sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PARTIÇÕES 2


Já olhei em todas as direções
Refiz todos os planos
Tracei novas metas
Fechei os olhos
Respirei fundo
Esperei paciente
E busquei cheio de revolta
O momento que todos
Dizem existir
Nada aconteceu
Nada vezes nada
Vezes nada, vezes nada
Não há nenhuma razão
Pra continuar à espera
Ou recomeçar a partir do fim
As pernas fraquejam
Os braços não suportam
Os olhos se perdem
A mente não liberta
A vontade inexiste
Porque nada faz sentido
E entre um e outro
Isto ou aquilo
Lá e cá
Um ou dois, ou três
Que diferença faz?
Que benefício traz?
Penso como tudo
Poderia ser diferente
Se neste instante, aqui
Tudo terminasse
E quem sabe
De novo começasse
A vida outra se fizesse
Porque
É preciso ver a morte
Deitá-la nos braços
Não há outra forma
De continuar




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MUNDO, VIDA.

Muitas vezes, em meio ao turbilhão de acontecimentos que excitam a mente e confunde os sentimentos, proporcionando-nos enganos, estimulando-nos aos equívocos em nosso prejuízo e em prejuízo de nosso semelhante, quando nos cobra a consciência a razão e a decência, permitimo-nos nos arrebatar pela tristeza. Mas então, amparados que somos, por aqueles que realmente nos amam, desprovidos de outro interesse que não seja contribuir para a nossa paz e felicidade, deparamo-nos de repente com a natureza, não aquela criada pelo homem, e nos deixamos envolver por tudo o que de bom e de belo ela nos proporciona, e ato contínuo, nos lembramos de como a vida pode ser boa apesar de tudo, e de como este mundo que nos acolhe é bonito. (15/8/2012)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PAPO DE GENTE BESTA


Acabei de ler O Cânone Ocidental. Pois bem. Acreditem! Sim, eu consegui. Claro que não o livro todo. Mas algumas páginas. Digamos que o suficiente pra ficar distante dos livros alguns meses. Ou internado no Dr. Bezerra algumas semanas. Enfim, o pretexto suficiente para delirar noite adentro, equilibrando-me no cavalo branco.
Na verdade, meus caros, eu Ri. Sim, o inusitado, a eloqüência do fato merece a maiúscula. Portanto, eu RI (2 maiúsculas, pra que não haja dúvida) quando o boboca do Mr. Bloom, disse que Fitzgerald, Hemingway e Faulkner, seriam, por assim dizer, a santíssima trindade da ficção norte-americana do século 20, legítima herdeira do maluco Twain.
Deixa o Tuim pra lá.
Bom, eu vomitei várias vezes durante a leitura das páginas que consegui atravessar. Não deveria dizê-lo, mas a necessidade me impele.
E quase tive uma síncope quando percebi que já tinha ultrapassado mais de 20 páginas do tijolo, digo, livro escrito por Mr. Harold Bloom.
O fato é senhoras e senhores, finados leitores, que Mr. Bloom não sabe bulhufas de uma das melhores literaturas do mundo.
Agora caiam da cadeira. Sim, isto mesmo. Já manjaram a resposta se conheço bem os meus finados leitores. Refiro-me à Literatura Brasileira. Que nos deu: Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, pra citar apenas três e empatar o jogo com os coleguinhas lá em cima.
Exatamente por esse motivo é que me torno cada vez mais incapaz de compreender este país. Herdou uma das mais fascinantes línguas que existe: a portuguesa. Criada pelos deuses das Letras exatamente para a poesia e a prosa, porque inacreditáveis são os malabarismos que se pode fazer na criação de um texto literário em língua portuguesa. Sem cair no ridículo, sem arredar o pé da norma culta.
É claro que tais peripécias exigem algum talento e esforço; algumas repetições, tentativas e mais outras, eu diria. Mas o resultado é de uma satisfação orgásmica.
Como é possível então um povo renegar a sua própria cultura e os valores que essa detém para absorver e valorizar a alguma coisa vinda de fora e que não tem nenhuma sintonia com a sua realidade?
O que fizeram e o que fazem nas escolas e nas universidades com os escritores brasileiros, os mais conhecidos é de uma aberração, um crime só comparável no que diz respeito à covardia e injustiça ao que se produziu na Europa ao tempo da Inquisição.
A interpretação que críticos, professores, especialistas desse ou daquele movimento literário ou desse ou daquele escritor apresentam já desde o século passado é de uma pretensão e uma estupidez que chega a ser cômica e tola.
O fatiamento, com perícia de Jack Estripador, que se faz com preciosidades da ficção literária brasileira para analisar a gramática ou interpretar o texto chega ser odiosa.
Soube a respeito de um professor de Língua Portuguesa de uma escola estadual, aqui de Rio Claro, a minha cidade, é claro, que entre dar como tarefa a leitura de Capitães de Areia, de Jorge Amado ou assistir ao filme, disse aos alunos que optassem por qualquer uma das duas, que, ao final das contas dava no mesmo.
Como dava no mesmo? Livro é livro, filme é filme!
Engraçado que o povo americano, por sua vez, inventou e disseminou a indústria cinematográfica e as redes sociais, mas não deixou de ser afeito à leitura e, muito menos, deixou de produzir uma literatura de boa qualidade.
E o Brasil... Ah, o Brasil, é o país daquele ex-presidente que cheio de orgulho disse que não gostava de ler. Obrigado, senhor ex-presidente!
É o país do Zé Bento o pai da Emilia, que cheio de esperança dizia que um país é feito de homens e livros.
Se não há o primeiro, ô Zé, ao menos naquilo que de melhor pode sugerir a definição, porque haveria o segundo?
Bom, ao menos já me livrei do Sr. Bloom. Próxima parada, um correr de olhos pelo nariz do morto, a convite do Sr. Vilaça.
Volto algum dia com outras notícias. Se escapar do velório. Aguardem!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

DO QUE RIEM OS IDIOTAS


As pessoas
Que posam para fotos de jornais e revistas,
Boçais
Com seus olhares sonsos
E sorrisos idiotas
O que vai a mente e ao coração
De quem se acha grande coisa
Quem imagina que faz grande coisa
Por emprestar o seu desejo de ser
À esperteza de quem ganha dinheiro
Com a estupidez, o vazio alheio?
E tudo se repete a cada domingo
A cada sábado,
A cada seis meses
Sempre, do mesmo modo
No mesmo lugar
Mesmo olhar e
Mesmas bocas
Risos lívidos, sorrisos sonsos
Olhares idiotas
E tudo se repete
É a vida de quem 
Aspira ser e
Jamais será
Não tem história, bagagem
Sangue, tradição
Ralé será sempre
Não importa a roupa que vista
Ou quanto carregue no bolso.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CONSELHO DE CULTURA ADIADO; NENHUMA SURPRESA.


Se alguém em sua santa ingenuidade achava que a Câmara Municipal, detentora do poder legislativo iria aceitar as imposições vindas de alguns representantes do segmento cultural de Rio Claro, ou vive no mundo do faz de conta, bem próprio dos artistas, ou ainda não entendeu como funciona os meandros da política.
O impasse está no caráter deliberativo que se pretende dar ao Conselho. E deliberar nada mais é que resolver após exame e discussão. Isto é, resolver sobre o que fazer, mas não executar.
Se passar pela Câmara da maneira como pretende os artistas, não será surpresa se o projeto que cria o Concult for vetado pelo poder executivo municipal, devido às cogitadas implicações que poderiam acarretar problemas ao próprio executivo municipal junto ao Tribunal de Contas do Estado, porque responde pelos recursos aplicados no município.
Não é difícil entender a história. Voltemos ao início. Alguns artistas de Rio Claro, cansados e, com toda a razão de correr sem êxito com o pires na mão suplicando, muitas vezes, sem ser atendido, seja pela iniciativa privada (apesar das leis de incentivo) seja pelo poder público, para obter apoio, ou seja, recursos financeiros, para os seus projetos artísticos e culturais, encontraram na criação do Conselho de Cultura, um meio de se unir e se organizar legalmente e obter recursos necessários à viabilização dos seus projetos.
Até aí, tudo bem. Ocorre que se torna difícil desvincular o viés político das iniciativas de ordem cultural e artística que tenham por objetivo, desbravar outro caminho que não seja o da meritocracia. Nesta, se estabelece quem competência tem.
Em uma cidade como Rio Claro, as possibilidades de um artista, seja qual for a sua área de atuação, destacar-se e viver de sua arte são quase nulas. Não há mercado para isso. Não há interesse por parte da maioria da população. Se no Brasil consumir arte e cultura é privilégio e costume de poucos, em Rio Claro não é diferente. Aliás, fica meio desconfortável entender como Cultura apenas aquilo que produzem os artistas.
Não é ofensa perguntar se, por exemplo, haverá cadeira nesse pretendido Conselho de Cultura para o segmento da Culinária, do Artesanato, porque parece que não há para a Literatura, o que, convenhamos deixa o almejado órgão meio que caolho, manco, por assim dizer.
Por sinal, aqui cabe uma reflexão. Produzir literatura seja ela de ficção ou não, e de boa qualidade, é bem mais difícil, leva mais tempo, exige mais empenho, do que simplesmente montar peças teatrais que tratam de banalidades ou espetáculos performáticos que escondem no disfarce do lúdico uma aspiração de grandeza artística jamais alcançada.
Quando o vereador Carnevalle argumenta sobre um possível aparelhamento do eventual Conselho de Cultura pelos representantes dos partidos de esquerda local, é porque o nobre vereador, macaco velho da política que é já procurou se informar, e chegou a uma conclusão que, nenhum pouco foge à realidade.
Ademais, não cabe crítica ao pessoal da esquerda nesse sentido. É preciso, isto sim, tirar o chapéu e reconhecer o mérito desse pessoal que reivindica, se organiza e batalha por aquilo que entende certo e de seu direito. Ao contrário do que fazem os adeptos não declarados (afinal, por pudor eles nunca se declaram) de direita, que, para início de conversa, dispensam de saída os benefícios que eventualmente o Conselho de Cultura possa lhes proporcionar. Do alto de seu pedantismo e privilegiadas condições sociais e financeiras não se sentiriam evidentemente necessitados e muito menos representados pelo Concult. Enfim, em terra desocupada, quem chega primeiro, bebe água limpa. Que o diga a própria cidade de Rio Claro, em seus primórdios.
Agora serão mais 40 dias de expectativa. Tempo suficiente para o pessoal que luta pela criação do Conselho de Cultura, se articular, encontrar novos argumentos mais convincentes, enfim, fazer lobby, política. Eles são reconhecidamente muito bons nisso. Palmas para eles. E boa sorte.

*Publicado no site Guia Rio Claro. Link para acesso: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151008206

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

DIGA-ME COM QUEM ANDAS...

Quando o anjo de Deus nos trouxe à vida humana, nos legou como presente, dois pássaros. Um de grandes asas que pode nos fazer voar em busca de conhecimento e sabedoria. Outro, de bico afiado, disposto a nos fazer sangrar até a morte. Qual pássaro nós iremos alimentar? 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ANTES, O AMOR


A gente, primeiro ama, é verdade, mas o amor não leva muito tempo para dizer a que veio. Às vezes, queremos acreditar que as coisas podem mudar da maneira como desejamos, mas esquecemos que cada um tem a sua individualidade. Cada ser humano é um universo em si mesmo. O Amor não se conquista. Isso seria forçar a barra, convencer o outro daquilo que ele não sente, não deseja, apenas para satisfazer nossa própria vontade, nosso próprio interesse. Amor, apenas se descobre. Ou não. Às vezes o descobrimos, mas ele está longe, longe de nossas mãos, de nossas possibilidades. E é nessa hora, nessa situação que, geralmente, ele nos traz a infelicidade, embora seja amor. É sob esse aspecto que entendo que ele não merece ser vivido. Porque se temos a opção de mudar, de escolher outro caminho, de buscar o que queremos em outro lugar, por que haveríamos de insistir naquilo que não nos completa, não nos traz felicidade? Sempre teremos duas opções. Sofrer é uma escolha nossa. E o sofrer, é, também, uma face do amor. A mais triste, a mais sombria, aquela que, portanto, não merece ser vivida, porque nós, não nascemos para sofrer. E quando o fazemos em relação ao amor, é pura e simplesmente, escolha nossa. E falta de amor em nós mesmos.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

PRA QUE NÃO HAJA DÚVIDAS QUANTO AO MEU PENSAMENTO EXPRESSO EM PALAVRAS.


“Enfim, o Espiritismo chegou onde não deveria: Hierarquia, Personalismo, Formalidade, ou seja, tudo aquilo que distancia da essência evangélica de Jesus Cristo que é justamente a liberdade, a responsabilidade perante a consciência dos atos que se pratica e se deixa de praticar, o fazer o bem e o dar amor sem nenhum outro interesse que não seja: sentir-se em paz e feliz”.Geraldo J. Costa Jr. – 21/08/2012.

"Amais-vos... - e só depois, instruí-vos"

REPRISE


Vai se acabando, vai se apagando o fogo, a chama, vai cedendo
Ao ímpeto da razão,
A imagem da realidade
Vai ficando
A um passo do destino
Um sopro, indiferença
A realidade que vai
Tragando o mundo à sua volta
Envolvendo e deformando
Subtraindo
Esvaindo a essência
De que é feita
A força que move
A esperança
Orvalho da noite
Brisa da tarde
Alento da manhã
Vai
Deixando
Ficando
E se perdendo
Na imensidão
De sonhos
De que é feita a vida
Como a conhecemos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

QUE ENTRE O ADVOGADO


Um dia eu enfiei minhas coisas, minhas roupas dentro de uma sacola de supermercado e sai para a rua, de cara para o mundo, em direção ao norte. Hoje, eu entendo que se tivesse tomado a direção do sul, eu jamais teria voltado, porque na direção evitada eu reencontraria o meu passado, as minhas origens, a causa de tudo.
Eu tinha 09 anos de idade, acredite. E por algum motivo eu me achava diferente, melhor que os outros. Achava aquelas pessoas com as quais convivia e aquele lugar onde nasci e fora criado até então, insuficientes para mim. Para aquilo que eu poderia fazer, e aquilo que eu era, porque eu sabia que eu era mesmo sem saber como.
Era uma tarde de sábado. E disso eu tenho certeza porque eu me lembro de ter visto meu pai naquele dia, lendo os jornais pela manhã, e, à tarde, lidando com seus periquitos australianos, que ele criava em grande número e relativo sucesso, em face sua, eu diria, obsessão em purificar a raça. Também me lembro de naquele dia, ter visto meu irmão lavando o carro que não era seu, era de meu pai, e depois o cachorro, que também não era seu, de quem era mesmo? E vi também a minha irmã, sim, eu me lembro de também tê-la visto... Não, não me lembro, não. Não me lembro de tê-la visto, mas ouvido a minha mãe falar que minha irmã havia saído com o namorado, noivo, futuro marido.
Depois, o tempo viria mostrar a minha irmã que ela estava enganada a respeito do futuro marido, tanto quanto eu me enganara sobre o rumo que deveria tomar naquela tarde.
Sim, senhoras e senhores. Eu. Imagine. Diferente e melhor que todos. Ao menos todos que viviam em meu redor.
Então, eu acho que foi naquela noite de sábado que me deparei com o Nick Adams desenhado na capa de um livro que, não sei, jamais soube por qual motivo estava na escrivaninha que ficava no quarto que meu irmão e eu dividíamos.
Nick Adams. Pro inferno ele.
Pois, aos 9 anos, meus caros, eu não sabia que aquele peste desenhado na capa do livro se tratava de Nick Adams.
Alguma coisa me levara a folhear sem nenhum entusiasmo as páginas daquele livro e devolvê-lo ao seu lugar habitual, ao seu insignificante lugar de esquecimento e desprezo eterno.
Foi nesse dia, agora compreendo que eu aprendi a observar como as coisas são e imaginá-las como poderiam ter sido. Não tinha a menor, a mais ínfima, e despretensiosa ideia de que passaria a vida a fazer isso: observar as coisas, as pessoas, os acontecimentos reais e torná-los uma mentira. Desfazer a imagem da vida alheia, a forma do barro de que ela fora concebida e dar ao barro uma nova forma, uma nova imagem restrita à dimensão exclusiva do meu pensamento, do meu mundo de aspirações, ideias e sentimentos transformados às duras penas em palavras. Ou seja, ser um pouco Deus.
Mas não era isso o que aos 9 anos de idade eu pensava e acreditava. Essas coisas, embora orbitassem em torno de mim, não penetravam minha consciência, então protegida pelas mãos abnegadas e protetoras de minha mãe, que de mim não descuidava um único segundo.  Mãe onde está você?
Esse foi o modo que encontrei pra começar a contar as coisas. Estas pelo menos.
Pessoas irão torcer o nariz, sem dúvida que sim. Acalmem-se pessoas. Não há motivo para preocupação. As coisas, estas, bem entendido, eu conto do modo como poderiam ter sido. E se alguém resolve sabe-se lá aplicar o método da psicologia reversa, talvez se sinta estimulado a escutar Her Zaratustra, que assim falava. Depois disso, acho que vêm um dois pontos. Acho. Não sou especialista na matéria. Prefiro o professor Olavo e sua sinceridade escancarada.
Nada mal. Recomendo que antes possíveis interessados leiam “O Louva Deus e a Esperança” do nosso amigo Tiberius mais conhecido atualmente como o poeta Anarquista. Por Deus, ele bem poderia ter escolhido uma graça melhor. Vou deixar o endereço do distinto ao final do texto. E então vocês que tirem satisfações com ele.
Porém, assim dizia o porteiro Amedeo, andiamo via. Logo. Não temos tanto tempo quanto preciso. Sem pormenores, minúcias, eufemismos, parolices e penduricalhos, e vamos aos fatos. E quais são os fatos? Quais são os fatos, senhor advogado?
Que entre o advogado.















Poema O Louva Deus a esperança:

1a. VOTAÇÃO, HOJE.

CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA DE RIO CLARO - UM DIREITO, UMA NECESSIDADE, O INÍCIO DE UMA TRANSFORMAÇÃO.

HOJE, 15/8, 19h00, NA CÂMARA MUNICIPAL DE RIO CLARO, 1a. VOTAÇÃO DO PROJETO.
CONCENTRAÇÃO NO JARDIM PÚBLICO, ÀS 18H30.

COM INTELIGÊNCIA E SABEDORIA CONQUISTA-SE PELA RAZÃO E SEM GERAR DISCÓRDIA OU CRIAR INIMIZADES.

MARQUE PRESENÇA. LEVE SEU APOIO. ISTO É DO SEU INTERESSE.
UM POVO COM ACESSO À CULTURA, AO CONHECIMENTO E A EDUCAÇÃO É UM POVO ESCLARECIDO. UM POVO ESCLARECIDO SABE ESCOLHER OS SEUS LÍDERES E OS SEUS REPRESENTANTES. LÍDERES E REPRESENTANTES PREPARADOS E A ALTURA DOS CARGOS QUE OCUPAM, PAÍS ORGANIZADO, DECENTE E POVO FELIZ. PENSE NISSO! TUDO COMEÇA AQUI. A CULTURA TRANSFORMA VIDAS.


domingo, 12 de agosto de 2012

SEM DIZER ADEUS


É nessas horas que falta
O ombro amigo que não se tem
A voz terna que não se escuta
O olhar meigo que não se encontra
E se procura por toda parte
Todas estas coisas
Que faltam
Porque na realidade nua, dura, cruel
De nossas vidas, não existem
E sentado no banco da praça
No final de mais um domingo
A espera de Viviane
Esperando o sino da torre maldita, destruidora
Bater as cinco vezes fatais
Anunciando a dama que chega
Sempre coberta da cabeça aos pés
Sempre sem nada dizer
Nada disposta a revelar
O que traz no coração
O que diz no olhar
Oculto


É nessas horas
Que então o tempo para por um instante
Param as nuvens, pára o ônibus que chega vazio e sem rumo
E ninguém sabe e ninguém desce do ônibus
Pára...
A leitura que se fazia
O cigarro esquecido em algum canto da boca
Não é o lápis, onde está o papel?
Perdido, talvez, no bolso de traz da calça
Antes que se transforme
No jeito elegante com o qual se disfarça
A tristeza que nessas horas
Bate...

sábado, 11 de agosto de 2012

QUE BELEZA!


Quando nem Hulk nos salva, é porque deve estar escrito em algum lugar que o Brasil jamais será medalha de ouro olímpico na modalidade futebol.
Não que isso fará diferença no quilo da carne (sossegue Viviane!), mas para quem adora se deixar envolver por uma atmosfera mística, o México, nosso mais recente e eficiente algoz é o país do povo azteca, das carrancas, da tequila...
Acho que nas finanças dos deuses da bola, em algum departamento do Chefão lá em cima, deve ter ficado um débito gigantesco, sem igual, impagável na conta do futebol brasileiro, desde 1970. Algo que começamos a pagar em 1986 e, pelo jeito, continuaremos pagando sabe-se lá até quando.
Bom, se foi isso, valeu pena. Na barganha com os deuses da bola, qual louco em sã consciência trocaria o tri-campeonato mundial de 1970, por essas competiçõezinhas que o Brasil anda perdendo para o México, ultimamente, estabelecendo uma freguesia a perder de vista.
Os patriotas da bola dirão: Ora, o futebol é o único esporte coletivo em que o mais fraco pode ganhar do mais forte.
Ocorre que, para a satisfação dos amantes do “que vença o melhor”, dessa vez, deu a lógica. México, medalha de ouro. E com gol aos 28 segundos de jogo, em uma final, isso é uma façanha digna dos deuses da bola, ou alguém dúvida.
Foi engraçado ver o esforçado desespero de alguns jogadores, digo, artistas, literalmente artistas brasileiros, em lamentar a derrota em um jogo de decisão, onde o vencedor sequer leva o troféu para casa.
Medalha de ouro olímpica no futebol? Sinceramente, não faz falta.
Agora, e desde já, é preciso, primeiro encontrar jogadores,  sim, jogadores que saibam jogar futebol, e não apenas atletas que sabem correr muito, e depois formar um time, e, quem sabe, não dar vexame em 2014, aqui em nosso próprio território.
Até lá, nós, reles torcedores de poltrona, agüentemos os comentaristas sabichões e senhores da verdade tipo Neto, os apelos da mídia especializada e o Mano. Sai pra lá mano. Já deu!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ENTRANHAS


Desço
Não onde pensam
Mais além
Precipito-me, deixo-me levar
Indefeso, entregue, impuro
Sinto-me aliviado, em paz
Onde muitos fariam sepulcro
Eu faço liberdade
As coisas de hoje
Nenhum significado possui
Ganha forma o novo cenário
Espera o conteúdo
Que não demora
Uma porta se fecha
E nada fica para trás
Vai parando a mente
Abandonam-se as palavras
Fogem
À procura de novo abrigo
Cai o pano
Sai de cena o humano
Surge a existência
Que ausente jamais se fez
Embora, perdida estivesse

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

DÁDIVAS DIVINAS


Cheguei não faz muito tempo. Foi tudo de repente. Um piscar de olhos. Nada mais. Nenhum instante mais.
Agora percebo. E compreendo. Tudo se torna exato e cristalino. Tudo se resolve. Tudo se justifica. Porque tênue é a linha que separa a condição de ser e a de estar.
 Sempre imaginei este lugar como um jardim.
Ora, vejam! Respiro finalmente. Ainda sinto dor. Alguma. Quase imperceptível. Entretanto, agora vejo, ouço, penso, e isto consola.
Alguém me trouxe até aqui. Colocou-me na cama, deitado, me fez me sentir bem, relaxado, seguro. E por um momento, se deteve em me olhar com demora. Pensei fosse um velho. Não. Era alguém feito eu. Jovem. Tinha a bondade no olhar. A verdade nas palavras. E a segurança nos gestos.
Curioso, percebi isso agora há pouco. Porque aos poucos vou percebendo e entendendo coisas. Mais e mais coisas, de modo que tudo parece aos poucos voltar ao normal. Não ria do que vou lhes contar agora, sabe, mas não visto alva túnica. Visto camiseta, jeans e tênis. A roupa de sempre. A barba por fazer, de sempre. O cabelo crescido, um pouco. Imaginei que tudo isso fosse deixar de existir, ficar para trás. Não. Não ficou. Continua existindo. Eu continuo existindo. E depois de muito tempo, agora percebo que isso me faz me sentir bem.
Acho que vou me levantar, e dar uma volta por aí. Esta sala é grande demais. Adiante, pessoas acomodadas nos sofás espalhados por essa imensidão de lugar, que apesar do tamanho é por incrível que pareça aconchegante. Pessoas dividindo espaço com os vasos de enormes folhagens. Vasos. Mesas de mármore. Samambaias. Pessoas lendo. Pessoas. Pessoas, feito eu. Algumas pensativas. Pelos cantos. Olhares perdidos. É tudo o que encontro sem maior esforço. Está diante dos meus olhos. Ao alcance de minhas mãos. Porque existo.
Existo?
Não olhe para trás. Não olhe – disse-me ele – A cada dia os seus minutos. Caminhe adiante. Areje a mente. Abra o coração.
Era o que ele me dizia nos momentos de maior tristeza, que, para mim, pareciam intermináveis.
Agora estas palavras ganham formas, adquirem vida. Brilho.
E ele, quieto, quase despercebido, se aproxima. E me conduz em direção ao jardim. Noutros tempos, isto seria impossível. Nunca me deixei levar por mãos e pensamentos alheios. Verdade, apenas a minha. Rumo, apenas o meu. Destino, um só. Inevitável. Irreparável. Justo. Exato. E na medida certa.
Sentamos num banco. Esperei que ele dissesse, mas não disse. Fiquei a admirar a beleza do jardim a minha volta. Grandes árvores, de troncos enormes e copas imensas. Canteiros de flores coloridas, das quais ainda não aprendi os nomes. E nem pretendo. Para quê? Melhor observá-las e absorvê-las em sentimentos de candura e paz que proporcionam.
 Folhagens, iguais àquelas que minha mãe tinha no jardim de nossa casa.
Ao longe, uma queda d’água. Aos meus pés, uma nascente. Pássaros gorjeiam escondidos nas árvores. Vento refrescante fustiga meu rosto. Mas não machuca. Acaricia.
Jamais um lugar assim me despertara tamanho interesse, embora sua existência atravessasse algumas vezes os meus pensamentos quando, levado pelos efeitos da natureza ultrajada, eu me deixava para trás e me descobria em outras dimensões, outros mundos, que me convenciam sem dificuldades ser merecedor de dádivas divinas ao contemplar ilusões e mentiras, tais como: Aqui mora Deus. Você é um anjo. Tudo pode.
E ao voltar, encontrava-me sujo, abandonado na calçada de uma rua escura, numa noite fria, tentando apoiar-me na parede, mas apenas conseguindo esfregar o rosto no chão, de novo. O chão imundo. Desprezível.
Às primeiras luzes do dia, eu despertava, fosse aos chutes de policiais despreparados ou por mãos caridosas. Entretanto, uma vez de pé, ao invés da fome, o desejo. Rumo aos becos, aos bares, às portas que eu encontrava abertas. Mulheres nuas faziam-me tocar os seus corpos, mas já não me lembrava como.
Naquela manhã, achei um quarto onde me refugiar. Sentei-me junto à parede, debaixo da janela. Alguém passou pelo corredor, olhou para mim, riu. Tímidos raios de sol agora me faziam companhia. Fique mais um pouco. De repente, tentando com desespero manter os olhos abertos vi em meu redor páginas e mais páginas, todas manuscritas. Meu sonho desfragmentado. Senti-me o poeta, descrente e farto de tudo e de todos, e partindo sem destino. Mas uma sombra se apoderou de mim.
Foi isso. É tudo o que eu me lembro.
O homem que me acompanhava. O mesmo que um dia fora apenas uma voz a penetrar minha consciência, ele me tomou pela mão, olhou-me com esperança, e disse:
“Seja bem vindo, boy! Aqui reiniciam os seus passos”.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ORE; AGORA e SEMPRE


Dedique um minuto de sua vida por você mesmo, por sua família, seus amigos, sua cidade, seu país. À humanidade à qual você pertence e ao Planeta Terra que te acolheu de braços abertos.

Ore, independentemente de sua crença, religião. Ore à sua maneira, por 1 minuto, que seja.

Uma concentração de forças em torno de um único objetivo tem um poder imensurável. Por esse motivo, procure orar de preferência às 6 da manhã, ao meio-dia, às 6 da tarde e à meia-noite. Ou em qualquer momento que sinta vontade ou considere necessário. Pois, uma prece sincera e feita com amor e boa intenção, ela jamais se perde.

Cada pensamento elevado a Deus, ou seja, cada oração, cada prece, acende uma luz no ambiente espiritual da Terra, estabelecendo uma via direta com Deus, desfazendo os miasmas espirituais, os sentimentos e anseios destrutivos, frutos de nossa invigilância e das ações infelizes daqueles que ainda se deixam levar tão somente pelo orgulho e pelo egoísmo, e pela falta de fé e de amor na vida

Nada a temer àqueles que têm a consciência em Paz. O mal jamais vencerá o Bem.

Busquemos a Deus, que nunca nos perdeu de vista. Porque é nosso Pai.

CAMINHANDO, EM SILÊNCIO


É só um detalhe
Basta olhar a vida de outro modo
Sob uma nova perspectiva, um novo ângulo
A realidade tem infinitas formas
E o pincel da vida é a imaginação
No momento que estiver cansado
Escreva, cante,liberte sua insatisfação
Todos os seus medos e frustrações
Em forma de poesia
Traga para o mundo a sua dor
Deixe que as pessoas dela compartilhem
Você não é o Profeta pra tomar sozinho uma cruz
Precisa de ajuda, então peça
Dê o seu grito de socorro o mais alto que puder
Revele o teu olhar em desespero
Afronte a indiferença alheia
Todos atravessam o corredor escuro e infinito
Em algum momento de suas vidas
E quando encontrar a porta fechada
Não desanime, busque, continue a caminhar
Há outras portas, uma delas se lhe abrirá
Olhe para o céu quando a dor e o medo se tornarem insuportáveis
Observe as aves, lembre-se que, tanto quanto elas, você é livre
Ainda que não possa elevar-se do chão
Você pode, porém, caminhar
Em frente, sempre,
É seu destino.