colocar a vida em movimento. O ou que resta dela. Pra que a vida, a nossa, possa ser lembrada, ao menos pelos nossos desafetos, que, como todo homem que se preze, são muitos. E eu não acredito que estou acordado às 4 e 31 da manhã de domingo, conforme o relóginho do computador, pra escrever essas merdas.
Pois sim. Quando se chega a esse ponto é sinal que já se perdeu o ranço de dignidade que restava. As ideias, o estímulo, para produzir algo mais consistente, menos superficial, quem sabe um conto, talvez um romance, não existe e então se flerta com as palavras com cronicazinhas besta feito essa. E é como o sujeito que, depois de anos de casado e bom desempenho e se reconhece traído, chuta o balde, surpreende-se só, grudado a um travesseiro e pra não ter que apelar de modo deprimente e onanístico, busca a redenção na primeira oportunidade que encontra, e isto pode naturalmente ocorrer na rua, ou logo após um daqueles bailes de forró, onde todo mundo se conhece e todo mundo sai melado de suor e exalando o perfume inconfundível da satisfação. Ou o seu dinheiro de volta.
E então, depois de tudo terminado, o cotovelo agora se apóia na pia do banheiro, e a gente se pergunta, diante do espelho: Meu Deus, onde vim parar?
Receio que precisamente às 4 e 39 da manhã de um domingo, Deus, em sua infinita bondade, responde:
Bem feito pra você.
Claro que sim. Deus sempre tem razão.
Próxima música do Kboing pra desopilar o fígado, depois do baile de forró: Tom Sawyer. Bom pra enfrentar o rush em que se encontra a mente. Afinal, I’m so sorry.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

LER COM OLHOS DA ALMA


Acho que fiz bom negócio. Acho que sim. Afinal, não é todo dia que se consegue um Faulkner, capa dura, meio psicodélica, e onde se lê apenas o título da obra e seu autor por apenas R$6,00.
Confesso, porém, que não foi exatamente uma coisa e nem outra que me convenceram a adquirir o livro. Afinal, Faulkner se deixa levar geralmente por minúcias e parolices, algo que seu desafeto Hemingway dispensava completamente, em busca de uma narrativa, um estilo, digamos, mais vigoroso, honesto e verdadeiro. Mas acontece que uma das atribuições da Literatura, eu creio, é reinventar a realidade. E a tarefa não caberia melhor a outro artífice que não fosse um escritor, que, em breves palavras, pode ser entendido como um sujeito mais ou menos Deus, afinal, o escritor cria e destrói vidas, ambientes, ideias, ações... sonhos. Ele tudo pode, em um mundo que se sabe existir, mas não se vê que não seja com os olhos da imaginação.
Bom, o livro a que me refiro, do finado Faulkner, se trata de Luz em Agosto. E o motivo que me convenceu a adquiri-lo, dias atrás, num sebo da cidade... Bem, o motivo foi a dedicatória, de um tal Osvaldo para um não menos tal Nê, que diz mais ou menos assim: “Temos apenas uma história. Todas os romances e toda a poesia se baseiam na competição incessante entre o bem e o mal em nós mesmos”. E por ai vai. Data de Outubro de 1995.
Luz em Agosto, que eu pretendo ler, e talvez, com um pouco de sorte, ultrapasse meu recorde faulkeriano que é de 71 páginas de Palmeiras Selvagens. E se eu conseguir – puxa vida! – ficarei orgulhoso. E quem sabe até infrinja outros castigos maquiavélicos aos meus olhos frágeis e carcomidos de tão cobiçados.
Ótimo! Mas, como ia dizendo, Luz em Agosto começa exatamente assim, segundo o tradutor: Sentada junto ao caminho, contemplando o carro que sobe a colina em sua direção, Lena pensa:
Deixo em suspenso o pensamento de Lena até que o leitor, não o de Faulkner, o meu, resolva se interessar por isso.
Bom, eu ainda prefiro algo como: “Sou um homem doente... Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para res­peitar a medicina. (Tenho instrução su­fi­ciente para não ser supersticioso, mas sou.) Não, senhores, se não que­ro me tratar é de raiva. Isso os se­nho­res provavelmente não compre­en­dem.”
Já vou adiantando aos mais apressadinhos, não se trata de mim a que se refere o narrador, evidentemente, mas ao próprio, tenho lá minhas suspeitas, admirado Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, autor do livro Notas do Subsolo. Leiam. Se encontrarem. Bons livros estão em falta nas prateleiras.
. Leiam. Se encontrarem. Bons livros estão em falta nas prateleiras.
E pensar que o primeiro romance de que se tem notícia foi escrito em 1008 dc. por Murasaki Shikibu, escritora japonesa, que viveu na corte imperial da época. Chama-se História de Genji, e retrata o cotidiano animado da vida da corte, narrando intrigas políticas e amorosas que, por sinal, já naquele tempo, eram muitas, e serviam de fonte de inspiração.
O fato, meus caros é que o amor inspira poetas. E a verdade persegue os escritores. E uns e outros, inspiram a humanidade. E a humanidade não percebe que as dores e os prazeres que causa e as sombras que provoca e a luz que derrama mundo a fora, é verdade e poesia. Nem todos sabem ler com os olhos da imaginação. E da alma.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

VERÃO SE DESPEDE - Capítulo de abertura


1.
Já haviam percorrido cinco quilômetros da Rodovia dos Imigrantes com destino ao litoral, quando Caio Fantinatti lembrou-se de perguntar à esposa, se ela colocara o laptop no porta-malas do carro. Ela lhe dissera que havia esquecido, e isso, noutros tempos, seria motivo o bastante para que iniciassem uma discussão. Contudo, Caio limitou-se a olhar para a esposa como um pai autoritário e exigente, e só então, percebeu que ela havia escurecido os cabelos um pouco mais do que da vez anterior.
“Dê-me um cigarro, por favor,” - disse ele.
Precisava fumar quando era contrariado. Isto o ajudava a manter-se calmo enquanto pensava.
“Podemos comprar folhas e lápis em alguma papelaria, assim que chegarmos à cidade” – a esposa sugeriu, esperando acalmá-lo.
“Você sabe que há muito tempo não escrevo me utilizando desses objetos ultrapassados, não sabe?”.
“Não encontrei sugestão melhor”.
“Então devia me poupar dessa idéia idiota”.
“Acontece que o seu jeito impaciente de encarar os problemas por menores que sejam me deixa irritada, também” - disse ela.
“Grace, parece que você esqueceu o motivo pelo qual estamos fazendo esta viagem”.
Ela olhou na direção dele, e fez menção de dar uma resposta à altura, mas se conteve. Afinal, ela sabia perfeitamente o motivo, o único, daquela viagem.
Chovia bastante aquela noite. Caio dirigia com cuidado. Era impossível enxergar um palmo adiante. Outras vezes descera aquela Serra em piores condições. Agora, o medo teimava em lhe fazer companhia. Após uma curva fechada, logo no início da descida, resolveu testar os freios do carro que havia tirado na concessionária havia menos de um mês, e aliviado, constatou que os freios eram de fato tão bons como lhe garantira o atencioso e hábil vendedor.
Indiferente aos devaneios do marido, Grace procurava no porta-luvas o cd que imaginava ter deixado ali desde a última vez em que amanheceram abraçados num motel. Isto fazia seis meses. Não encontrou o cd, apenas papéis de balas e notas fiscais de postos de combustíveis. Tentou iniciar uma conversa com o marido, mas logo desistiu da idéia porque ele não parecia muito disposto.
Caio estava entretido com as lembranças que o atormentavam. Do tempo em que era um menino que sonhava ser advogado. Época em que descia para o litoral com os amigos e os pais dos amigos, porque os seus, nunca tinham tempo para um passeio que não fosse cinema, casa de parentes e pizzaria. Caio lembrava-se com saudades dos amigos daquele tempo. Valter, um daqueles amigos, era o garoto sardento e impertinente com o qual dali a pouco iriam se encontrar; Emerson, o magricela esnobe; e Ivo Gorducho, metido a sabichão. Ninguém, todavia, superava Francisco no quesito inteligência. Mas, beleza, quem de fato possuía, era Talita. Embora, Letícia, inimiga das dietas, discordasse disso. Estes eram os amigos de Caio. Houve outros. Mas estes foram os mais próximos, pois o melhor amigo de Caio, ele assim o considerava, era Tômaz Adler, garoto tido como problema para os professores da escola, e cuja família tinha péssima reputação, mas a única pessoa capaz de conversar com Caio sem lhe perguntar, por exemplo, sobre o seu futuro.
Enquanto viajava por aquela estrada escura e modorrenta e se lembrava dos amigos, Caio dizia a si mesmo, que aqueles é que eram os bons tempos. Não devia ter se casado. Não, não devia. Estava convencido. O casamento como o imaginara, nunca existira de fato para ele. Mas lhe causava certo alívio não ter feito promessas ao infinitamente bom e justo, onipresente, onisciente, eterno e imutável Deus, diante de seu digno representante vestido de branco, num templo ornamentado de flores e repleto de olhares curiosos, numa tarde geralmente ensolarada de sábado. Aliviava em parte o peso que carregava na consciência, desde que se casara com Grace, imaginando que ela seria sempre aquele biscoitinho gostoso e delicado que ele molhava todas as noites no leite quente do seu prazer indescretível.
Agora Grace era uma mulher de 46 anos, que ainda ostentava algum charme e a voz agradável de sempre. Retocava os cabelos a cada quinze dias e procurava Caio uma vez a cada dois meses, e sempre na cama, no mesmo horário e na mesma posição. E tudo porque Grace preferia as revistas de moda e as bijuterias, às redes sociais da Internet, e os dvd´s a um bom bate-papo com o marido. Os chás aromatizantes às cervejas, e as amigas à companhia de Caio. “Um mundo de nós dois” - ela costumava dizer, lembrou-se de repente Caio, admitindo que, naqueles últimos anos, levantava-se da cama, todas as manhãs, se perguntando como pôde o céu daquele “mundo de nós dois” ter desabado de repente sobre sua cabeça.
“Você está bem?” - Grace lhe fizera a pergunta, quando já estavam ao pé da Serra.
Desde garoto, Caio gostava de passar durante a noite por aquela estrada e ver as labaredas de fogo saindo das enormes chaminés das refinarias situadas bem ao lado da rodovia. Por isso, não fez menção de responder à pergunta de Grace.
Em vez de repetir a pergunta, ela resolveu acender um cigarro. Mesmo assim, ficou olhando para o marido, enquanto ele dirigia com cuidado e atento ao tráfego intenso de caminhões. Grace observava os cabelos grisalhos que Caio exibia nas laterais da cabeça um pouco acima das orelhas, os quais ele se recusava a esconder. Também já não escondia a barriga proeminente, culpa da cervejinha que consumia com os amigos no clube, aos finais de semana, e dos anos sentados diante de um computador redigindo petições, revisando processos, contratos, acordos, elaborando teses de defesa e de acusação para clientes fiéis e que sempre lhe pagavam pontualmente uma boa soma. Mas aquela barriga ridícula para um homem tão bonito quanto ele, podia ser evitada se Caio seguisse os conselhos da esposa e se dedicasse um pouco aos exercícios físicos, pelos quais tivera obsessão enquanto adolescente e jovem, mas que passara a odiar logo nos primeiros anos de casado, sob o pretexto de falta de tempo e entusiasmo.
Enquanto fumava, olhando para o marido, e pensando nisso tudo, Grace compreendera que ela própria já não era motivação para Caio, nem mesmo para que ele cuidasse melhor da saúde e da aparência. Percebeu que na vida do marido já não tinha tanta importância. E finalmente tivera de reconhecer que o encanto do casamento de ambos – se um dia existiu – havia terminado. Olhou à sua volta e não encontrou nenhuma alternativa a ser tentada. Nenhum caminho a ser seguido. Não valia a pena. Era uma coordenadora pedagógica de ensino secundário que, ao se casar, dedicara-se ao sublime papel de sombra fiel e protetora do marido ambicioso, persistente, mas de talento duvidoso, embora oportunista. Caio sempre soubera aproveitar as oportunidades que o pai – conceituado médico – lhe proporcionara. Também se aproveitara, sem nenhum pudor e para o seu próprio espanto, das amizades convenientes que fizera ao longo dos anos exercendo a advocacia, prestando serviços nem sempre lícitos a grandes empresas, e ajudando a administrar centenárias e sólidas fortunas de famílias tradicionais.
Enquanto Grace se detinha nesses pensamentos, Caio, de bermuda e chinelos, óculos escuros, cigarro no canto da boca e garrafa de uísque, escondida, ao lado do banco, se ocupava da expectativa em rever aquela cidadezinha agradável do litoral norte do estado, para a qual se dirigia, em alta velocidade, guiado pela dedicada assistente de bordo, sua esposa.


Nota: Este é o primeiro capítulo do que um dia julguei pudesse se tornar um romance. Eu havia abandonado o projeto até então. E pretendo retomá-lo agora. Se a saúde permitir. Já tenho vários capítulos escritos e toda a ideia na cabeça. Mas é claro que todo o texto precisa ser melhor trabalhado até que atinja o nível de exigência que justifique o tempo, o suor e as lágrimas que demanda. Agradeço a todos que lerem, opinarem e sugerirem. Abraços.
J.




quinta-feira, 19 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

MERECEMOS ISTO?


Rio Claro poderá eleger um prefeito que, poderá não assumir o cargo. Das quatro candidaturas, três delas, correm esse risco, em razão da Lei de Ficha Limpa, em vigor.
Por uma dessas aberrações da lei eleitoral, os candidatos poderão permanecer na disputa. E a menos que se manquem a respeito do ridículo que poderão protagonizar o que é impossível, devemos admitir, podem expor, mais uma vez, a cidade pela qual querem nos convencer que desejam trabalhar, na mesma triste, deprimente e vergonhosa situação que eles.
Conclusão, ambos se merecem: Os candidatos e os eleitores de Rio Claro.
Pior que isso. Não são os candidatos que irão perder. Eles jamais perdem. São todos amiguinhos entre si. Farinha do mesmo saco. E sofrem da mesma terrível doença: Desconhecem uma virtude que se chama: Pudor. São por assim dizer arremedos de Odorico Paraguaçu. Lembram-se dele? Povo de Sucupira! Ou melhor, Rio Claro...
Tais candidatos, até onde se sabe, estão muito bem resolvidos na vida. E é de se questionar outro motivo que não o orgulho e a vaidade para tanto desejarem ser prefeito de uma cidade como Rio Claro, que, apesar dos seus quase 200 anos de existência ainda tenta entender a que veio e encontrar o seu rumo.
Mais revolta e indignação causa a ideia tresloucada do quarto candidato que ao impor sua candidatura (como se comenta à boca pequena que tenha ocorrido), contaria com a impugnação dos outros três, para então, nadar de braçada ou coisa parecida e vencer a disputa por falta de adversário. O que, no futebol se define como W.O. De todo modo, terá de ter 50% mais 1 dos votos válidos. E aí a porca torce o rabo.
Seria o máximo! Pra ser sincero, seria o cúmulo da piada para munícipes e eleitores de outras plagas, que não tem o desprazer de, na entrada da cidade, possuir um sugestivo e vistoso: 171.
Todos os rio-clarenses, natos ou agregados, sabem ou ao menos deveriam saber as origens de Rio Claro. Não é das mais dignas, daquelas que a gente deva sentir orgulho. Esqueçam o que nos contam nas escolas, desde que somos criancinhas. Procurem ler livros como: Rio Claro – Um Sistema Brasileiro de Grande Lavoura – 1820-1920 – Editora Paz e Terra, de autoria de Warren Dean, e certamente acharão A História do Rio Claro (isto mesmo, do e não de) do Dr. José Romeu Ferraz, no mínimo uma interessante fábula pra nenê dormir.
Assim vão as coisas nas terras do João do Céu Azul. Mas algumas parecem se repetir a cada quatro anos. Até o momento, os temas de real importância para a cidade de Rio Claro, acham-se esquecidos pelos candidatos e são ignorados pelo eleitor, cuja única preocupação continua sendo reclamar.
Tudo isto só é possível devido à omissão da maioria esmagadora das pessoas eleitoras com a política local. Preferem deixar que os “especialistas” tratem do assunto para elas. E, para manter esse conforto e esse descomprometimento, que, em tese a isentam de qualquer preocupação ou remorso, não se sentem envergonhadas de, a cada quatro anos, lhes passarem uma procuração com plenos poderes, para decidirem sobre o seu destino.
O resultado é que a política de Rio Claro permanece conduzida por incompetentes, espertalhões, um grupo restrito, soberano e para a nossa desgraça, imorredouro que, antes de cuidar dos interesses do povo que o elege, prefere cuidar dos seus. E para isso, eles sabem se entender muito bem.
Parabéns Rio Claro. Merecemos isto. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

QUANDO O CÉU SE TORNA CINZA


Desde os meus 17 anos
Quando finalmente deparei-me com a verdade
Eu caminho, passos lentos, indecisos, olhos vendados
À beira do precipício, que faz
A vontade de por termo a tudo
Presente e soberana
Chega a convencer
Mas não ultrapassa o limite
Da coragem e do estímulo, vontade
Não vai além
Então me refugio
No aprisco da frieza
Que o amanhã, incerto e instigante
Me permite vislumbrar
E tudo é tão certo, sob medida
E se encaixa tão bem
Não deixa rastro ou dúvida
Que, em noites como estas
Eu fico a pensar
Se é mesmo tudo assim
Porque, por natureza
Eu desconfio de tudo aquilo
Que se apresenta como único e verdadeiro
E que de tão belo não causa remorso
Ou cicatrizes
Eu desconfio dessas coisas
Porque conheço a natureza humana
E ela não é feita de beleza, certeza
De bom e belo, certo e justo
Mas de ambição, egoísmo
Dor e dúvida, revolta
Orgulho oprimido provoca
E arrasta por onde anda
Dá vistas ao desejo alheio, insano,
Indiferente que vê no chão a minha, a sua derrota
A vã esperança.
Que percorre os nossos corações, mas não permanece
Talvez, porque as aves ocupem o céu voando.