terça-feira, 25 de junho de 2013

VOZ NO DESERTO

Toda mensagem positiva, independentemente de quem ou de onde venha serve para aqueles que ainda trazem ao menos um ranço de esperança em seus corações; aos que já não a possuem ou aos que foram abandonados por ela, resta a dor e a certeza do inevitável . 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

POVO QUE LÊ?

"O brasileiro não se atém à substância da notícia. Portanto, não a compreende em sua totalidade". A frase pertence ao Prof. Olavo de Carvalho, filósofo (talvez o único brasileiro que mereça a distinção na atualidade), jornalista e escritor. Carvalho mora nos Estados Unidos onde ministra cursos de filosofia e mantém o site Mídia Sem Máscara, uma espécie de oásis de inteligência em meio o deserto da ignorância nacional. Uma vez por mês, ele apresenta via web rádio (áudio) e via Youtube (áudio e vídeo) o sempre acalorado True Out Speak. Acompanhar o professor seja através da leitura de seus artigos disponíveis no seu site pessoal www.olavodecarvalho.org ou nos meios de comunicação aqui citados é escapar da mesmice e da uniformidade (como ele próprio define) do noticiário nacional e da cena cultural do país.

Acredite leitor, que você pode até não concordar com as ideias do titio Olavo, mas que elas te levarão a refletir sobre uma série de coisas, não tenha a menor dúvida.
Eu poderia iniciar este artigo com uma introdução diferente, mas escolhi esta, primeiro porque a garrafa de café da redação está quase vazia, e os cigarros amassados dentro da gaveta, quase acabando, e sinceramente, não pretendo ficar com a bunda colada nessa cadeira desconfortável até as 10 da noite. Não pelo menos hoje.
Muito bem, caros leitores (e leitoras, é claro, antes que alguma desavisada me processe por isso, ou me torne a causa de uma passeata de protestos em favor da igualdade de menções ao gênero masculino e feminino por parte dos redatores).
Como eu ia dizendo, naquele nosso jeito informal de conversar eu e você, cara leitora, digo, leitor, na edição de Junho/2012, do Jornal Aquarius, e do qual somos um dos colaboradores, ocorreu um equívoco. Nada que macule a credibilidade do mensário, tão pouco de seu editor, nada disso, mas o equívoco justamente na capa do jornal, que, entre suas qualidades, tem por rotina não sujar literalmente a mão de quem o lê, poderia justificar a demissão, a guilhotina do infeliz que o cometeu, porque, imagine você, leitor atento que é, onde já se viu, não é mesmo, estampar no mosaico a foto do lago de Araras, tão conhecido e admirado, e não o de Rio Claro, cidade que por estar completando mais um aniversário foi a homenageada da referida edição.
Confesso, não fosse o Maurício Beraldo, imbuído de sua irretocável dignidade me alertar, e nem eu teria percebido o fato, como ouso imaginar que 9 em cada 10 dos muitos leitores do Aquarius perceberam.
O que isso revela? Que somos desligados, indiferentes? Talvez. Mas eu prefiro acreditar que a causa principal seja mesmo a nossa inaptidão natural para a leitura, e, pior, ainda, nossa falta de hábito e de jeito para o contato com uma publicação impressa, seja ela livro, jornal ou revista.
Se isso nos falta, que diremos de nossos filhos e netos, que inseridos em um mundo de moderna tecnologia aprenderam a ler por meio do celular, melhor dizendo, das mensagens neles escritas e que são as que realmente lhes interessam. Não é mesmo, Viviane? Sim, Viviane é minha filha. Beijinho, filha.
Que tipo de sociedade nós vamos herdar ao mundo, não sei. Uma geração de alienados? Quem sabe. Ou eles é que construirão a seu turno, um mundo, que hoje, sequer poderíamos vislumbrar baseados nas informações e conhecimentos que possuímos.
Sabemos que a informação é poder. Mas o modo como atualmente ela chega até nós, desmente essa máxima. Porque se trata de uma informação orquestrada, uniforme, que visa manipular a opinião pública, e fazer com que esta aceite, escolha, e acredite naquilo que interessa aos maiores beneficiados de um sistema econômico selvagem que apenas visa o lucro.
Desconfie, portanto, leitor, das afirmações que parecem não deixar dúvidas no que diz respeito à política e a economia. Ou das mensagens publicitárias que parecem sugerir mais de uma ou todas as alternativas, como a de determinada marca de cigarros, exposta estrategicamente nos caixas dos supermercados e que tem um grande “Talvez” em negrito, riscado por um “X” ainda maior. Talvez o quê? Entende?
Quando você assistir a uma tele-novela, um filme, uma peça de teatro, ouvir uma música, saiba que tais manifestações artísticas, trazem em seu bojo, um teste daquilo que na política, será no futuro, colocado em prática. Como já dizia o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal (1874-1929): “Nada se torna realidade na política de um país, se antes não está presente como espírito na sua literatura”. Ele se referia ao livro “O Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Já leram? Façam-no. E talvez encontrem algo que hoje seja comum aos nossos olhos.
Exagero de nossa parte, você pode estar pensando. Lembre-se que o alto custo dessas produções artísticas que atingem as grandes massas, demandam  financiamento. E aí encontramos a solução para tanto nas verbas publicitárias das empresas e dos governos, cada qual, com seus interesses.
Não há santo e muito menos coisa alguma de graça nesse meio, como não há independência jornalística, a partir do momento que uma publicação do gênero aceite que alguém ou alguma coisa veicule a sua mensagem publicitária.
Imprensa, artistas devem satisfações aos seus leitores e admiradores, sim. Mas aos seus anunciantes e patrocinadores, muito mais, porque sem esses últimos, os primeiros simplesmente não existem.
Aí, você pode dizer, mas e se o sujeito, no caso do artista, for podre de rico? Sim, ele até consegue botar o pescoço pra fora a fim de que todos o vejam e quem sabe até o admirem. Mas se ele com suas atitudes e sua arte, contrariar os interesses do sistema, do qual a imprensa faz parte, será devidamente engolido e levado ao obscurantismo por parte desse sistema que não admite erros, e muito menos prejuízos.
Deus tem suas leis, caro leitor, e os homens que mandam, porque possuem o poder econômico, de onde advém e através do qual se sustém todos os demais poderes, inclusive o político tem as suas. E, portanto, seus escolhidos. E disto, já sabiam os hebreus. E nada garante que eles eram dados à leitura. Moisés que o diga.

terça-feira, 18 de junho de 2013

VINTE CENTAVOS, O PREÇO DA REVOLTA?

Nós brasileiros, nos acostumamos a ver manifestações populares no quintal dos outros. Agora nos deparamos com os mesmos acontecimentos no nosso quintal.
Há de se admitir o devastador efeito viral do poder de comunicação das redes sociais. Eventos que em sua origem reuniam algumas centenas de pessoas, uma semana depois, reúnem milhares delas.

É lógico que muitas pessoas aderiram à causa das manifestações depois de, estarrecidas, tomarem conhecimento através da mídia e das redes sociais, da reação das polícias para com os manifestantes.
Soma-se a isso, a conduta sempre inadequada dos políticos brasileiros, em teoria, os legítimos representantes do povo, mas que descaradamente insultam a boa fé e traem sem nenhum sentimento de culpa ou remorso a confiança desse povo, com gestos e atitudes exorbitantes, que beiram ao ridículo e que visam tão somente os benefícios e privilégios dos próprios políticos, através da prática nefasta da corrupção que corrói a riqueza do país, criada não por eles, os políticos que estão no poder, mas pelo povo, que, desta riqueza, só obtém esmolas que mais insultam a inteligência do que resgatam a dignidade, a exemplo do Bolsa Família.
A imprensa, não sem motivo, possui certa desconfiança para com a polícia militar e é compreensível sob esse aspecto que carregue na tinta e nas lentes os seus relatos sobre as manifestações que se verificam, o que, de certo modo, tende a induzir a opinião pública que, em sua maioria, ainda se vê muito mais representada pela imprensa que na classe política.
Mas, não se iludam. As tais reivindicações que justificariam a onda de protestos que se verifica em várias cidades do Brasil, como o aumento de tarifas de ônibus em São Paulo de R$3,00 para R$3,20, seria segundo alguns, apenas pano de fundo para o real motivo do que se pretenderia, ou seja, estabelecer o caos na sociedade brasileira, cenário que serviria como pretexto para instaurar a ditadura esquerdista no país.
Mais uma vez o povo estaria sendo usado como massa de manobra para engrossar um movimento e criar dificuldades para o controle legal da situação por parte das autoridades.
Se tais manifestações perdurarem mais uma semana com a mesma intensidade, pode-se a partir daí se atingir uma situação de instabilidade civil de consequências imprevisíveis.
Importante observar que o cenário que se vivencia atualmente no país favorece a implantação de um regime totalitário: não há oposição política ao governo federal; parte significativa da imprensa, justamente aquela que ainda forma opinião, está comprometida e, quando não, está sob controle, porque depende das verbas governamentais e dos investimentos publicitários das empresas que tem boas relações com os governos, seja em nível federal, como estadual e municipal. Pois se dependesse apenas da venda de suas publicações ao público leitor, no caso dos jornais e de seus anunciantes, no caso das tevês e rádios, estariam à beira da falência ou simplesmente já teriam deixado de existir.
Além disso, contribuem substancialmente para a deflagração dessas manifestações de rua, o oportunismo dos partidos políticos radicais, que nesses movimentos encontram a oportunidade para se fazerem vistos, ouvidos e obterem algum espaço político dentro do esquema de poder que atualmente comanda o Brasil.
As razões, entretanto, vão mais além. Elas passam pela insolvência, criminosamente planejada, do sagrado instituto da família. Passa pela impunidade e a corrupção, a excessiva carga de impostos paga pelo contribuinte sem nenhum retorno, a péssima educação pública, não por culpa dos professores, e que ao invés de formar cidadãos, tende a transformar crianças, adolescentes e jovens em potenciais transgressores das leis. Passa pela apologia ao crime, e à prática da promiscuidade, bem como à alienação e a estupidificação por meio das programações e informações difundidas pelos veículos de comunicação de massa. O estímulo ao consumo das drogas e das bebidas, cuja indústria financiaria o futebol profissional. A omissão proposital dos governos, uns por conivência, outros por falta de iniciativa e perspectiva, e, sobretudo comprometimento e coragem. Passa ainda pela dificuldade das autoridades em fazer com que as leis sejam cumpridas, pelo fato de que as leis que serviriam para garantir a ordem acham-se obsoletas, quando não favorecem justamente aqueles que não as respeitam. E finalmente o segmento cultural e artístico, onde, de um lado, se destacam ídolos de pano, roto e rasgado, das artes cênicas e da música, produzidos em toque de caixa por especialistas, e que nada tem a dizer ou expressar senão superficialidades e besteiras, e de outro lado, aqueles artistas absolutamente dependentes das esmolas das famigeradas políticas culturais, cujo intento, não é como se propaga reconhecer e valorizar o artista menos conhecido, portanto de menor apelo e penetração popular, mas mantê-lo subserviente e sob domínio, de modo que não se torne uma ameaça ao sistema, ao contrário, contribua para a sua manutenção. As referências nesse segmento, como se vê são as piores possíveis.
O cidadão comum, por sua vez, este ser amorfo, contraditório, alienado e omisso, quanto às coisas que imagina ingenuamente não lhe dizer respeito, e que atende a cada quatro anos pelo nome de eleitor, pode ser bonzinho demais, mas burrinho demais, talvez não seja. Porque tolerou a péssima saúde pública, o ineficiente transporte público, os baixíssimos salários pagos aos que realmente trabalham no país, até o momento em que apareceu a dinheirama, que se dizia não existir, para financiar obras faraônicas e absolutamente dispensáveis, como os estádios de futebol para a Copa do Mundo, cujo legado é duvidoso.
Tolerou a corrupção, até que se descobriu que os seus maiores praticantes eram justamente aqueles que sempre a condenaram e que há 11 anos governam o país. E indignado descobriu que os maiores beneficiados pela impunidade eram também aqueles próprios corruptos, que, apesar de condenados, ainda gozam dos benefícios das leis que ironicamente asseguram os direitos de quem não as cumpre, em uma afronta intolerável que desvaloriza a conduta correta daqueles que as respeitam e as cumprem.
Entenda-se que o objetivo principal por trás de tais manifestações de rua verificadas no Brasil nos últimos dias não é derrubar o governo federal da presidenta Dilma, como ingenuamente chegam a acreditar alguns. O objetivo visa manutenção do mesmo esquema de poder, onde a presidente, como se sabe, é apenas a ponta do iceberg, e a sua ampliação para um poder totalitário a perder de vista, não feito aquele que governou o país durante quase 24 anos, pior.
Se tal situação vier a ocorrer, dependerá, evidentemente, do respaldo das Forças Armadas, para que sustente. Se estas tiverem uma atitude venezuelana, por assim dizer, adeus liberdade, e salvem-se quem puder. Mas se acaso se dividirem em suas opiniões e decisões, a ponto de uma parte delas ficar a favor do eventual regime totalitário e outra não, aí estaremos com um pé no cenário mais inimaginável em se tratando de Brasil: a guerra civil, que em face das dimensões continentais do país, não será apenas uma contenda de primavera, como aquelas verificadas nos países árabes. Será, talvez, um verão com altíssimas temperaturas. E como disse o Geraldo, que não é este que vos escreve caro leitor, talvez falte guilhotina, mesmo.
A pouco mais de um ano das eleições presidenciais e diante da possibilidade de perder o poder em nível nacional, não seria absurdo imaginar que o grupo político que hoje governa o país, teria interesse em enfraquecer o oposicionista governo de São Paulo, o que facilitaria, em tese, a tomada do poder em nível estadual daqui a um ano, a exemplo do que ocorreu este ano, na capital.

Além do mais, enfraquecida as pretensões da cúpula do PSDB paulista em mais uma vez lançar candidato à presidência da república, estaria aberto o caminho para a candidatura mineira de Aécio Neves, que, em tese, não se constituiria, na prática, oposição ao governo federal que aí está. Muito pelo contrário. É aguardar para ver. E rezar.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

POEMA AO ENTARDECER

Você me faz coisas que ninguém jamais me fez
Demonstra por mim um carinho
Que alguns até quiseram, mas
Sentir jamais conseguiram
Você me surpreende com palavras das quais
Eu já havia me esquecido
Provoca-me um desejo
Que a realidade tratou de aniquilar
Faz-me buscar a razão que atormenta
Pelo fato de não saber por quê
Eu jamais fora feliz
Você surge a cada dia
Em meu pensamento
Quando o sol desperta
E adormece em meu coração, na minha ilusão
Quando a noite chega
E me coloca novamente, sem nenhum remorso
Nos braços da solidão, onde vivo cada momento
Eu já havia me esquecido o modo de fazê-lo
Já havia me convencido de que não é mais possível
O que sinto quando escrevo estas coisas, mas...
Basta a lembrança mencionar o seu nome
Ou me trazer de novo o seu olhar
Para que então, tudo aconteça de novo

Ao menos aqui... dentro de mim

Para a Srta. A. (ainda que distante).

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A QUEM INTERESSAR POSSA

Vivemos um tempo em que se dá um valor desmedido às coisas fúteis, efêmeras, capazes de provocar fortes emoções e nos colocar em contato direto com o maravilhoso e o fantástico, e nos proporcionar experiências, que, todavia, uma vez terminadas causam uma devastação no sempre inconsolável coração humano, na sua busca incessante por prazer e felicidade, impondo-lhe desse modo à condição de escravo de necessidades que, em verdade, não possui.

Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, mas uma liberdade sem compromisso, uma igualdade sem respeito, uma fraternidade que não passa de egoísmo, verifica-se tremendo esforço por parte da indústria do entretenimento, através da mídia, a qual sustenta, em demolir os conceitos religiosos, a fé em Deus, a boa nova do Cristo Jesus.
No comando dessa operação maquiavélica, estão os verdadeiros donos do poder e do dinheiro, que, nas últimas décadas, conseguiram por meio de hábeis recursos de engenharia social, estabelecer uma nova (nem tão nova assim) ideologia política, a partir do combalido comunismo que, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 parecia jaz nos escombros do Muro de Berlim. A nova face do comunismo é a social democracia, mais agradável aos sentidos humanos, por assim dizer.
Coube a Igreja Católica Romana durante centenas de anos, muitas vezes às duras penas e sob terríveis perseguições, preservar na maioria das pessoas do lado de cá do mundo, a fé viva em Deus, os ensinamentos da moral cristã, e também as riquezas da Cultura Ocidental. Se esta Igreja já cumpriu o seu papel, ou se pode adquirir um novo dinamismo, uma nova função desde que se livre do mofo da prepotência, não nos cabe especular.
Não ignoramos, todavia, a necessidade que se faz nos dias atuais de resguardar com coragem e divulgar sem inibição os valores absolutos da sociedade humana que são os valores morais cristãos, ou seja, o amor, o perdão, a fraternidade, o respeito ao semelhante sem interferir na sua liberdade de escolha e sem permitir que a liberdade alheia, por sua vez, interfira na de outro.
Desse modo, é imprescindível nos ajudarmos uns aos outros nas horas de dor, cabendo e podendo cada um dar o que possui e isto pode ser um auxílio material que atenda a uma necessidade meramente humana e premente, porque dor, fome, frio, não sabem o que é esperar. Ou ainda, uma palavra, um gesto amigo que revigora, esclarece, consola a alma aflita com a qual nos deparamos.
Mas o mundo que construímos até aqui para nós é baseado no sistema econômico que determina produzir, consumir, para  satisfazer, uns,  e obter lucros, outros. E mais que, em qualquer outra época, a Cultura está a serviço desse sistema. Nenhuma outra indústria como a do entretenimento recebeu nos últimos anos tantos investimentos de recursos financeiros. Porque é através da Cultura que atualmente se escoa, se faz chegar às pessoas, os produtos, as tendências, o comportamento que tem por objetivo gerar lucros para os tais investidores, ou seja, os donos do dinheiro.
Não à toa ídolos da música, do futebol, do cinema, do show bussines são produzidos às fornadas, elevados rapidamente à condição de deuses, determinando o que as pessoas devem assistir e ouvir, comer e o que vestir, e como devem se comportar. Um caso típico brasileiro, são as tele-novelas que tanto apelo possui junto às pessoas tornaram-se escola do crime.
Por outro lado, a imprensa, por razões que bem conhecemos, dá ênfase a tudo aquilo que não presta e que é errado, sob o pretexto de que o cachorro morder o homem não é notícia, mas o homem morder o cachorro é. Talvez fosse bom lembrar os colegas jornalistas que, diante do cenário por eles habilmente retratado, as boas ações, os gestos humanitários e as condutas edificantes já alcançaram a condição do homem que morde o cachorro, uma vez que, para o leitor, o telespectador, o internauta, o ouvinte comum, aquele que não se atém à substância das notícias, tais ações positivas se tornaram exceção na rotina humana, quando sabemos que isso não corresponde à realidade.
Se nada podemos esperar dos governos, comprometidos até o pescoço com os verdadeiros e únicos donos do dinheiro e do poder político; nem da Cultura, da Educação pública e privada, e tão pouco da imprensa, talvez resta-nos recorrermos ao último bastião da dignidade humana que são as religiões, naquilo que elas têm de melhor por conceito e definição, uma vez que conduzidas por homens, são atingidas por defeitos e erros conhecidos de todos que possuem um mínimo de informação. Mas, enfim, pelo fato de estarem ao menos em tese dispostas a dar uma orientação baseada na bondade, no amor, nas virtudes, são as religiões, os abrigos onde o ser humano ainda pode recorrer.
Por essa razão, pelo valor humanitário e espiritual que as religiões são detentoras, e pela influência positiva que podem exercer junto ao indivíduo e às famílias, já é tempo dos diversos segmentos religiosos que tem Deus como a causa primária de todas as coisas e os valores cristãos como norte de conduta, parar de rusgas, disputas entre si e se unirem em ações de alcance mundial, aproveitando todos os espaços na mídia, e inclusive o poder de divulgação que possuem as redes sociais. Em nosso entendimento, é hora de saírem do casulo de seus dogmas, de arrancá-los fora como o joio do trigo e queimá-los, porque são ervas daninhas que impede a roseira perfumada da fé, do amor e da cristandade, de crescer e revelar toda sua beleza.
Pessoas de bem, religiosas ou não, melhor fariam se parassem de se destruírem a si mesmas e umas às outras, através do veneno do orgulho, do egoísmo e da ambição. Pois cada uma é como flores de esperança que Deus colocou neste planeta, que, generoso, porque criado sob a luz da divindade tudo oferece para o sustento de todos, sem que haja necessidade de um agir em prejuízo do outro, bastando para isso o exercício da solidariedade, do desapego por aquilo que sob nossa guarda acha-se transitoriamente.
Por isso, antes de nos colocarmos à crítica sobre a preferência religiosa de cada um, tratemos de deitar as armas, principalmente a língua, e nos analisarmos para que conscientes de nossas limitações, mas também de nossas possibilidades, busquemos nos aperfeiçoarmos moralmente.
Naquilo que diz respeito ao Espiritismo, sempre tão combatido por aqueles que o temem porque o ignoram, antes de se por a crítica e condenar o que não se conhece, melhor será instruir-se sobre os Fundamentos do mesmo, que são: existência de Deus, imortalidade do espírito, reencarnação, comunicabilidade entre os espíritos, lei de causa e efeito, pluralidade dos mundos habitados, evolução.
Depois, só depois, fique-se à vontade para comentar, criticar e até condenar, se é que se sinta a altura disso. Pelo menos estará se fazendo com conhecimento de causa.
Falar e fazer juízo de valor sobre o que não se conhece é fácil e podem motivar outros a agirem da mesma forma desencadeando processos destrutivos que apenas atrasam o progresso moral da sociedade humana. Mas, se uma palavra pode matar a outra, o exemplo, não. Porque é nele que se realiza a ação, através da qual cada um se revela.
O Espiritismo, por sua vez, é sustentado pela fé raciocinada. Exatamente por isso, ele não faz proselitismo, nada impõe, apenas propõe.
O Espiritismo nos mostra o que somos e de onde viemos e para onde vamos. Vivifica ao mesmo tempo em que esclarece, conforta nas horas difíceis comum a todos nós, em face da condição moral do planeta que habitamos em concordância com a nossa; ensina-nos a ser corajosos para enfrentar a boa luta, como ensinara Paulo, e sem armas, nenhuma, que não seja a fé e a boa vontade. Ensina-nos a nos prevenirmos quando, temporariamente ao abrigo, sentados no trono, à mesa farta, estivermos, porque, feito o mar, a vida pode mudar a qualquer momento. Ensina-nos a nos perguntarmos perante o sofrimento alheio: que posso fazer para amenizar ao menos o sofrimento do meu semelhante, porque ele feito eu, é também um filho de Deus.
Escrevo sobre isto, meus caros amigos, companheiros de jornada, de ontem, de hoje e de sempre e possíveis desafetos, não em defesa do Espiritismo porque ele não precisa disso, mas com único objetivo de compartilhar tais reflexões.
Sou espírita, sim. E isso não me faz nem melhor e nem pior que os outros. Mas é esse o Caminho, que já existia ao tempo de Pedro, dos primeiros cristãos, que tem salvado das trevas, por exemplo, a minha vida desde os meus 17 anos.
O que sugiro, se é que posso fazê-lo, é que cada um encontre o seu Caminho, porque eles são muitos, desde que com Cristo Jesus, que melhor atenda às suas necessidades, as espirituais, porque são elas que contam, uma vez que somos espíritos momentaneamente na condição humana. Cá estamos, mas não estaremos para sempre.

Diálogo Imaginário:

Um ser bastante evoluído pertencente a uma raça superiora, habitante de um mundo bem mais evoluído que o nosso é questionado sobre a possibilidade de sua gente interferir diretamente na sociedade humana, estabelecendo aqui uma nova ordem de coisas fundamentada na justiça, no amor, na bondade, enfim, repleta de virtudes. Ao que ele responde: Por que e como haveríamos de fazê-lo, se vocês humanos, irmãos que são, ainda se ofendem, se agridem, se matam?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O MUNDO DE FRANCIS

Filme recém lançado, reacende o interesse pela vida e obra do escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald

Em cartaz nos cinemas do Brasil (ao menos nos melhores) o filme O Grande Gatsby, título homônimo do romance do escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald (1896-1940), publicado pela primeira vez no longínquo 1925, durante o período que passou à história como os Anos Loucos.

Esse período alucinante do século 20 que teve início logo após o término da 1ª. Guerra mundial, inicialmente tratou de sepultar de vez a velhota e decadente Belle Epóque que mais nada podia oferecer de bom e de belo aos amantes das artes, agora sedentos por novidades tecnológicas e fortes emoções, e dispostos à exaltação do “eu” a todo a custo, num evidente egoísmo exacerbado que, compartilhado por muitos, principalmente aos que habitavam os grandes centros como Paris, Londres, Berlim, New York e Chicago davam a esse comportamento um falso ar de naturalidade.
Ao som do poderoso e carismático jazz, tais pessoas lotavam cassinos, salões de dança e cabarés. As mulheres, geralmente sorridentes, ousavam como nunca mexer os quadris e colocar tornozelos e pescoços à mostra, para o deleite dos homens, que, em troca de tórridos momentos de amor, não se importavam de expor sua intimidade e comprometer suas existências nas mesas de jogos, restaurantes e nas camas de bordéis, acumulando dívidas jamais pagas.
O que a sociedade vê hoje com certo repudio, mas não menos interesse, já naquele tempo era costume. Homossexualismo, prazer a qualquer custo, mulheres bebendo muito, homens sonhando muito mais ainda e realizando pouco.
Os Roaring Twenties (Anos Loucos) terminaram em uma estrondosa queda de cara no chão, tão bem conhecida por aqueles acostumados com uns muitos goles a mais. Pra ser mais exato, em 1929 com o episódio conhecido como o Crash da Bolsa de Valores New York que fez muitos sonhadores e outros tantos irresponsáveis retornarem à triste realidade do cotidiano em que a felicidade, exatamente por ser o bem mais precioso, sorri para bem poucos.

Mas para o autor de O Grande Gatsby, a felicidade – se a conheceu mesmo –  talvez tenha terminado um pouco antes, como sugere o também escritor e seu contemporâneo Ernest Hemingway no bastante apreciável Paris é uma Festa. No aspecto tragédia da biografia de ambos, a diferença é que a via crucis de Hemingway teve uns quilômetros a mais.
No tempo em que esses escritores conviveram em Paris, Fitzgerald confidenciara a Hemingway que seu romance O Grande Gatsby, apesar de apreciado pela crítica especializada não ia lá muito bem de vendas. Coincidentemente o mesmo se dá com o filme em cartaz. A mais recente das muitas versões que a obra literária teve para o cinema, a mais conhecida até aqui, a de 1974, com Robert Redford e Mia Farrow nos papéis principais.
Em seu tempo, Fitzgerald se dividia entre o seu talento natural para escrever histórias, muitas delas publicadas em revistas como a Saturday Evening Post, e os porres homéricos de sua esposa Zelda, em cujo grau de paridade ele não ficava nem um pouco atrás. Algo mais sobre esses episódios recomenda-se a leitura do delicioso O Leitor Apaixonado, de autoria de Ruy Castro, Cia. das Letras, 368 págs.
A trama central do romance O Grande Gatsby gira em torno do desejo e conquista de Jay Gatsby em amealhar fortuna e ascender socialmente na esperança quase uma certeza de que isto lhe dê as credenciais para conquistar Daisy que o rejeitara no passado, quando ainda jovens, ele, um ex-combatente, exímio atirador, durante a primeira guerra mundial, ela, uma fina e recatada (até a página 2) senhorita da alta sociedade.

Como todo bom romance há histórias paralelas interessantes em O Grande Gatsby. É tocante, por exemplo, a cena em que o pai do personagem principal vai ao encontro do filho no final da narrativa.
Francis Scott Fitzgerald, oriundo da classe média alta, ex- aluno de Princeton, ex-combatente da primeira guerra mundial, era um refinado estilista da palavra. Para Ernest Hemingway, o talento de Scott era tão espontâneo como o desenho que o pó faz nas asas de uma borboleta. Da lavra do autor de O Grande Gatsby, saíram outros bons romances, como Este Lado do Paraíso (This Side of Paradise, 1920), Belos e Malditos (The Beautiful and Damned, 1922), Suave é a Noite (Tender is the night, 1934) e O Último Magnata (The Love of the last tycoon, 1940), este último inacabado, mas que a exemplo de O Grande Gatsby, levado às telas do cinema, em 1976, reacendeu o interesse pela obra literária do escritor.
Numa analogia bem simplista pode-se dizer, que Philip Roth, considerado o melhor romancista norte-americano das últimas décadas, seria por assim dizer um Wolkswagen, 1969, se comparado ao Lincoln Continental que foi Francis Scott Fitzgerald, o melhor ficcionista de sua geração, melhor até mesmo do que o Nobel (1954) Ernest Miller Hemingway. Nem tanto no quesito imaginação, no qual se equiparavam já que muito do que escreveram fora autobiográfico, mas, principalmente, no fino trato com a palavra escrita e suas inúmeras possibilidades nas construções de frase e períodos. Onde Hemingway parava, ou seja, nas frases curtas, afirmativas, na narrativa geralmente linear, Fitzgerald ia além.
Mais uma vez mal comparando, a escrita de Hemingway, principalmente os diálogos onde ocorre boa parte da ação, tem o ritmo frenético do jazz, e a de Fitzgerald a cadência envolvente e apaixonante do passo dublê, de rosto colocado, quando se fecha os olhos e se deixa levar pela emoção e se delicia com tudo aquilo que de bom esta emoção pode proporcionar.

Baseado em seus dramas pessoais, que não foram poucos, Francis Scott Fitzgerald retratou como ninguém os anos loucos de sua época. Melhor saiu-se nos contos que nos romances, como se pode constatar em Contos da Era do Jazz (Thales of the jazz age, 1922) e The short stories of F. Scott Fitzgerald, 1989.
No final da vida, já derrotado pelo álcool tentou redimir-se perante o público e perante sua própria consciência, trabalhando anonimamente como roteirista em Hollywood. Mas já não era mais a mesma coisa, cinema não é literatura, e ele já não era mais o mesmo.
Curioso, entretanto, é observar que o mundo pintado com palavras por Fitzgerald, tem muito a ver com o mundo de hoje, dominado por pessoas egoístas, que projetam nos outros sua própria felicidade, ainda que para isso tenham que dominá-los e possuí-los. Mundo das modernas tecnologias que, se proporcionam conforto ao invés de aproximar distancia as pessoas. Mundo onde a dança ainda provoca frêmitos, ainda que ao embalo de músicas menos inteligentes e menos interessantes. Mundo onde o prazer maior da vida parece mesmo ser o sexo e o deleite em entornar garrafas e mais garrafas, não exatamente de um bom uísque, um bom vinho, um inebriante champagne, mas uma cervejinha bem gelada.

Enfim, como há quase cem anos, vive-se apenas para o hoje, não se tem certeza de absolutamente nada, embora se se acredite saber de tudo. A noite continua sedutora, os romances uma fuga, e o amor, terrivelmente decepcionante e destruidor. Como se vê nada mudou. O mundo de Fitzgerald e os de sua geração, de lá para cá, não saiu de cena.

***

“Não se escreve por se querer dizer alguma coisa, escreve-se porque se tem alguma coisa para dizer” – F. Scott Fitzgerald.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

NO DRINK

Alcoolizar-se é fugir à realidade

E fora da realidade não se resolve nenhum problema
Alcoolizar-se é fragilizar a alma
Destruir o corpo
É implodir a semente de luz de um ser inteligente que pensa e cria: você
Alcoolizar-se não é companhia é algoz ao qual se submete deliberadamente
Sem que sobre os ombros pese culpa
Sem que a consciência acuse
Alcoolizar-se é matar-se lentamente
Imaginando tornar-se herói
Se causa estímulo, exige, porém, aniquilar
A possibilidade de uma vida abençoada e abundante
Não vá por esse caminho
Não se iluda
Não houve até hoje quem se entregasse ao vício
E experimentasse felicidade e paz
Lembre-se que quando você destrói algo que não lhe pertence
Terá de reconstruí-lo
E é difícil, penoso, leva tempo
Imagine como será então reconstruir o que lhe pertence:
Sua vida


terça-feira, 4 de junho de 2013

FINISH MIND

A matéria está por toda parte, é manipulável, e o que a manipula é o Espírito que é o princípio inteligente e individual. Por isso que entre nós há aqueles que sabem e podem manipular a matéria. São eles os mestres, os que vêem e podem conduzir os cegos que são a maioria de nós. - g.j.c.jr.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

BICHO HOMEM

Não acredito no desaparecimento do livro no formato papel, mas em uma acomodação das várias mídias para atender às demandas do mercado que, não desaparecem assim, da noite para o dia, vão simplesmente desaparecendo ou adquirindo novos formatos.

Antes dos livros, as ficções eram publicadas nos jornais da época sob a forma de folhetim. Quando surgiu o rádio disseram quer ninguém mais leria jornais, o mesmo se deu em relação ao rádio com o advento da televisão, e desta, em relação ao computador pessoal.
De modo que há mercado pra tudo. Concluindo, e reiterando, acho que tudo irá se acomodar e ocupar o seu devido espaço.
A humanidade anda a passos de tartaruga, ela simplesmente é incapaz de transformações radicais. Porque talvez, em seu subconsciente carrega o sentimento de culpa por ser o maior predador do meio em que vive e pelo fato de jamais ter certeza de nada, nem de si mesmo, muito menos de seu destino.