sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PÉ NA BUNDA


Quando Truman Capote disse sobre Jack Kerouac: “Isso não é escrever é datilografar”, pode ter soado na época, algo pouco educado. Mas fora o interesse de eliminar um concorrente de vendas, havia ao menos para Capote e para os fundamentalistas da literatura, um fundo de verdade.
Kerouac transgrediu a mesmice literária. Pode-se dizer que ele criou um estilo despojado, fluente, mais verdadeiro que o habitual em uma literatura eivada de vícios, parolices e eufemismos estilísticos.
Portanto, não é de se estranhar que a crítica cinematográfica norte americana tenha recebido até o momento, com absoluta frieza o longa-metragem assinado pelo brasileiro Walter Salles, baseado na obra seminal do mais explorado e maior expoente da fecunda geração beat.
O que talvez esperassem os críticos fosse um filme que, a exemplo do livro transgredisse, cavasse o mais fundo possível a cova rasa da alma humana, insatisfeita, perturbada e disposta a tudo tão comum nos personagens de Jack Kerouac, como, por exemplo, Dean Moriarty, personagem principal do romance “On the Road”, no Brasil, “Pé na Estrada”, inspirado em Neal Cassady, amigo de Kerouac que, por sua vez, na ficção, pode ser identificado como Sal Paradise.
Salles, entretanto, segundo tais críticos, prefere um filme redondinho, bem fotografado, onde tudo se encaixa. Sobra a razão, falta a loucura. Há muito de Renoir e pouco de Modigliani, em “Na Estrada”, que custou a bagatela de U$25 milhões e traz no elenco Kristen Stewart, Amy Adams, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen e a brasileira Alice Braga, além de Sam Riley no papel de Sal Paradise.
O filme, que tem a pretensão de concorrer ao Oscar, deve chegar ao Brasil nos primeiros meses de 2013. É esperar pra ver. Por enquanto fica-se com o trailer, disponível neste link: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=uUzklNReJbs

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