quarta-feira, 12 de junho de 2013

A QUEM INTERESSAR POSSA

Vivemos um tempo em que se dá um valor desmedido às coisas fúteis, efêmeras, capazes de provocar fortes emoções e nos colocar em contato direto com o maravilhoso e o fantástico, e nos proporcionar experiências, que, todavia, uma vez terminadas causam uma devastação no sempre inconsolável coração humano, na sua busca incessante por prazer e felicidade, impondo-lhe desse modo à condição de escravo de necessidades que, em verdade, não possui.

Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, mas uma liberdade sem compromisso, uma igualdade sem respeito, uma fraternidade que não passa de egoísmo, verifica-se tremendo esforço por parte da indústria do entretenimento, através da mídia, a qual sustenta, em demolir os conceitos religiosos, a fé em Deus, a boa nova do Cristo Jesus.
No comando dessa operação maquiavélica, estão os verdadeiros donos do poder e do dinheiro, que, nas últimas décadas, conseguiram por meio de hábeis recursos de engenharia social, estabelecer uma nova (nem tão nova assim) ideologia política, a partir do combalido comunismo que, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 parecia jaz nos escombros do Muro de Berlim. A nova face do comunismo é a social democracia, mais agradável aos sentidos humanos, por assim dizer.
Coube a Igreja Católica Romana durante centenas de anos, muitas vezes às duras penas e sob terríveis perseguições, preservar na maioria das pessoas do lado de cá do mundo, a fé viva em Deus, os ensinamentos da moral cristã, e também as riquezas da Cultura Ocidental. Se esta Igreja já cumpriu o seu papel, ou se pode adquirir um novo dinamismo, uma nova função desde que se livre do mofo da prepotência, não nos cabe especular.
Não ignoramos, todavia, a necessidade que se faz nos dias atuais de resguardar com coragem e divulgar sem inibição os valores absolutos da sociedade humana que são os valores morais cristãos, ou seja, o amor, o perdão, a fraternidade, o respeito ao semelhante sem interferir na sua liberdade de escolha e sem permitir que a liberdade alheia, por sua vez, interfira na de outro.
Desse modo, é imprescindível nos ajudarmos uns aos outros nas horas de dor, cabendo e podendo cada um dar o que possui e isto pode ser um auxílio material que atenda a uma necessidade meramente humana e premente, porque dor, fome, frio, não sabem o que é esperar. Ou ainda, uma palavra, um gesto amigo que revigora, esclarece, consola a alma aflita com a qual nos deparamos.
Mas o mundo que construímos até aqui para nós é baseado no sistema econômico que determina produzir, consumir, para  satisfazer, uns,  e obter lucros, outros. E mais que, em qualquer outra época, a Cultura está a serviço desse sistema. Nenhuma outra indústria como a do entretenimento recebeu nos últimos anos tantos investimentos de recursos financeiros. Porque é através da Cultura que atualmente se escoa, se faz chegar às pessoas, os produtos, as tendências, o comportamento que tem por objetivo gerar lucros para os tais investidores, ou seja, os donos do dinheiro.
Não à toa ídolos da música, do futebol, do cinema, do show bussines são produzidos às fornadas, elevados rapidamente à condição de deuses, determinando o que as pessoas devem assistir e ouvir, comer e o que vestir, e como devem se comportar. Um caso típico brasileiro, são as tele-novelas que tanto apelo possui junto às pessoas tornaram-se escola do crime.
Por outro lado, a imprensa, por razões que bem conhecemos, dá ênfase a tudo aquilo que não presta e que é errado, sob o pretexto de que o cachorro morder o homem não é notícia, mas o homem morder o cachorro é. Talvez fosse bom lembrar os colegas jornalistas que, diante do cenário por eles habilmente retratado, as boas ações, os gestos humanitários e as condutas edificantes já alcançaram a condição do homem que morde o cachorro, uma vez que, para o leitor, o telespectador, o internauta, o ouvinte comum, aquele que não se atém à substância das notícias, tais ações positivas se tornaram exceção na rotina humana, quando sabemos que isso não corresponde à realidade.
Se nada podemos esperar dos governos, comprometidos até o pescoço com os verdadeiros e únicos donos do dinheiro e do poder político; nem da Cultura, da Educação pública e privada, e tão pouco da imprensa, talvez resta-nos recorrermos ao último bastião da dignidade humana que são as religiões, naquilo que elas têm de melhor por conceito e definição, uma vez que conduzidas por homens, são atingidas por defeitos e erros conhecidos de todos que possuem um mínimo de informação. Mas, enfim, pelo fato de estarem ao menos em tese dispostas a dar uma orientação baseada na bondade, no amor, nas virtudes, são as religiões, os abrigos onde o ser humano ainda pode recorrer.
Por essa razão, pelo valor humanitário e espiritual que as religiões são detentoras, e pela influência positiva que podem exercer junto ao indivíduo e às famílias, já é tempo dos diversos segmentos religiosos que tem Deus como a causa primária de todas as coisas e os valores cristãos como norte de conduta, parar de rusgas, disputas entre si e se unirem em ações de alcance mundial, aproveitando todos os espaços na mídia, e inclusive o poder de divulgação que possuem as redes sociais. Em nosso entendimento, é hora de saírem do casulo de seus dogmas, de arrancá-los fora como o joio do trigo e queimá-los, porque são ervas daninhas que impede a roseira perfumada da fé, do amor e da cristandade, de crescer e revelar toda sua beleza.
Pessoas de bem, religiosas ou não, melhor fariam se parassem de se destruírem a si mesmas e umas às outras, através do veneno do orgulho, do egoísmo e da ambição. Pois cada uma é como flores de esperança que Deus colocou neste planeta, que, generoso, porque criado sob a luz da divindade tudo oferece para o sustento de todos, sem que haja necessidade de um agir em prejuízo do outro, bastando para isso o exercício da solidariedade, do desapego por aquilo que sob nossa guarda acha-se transitoriamente.
Por isso, antes de nos colocarmos à crítica sobre a preferência religiosa de cada um, tratemos de deitar as armas, principalmente a língua, e nos analisarmos para que conscientes de nossas limitações, mas também de nossas possibilidades, busquemos nos aperfeiçoarmos moralmente.
Naquilo que diz respeito ao Espiritismo, sempre tão combatido por aqueles que o temem porque o ignoram, antes de se por a crítica e condenar o que não se conhece, melhor será instruir-se sobre os Fundamentos do mesmo, que são: existência de Deus, imortalidade do espírito, reencarnação, comunicabilidade entre os espíritos, lei de causa e efeito, pluralidade dos mundos habitados, evolução.
Depois, só depois, fique-se à vontade para comentar, criticar e até condenar, se é que se sinta a altura disso. Pelo menos estará se fazendo com conhecimento de causa.
Falar e fazer juízo de valor sobre o que não se conhece é fácil e podem motivar outros a agirem da mesma forma desencadeando processos destrutivos que apenas atrasam o progresso moral da sociedade humana. Mas, se uma palavra pode matar a outra, o exemplo, não. Porque é nele que se realiza a ação, através da qual cada um se revela.
O Espiritismo, por sua vez, é sustentado pela fé raciocinada. Exatamente por isso, ele não faz proselitismo, nada impõe, apenas propõe.
O Espiritismo nos mostra o que somos e de onde viemos e para onde vamos. Vivifica ao mesmo tempo em que esclarece, conforta nas horas difíceis comum a todos nós, em face da condição moral do planeta que habitamos em concordância com a nossa; ensina-nos a ser corajosos para enfrentar a boa luta, como ensinara Paulo, e sem armas, nenhuma, que não seja a fé e a boa vontade. Ensina-nos a nos prevenirmos quando, temporariamente ao abrigo, sentados no trono, à mesa farta, estivermos, porque, feito o mar, a vida pode mudar a qualquer momento. Ensina-nos a nos perguntarmos perante o sofrimento alheio: que posso fazer para amenizar ao menos o sofrimento do meu semelhante, porque ele feito eu, é também um filho de Deus.
Escrevo sobre isto, meus caros amigos, companheiros de jornada, de ontem, de hoje e de sempre e possíveis desafetos, não em defesa do Espiritismo porque ele não precisa disso, mas com único objetivo de compartilhar tais reflexões.
Sou espírita, sim. E isso não me faz nem melhor e nem pior que os outros. Mas é esse o Caminho, que já existia ao tempo de Pedro, dos primeiros cristãos, que tem salvado das trevas, por exemplo, a minha vida desde os meus 17 anos.
O que sugiro, se é que posso fazê-lo, é que cada um encontre o seu Caminho, porque eles são muitos, desde que com Cristo Jesus, que melhor atenda às suas necessidades, as espirituais, porque são elas que contam, uma vez que somos espíritos momentaneamente na condição humana. Cá estamos, mas não estaremos para sempre.

Diálogo Imaginário:

Um ser bastante evoluído pertencente a uma raça superiora, habitante de um mundo bem mais evoluído que o nosso é questionado sobre a possibilidade de sua gente interferir diretamente na sociedade humana, estabelecendo aqui uma nova ordem de coisas fundamentada na justiça, no amor, na bondade, enfim, repleta de virtudes. Ao que ele responde: Por que e como haveríamos de fazê-lo, se vocês humanos, irmãos que são, ainda se ofendem, se agridem, se matam?

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