domingo, 6 de janeiro de 2013

LETRAS ABSTRATAS



Por que a Literatura de ficção, para obter o reconhecimento da crítica, deve ser difícil para o leitor?
Esta pergunta me acompanha desde os meus 17 anos, quando estimulado pelos filmes que assistia no finado Cine Excelsior, resolvi que poderia escrever. Arrisquei umas linhas sem nenhuma pretensão, gostei da ideia, fui em frente, topando com todos os obstáculos possíveis e imagináveis, dentre eles, a desconfiança de uns, a indiferença de outros.
Porém, outra pergunta mais terrível me assombra desde então: Porque os escritores ficcionistas brasileiros, em geral, tendem a se sujeitar ao mandamento que inicia esta crônica?
Há livros que nos acompanham por toda a vida. De períodos em períodos nem tão distante, voltamos com satisfação e igual expectativa à leitura de tais livros. Um dia, pretendo, comentarei em outra crônica, tão despretensiosa quanto a esta, sobre os meus livros favoritos. Um dia, quem sabe.
Se há livros companheiros nossos, há igualmente autores com os quais nos identificamos, uma vez que nesses autores, encontramos tudo aquilo que gostaríamos de ser e realizar. E acreditem-me isso também se dá entre eles, os grandes, admirados e respeitados autores, que, possuem lá os autores com os quais se identificam, embora, muitos deles, depois de conhecerem e se deliciarem das honrarias do mundo, passem a negar isso peremptoriamente.
O mercado editorial brasileiro também não colabora para descobrir e lançar ficcionistas nacionais que escrevam por assim dizer uma literatura agradável de ser lida e que aborde temas com os quais os leitores se identifiquem. Os editores não lêem originais. Não são editores.  Na verdade, são homens de negócios, porque os livros (e os de ficção se inserem nessa tragédia) são objetos vendáveis, como um automóvel, uma televisão, uma garrafa de vinho. Calma, deixe o banheiro pra depois, caro leitor.
Para esses homens de negócios, os editores, é menos exigível para sua inteligência, menos perigoso para o seu rico dinheirinho comprar os direitos de edição de livros de autores estrangeiros, que, como se sabe trata de um universo, de temas e personagens que nada tem a ver com o nosso, o brasileiro. Mas são produtos, digo livros, que já vem com rótulo de sucesso de vendas, recomendados por jornalistas ilustres estrangeiros, colunistas desse ou daquele jornal, dessa ou daquela revista, mas totalmente desconhecidos por nós, e que receberam lá o seu chequinho para isso.
É aquela história sobre a lei do menor esforço: Por que fazer o bolo, se é possível comprá-lo pronto e revendê-lo?
No Brasil, os governos, sejam eles, municipal, estadual ou federal têm a sua parte de responsabilidade nessa história. Não possuem nenhuma política efetiva de incentivo à formação de novos escritores, e preferem, porque é mais fácil, estimular os escritores com viés político esquerdista, que tem história de engajamento dentro do movimento revolucionário comunista que atualmente governa o país, e que por sua vez abominam aqueles que não compartilham de suas ideias e de sua posição político-partidário, ou seja, os que não são camaradas e amiguinhos da turma.
Todavia, mais do que os governos e os editores, os educadores são vilões dessa tragédia. Nem digo os jornalistas culturais, se é que se pode denominá-los assim, porque esses, que ocupam as redações de jornais, emissoras de tevê e rádio e também os sites de notícia, em sua maioria, são também comunistas, embora jamais admitam o fato, e, muitas vezes, tem o descaramento de se pronunciarem como se fossem capitalistas, direitistas, conservadores ou republicanos.
Que mal esse cenário pode representar à Literatura Brasileira? O pior de todos: a deformação da nossa cultura.
No caso específico dos educadores, eles nada fazem para estimular a criança, o adolescente e mesmo o jovem ao exercício da leitura, e menos ainda, ao da escrita. Preparam os alunos para se saírem bem no vestibular. Escreverem meia dúzia de frases com começo, meio e fim, abordando temas atuais. Não lhes apresentam a literatura brasileira de ficção, por exemplo, como um inesgotável tesouro de valor humanístico incalculável a ser descoberto, utilizado e preservado. Ao contrário, a mando das mentes deturpadas que comandam a educação no país, já desde muito tempo, preferem, porque é mais fácil, (vejam que esse é sempre o raciocínio que prevalece) aproveitarem desse manancial literário, para retalhar textos, reduzirem a nada o seu sentido literário, para ensinar às crianças, adolescentes e jovens, regras gramaticais, ortográficas e outros que tais, da infinidade de penduricalhos da Língua Portuguesa, quando, para isto, deveriam se utilizar de textos jornalísticos, por exemplo, e não de ficção.
Agindo dessa forma, criam nos alunos uma resistência natural à leitura, convencem-nos de que livro é um bicho peçonhento e escritores são todos idiotas que não tem o que fazerem.
Mudar tudo isso? Interromper a tragédia? Impossível de imediato. Para tanto necessário a formação de uma nova elite intelectual neste país, preparada à altura que a hercúlea tarefa exige, e disposta a comprar a briga, o que convenhamos, trata-se no momento de utopia, em face o perfil dos jovens intelectuais brasileiros, preocupados apenas com o seu próprio umbigo e convencidos das estúpidas ideias socialistas.
Mas, ainda que fosse possível de imediato, como formar essa nova elite intelectual, se a situação do ensino público e até do particular, no que se refere ao seu conteúdo programático, a sua grade curricular é degradante, porque atende aos interesses daqueles que controlam o mundo, meia dúzia de pessoas que manipulam governos no mundo todo, porque se estes têm o poder político, os tais têm um poder ainda maior que é o poder econômico, para o qual, nós, reles mortais, e ficcionistas intérpretes da realidade que eles criam e manipulam, somos apenas o Gado.

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