quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PAPO DE GENTE BESTA


Acabei de ler O Cânone Ocidental. Pois bem. Acreditem! Sim, eu consegui. Claro que não o livro todo. Mas algumas páginas. Digamos que o suficiente pra ficar distante dos livros alguns meses. Ou internado no Dr. Bezerra algumas semanas. Enfim, o pretexto suficiente para delirar noite adentro, equilibrando-me no cavalo branco.
Na verdade, meus caros, eu Ri. Sim, o inusitado, a eloqüência do fato merece a maiúscula. Portanto, eu RI (2 maiúsculas, pra que não haja dúvida) quando o boboca do Mr. Bloom, disse que Fitzgerald, Hemingway e Faulkner, seriam, por assim dizer, a santíssima trindade da ficção norte-americana do século 20, legítima herdeira do maluco Twain.
Deixa o Tuim pra lá.
Bom, eu vomitei várias vezes durante a leitura das páginas que consegui atravessar. Não deveria dizê-lo, mas a necessidade me impele.
E quase tive uma síncope quando percebi que já tinha ultrapassado mais de 20 páginas do tijolo, digo, livro escrito por Mr. Harold Bloom.
O fato é senhoras e senhores, finados leitores, que Mr. Bloom não sabe bulhufas de uma das melhores literaturas do mundo.
Agora caiam da cadeira. Sim, isto mesmo. Já manjaram a resposta se conheço bem os meus finados leitores. Refiro-me à Literatura Brasileira. Que nos deu: Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, pra citar apenas três e empatar o jogo com os coleguinhas lá em cima.
Exatamente por esse motivo é que me torno cada vez mais incapaz de compreender este país. Herdou uma das mais fascinantes línguas que existe: a portuguesa. Criada pelos deuses das Letras exatamente para a poesia e a prosa, porque inacreditáveis são os malabarismos que se pode fazer na criação de um texto literário em língua portuguesa. Sem cair no ridículo, sem arredar o pé da norma culta.
É claro que tais peripécias exigem algum talento e esforço; algumas repetições, tentativas e mais outras, eu diria. Mas o resultado é de uma satisfação orgásmica.
Como é possível então um povo renegar a sua própria cultura e os valores que essa detém para absorver e valorizar a alguma coisa vinda de fora e que não tem nenhuma sintonia com a sua realidade?
O que fizeram e o que fazem nas escolas e nas universidades com os escritores brasileiros, os mais conhecidos é de uma aberração, um crime só comparável no que diz respeito à covardia e injustiça ao que se produziu na Europa ao tempo da Inquisição.
A interpretação que críticos, professores, especialistas desse ou daquele movimento literário ou desse ou daquele escritor apresentam já desde o século passado é de uma pretensão e uma estupidez que chega a ser cômica e tola.
O fatiamento, com perícia de Jack Estripador, que se faz com preciosidades da ficção literária brasileira para analisar a gramática ou interpretar o texto chega ser odiosa.
Soube a respeito de um professor de Língua Portuguesa de uma escola estadual, aqui de Rio Claro, a minha cidade, é claro, que entre dar como tarefa a leitura de Capitães de Areia, de Jorge Amado ou assistir ao filme, disse aos alunos que optassem por qualquer uma das duas, que, ao final das contas dava no mesmo.
Como dava no mesmo? Livro é livro, filme é filme!
Engraçado que o povo americano, por sua vez, inventou e disseminou a indústria cinematográfica e as redes sociais, mas não deixou de ser afeito à leitura e, muito menos, deixou de produzir uma literatura de boa qualidade.
E o Brasil... Ah, o Brasil, é o país daquele ex-presidente que cheio de orgulho disse que não gostava de ler. Obrigado, senhor ex-presidente!
É o país do Zé Bento o pai da Emilia, que cheio de esperança dizia que um país é feito de homens e livros.
Se não há o primeiro, ô Zé, ao menos naquilo que de melhor pode sugerir a definição, porque haveria o segundo?
Bom, ao menos já me livrei do Sr. Bloom. Próxima parada, um correr de olhos pelo nariz do morto, a convite do Sr. Vilaça.
Volto algum dia com outras notícias. Se escapar do velório. Aguardem!

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