sexta-feira, 9 de novembro de 2012

LOIRAS PODEROSAS


Antes que a lembrança do bacanal de Laura Branigan faça o estimado leitor perder o controle aviso que esta crônica fará certamente os quarentões de hoje viajar à terra do ontem.
Parecia ser regra no mundo da música dos anos 1980. Som pra rolar nas pistas de dança tinha que ter uma loira gostosa e com voz de veludo, acompanhada de sintetizadores, algo que se podia chamar à época a mais moderna tecnologia sonora. Ah, esqueci de mencionar os cabelos que davam às beldades cantoras ares de leão indomável.
Nada mal. Hoje temos a Loona convidando-nos a La Playa. Amigos, que calor!
Kim Carnes! Lembram-se dela? E sua voz rouca, nem tão bonita embora tão rouca quanto à minha, mas seu maior êxito fonográfico foi nos ensinar a ver a malvada Bette Davis com outros olhos.
Havia exceção á regra. Exemplo: Sabrina, a morena e os seus boys, boys, boys. O clipe – me recordo – uma merda. Mas com 2 airbags daqueles né Sabrina, quem é que precisa de um clipe pra fazer sucesso? Não é mesmo? Não é mesmo, Aldo Zotarelli?
E por falar em boys, tinha uma outra coisa, digo, loira, chamada Boy George. Bom, mas essa não vale. Ao menos para essa matéria.
Acham que eu me esqueci? Não! Sheena Easton, e a mais bela canção tema do finado 007, tanto fez que acabou virando loira, somente para os seus olhos.
Dolly Parton, doidinha que só, grande atriz, que, entre outras preciosidades nos ensinou em 1980, como eliminar o maldito chefe. A ovelha Parton, foi o melhor duet do romântico imbatível Kenny Rogers, eu acho.
Kim Wilde! Quem se lembra? Andou pelo Cambódia em 1981. E não se sabe até hoje se voltou.
E para alguns, não sem razão, Tina Turner foi simplesmente a melhor.
Porém, em 1983, surge para o mundo a ex-garçonete que além do nome, de santa não tinha nada. Uma girl descolada, exímia cantora, dançarina sensual, compositora excelente, e, é claro, loira. Precisa dizer o nome? Everyboy sabe.
Convenhamos quem é capaz de nos tempos atuais, onde os ídolos são fabricados em toque de caixa, manter-se em nível de excelência em um recinto tão disputado como o musical, a indústria do disco, o show bussines? Lançando sucesso após outro, arrastando, envolvendo e comovendo multidões?
Já tentaram produzir outras loiras, malucas iguais, talentosas nem um pouco, absolutamente não. Seu nome? Mãe de Deus! Ainda não descobriram?
Já que o assunto adquire aspecto religioso (epa! cuidado, areia movediça à frente) seria um pecado comentar sobre todo mundo e esquecer a Maria Magdalena, digo, Sandra, a rainha, sim, ao menos das pistas de danças, das discotecas das cidades do interior, de um estado batizado São Paulo, de um país chamado Brasil. Naqueles 1980 e qualquer coisa não tinha pra ninguém, quando o assunto era animar festinhas. Sandra, da Maria Magdalena ou vice-versa, sei lá, e que, acreditem, terminou loira em Hiroshima. Oh, quanta ironia!
Agora, maluca mesmo era a Cindy, mêu. E seu cabelo true colors, e suas garotas que queriam apenas dançar. Time after time, ficou aquela música nos nossos ouvidos. Dias, semanas! Meses!! Anos!!!... Quero morrer.
Mas enquanto o esperado momento não acontece, diz aí carcamano de 40 anos ou mais, qual de vocês não aprendeu a dançar sob o eclipse total da Terra, quando a Bonnie Tyler, fazia tudo escurecer a nossa volta, enquanto, a gente, girando, e girando, lentamente, olhinhos fechados, pensando mil coisas e desejando outras tantas – que se dissipavam de nossa mente já no momento seguinte ao abrir dos olhos – nos deixávamos envolver pelo perfume da garota que se perdia, mesmo, e gostosamente, em nossos braços.
Bom, antes que as moças e moçoilas atentas me acusem de preconceituoso (eu? imagine, santa!) por refutar os loiros do show music, talvez um dia, a gente escreva algo sobre os George’s, o Michael e o Boy. O David “Heroes” Bowie. O Sting, claro! O Billy Idol, certamente. O finado Patrick Swayze. O carinha do Bronski Beat, do qual agora eu não me lembro o nome. O Kid Vinil, não. Aí já é querer demais. Sim, aguardem. Promessa é dívida. Talvez a gente escreva um dia sobre esses caras.. Afinal, meu velho  Colin, men at work.

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