quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

D.E.S.G.R.A.Ç.A.


As ideias devem percorrer a mente, mas não permanecer.

A vida deve escorrer pelas mãos, deve ser levada pelo vento, porque deve e necessita ser compartilhada.

A vida humana começa e termina, isso aniquila qualquer forma de ilusão ou esperança. 

As aves ocupam o céu voando, como o pensamento que nasce livre e vive e se transforma livre.

E tudo aquilo que vivifica, mata.

Não há palavra, fé, religião, filosofia que transmita e que ofereça ao homem sabedoria. 

Sabedoria: esta é a virtude, a maior delas, a única imprescindível, e que só se conquista com sofrimento, dor, lágrimas e sangue derramado: o retrato, o conteúdo, a essência da experiência humana.

O que se promete em livros, apostilas, púlpitos, discursos, mensagens, poesia, prosa, por melhor que seja a intenção é inaplicável e quando sim, ineficiente quando se tratam de seres humanos, escravos de sua ignorância, de seu orgulho e de seu egoísmo.

Os que compreendem e aceitam essa verdade, essa realidade, se conformam se miseráveis forem. 

E se abastados forem, disso fazem objeto de poder e dominação.
Instituições, organizações, convenções, ideias estúpidas de país, nação, regras, leis só servem mesmo como cerca para manter o Gado no seu devido lugar e afastado daqueles que realmente são e tem.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A BATIDA RITMADA DO TAMBOR


Todos os dias, eu me deparo com a mesma situação. Já tentei de tudo. Tudo mesmo! Nada funciona. Até desenterrei a velha Olivetti línea 98 portátil e a coloquei ao alcance das minhas mãos, sobre a cômoda, para que pudesse escrever em pé, por obra e graça das insuportáveis dores nas costas. Nada. A folha em branco lá ficou dias, e dias e noites, e nada. E todos os dias pela manhã, e todas as noites, depois da 1, lá está, diante dos meus olhos, a tela maldita do computador, em branco.
Eu sinto que já não funciona mais. Justo agora que aos olhos do mundo, ao coração e a mente das pessoas que  tudo começa, o inferno, o meu se revela, porque nele já vivo há muito tempo. Que pena! Mas é fato. É uma realidade que recuso admitir. Mas ela se impõe, a cada dia, cada vez mais.
Porque veja: Quando menciono escrever me refiro a um texto robusto, bem trabalhado, denso, consistente e convincente, verossímil, parido pela inspiração, sim, criado pelo trabalho duro, contínuo, destrutivo para quem o concebe e de quem arranca suor e geralmente lágrimas... Lágrimas!
Não essas cronicazinhas, esses artiguinhos de merda escritos sempre com muita raiva, desprezo, nenhuma dignidade, nenhum ranço de dignidade, escritos ao toque de caixa.  E que só servem mesmo pra causar uma sensação tão estúpida e efêmera quanto a uma punhetinha no banheiro, escuro, entupido e fedorento, uma rapidinha e bem rapidinha com a puta bem paga do jardim público, ou a vadia da esquina que se sustenta com 5 reais ao dia. Não!
Cronicazinhas, artiguinhos de merda, pro diabo com eles! Para que servem? Para que pessoas leiam, cuspam no chão e digam entusiasmadas a si mesmas e morrendo de inveja: Nossa! Que cara ousado e inteligente. Basta!
Sinto que já fiz tudo, já escrevi, já vivi tudo o que poderia e o que deveria. Por isso este vazio, por isso o olhar adiante que nada encontra. E vou me consumindo aos poucos na minha vã esperança dia a dia, noite a noite. Deixando-me tragar por esse abismo onde vejo vultos em desespero e ouço vozes que me chamam. Vultos e vozes conhecidas.
Por isso que continuar me angustia e o ar me sufoca. A visão do mundo a minha volta me revolta e me humilha.
Dunhill, cigarettes, âmbar incenso, luminária... Óh longa noite que jaz e não termina. Traz a manhã na sua despedida. E deixa como dote todas as dores compadecidas.
Não sei até onde vai tudo isso.
Não sei até onde vou. Não quero saber. Há de terminar assim, de repente, feito gente, finalmente. Ou talvez, não vá. Nunca.

domingo, 6 de janeiro de 2013

LETRAS ABSTRATAS



Por que a Literatura de ficção, para obter o reconhecimento da crítica, deve ser difícil para o leitor?
Esta pergunta me acompanha desde os meus 17 anos, quando estimulado pelos filmes que assistia no finado Cine Excelsior, resolvi que poderia escrever. Arrisquei umas linhas sem nenhuma pretensão, gostei da ideia, fui em frente, topando com todos os obstáculos possíveis e imagináveis, dentre eles, a desconfiança de uns, a indiferença de outros.
Porém, outra pergunta mais terrível me assombra desde então: Porque os escritores ficcionistas brasileiros, em geral, tendem a se sujeitar ao mandamento que inicia esta crônica?
Há livros que nos acompanham por toda a vida. De períodos em períodos nem tão distante, voltamos com satisfação e igual expectativa à leitura de tais livros. Um dia, pretendo, comentarei em outra crônica, tão despretensiosa quanto a esta, sobre os meus livros favoritos. Um dia, quem sabe.
Se há livros companheiros nossos, há igualmente autores com os quais nos identificamos, uma vez que nesses autores, encontramos tudo aquilo que gostaríamos de ser e realizar. E acreditem-me isso também se dá entre eles, os grandes, admirados e respeitados autores, que, possuem lá os autores com os quais se identificam, embora, muitos deles, depois de conhecerem e se deliciarem das honrarias do mundo, passem a negar isso peremptoriamente.
O mercado editorial brasileiro também não colabora para descobrir e lançar ficcionistas nacionais que escrevam por assim dizer uma literatura agradável de ser lida e que aborde temas com os quais os leitores se identifiquem. Os editores não lêem originais. Não são editores.  Na verdade, são homens de negócios, porque os livros (e os de ficção se inserem nessa tragédia) são objetos vendáveis, como um automóvel, uma televisão, uma garrafa de vinho. Calma, deixe o banheiro pra depois, caro leitor.
Para esses homens de negócios, os editores, é menos exigível para sua inteligência, menos perigoso para o seu rico dinheirinho comprar os direitos de edição de livros de autores estrangeiros, que, como se sabe trata de um universo, de temas e personagens que nada tem a ver com o nosso, o brasileiro. Mas são produtos, digo livros, que já vem com rótulo de sucesso de vendas, recomendados por jornalistas ilustres estrangeiros, colunistas desse ou daquele jornal, dessa ou daquela revista, mas totalmente desconhecidos por nós, e que receberam lá o seu chequinho para isso.
É aquela história sobre a lei do menor esforço: Por que fazer o bolo, se é possível comprá-lo pronto e revendê-lo?
No Brasil, os governos, sejam eles, municipal, estadual ou federal têm a sua parte de responsabilidade nessa história. Não possuem nenhuma política efetiva de incentivo à formação de novos escritores, e preferem, porque é mais fácil, estimular os escritores com viés político esquerdista, que tem história de engajamento dentro do movimento revolucionário comunista que atualmente governa o país, e que por sua vez abominam aqueles que não compartilham de suas ideias e de sua posição político-partidário, ou seja, os que não são camaradas e amiguinhos da turma.
Todavia, mais do que os governos e os editores, os educadores são vilões dessa tragédia. Nem digo os jornalistas culturais, se é que se pode denominá-los assim, porque esses, que ocupam as redações de jornais, emissoras de tevê e rádio e também os sites de notícia, em sua maioria, são também comunistas, embora jamais admitam o fato, e, muitas vezes, tem o descaramento de se pronunciarem como se fossem capitalistas, direitistas, conservadores ou republicanos.
Que mal esse cenário pode representar à Literatura Brasileira? O pior de todos: a deformação da nossa cultura.
No caso específico dos educadores, eles nada fazem para estimular a criança, o adolescente e mesmo o jovem ao exercício da leitura, e menos ainda, ao da escrita. Preparam os alunos para se saírem bem no vestibular. Escreverem meia dúzia de frases com começo, meio e fim, abordando temas atuais. Não lhes apresentam a literatura brasileira de ficção, por exemplo, como um inesgotável tesouro de valor humanístico incalculável a ser descoberto, utilizado e preservado. Ao contrário, a mando das mentes deturpadas que comandam a educação no país, já desde muito tempo, preferem, porque é mais fácil, (vejam que esse é sempre o raciocínio que prevalece) aproveitarem desse manancial literário, para retalhar textos, reduzirem a nada o seu sentido literário, para ensinar às crianças, adolescentes e jovens, regras gramaticais, ortográficas e outros que tais, da infinidade de penduricalhos da Língua Portuguesa, quando, para isto, deveriam se utilizar de textos jornalísticos, por exemplo, e não de ficção.
Agindo dessa forma, criam nos alunos uma resistência natural à leitura, convencem-nos de que livro é um bicho peçonhento e escritores são todos idiotas que não tem o que fazerem.
Mudar tudo isso? Interromper a tragédia? Impossível de imediato. Para tanto necessário a formação de uma nova elite intelectual neste país, preparada à altura que a hercúlea tarefa exige, e disposta a comprar a briga, o que convenhamos, trata-se no momento de utopia, em face o perfil dos jovens intelectuais brasileiros, preocupados apenas com o seu próprio umbigo e convencidos das estúpidas ideias socialistas.
Mas, ainda que fosse possível de imediato, como formar essa nova elite intelectual, se a situação do ensino público e até do particular, no que se refere ao seu conteúdo programático, a sua grade curricular é degradante, porque atende aos interesses daqueles que controlam o mundo, meia dúzia de pessoas que manipulam governos no mundo todo, porque se estes têm o poder político, os tais têm um poder ainda maior que é o poder econômico, para o qual, nós, reles mortais, e ficcionistas intérpretes da realidade que eles criam e manipulam, somos apenas o Gado.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

SEJA FELIZ!


“A felicidade do homem não está nos bens que ele possua”. Como na maioria das vezes, quando Jesus disse isso, ele não fora entendido e muito menos aceito.
Mas, pense bem: Se você é daqueles que emburra porque o ônibus que o levará para o trabalho ou de volta para casa, atrasa cinco minutos, poderia perfeitamente ser aquele que reclama de ter que parar no posto de combustível para abastecer o seu automóvel.
Ter ou não ter dinheiro não determinará se você é feliz ou não.
Recentemente li uma vez mais o romance O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, que, entre outras coisas, conta a história de um ricaço que pra obter a atenção das pessoas precisa dar festas e mais festas, onde todos comem e bebem e dançam às suas custas.
Na verdade, isso não fica implícito no romance, mas é o que percebe o leitor mais atento, que o que Gatsby queria mesmo era ver se em uma dessas festanças por ele proporcionada aparecesse a sua doce e linda Dayse, o amor de sua vida, que ele acreditava ter perdido na juventude porque à época era um pobretão.
De certa forma, o modo de pensar de Jay Gatsby reflete o nosso, ou, pelo menos, a maioria de nós.
E fica mesmo difícil pensar de outra forma no mundo em que vivemos, onde apenas as pessoas bem sucedidas parecem adquirir naturalmente a admiração, o respeito e a preferência, daquelas outras pessoas que buscam a felicidade a qualquer custo, imaginando encontrá-las nas aparências sedutoras de uma exitosa vida alheia.
Os filósofos, boa parte deles, tentaram encontrar respostas ao que se refere à felicidade. Mas acabaram mesmo criando mais perguntas. Até por que, aprofundar nos assuntos, desdobrá-los, dar-lhes um novo sentido, uma nova causa, uma nova perspectiva, esse é o fascinante trabalho dos filósofos, com a ressalva de que consideremos neste caso o filósofo como aquele que pensa a partir de suas próprias convicções.
Você pode me fazer feliz, leitor? Não. E nem eu a você. Ainda bem, não é? Porque ser feliz só depende mesmo de nós. De cada um de nós. A minha felicidade está em mim. Ou não está. Ela não está em você, caro leitor, ou em qualquer outra pessoa, senão eu mesmo.
Talvez seja isso, o que Jesus quis nos ensinar. Se a minha felicidade depende de mim, então, depende do meu trabalho, do objetivo que eu estabeleça do meu esforço para alcançá-lo
E quando há uma sintonia entre o que seja felicidade para mim e o que seja para outra pessoa, é natural que haja uma aproximação, um envolvimento, entre eu e essa pessoa, entre ela e mim. A isso, dá-se o nome de amor, o estado do nosso coração e da nossa mente, ou seja, daquilo de que somos feitos, onde a felicidade, tal como nos seja possível, neste mundo, se realiza.