sábado, 30 de março de 2013

FRAGMENTOS DA MANHÃ DE SÁBADO


Passa o tempo
Caminha-se do mesmo modo
Mas olha-se cada vez mais para o chão

Dentro do Jardim
Pessoas indo e vindo
Pena que não sejam Fernandos
Mas Joões, Josés e Marias

Fora do Jardim
A vida acontece
Dentro, perece a vida
Os minutos vêm e ficam

O soslaio olhar de Élis
Não me encontra
Passo ao largo
Em direção à banca de jornal
Vou à procura de papel e lápis
O banco vazio
E, quando retorno
Percebo que eu havia abandonado
Não o banco
O poema que se foi

Volto para casa pensando
Quem libertará o Anjo?
Quem devolverá a terra ao Índio?
Eu, não.
Satisfeito, já ocupei o meu tempo
Desejando escrever o poema


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