quarta-feira, 19 de junho de 2013

POVO QUE LÊ?

"O brasileiro não se atém à substância da notícia. Portanto, não a compreende em sua totalidade". A frase pertence ao Prof. Olavo de Carvalho, filósofo (talvez o único brasileiro que mereça a distinção na atualidade), jornalista e escritor. Carvalho mora nos Estados Unidos onde ministra cursos de filosofia e mantém o site Mídia Sem Máscara, uma espécie de oásis de inteligência em meio o deserto da ignorância nacional. Uma vez por mês, ele apresenta via web rádio (áudio) e via Youtube (áudio e vídeo) o sempre acalorado True Out Speak. Acompanhar o professor seja através da leitura de seus artigos disponíveis no seu site pessoal www.olavodecarvalho.org ou nos meios de comunicação aqui citados é escapar da mesmice e da uniformidade (como ele próprio define) do noticiário nacional e da cena cultural do país.

Acredite leitor, que você pode até não concordar com as ideias do titio Olavo, mas que elas te levarão a refletir sobre uma série de coisas, não tenha a menor dúvida.
Eu poderia iniciar este artigo com uma introdução diferente, mas escolhi esta, primeiro porque a garrafa de café da redação está quase vazia, e os cigarros amassados dentro da gaveta, quase acabando, e sinceramente, não pretendo ficar com a bunda colada nessa cadeira desconfortável até as 10 da noite. Não pelo menos hoje.
Muito bem, caros leitores (e leitoras, é claro, antes que alguma desavisada me processe por isso, ou me torne a causa de uma passeata de protestos em favor da igualdade de menções ao gênero masculino e feminino por parte dos redatores).
Como eu ia dizendo, naquele nosso jeito informal de conversar eu e você, cara leitora, digo, leitor, na edição de Junho/2012, do Jornal Aquarius, e do qual somos um dos colaboradores, ocorreu um equívoco. Nada que macule a credibilidade do mensário, tão pouco de seu editor, nada disso, mas o equívoco justamente na capa do jornal, que, entre suas qualidades, tem por rotina não sujar literalmente a mão de quem o lê, poderia justificar a demissão, a guilhotina do infeliz que o cometeu, porque, imagine você, leitor atento que é, onde já se viu, não é mesmo, estampar no mosaico a foto do lago de Araras, tão conhecido e admirado, e não o de Rio Claro, cidade que por estar completando mais um aniversário foi a homenageada da referida edição.
Confesso, não fosse o Maurício Beraldo, imbuído de sua irretocável dignidade me alertar, e nem eu teria percebido o fato, como ouso imaginar que 9 em cada 10 dos muitos leitores do Aquarius perceberam.
O que isso revela? Que somos desligados, indiferentes? Talvez. Mas eu prefiro acreditar que a causa principal seja mesmo a nossa inaptidão natural para a leitura, e, pior, ainda, nossa falta de hábito e de jeito para o contato com uma publicação impressa, seja ela livro, jornal ou revista.
Se isso nos falta, que diremos de nossos filhos e netos, que inseridos em um mundo de moderna tecnologia aprenderam a ler por meio do celular, melhor dizendo, das mensagens neles escritas e que são as que realmente lhes interessam. Não é mesmo, Viviane? Sim, Viviane é minha filha. Beijinho, filha.
Que tipo de sociedade nós vamos herdar ao mundo, não sei. Uma geração de alienados? Quem sabe. Ou eles é que construirão a seu turno, um mundo, que hoje, sequer poderíamos vislumbrar baseados nas informações e conhecimentos que possuímos.
Sabemos que a informação é poder. Mas o modo como atualmente ela chega até nós, desmente essa máxima. Porque se trata de uma informação orquestrada, uniforme, que visa manipular a opinião pública, e fazer com que esta aceite, escolha, e acredite naquilo que interessa aos maiores beneficiados de um sistema econômico selvagem que apenas visa o lucro.
Desconfie, portanto, leitor, das afirmações que parecem não deixar dúvidas no que diz respeito à política e a economia. Ou das mensagens publicitárias que parecem sugerir mais de uma ou todas as alternativas, como a de determinada marca de cigarros, exposta estrategicamente nos caixas dos supermercados e que tem um grande “Talvez” em negrito, riscado por um “X” ainda maior. Talvez o quê? Entende?
Quando você assistir a uma tele-novela, um filme, uma peça de teatro, ouvir uma música, saiba que tais manifestações artísticas, trazem em seu bojo, um teste daquilo que na política, será no futuro, colocado em prática. Como já dizia o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal (1874-1929): “Nada se torna realidade na política de um país, se antes não está presente como espírito na sua literatura”. Ele se referia ao livro “O Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Já leram? Façam-no. E talvez encontrem algo que hoje seja comum aos nossos olhos.
Exagero de nossa parte, você pode estar pensando. Lembre-se que o alto custo dessas produções artísticas que atingem as grandes massas, demandam  financiamento. E aí encontramos a solução para tanto nas verbas publicitárias das empresas e dos governos, cada qual, com seus interesses.
Não há santo e muito menos coisa alguma de graça nesse meio, como não há independência jornalística, a partir do momento que uma publicação do gênero aceite que alguém ou alguma coisa veicule a sua mensagem publicitária.
Imprensa, artistas devem satisfações aos seus leitores e admiradores, sim. Mas aos seus anunciantes e patrocinadores, muito mais, porque sem esses últimos, os primeiros simplesmente não existem.
Aí, você pode dizer, mas e se o sujeito, no caso do artista, for podre de rico? Sim, ele até consegue botar o pescoço pra fora a fim de que todos o vejam e quem sabe até o admirem. Mas se ele com suas atitudes e sua arte, contrariar os interesses do sistema, do qual a imprensa faz parte, será devidamente engolido e levado ao obscurantismo por parte desse sistema que não admite erros, e muito menos prejuízos.
Deus tem suas leis, caro leitor, e os homens que mandam, porque possuem o poder econômico, de onde advém e através do qual se sustém todos os demais poderes, inclusive o político tem as suas. E, portanto, seus escolhidos. E disto, já sabiam os hebreus. E nada garante que eles eram dados à leitura. Moisés que o diga.

2 comentários:

  1. Caro amigo Costa, a temática do texto é das minhas prediletas: o analfabetismo funcional, a era da (ultra)informação descontextualizada, a maquiagem, a montagem, a embalagem, a oferta da indústria do entretenimento barato, a malfada sociedade do espetáculo, a esterilidade das novas gerações. O ser humano muitas vezes é o rei da monotonia infantilizado numa 'balada' de merda, não?

    E sim, há tempos acompanho alguns momentos do Olavo de Carvalho.

    E no punch literário, aprecio as distopias.

    É, meu amigo, concordâncias, congruências na crescente capacidade de indignação contínua. Satisfação em lê-lo, novamente.

    Grande abraço

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