terça-feira, 18 de junho de 2013

VINTE CENTAVOS, O PREÇO DA REVOLTA?

Nós brasileiros, nos acostumamos a ver manifestações populares no quintal dos outros. Agora nos deparamos com os mesmos acontecimentos no nosso quintal.
Há de se admitir o devastador efeito viral do poder de comunicação das redes sociais. Eventos que em sua origem reuniam algumas centenas de pessoas, uma semana depois, reúnem milhares delas.

É lógico que muitas pessoas aderiram à causa das manifestações depois de, estarrecidas, tomarem conhecimento através da mídia e das redes sociais, da reação das polícias para com os manifestantes.
Soma-se a isso, a conduta sempre inadequada dos políticos brasileiros, em teoria, os legítimos representantes do povo, mas que descaradamente insultam a boa fé e traem sem nenhum sentimento de culpa ou remorso a confiança desse povo, com gestos e atitudes exorbitantes, que beiram ao ridículo e que visam tão somente os benefícios e privilégios dos próprios políticos, através da prática nefasta da corrupção que corrói a riqueza do país, criada não por eles, os políticos que estão no poder, mas pelo povo, que, desta riqueza, só obtém esmolas que mais insultam a inteligência do que resgatam a dignidade, a exemplo do Bolsa Família.
A imprensa, não sem motivo, possui certa desconfiança para com a polícia militar e é compreensível sob esse aspecto que carregue na tinta e nas lentes os seus relatos sobre as manifestações que se verificam, o que, de certo modo, tende a induzir a opinião pública que, em sua maioria, ainda se vê muito mais representada pela imprensa que na classe política.
Mas, não se iludam. As tais reivindicações que justificariam a onda de protestos que se verifica em várias cidades do Brasil, como o aumento de tarifas de ônibus em São Paulo de R$3,00 para R$3,20, seria segundo alguns, apenas pano de fundo para o real motivo do que se pretenderia, ou seja, estabelecer o caos na sociedade brasileira, cenário que serviria como pretexto para instaurar a ditadura esquerdista no país.
Mais uma vez o povo estaria sendo usado como massa de manobra para engrossar um movimento e criar dificuldades para o controle legal da situação por parte das autoridades.
Se tais manifestações perdurarem mais uma semana com a mesma intensidade, pode-se a partir daí se atingir uma situação de instabilidade civil de consequências imprevisíveis.
Importante observar que o cenário que se vivencia atualmente no país favorece a implantação de um regime totalitário: não há oposição política ao governo federal; parte significativa da imprensa, justamente aquela que ainda forma opinião, está comprometida e, quando não, está sob controle, porque depende das verbas governamentais e dos investimentos publicitários das empresas que tem boas relações com os governos, seja em nível federal, como estadual e municipal. Pois se dependesse apenas da venda de suas publicações ao público leitor, no caso dos jornais e de seus anunciantes, no caso das tevês e rádios, estariam à beira da falência ou simplesmente já teriam deixado de existir.
Além disso, contribuem substancialmente para a deflagração dessas manifestações de rua, o oportunismo dos partidos políticos radicais, que nesses movimentos encontram a oportunidade para se fazerem vistos, ouvidos e obterem algum espaço político dentro do esquema de poder que atualmente comanda o Brasil.
As razões, entretanto, vão mais além. Elas passam pela insolvência, criminosamente planejada, do sagrado instituto da família. Passa pela impunidade e a corrupção, a excessiva carga de impostos paga pelo contribuinte sem nenhum retorno, a péssima educação pública, não por culpa dos professores, e que ao invés de formar cidadãos, tende a transformar crianças, adolescentes e jovens em potenciais transgressores das leis. Passa pela apologia ao crime, e à prática da promiscuidade, bem como à alienação e a estupidificação por meio das programações e informações difundidas pelos veículos de comunicação de massa. O estímulo ao consumo das drogas e das bebidas, cuja indústria financiaria o futebol profissional. A omissão proposital dos governos, uns por conivência, outros por falta de iniciativa e perspectiva, e, sobretudo comprometimento e coragem. Passa ainda pela dificuldade das autoridades em fazer com que as leis sejam cumpridas, pelo fato de que as leis que serviriam para garantir a ordem acham-se obsoletas, quando não favorecem justamente aqueles que não as respeitam. E finalmente o segmento cultural e artístico, onde, de um lado, se destacam ídolos de pano, roto e rasgado, das artes cênicas e da música, produzidos em toque de caixa por especialistas, e que nada tem a dizer ou expressar senão superficialidades e besteiras, e de outro lado, aqueles artistas absolutamente dependentes das esmolas das famigeradas políticas culturais, cujo intento, não é como se propaga reconhecer e valorizar o artista menos conhecido, portanto de menor apelo e penetração popular, mas mantê-lo subserviente e sob domínio, de modo que não se torne uma ameaça ao sistema, ao contrário, contribua para a sua manutenção. As referências nesse segmento, como se vê são as piores possíveis.
O cidadão comum, por sua vez, este ser amorfo, contraditório, alienado e omisso, quanto às coisas que imagina ingenuamente não lhe dizer respeito, e que atende a cada quatro anos pelo nome de eleitor, pode ser bonzinho demais, mas burrinho demais, talvez não seja. Porque tolerou a péssima saúde pública, o ineficiente transporte público, os baixíssimos salários pagos aos que realmente trabalham no país, até o momento em que apareceu a dinheirama, que se dizia não existir, para financiar obras faraônicas e absolutamente dispensáveis, como os estádios de futebol para a Copa do Mundo, cujo legado é duvidoso.
Tolerou a corrupção, até que se descobriu que os seus maiores praticantes eram justamente aqueles que sempre a condenaram e que há 11 anos governam o país. E indignado descobriu que os maiores beneficiados pela impunidade eram também aqueles próprios corruptos, que, apesar de condenados, ainda gozam dos benefícios das leis que ironicamente asseguram os direitos de quem não as cumpre, em uma afronta intolerável que desvaloriza a conduta correta daqueles que as respeitam e as cumprem.
Entenda-se que o objetivo principal por trás de tais manifestações de rua verificadas no Brasil nos últimos dias não é derrubar o governo federal da presidenta Dilma, como ingenuamente chegam a acreditar alguns. O objetivo visa manutenção do mesmo esquema de poder, onde a presidente, como se sabe, é apenas a ponta do iceberg, e a sua ampliação para um poder totalitário a perder de vista, não feito aquele que governou o país durante quase 24 anos, pior.
Se tal situação vier a ocorrer, dependerá, evidentemente, do respaldo das Forças Armadas, para que sustente. Se estas tiverem uma atitude venezuelana, por assim dizer, adeus liberdade, e salvem-se quem puder. Mas se acaso se dividirem em suas opiniões e decisões, a ponto de uma parte delas ficar a favor do eventual regime totalitário e outra não, aí estaremos com um pé no cenário mais inimaginável em se tratando de Brasil: a guerra civil, que em face das dimensões continentais do país, não será apenas uma contenda de primavera, como aquelas verificadas nos países árabes. Será, talvez, um verão com altíssimas temperaturas. E como disse o Geraldo, que não é este que vos escreve caro leitor, talvez falte guilhotina, mesmo.
A pouco mais de um ano das eleições presidenciais e diante da possibilidade de perder o poder em nível nacional, não seria absurdo imaginar que o grupo político que hoje governa o país, teria interesse em enfraquecer o oposicionista governo de São Paulo, o que facilitaria, em tese, a tomada do poder em nível estadual daqui a um ano, a exemplo do que ocorreu este ano, na capital.

Além do mais, enfraquecida as pretensões da cúpula do PSDB paulista em mais uma vez lançar candidato à presidência da república, estaria aberto o caminho para a candidatura mineira de Aécio Neves, que, em tese, não se constituiria, na prática, oposição ao governo federal que aí está. Muito pelo contrário. É aguardar para ver. E rezar.

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