quinta-feira, 5 de julho de 2012

QUANDO O CÉU SE TORNA CINZA


Desde os meus 17 anos
Quando finalmente deparei-me com a verdade
Eu caminho, passos lentos, indecisos, olhos vendados
À beira do precipício, que faz
A vontade de por termo a tudo
Presente e soberana
Chega a convencer
Mas não ultrapassa o limite
Da coragem e do estímulo, vontade
Não vai além
Então me refugio
No aprisco da frieza
Que o amanhã, incerto e instigante
Me permite vislumbrar
E tudo é tão certo, sob medida
E se encaixa tão bem
Não deixa rastro ou dúvida
Que, em noites como estas
Eu fico a pensar
Se é mesmo tudo assim
Porque, por natureza
Eu desconfio de tudo aquilo
Que se apresenta como único e verdadeiro
E que de tão belo não causa remorso
Ou cicatrizes
Eu desconfio dessas coisas
Porque conheço a natureza humana
E ela não é feita de beleza, certeza
De bom e belo, certo e justo
Mas de ambição, egoísmo
Dor e dúvida, revolta
Orgulho oprimido provoca
E arrasta por onde anda
Dá vistas ao desejo alheio, insano,
Indiferente que vê no chão a minha, a sua derrota
A vã esperança.
Que percorre os nossos corações, mas não permanece
Talvez, porque as aves ocupem o céu voando.

Um comentário:

  1. É um aviso e já o diz no título, mas um pouco pessimista. A maioria é do bem, com muita esperança e a vontade de bater as asas de "anjos" junto com as aves que ocupam o céu voando.

    Parabéns, poeta!

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