sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E O FELIPÃO VOLTOU!


Por ingenuidade ou mera pretensão em um mundo de redes sociais e notícias em tempo real, a CBF pretendia anunciar só em Janeiro a contratação de Luiz Felipe Scolari para técnico da seleção brasileira.
 Não deu tempo, a notícia “vazou”, a FIFA exigiu, e antes que a entidade caísse no ridículo o presidente José Maria Marin tratou de confirmar o que nunca desmentiu.
Se o Brasil vai bater aquele bolão sonhado pela galera sabe-se lá. Mas ao menos a imprensa sai ganhando. Porque ao contrário do monossilábico e por vezes incompreensível e quase sempre indigesto Mano Menezes, Felipão é craque em elaborar pérolas que dão o que falar nas colunas, resenhas esportivas e mesas redondas.
Nem bem assumiu o comando da seleção e, em sua primeira entrevista coletiva, ao lado do coordenador técnico Carlos Alberto Parreira, recomendou trabalhar no Banco do Brasil os que não querem pressão em sua atividade profissional.
Certamente, o campeoníssimo treinador de futebol desconhece a desgastante e por vezes interminável jornada de trabalho dos bancários, cujos salários chegam a ser irrisórios se comparados ao do falastrão treinador que, para se expressar com palavras, não costuma pensar muito ao contrário de Parreira, seu antigo rival dentro das quatro linhas e agora parceiro.
Exatamente nesta diferença de comportamento reside a esperança de que a parceria entre eles possa ser duradoura, porque ambos são completamente opostos, mas, podem se completar, desde que se suportem. Scolari, um motivador por natureza, um prático, digamos assim, da profissão, que repete um treinamento quantas vezes forem necessárias até que o atleta assimile o objetivo estabelecido. E Parreira, um teórico por excelência, um estudioso das táticas e técnicas do futebol, um cavalheiro refinado.
Olhando mais atentamente, a seleção brasileira de futebol, cinco vezes campeã do mundo, de repente, parece que se tornou aquele filho ou aluno problema que pai e professor nenhum quer.
Antevendo o possível fracasso, o presidente Marin botou na conta do ex-técnico Mano Menezes o nada empolgante futebol apresentado pela seleção até o momento.
Agora, Scolari, disse que vai dar apenas uma incrementada no trabalho desenvolvido por seu antecessor, ainda que reste um ano e meio para a disputa do Mundial. Se não der resultado o seu trabalho, e o final da história for aquele que hoje parece certo, já estará com o discurso pronto: terá recebido uma herança maldita.
Enfim, todo mundo quer posar de bonito na fotografia, e só.

*Artigo publicado também no site Guia Rio Claro. Aqui o link: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151010328

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