domingo, 12 de agosto de 2012

SEM DIZER ADEUS


É nessas horas que falta
O ombro amigo que não se tem
A voz terna que não se escuta
O olhar meigo que não se encontra
E se procura por toda parte
Todas estas coisas
Que faltam
Porque na realidade nua, dura, cruel
De nossas vidas, não existem
E sentado no banco da praça
No final de mais um domingo
A espera de Viviane
Esperando o sino da torre maldita, destruidora
Bater as cinco vezes fatais
Anunciando a dama que chega
Sempre coberta da cabeça aos pés
Sempre sem nada dizer
Nada disposta a revelar
O que traz no coração
O que diz no olhar
Oculto


É nessas horas
Que então o tempo para por um instante
Param as nuvens, pára o ônibus que chega vazio e sem rumo
E ninguém sabe e ninguém desce do ônibus
Pára...
A leitura que se fazia
O cigarro esquecido em algum canto da boca
Não é o lápis, onde está o papel?
Perdido, talvez, no bolso de traz da calça
Antes que se transforme
No jeito elegante com o qual se disfarça
A tristeza que nessas horas
Bate...

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