quinta-feira, 4 de abril de 2013

CRUZEIRO


Que é você, País?
Não entendo sua gente
Seu litoral desprotegido, sujo
Seu visual brega, mundano
Seu jeito suburbano
De café requintado e pão amanhecido
Camiseta cavada, bermuda manchada, chinelos
Suas cores, seus sabores
Palmeiras esvoaçantes, poemas delirantes
Bandeira reluzente,
Bundas salientes, expostas, flácidas, fedidas
Que é você, País?
Que se faz de bom
Que se finge humano
Que pune, rejeita, ignora os bons
E os que pra você, algum dia no passado,
As mãos estenderam, lhe ensinaram o que é trabalho
E o tiraram do esquecimento, da barbárie
De sua insignificância periférica perante o mundo
Não entendo você, País
Tenho pena e, em certos momentos, tenho ódio de você
Que dentre os seus se devora um a um
Em pedras fumadas, vidas despedaçadas, atiradas ao nada, vidas fuziladas
Suas mulheres de boca borrada, olhos murchos, sorriso fácil,
Suas crianças sem vida
Seus homens ineptos, corruptos, vadios
Seus mestres imundos, falsos iluminados, belos hipócritas
Que em cima de palanques ou de púlpitos tudo põe a perder
Com discurso demente e aspecto de santidade.


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