sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

BIKE VOADORA ZERO MARCHA NO JORNAL AQUARIUS.

Exemplar de Dezembro/2013 do Jornal AQUARIUS que chega a sua 118a. edição, com a qual colaboramos com a crônica BIKE VOADORA ZERO MARCHA, publicada à página 5. O Jornal AQUARIUS tem distribuição gratuita, e o leitor pode encontrá-lo em mais de 40 pontos de distribuição espalhados por Rio Claro. Um deles é a Clau Xerox, à Rua 2 No. 1.604, Centro, com as avenidas 10 e 12.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SOB O MANTO DA NOITE (TRECHO)

Capa da edição de SOB O MANTO DA NOITE que deveria ter sido publicada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.  Mas que decidi não fazê-lo por não considerar à época, o livro ainda pronto.
Há valores que você irá cultivar a vida inteira, não importa se eles lhe tragam alegria ou tristeza, se prazer ou sofrimento. Você não resistirá a eles, por mais que queira, e cresça, porque eles são a sua verdade, a sua natureza, o barro de que você é feito. E no final das contas, não importa nem o que você tenha adquirido, o quanto e nem por onde tenha caminhado, quanto tempo tenha se passado entre uma lágrima e um sorriso, você será sempre o mesmo, porque é um ser único, não importa onde e quando esteja vivendo ou tenha vivido, nem como e muito menos com quem, e nem mesmo o nome que ostentas atualmente ou que tenhas ostentado no passado. E tudo isso por uma única razão: você existe e a culpa não é sua. Você é livre, e esta é a sua única riqueza. A única. – Trecho de “Sob o Manto da Noite” (inédito por enquanto) de Geraldo J. Costa Jr. – 23/12/2013.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O SR. MILLER VAI AO PARAÍSO

Ao menos para Alfred Miller um novo espetáculo estava em cartaz todos os dias.

O velho cine teatro estava aos escombros, sujo, deteriorado, mas para o Sr. Miller, não. Aos olhos daquele bom homem e dedicado trabalhador o ambiente era o mais agradável possível. O prédio parecia novinho em folha, estava perfumado, as poltronas intactas, os tapetes dos corredores limpinhos, como que recém comprados. Não havia trinca nas paredes, os banheiros pareciam aqueles que se encontra na suíte presidencial de um hotel cinco estrelas, e os lustres recém saídos de algum salão nobre da era vitoriana diretamente para aquele lugar, que Alfred Miller embora, apenas um dedicado empregado, considerava também um pouquinho seu.
Os mais chegados a ele, diziam que mesmo depois de morto, Miller certamente continuaria ali, feito alma penada, que se recusa a enxergar o óbvio. Alguns de seus amigos sabiam que o envolvimento do Sr. Miller com aquele lugar, vinha desde os tempos que naquele prédio, depois reformado para abrigar o cine teatro, funcionara uma fábrica de tecidos, onde, não por acaso, Alfred Miller tivera na mocidade o seu primeiro emprego.
Todas as noites, às 8 em ponto, as luzes escapavam da platéia e refugiavam-se, fosse no palco, fosse na grande tela, e, aos olhos do público via de regra, impaciente e ansioso, desnudava um mundo no qual sonho e realidade, passado e presente se confundiam.
Mas a situação real era bem diferente. Não havia filme sendo projetado na tela, nem peça de teatro, ópera, orquestra ou espetáculo de dança se apresentando no palco. Não havia. E já se fazia muito tempo. Muitos anos, a bem da verdade.
Mas o dedicado Sr. Miller, alheio à poeira que se acumulava pelos cantos, aos estragos que o tempo causara àquele lugar, continuava mesmo assim, abrindo e fechando o estabelecimento todas as noites, e, durante o dia, cuidando da manutenção e da limpeza do lugar, da propaganda colocada em grandes e sugestivos painéis à entrada do prédio, também dos ingressos da bilheteria, que, em hipótese alguma poderia faltar. Do troco que a Srta. Luciene sempre reclamava, nas horas mais inapropriadas. Cuidava do conforto dos músicos, atores e atrizes, cantores e cantoras, dançarinas e dançarinos, comediantes, que, nos camarins, deliciavam-se com as frutas fresquinhas, a água gelada, os doces e salgadinhos que Alfred Miller tratava de providenciar com bastante antecedência, para que tudo corresse bem e na mais perfeita ordem, porque como lhe ensinara o seu experiente e generoso patrão, o Sr. Mancini, artistas e públicos deveriam estar bastante satisfeitos. Os primeiros para que desempenhasse bem o seu trabalho, sua arte. E os demais, para que retornassem sempre, se possível todas as noites, trazendo-lhes o abençoado e tão necessário dinheiro, o combustível indispensável que fazia toda aquela engrenagem funcionar. E, é claro, mais público. E mais público... Até que o Sr. Miller, olhando para o seu patrão dissesse: “Senhor, onde iremos colocar tanta gente?”.
Foi assim que encontramos Alfred Miller, sentado na primeira fileira à direita do palco, olhando para o mesmo, inebriado e absolutamente envolvido pela cena derradeira do 3º. Ato de A Tarde Demora a Passar, aquela em que o jovem escritor, derrotado pelo álcool, caminha trôpego pelo corredor do hotel, segurando uma garrafa, em direção à portaria, então invadida pelas primeiras luzes da manhã. Miller sentia-se um pouco aquele jovem escritor, podia mesmo reconhecer-se naquele olhar, em determinados momentos. Por isso não percebeu nossa presença. Estava emocionado, a cena parecia lhe dizer qualquer coisa de familiar, que durante muito tempo, ele se recusara a admitir. Causava-lhe certo incômodo, um nó na garganta, uma ligeira dor nos braços, uma agonia, um desconforto. Seus olhos marejados deixavam-lhe a visão embaçada, ora turva. Seus pés pareciam procurar o chão, e ele sequer sentia o assento e o encosto tão confortáveis que o veludo vermelho da elegante poltrona lhe proporcionava. Estava arcado para frente, apoiando-se com um braço, o direito, na vassoura, que ele desconhecia o motivo de tê-la apanhado em algum lugar que não saberia dizer qual.
Resolvemos dar-lhe tempo para que absorvesse aquela emoção, até que por iniciativa própria se desse por conta da nossa presença. E levou alguns minutos até que o fizesse. E quando o fez, sorrindo em nossa direção, disse emocionado:
“Não é lindo?”.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

IRMÃOS EM CRISTO

Já passou da hora de cristãos de todo mundo, independentemente da denominação religiosa sob a qual se abrigam, deixarem de lado suas diferenças de pontos de vista meramente humanos, e resultantes de sua limitada capacidade de compreensão, e se unirem na fé em torno do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se resume em apenas 3 palavras: Amor, Renúncia e Perdão. Mais do que 3 palavras, 3 virtudes, 3 poderosas forças transformadoras que dissipam o Mal e estabelecem o Reino do Bem, o qual, mesmo os revoltados, os desesperançados, todos nós, indistintamente, aspiramos.

 Do essencial para a salvação humana, tudo foi revelado. Oculto, ficaram alguns pormenores, que, entretanto, não impedem o homem de iluminar-se, arrepender-se, e endireitar-se. Pensar o contrário seria o mesmo que subestimar a inteligência Daquele que governa o mundo, com olhar manso e mãos firmes.
Assim como Deus fez o mundo primitivo tal como ele de fato é sem a intervenção humana, de modo que pudessem todos os homens o ver e dele participarem, também Jesus Cristo, por meio de sua boa nova, fez luz à consciência humana, e mais do que isso, penetrou, curou e perfumou o combalido coração humano.
Deixemos de disputas tolas que leva o nada a lugar nenhum. Se desejarmos mesmo caminhar com Cristo, unamo-nos em torno do seu ideal de vida que é o Amor, que se dá através do acolhimento, da capacidade humana em praticar o bem sem olhar a quem, e de perdoar através do esquecimento, da fé inabalável no futuro e da irmandade que a Ele e em torno Dele nos une.
Fiquemos em paz. Tenhamos uma ótima semana.
Geraldo J. Costa Jr. – 18/11/2013

19h39

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MUNDO ORDINÁRIO

No mundo agitado
Repleto de coisas e preocupações inúteis
Refugie-se para dentro do silêncio
Onde se faz possível
Desnudar-se sem culpa
Perante a descrença
Revelar-se fraco frente a dúvida
Onde se respira a poesia do nada
Onde se voa nas asas da revolta que liberta
E da insatisfação que impulsiona
E sem a qual não se dá
Um único passo adiante
Descobrir não é pecado
Dividir-se é virtude
Mil faces possui o homem
Mas um só é o seu coração
Única a sua mente
E sem elas, nada ele é
Inexiste, simplesmente
Mas a mente o liberta
De toda e qualquer dominação
Toda forma de poder
Seja ele qual for
Do maior ao menor
E o coração ensina o homem
A amar, ainda
Que à custa de muita dor
Lágrimas e
Decepções


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

LÁPIS No. 2

Não estou no mundo para apontar caminhos
Mas para fazê-lo perder-se
No mar de incertezas, revolto, profundo, escuro
E se a ele sobreviver, encontrará a enorme, gigante montanha de dúvidas
Não vim para saciá-lo com palavras
Mas para afogá-lo com elas
No rio caudaloso, nervoso, e sem destino
Até que os pássaros adormeçam será noite
E o dia se faça com os raios de sol, nuvens em movimento, sol...
Que dizima a atmosfera inebriante da noite densa
Não estou aqui, ao teu lado para lhe dar as mãos, boas vindas
Não sem antes lançar-lhe um último olhar, derradeira súplica
Que tolos e poetas profetizam: despedida
Não vim atirar pedras ao vento
Elas não merecem tão desprezível destino
As pedras marcam a vergonha
Dilaceram a alma, para sempre
Dilapidam a mente, sem cerimônia, sem remorso
Dor...
Que duas ou três garrafas de vinho
Não fazem jamais esquecer
Vê?
Como tudo pode e nada faz sentido...
Bebam do meu sangue derramado neste ritual
Na terra bruta e pisada, pereça
Feche os olhos, longe se veja
Entorpecido de fé
Envolvido pelo medo
Que vozes em delírio
Vestes esvoaçantes
Em gritos lancinantes
De êxtase e alívio
Doze horas se passaram
E um minuto é o que se tem
Pra decidir
Entre fechar os olhos
Ou continuar
A contemplar
O horror da vida humana
Onde tudo se repete, vezes uma vez, duas vezes, vezes dez

Sempre

PAÍS DE LEITORES

Antes que se formasse uma consistente e substancial geração de leitores de livros no Brasil, algo comum, por exemplo, nos países europeus, cuja cultura literária vem de séculos, foi o brasileiro introduzido na cultura da imagem, com predominância daquela veiculada na televisão, onde, inclusive, o brasileiro, um povo sim, afeito à leitura, mas não a ela habituado, identificou-se, e na televisão encontrou, sobretudo na telenovela, um gênero tão ou mais atraente ao da leitura, com as vantagens fundamentais, como, por exemplo, a de lhe proporcionar fatos e emoções em cores e movimento. – Geraldo J. Costa Jr. – 11/11/2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

LANÇAMENTO EM BREVE

Postagem da minha filha Viviane em sua página no Facebook. Primeira divulgação do meu novo livro a ser lançado em breve.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

LÁPIS SOU EU

Escritor é aquele Espírito que já viveu muito e precisa esvaziar sua mochila para que possa continuar sua longa jornada. E todos os dias ele buscará a sua verdade, que só a ele pertence. E terá de conviver com a eternidade ou a ausência dela. O que serve para um não serve para outro. E os sinceros, não se atrevem a dar conselhos, porque sabem que são inúteis. O escritor deve cavar seu próprio buraco a procura de sua mina d'água. Mas tolo será se saciar sua sede. Pois sem ela não terá motivos para continuar a sua longa jornada que jamais o levará a destino algum.Geraldo J. Costa Jr. – 05/11/2013.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

AOS COMPANHEIROS DE JORNADA; NÃO DESANIMEM.

Quando você se torna espírita, isso não lhe representa privilégio de nenhuma espécie, ao contrário, mais responsabilidade perante a vida. Você adoece do corpo e da alma como qualquer pessoa, você cai, se desvia e, por vezes, se distancia do grupo ao qual passou a pertencer que é aquele grupo que caminha sob sol e chuva, mas que caminha sempre e adiante. Mas então a sua consciência lhe cobra uma postura perante a vida, uma reação, e você, porque este é o seu desejo, se levanta, e sabe que rumo tomar, assim que reúne força o bastante para continuar a sua infinita jornada de evolução. De fato, cego não conduz cego. Mas Jesus Cristo conduz a todos. Todos aqueles que tenham respeito e boa vontade, perante suas próprias vidas e as de seus semelhantes. - g.j.c.jr. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

FACE or BOOK

Qual o pretexto que o faz ir para frente do computador? Trabalho? Estudo? Aquela música que você jamais encontrará de novo nas rádios, exceto se você, feito eu, ouvir o Programa do Jota Flores pela Rádio Clube de Rio Claro AM 850, viajando... viajando...
Vá lá, Vsa., voltemos ao computador. Essa máquina monstrenga, gigantesca e inacessível há pouco mais de 30 anos, e que hoje, se a gente bobear, acaba cabendo na palma da mão. E vai mesmo. Logo, logo. Duvida?
Bem, há outros motivos menos dignos para ligar o computador. E acho que não preciso tecer maiores comentários a respeito, não é mesmo?
Fiquemos então com as redes sociais. Não que elas se constituam motivos mais dignos que os redtubes, tubegalores e as brasileirinhas da vida. Claro que não. Mas acontece que ali, no face to face das redes sociais, nem tudo é verdade, ou é o tanto que o mundo virtual permite. Mesmo assim, para o bem e para o mal, você pode expressar sua opinião, expor preferências, compartilhar afinidades, e destruir reputações. E fiquemos com o lado bom da história: construir sonhos, que duram enquanto dure a sua navegação.
Perder emprego por causa das redes sociais? Sim, também é possível. Viram o que ocorreu ao inofensivo funcionário da Casa Branca, recentemente? Pois é. Foi falar o que não devia. 
Vê-se que o espaço virtual não é tão assim democrático, como apregoam alguns mais empolgados. É que ele é manipulado pela mente e coração humano, que ainda não tolera certos comportamentos que, direta ou indiretamente, de alguma forma contribuam para o abalo do Sistema. Trocando em miúdos: não tolera interesses contrariados. Ainda mais quando tais interesses estão carne e osso envolvidos com poder: o político e o econômico.
Os tabletes prometem enterrar os computadores de mesa. Já abalaram terrivelmente a sempre boa reputação dos livros impressos. Imagine o tamanho da tragédia. Um país feito o nosso, constituído de gente (sim, é verdade!) que em sua maioria é absolutamente avessa ao livro, que repudia a leitura, a menos que ela seja sobre sacanagem, receita de bolo, bilhete da loteria e palavra cruzada... Ah, horóscopo, ia me esquecendo, e resultado da rodada do final de semana, do futebol, claro. Capítulo de tele-novela? Chega de tragédia.
Sim, caro leitor, gerações perdidas para a falta de hábito da leitura de um bom livro. E olhe que eles não faltam. Nunca se publicou tanto neste país. Autores nacionais e estrangeiros. Tem de tudo. Do mais ilustre ao menos conhecido. Do melhor ao pior. Salgado o preço do livro, você pode estar pensando, enquanto o bonitão aqui, se esforça para encontrar argumentos que o estimulem a tirar a bunda da cadeira, os olhos do maldito computador e sair à cata de um bom livro. Acho que não vou conseguir. Mas enquanto você se decide, finado leitor, eu persisto na minha hercúlea e inglória batalha.
Já decidiste? Vou lhe dar uma sugestão. Você não precisa de um livro novo. A menos que seja um A Tarde Demora a Passar ou O Intermediário, ambos do papai aqui. Por R$15,00 você leva qualquer um deles. Aproveite, preço de promoção. Vou lhe dar meu telefone... Depois, mais adiante, ao final do texto, prometo.
Muito bem, meu caro e paciente leitor, como ia lhe dizendo, para se entregar ao fascinante mundo da leitura que um livro impresso pode lhe proporcionar, você pode optar por uma biblioteca municipal. Faz a fichinha, retira o livro, e o devolve na data aprazada. Não vai fazer feito alguns sujeitinhos metidos a cronistas e que sempre acabam atrasando a devolução. Perdoe-me, Madalena! Prometo que será a última vez.
Outra boa opção são os sebos. Que cidade não os tem? Geralmente bem instalados, e onde trabalham pessoas que de fato gostam e entendem de livros, digo, histórias, poesias e autores.
Tá, finado leitor, agora me diga que você pode baixar pela internet uma infinidade de livros que se acham em domínio público.
Pois vou lhe dizer uma coisa. Estou com Pergunte ao Pó do colega umbralino John Fante, no disco rígido do meu velho, virulento, próstata fundida, diabético assim, feito eu, e receio que assim feito eu, cupinizado da cabeça aos pés, pelo inseto letal da família, mais conhecido como câncer. E olha, deixa eu lhe dizer uma coisa, uma grande novidade, uma bombástica surpresa: até agora, coleguinha, não li uma linha sequer do fossilizado Ask the Dust. Porque todo livro transformado nos pdf’s da vida, para mim, é como um livro fossilizado.
Aproveitando, inclusive, se alguém tiver Pergunte ao Pó, ou qualquer outro livrinho do Fante, no formato tradicional, impresso, e quiser doar-me ou emprestar-me, por favor, estou às ordens. Vou lhe informar meu endereço, boa alma. Mais adiante. Ao final do texto.
Livros tradicionais são ótimos, entre outras coisas, porque independem de senhas, logins, spywares, avast’s da vida, e energia elétrica e alguma paciência para conviver com modorrentas conexões. Basta uma boa luz, um cantinho, silêncio e solidão.  Tudo o que a gente menos tem hoje em dia, né? Pobre livro!
Minha ideia inicial era, acho que já deu pra perceber a mancada, comentar sobre a influência e dominação do maldito computador e das redes sociais em nossas vidas, cada vez menos nossas. Já não vou muito com a cara desse sujeito de nome PC, e depois que durante a narrativa, deparei-me com o estrago que ele anda causando no hábito da leitura de livros que o brasileiro, sabe-se lá desde quantas gerações ainda não possui, fiquei mesmo “P” da vida.
Todos os dias, acordo no cafofo nojento e pequeno onde moro, e a primeira coisa que vejo é a esfinge eternizada em um bonito quadro pela minha amiga do coração, Rosana F. E depois, os livros na velha estante. Livros que adquiri, roubei (confesso, e pra isso tenho cem anos de perdão, espero); livros que emprestei e não devolvi; livros que foram de meu pai; é sua valiosa herança. Não me deu riqueza, mas me ensinou a pensar, a não aceitar o que está escrito e o que dizem as pessoas, por meio da palavra escrita, sem antes checar as fontes, os interesses contidos por trás daquela informação que tanto pode estar em um romance, uma novela, um poema, como em uma matéria jornalística, um tratado, um depoimento, um ensaio. Nunca demais lembrar o que dizia o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal (1874-1929): Nada se torna realidade na política de um país se antes não está presente, como espírito, na sua literatura”.
De minha parte, e computadores fora, acredito que a tragédia humana mais significativa dos nossos tempos, é que os livros, não importam onde estejam ou sob a guarda de quem se tornaram, infelizmente, sem que nenhum esforço contrário houvesse de nossa parte, como cadáveres insepultos. Da ignorância que sua ausência em nossas vidas nos causa, é que se iniciam a injustiça em todas as suas faces, é que determina essa alienação atroz que deforma a mente e torna o coração insensível e os olhos cegos.


PS : Ah, o meu endereço e telefone? Xi, esqueci. Faz assim leitor: Aguarde até a próxima crônica, por esses dias. 

BUSCAI e ACHAREIS

Amor que não traz felicidade não merece ser vivido. Tragédia no amor é coisa de teatro, cinema, tevê e literatura. Estamos no mundo para sermos felizes. E a felicidade não está nos outros, nas coisas ou nas situações, está dentro de nós. - g.j.c.jr. - 24/10/2013.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PELÉ, 73 ANOS

Em um tempo em que as bolas eram de couro, os uniformes de algodão, os gramados quase nem existiam, Pelé driblava, chutava, cabeceava, dominava, conduzia, iniciava e finalizava jogadas; atacava e defendia como ninguém. E até jogava no gol, se precisasse. É claro, se Pelé jogasse hoje não faria jamais 1000 gols. Faria 2000. Agora, vão dormir crianças. E sonhem com Messi e Neymar. Foi tudo o que essa época miserável a qual vivemos lhes permitiu conhecerem! – g.j.c.jr. – 23/10/2013.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

EM RETIRADA

É tão fácil falar daquilo que se vê e se ouve, difícil é viver o que se fala. Vejo as palavras saírem tão facilmente da boca das pessoas, decoradas ou lidas, jamais vividas, porque a verdade codificada na forma de palavra, eu não encontro da mesma forma, nos olhos de tais pessoas, e por esta única razão, ouso evitá-los. Palavras fáceis, tão facilmente pronunciadas por teóricos doutos, amantes e amigos das Letras e dos livros, e que a mim, soldado ferido, exangue, trôpego, batido em retirada, tanto custa aceitá-las. – g.j.c.jr. 22/10/2013.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DORES LUSÓFONAS

Estou me perdendo
Deixando-me levar pelo corredor escuro, infinito
Deixando-me tragar por um abismo conhecido
Perdendo-me sem nenhum esforço
Nas mesmas dúvidas,
Nas mesmas divagações
De desde sempre
Estou me deixando ir
E de novo você se pergunta:-
Como pode tanta luz
Ofuscar o caminho
Abreviar o tempo
Estabelecer o medo
Alimentar a revolta, o ódio
Sem o qual nada faz sentido
Porque nada faz sentido a todo aquele
Que ousa o passo adiante
Ah, meu irmão!
Neste cenário tosco, imundo e de fachadas,
Só você lê a minha mente e perscruta meu coração,
Porque forjados no mesmo fogo, fomos... somos
E bebemos do mesmo sangue, ébrios de dor
E comemos das mesmas vísceras, sem matar a fome
Agora, imponentes, só nos resta
Mirar o cadafalso
Passos firmes nos conduzirmos confiantes
Ao rufar dos tambores, ao clamor das trombetas
Sem receio, sem lágrimas e soluços, em silêncio, altivos
Caminhar
Sob olhares hodiernos, rancores de outrora,
Confiantes
Entregar-se à verdade
Desnudar-se à realidade
Dar adeus à noite, encontrar de volta o dia
E revelar os mais nobres sentimentos, ocultos
Àquilo que poetas e deuses chamam de vida
Profetas de promessa
E vitoriosos: de mentira.


(Noite, vento no rosto, e muitos passando ao meu lado)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

HOJE

Hoje, não vivo, sobrevivo, um dia de cada vez. O amanhã pouco importa. Ele não existe. E se felicidade existe, ela está no hoje. Então é minha única chance de conhecê-la. – g.j.c.jr. – 18/10/2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

FLORES

No que diz respeito às religiões, é tolice imaginar que num campo tão fértil quanto a Terra, Deus, em sua infinita sabedoria e bondade iria plantar apenas uma qualidade de flor, iria dispor de apenas um remédio. – Geraldo J. Costa Jr. – 15/10/2013.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

COMEÇO e FIM

“Toda essa pseudo grandiosidade da vida na Terra, nada mais é que o resultado da natural aspiração do Espírito, que se sabe eterno e livre, em evoluir sempre e mais, tanto no aspecto moral como no intelectual. Para aqueles que vêem e compreendem isso a vida humana é tão somente uma escola, uma prisão temporária, dependendo do estágio de evolução de cada um. Nada mais ” – Geraldo J. Costa Jr. – 14/11/2013.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

SUCÍDIO: DESISTA DA IDEIA

A Sra. M. lançou-me um olhar demorado e sugestivo ao final da reunião, e logo percebi que não era exatamente ela quem me olhava.

Tudo bem, pensei, vamos lá.
Então, me aproximei, e ela foi logo perguntando se eu entendia como um ato de coragem o suicídio.
Puxa! Justo para mim, esta pergunta, a qual, tantas vezes eu me fiz.
E eu lhe respondi que não. Que no meu entendimento era justamente o contrário. Que as pessoas que decidiam por abreviar a própria vida como se com isso pudessem interromper o seu sofrimento não eram corajosas, mas, covardes.
E antes que ela me fizesse qualquer outra pergunta, olhou-me desapontada, e enquanto me olhava assim, eu prossegui:
Veja, disse-lhe, Deus é Pai, e nunca nos coloca sobre nossos ombros um fardo mais pesado que as nossas forças.
Ela pareceu concordar com a resposta, que não era minha, apenas citação de uma passagem evangélica,  e continuou atenta ao que eu lhe dizia:
Não estamos no mundo para amealhar tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba. Até porque estamos aqui de passagem. A Terra não é o nosso destino. A vida humana não é a nossa origem e muito menos a nossa essência. Somos Espíritos. Eternos e livres. Embora responsáveis por nossos atos. E responsáveis até mesmo pelo que pensamos, porque não se esqueça, a linguagem universal do Espírito é o pensamento. E nesse sentido, influenciamo-nos uns aos outros.
Acha que estou sendo influenciada? – ela perguntou, de chofre.
Certamente. Lembre-se que os afins se atraem e os diferentes se repelem. Se você se eleva em pensamento e sentimento, em atitudes, os maus não te encontram, porque não conseguem vê-la. Mas se você se rebaixa até eles, no mesmo nível mental e sentimental em que eles se localizam, é lógico que estará ao alcance deles.
O que devo fazer em meio a tanto sofrimento?
Tenha fé. A fé é o alimento da vida. Do corpo, porque nos estimula ao trabalho edificante, que torna a nossa vida útil. E da alma, porque nos dá a certeza de que somos filhos do Deus que habita em nós. E irmãos de Jesus, o Cristo, nosso mestre, que caminha ao nosso lado, não importa onde ou como estejamos.
A Sra. M. tomou minha mão e sorriu-me em forma de agradecimento, levantou-se e deixou o recinto, partindo em direção a sua casa, não muito distante dali, de mãos dadas com seu marido, que, pacientemente a esperava lá fora.
Não se iluda caro leitor. A única coisa que você consegue com o suicídio é pegar o elevador e descer mais lá pra baixo ainda. Não é solução para a dor e nem para o sofrimento. Jamais será. É sim um terrível engano, que custa tão curo, e que demanda tanto tempo (que poderia ser melhor aproveitado), para se livrar das suas consequências.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SIM ou NÃO?

Para um escritor ficcionista, verdade e mentira tem o mesmo valor. - g.j.c.jr.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ATMOSFERA

ATMOSFERA
Por Geraldo J. Costa Jr.
09/10/2013
Chama se apaga
O solo se refaz depois do fogo
A alma, depois da dor?
Vida: vício, dúvida, risco
Abrem-se os olhos depois da noite
Longa, penosa, incerta
Todos o vêem sorrir
Não sabem as quantas andam
Os sentimentos trazidos
Há muito tempo
Em pesadas mochilas: existências
Deixadas pelo caminho
Do arrependimento só possível
Aos que se arriscam
Ao passo perigoso, mais adiante
Escravos de uma necessidade, que não pedimos,
Somos




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

PÁGINAS DE LUZ NA LITERATURA ESPÍRITA

No último dia 3, completou-se 209 anos do nascimento do educador, escritor e tradutor francês Hippolyte Léon Denizar Rivail. Certamente, muitos leitores estarão dando de ombros nesse momento, mas se acrescentarmos ao mencionado nome o pseudônimo Allan Kardec, é bem provável que a maioria ao menos saiba de quem se trata.

Homem de ilibada reputação, respeitado mesmo por seus adversários, o Prof. Rival ou melhor Kardec, foi o responsável pela codificação da Doutrina dos Espíritos ou simplesmente Espiritismo, surgida na França, em 1857, a partir do lançamento de O Livro dos Espíritos, uma compilação de 1018 perguntas e respostas, que tratam sobre Deus, a Criação, o Mundo Espiritual, a Pluralidade das Existências, as Leis Morais, as Esperanças e as Consolações.
A este, seguiram-se outros quatro livros que formam o chamado Pentateuco Espírita. Em 1861 surge o Livro dos Médiuns que trata do caráter experimental e investigativo da então nova doutrina, cuidando de estudar e procurar entender como ocorreriam intervenções dos entes espirituais no mundo físico.
Na sequência, em 1864, Kardec publicou O Evangelho Segundo o Espiritismo, basicamente o estudo do ensino moral do Cristo, a partir de passagens contidas nos evangelhos canônicos.
No ano seguinte, ocorreu o lançamento de O Céu e o Inferno, que contém na primeira parte um estudo crítico da vida na esfera extra-física e na segunda, diálogos de Kardec com diversos espíritos que narram suas experiências no mundo espiritual.
Fechando as consideradas obras básicas do Espiritismo, foi publicado em 1868, A Gênese, livro dividido em três partes, tratando desde a formação dos mundos e a criação dos seres, passando por um estudo dos fenômenos realizados por Jesus e considerados milagres, portanto, sem explicação à luz da Ciência, mas compreensíveis à luz do Espiritismo. A terceira e última parte de A Gênese, trata da possibilidade de prever acontecimentos e coisas afins.

Mas foi em Barcelona, em 09 de outubro de 1861, que ocorreu o fato que de certa forma concorreria para maior divulgação da então recente Doutrina dos Espíritos, quando cerca de 300 livros com temática espírita foram queimados, em praça pública, por ordem do Bispo de Sevilha, episódio que passou à história como o Auto-de-fé de Barcelona.

Eram 10 e 30 da manhã, quando se deu o fato, na presença de, além do Bispo, um padre, um notário, um escrevente, e três funcionários da alfândega (onde os livros foram apreendidos), acompanhados de uma pequena multidão, que, para o desgosto de sua Eminência vaiava a todos estes, aos gritos de “Abaixo a Inquisição”.

O tiro saiu pela culatra, porque tal ignorância acabou despertando um interesse ainda maior das pessoas pelos assuntos espíritas dos quais tratavam os livros.

Esse lamentável acontecimento é narrado em detalhes por Allan Kardec no livro Obras Póstumas, compilação de textos publicados por seguidores do Codificador, após seu falecimento em 1869.

Sobre o episódio também merece registro o livro Auto-de-fé de Barcelona de Florentino Barrera, onde é possível encontrar a citação do poeta alemão Henrich Heine de que “Onde se queimam livros acabam se queimando homens”. Caso da Espanha, em cujo solo se verificou cenas dramáticas e repugnantes ao tempo da Inquisição durante a Idade Média.

Surgido na França em meados do século XIX, foi, entretanto no Brasil que o Espiritismo encontrou maior aceitação, a partir do século XX. Muito disso se deve ao trabalho hercúleo de seu maior divulgador em terras brasileiras que foi Francisco Cândido Xavier (1910-2002), médium de grande carisma e bondade reconhecida inclusive por seus contraditores e que psicografou 468 livros que já atingiram mais de 50 milhões de exemplares vendidos. É fato inegável que a Literatura Espírita é a que mais desperta interesse nos leitores brasileiros. São várias publicações entre jornais, revistas, livros e sites especializados. Só a editora EME, por exemplo, possui mais de 400 títulos em seu catálogo. Estima-se que no país existam cerca de 20 mil títulos que tratam sobre o assunto.
A maior razão, dentre tantas, para que esse gênero literário encontre receptividade tão grande no Brasil é porque traria no seu bojo uma mensagem consoladora de esperança e paz, de respeito à própria vida e da prática da generosidade ao semelhante, virtude esta tão ao feitio do brasileiro.
Os romances espíritas, o grande filão editorial do gênero, são em geral histórias de pessoas que após muito sofrimento percebem a importância dos princípios cristãos cuja observância, conforme a doutrina, possibilita a evolução moral desejada.
A literatura espírita apresenta ainda livros de cunho filosófico e científico, os chamados livros de estudo, que aprofundam os temas propostos em Os Livros dos Espíritos.
Importante observar que à medida que o Espiritismo foi ganhando divulgação, a partir dos livros, principalmente aqueles psicografados por Chico Xavier, o movimento foi aprimorando a sua organização. Realizadas em princípio nas residências de seus praticantes, as reuniões espíritas passaram a ser realizadas em locais próprios, que passaram a ser conhecidos como casas ou centros espíritas, onde os frequentadores e interessados têm acesso às palestras, passes (fluidoterapia), estudos para conhecimento e aprimoramento sobre os temas abordados pela doutrina, dentre eles, a mediunidade, que é o intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual.
Em Rio Claro, a U.S.E.I.R.C. – União das Sociedades Espíritas – Intermunicipal Rio Claro agrega 12 entidades espíritas legalmente constituídas, que além da prática e divulgação dos preceitos espíritas, realizam importantes trabalhos de cunho social. São elas: Casa dos Espíritas, Casa Espírita Fraternidade, Associação Espírita Vinha de Luz, e os Centros Espíritas Verdade e Luz, Astral Superior, Emmanuel, Fé e Caridade, José de Campos Salles, O Consolador, Lar Espírita Espiridião Prado, Sociedade Espírita Leon Denis, além da Associação Espírita Francisco Cândido Xavier, sediada em Santa Gertrudes/SP e do Grupo Espírita Caminho de Jesus, recém formado em Ipeúna/SP, e que se acha em fase de organização.

Com sede própria, a U.S.E.I.R.C está localizada à Rua 14 No. 240, bairro Consolação, mesmo endereço onde se acha instalada a Livraria Espírita Páginas de Luz, iniciativa de abnegados e voluntários do Espiritismo e que já conta mais de 20 anos de existência e que atende ao público de 2ª. feira a sábado, em horário comercial. – g.j.c.jr.

domingo, 6 de outubro de 2013

CAOS CULTURAL

Vejam o nível de produção cultural, em seus vários segmentos que hoje se realiza no Brasil. Em nome da disseminação de uma cultura de massas, idealizada pelos mentores da Escola de Frankfurt, e colocada em prática de modo obstinado pelos governos socialistas que vem nas últimas décadas detendo e ampliando o poder político na América Latina, e no Brasil não é diferente, aos poucos foi sendo introduzida uma planejada decadência como jamais vista no campo das artes, sobretudo, na música, na literatura, no cinema e no teatro, o que já era previsível uma vez que o objetivo principal do marxismo cultural é destruir a cultura ocidental. Apenas eles se esquecem que o dinheiro vem de uma única fonte.

Parênteses: Na verdade, eles sabem disso, mas se utilizam da genialidade intelectual dos socialistas fabianos, aos quais estão à serviço, para, por meio dessas iniciativas, atingirem seus objetivos de poder político e a manutenção dele.
Sem falar nas artes visuais, sob o pretexto de aproximar das massas tais segmentos valiosos e indispensáveis à sociedade humana. As massas (esse termo é detestável mas aqui cabe), por sua vez, passaram a ter acesso e a produzir uma pseudocultura, uma arte denominada urbana, mas que não passa de uma pobre manifestação, sem raízes, sem razões que não a de entreter. Isso, em princípio pode soar como integração cultural entre as várias camadas sociais, objetivando a harmonia da sociedade, mas, em verdade, não passa de decadência e pobreza, porque, feito a educação, a alta cultura, aquela que de fato faz sentido e que pode transformar para melhor a sociedade humana em seus vários aspectos, ela tem característica irradiante: um indivíduo, no caso, um artista, faz algo bem feito, que de fato tenha sentido e valor, e por esse motivo, desperta a atenção de outros, de modo a atraí-los e motivá-los a fazer o mesmo, sem escaparem estes, contudo, da sujeição à seleção natural que sempre fará se estabelecer os melhores, consequência natural da meritocracia.

Mas a meritocracia demanda da parte de quem a ela se dedica, estudo, esforço, trabalho, aprimoramento, e isso não se obtém sem o pensamento, que vem antes da ação e que é um dos atributos sagrados do Espírito humano, livre e eterno. Todavia, o livre pensamento tem sido ao longo do tempo, obstinadamente varrido das escolas em todos os níveis, pelos governos subservientes a um poder econômico cujo único objetivo é aumentar seus lucros, e para isso, depende necessariamente de criar e cultivar uma sociedade consumista, alienada, autômata, e cada vez mais dependente de necessidades que, em verdade, não possui.  

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

NOBRE ARTE

A arte é o único ambiente da vida humana em que a lágrima encanta, a dor inebria e o drama começa e termina, sem culpa ou arrependimento. – Geraldo J. Costa Jr. – 02/10/2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

MEU AMIGO CHARLES

Poesia é Vida: Primeiro a alma, depois o corpo. A primeira, nunca morre – Geraldo J. Costa Jr. – 26/07/2013.
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

IT, MISSA EST

Percebi que ele já se fazia distante. Se não em pessoa, ao menos em espírito. Porque se tornara distante o seu olhar, eram sucintas as suas palavras, comedidos os seus gestos, de modo que ele parecia desejar que sua presença se passasse despercebida. Eu ainda estava de joelhos, as mãos unidas, os cotovelos apoiados no encosto do banco da frente. Confesso que preferia manter os olhos fechados, não porque isso proporcionasse melhor ambiente à oração à qual, naquele momento, eu me esforçava por me dedicar. Mas é porque naqueles dias, não ia lá muito bem o meu relacionamento com o Nosso Mestre, de modo que olhar para o altar e subir os olhos calmamente até a presença do meigo Senhor, me causava certa incomodo.
Porém, uma perturbação maior me causava a possibilidade da vida me privar da convivência do meu melhor amigo, fiel e confessor, cúmplice e irmão de fé,  por um motivo tão estúpido quanto a maldita guerra.
Naquela hora, que se parecia a derradeira, não me furtei ao direito de lhe questionar:
“Nos vemos?”. – eu disse assim mesmo, contrariando a boa norma gramatical, para a qual jamais dera muita importância.
Ele me olhou, antes de esboçar qualquer menção de resposta. Olhou-me de novo, demoradamente, mansamente, como era de seu feitio, e enfim, me respondeu:
“Sim. Nos vemos”.
Mas não disse quando, nem como, nem onde. E esse fora o nosso último contato, porque na manhã seguinte, enquanto eu cuidava de minhas obrigações, ele se fora, com todos os seus pertences, ou seja: seu breviário, suas duas ou três mudas de roupas, seus livros preciosos de um certo educador francês; enfim,  sua esperança, eu creio, de que, de algum modo, sua bondade e conhecimento pudessem dissipar um pouco a miséria que uma guerra representa na vida das pessoas, que a ela se vêem envolvidas sem saberem por qual motivo, se é que existe algum.

CONTINUA...

domingo, 22 de setembro de 2013

TRUCO!

Eram assim todas as tardes, enquanto na cozinha, a mesa farta de pães e doces, e massas regadas a vinho de excelente procedência e qualidade, eles elaboravam as suas histórias, os seus golpes, e crimes, enquanto disputavam intermináveis partidas de truco.

Aldo não queria que eu participasse dos negócios da família. Não fica bem pra você – ele dizia – Não deve sujar-se tão cedo.
Ele não queria que eu perdesse a ingenuidade da infância. Não percebia talvez que isso não faria diferença com o tempo.
Você ainda não tem pelos no rosto, Édi – ele me dizia. – Portanto, não deve sujar as mãos, nem com o vermelho do sangue derramado, muito menos com o aroma asqueroso e desprezível de um pedaço de papel cobiçado por todos.
Diziam naquele bairro que Aldo era bom sujeito. Ele vestia-se com elegância. Com ternos impecáveis, sapatos brilhantes e gravatas das mais caras. Tinha o cabelo sempre bem aparado, embora para a frustração do seu virtuoso barbeiro, o bom e velho Toni, Aldo preferia manter o penteado escondido por modesto chapéu panamá, que destoava um pouco da sua bem cuidada aparência.
Ele sempre me dava roupas, porque dizia que um homem bem vestido é mais respeitado que seu próprio caráter e conhecimento. As pessoas julgam pela aparência, Édi – ele me dizia – E é assim desde que o mundo é mundo, e Deus cometeu o desatino de colocar o ser humano sobre esse chão abençoado pela natureza.
Aldo amava a natureza. Em tempo: Preferia os animais aos seres humanos. Uma árvore, com seu tronco forte e sua copa glamorosa, era capaz de comovê-lo muito mais que o choro de uma criança, o olhar de uma mulher à procura de atenção.
Eu me questionava se sempre fora assim. Sempre que passava minhas tardes sob a figueira, eu me questionava sobre estas e muitas outras coisas a respeito do padrinho.
Era ao menos trinta anos mais velho que eu. Mas não sei por que quando olhava para Aldo, eu me sentia como se olhasse para um meu irmão. Irmão de sangue – devo explicar – para que não paire dúvidas a respeito.
Lembro-me daquele dia em que os rapazes chegaram ao amanhecer. Havia grande agitação. Eles discutiam entre si. E, ao invés da cozinha, ocupavam a sala, onde geralmente se reuniam para dividir os lucros e festejar com as garotas o êxito de mais um trabalho. Mas naquela manhã não havia garotas e nem sussurros. Nem copos caindo no chão, nem garrafas estourando contra a parede. Porém, havia muita discussão. Ofensas e alguns disparos de armas de fogo em intervalos de tempo mais ou menos regulares. O primeiro deles contra o lustre que se espatifou espalhando sujeira por toda sala inclusive sobre o sofá. Porque foi o cenário que encontrei, quando finalmente tive coragem de sair do quarto para ver o que estava acontecendo, espiando pelo vão da porta.
Mas antes, enregelei-me todo, quando um dos rapazes disse lá da sala: “E o garoto? Que faremos com ele?”.

Pensei esconder-me no guarda-roupa, debaixo da cama, ou pular a janela. Foi o que pensei. Até me lembrar do que Aldo sempre me dizia: Quando você crescer, e enfrentar uma situação difícil, não pense o que Deus faria em seu lugar. Pense o que eu faria.
Foi por isso que deixei o quarto, naquela manhã, e caminhei até a sala, de encontro ao meu destino.
Alguns rapazes estavam caídos no chão, outros sobre o sofá e as poltronas. Alguns já entregues ao silêncio da morte, outros ainda gemendo. E pela primeira vez na minha vida eu seria incapaz de dizer o nome de cada um deles. Não porque não lembrasse.
Sangue havia por toda a parte. Sangue e destruição. Medo e morte. E estas  coisas adquirem outra dimensão, assustadora e insuportável quando se têm apenas 11 anos de idade.
Ocorreu-me falar com o padre Albino. Mas a linha do telefone estava cortada, e eu realmente já não tinha nenhuma certeza de que conseguiria deixar aquela casa. Olhei pelo grande janelão da sala, e percebi alguma movimentação no jardim. Era o silêncio envolvendo aos poucos todo aquele ambiente em uma atmosfera incômoda e excitante ao mesmo tempo de apreensão e medo.
Os cachorros não responderam ao meu assovio. Os criados não transitavam pelo gramado, não conversavam entre si porque lá não estavam para reclamar das atitudes do padrinho e sua costumeira falta de generosidade.
Pela primeira vez desde que Aldo me arrancara dos braços do meu pai e me levara consigo, naquela noite da qual não me esqueço, dominada pelo cheiro de pólvora tanto quanto aquela manhã, eu me vi só. Completamente só. E sem destino.
Faz hoje10 anos que a cada 17 de julho eu visito esse túmulo de mármore carrara onde não há nenhuma foto. Apenas um chapéu panamá e um charuto, ambos de bronze, no lugar do que seria uma inscrição.
Pensei que tanto tempo depois eu me lembraria de Aldo, seu olhar e seu sorriso, seu abraço forte e a força descomunal do seu braço direito que lhe permitia me levantar pela bunda com a palma da mão. Nem o seu olhar, nem o seu sorriso, nem a sua força e a sua generosidade, sua sinceridade, às vezes mal compreendida e jamais aceita pelos que o cercavam.
Mas o seu silêncio, a escuridão que tomou conta dele e de mim e de tudo à nossa volta, no instante em que fui o último a dirigir-lhe um adeus, momentos antes do agente funerário fechar o caixão de zinco por meio do qual o transportaria até a agência funerária.
Hoje, sua poltrona me pertence. E a sua caixa de charutos, eu guardo na mesma gaveta, fechada a chave, como ele fazia.